26th of July

Faça aqui o teste de QA – Quociente de Autismo


Traduzi e implementei como um programa o teste de QA — quociente de espectro do autismo. Não é uma ferramenta de diagnóstico, mas um indicador para quem tem dúvidas. O resultado mostrará um gráfico com a curva de distribuição de notas no teste da população em geral, a curva das notas de pessoas com autismo altamente funcional ou síndrome de Asperger, e uma linha verde posicionando a sua nota no teste. Quanto mais à direita no gráfico estiver a sua linha (quanto maior o seu QA), maior é a probabilidade de você estar no espectro do autismo. Meu programa não salva o seus dados. Em caso de dúvida ou preocupação com o resultado do teste, procure orientação médica.

5th of December

Transexuais: resumão do resumão


– A pesquisa ainda está só no começo, o que mostra irresponsabilidade no ativismo da área, que decreta como verdades inquestionáveis coisas que ainda estão sendo pesquisadas.

– Um dos pesquisadores mais respeitados da área é o Dr. Ray Blanchard. Ele classifica trans “masculinas para femininas” como em dois tipos principais (não descartando que pode haver outros tipos)¹:

1. Transexual homossexual. Esse tipo se encaixa na narrativa ativista de pessoas que “nascem no corpo errado”. Há evidência disso? Algumas. Há alguns núcleos do hipotálamo em que pessoas nascidas com pênis que querem ser aceitas como mulheres (mulheres trans) são mais parecidas com mulheres nascidas com vagina do que com homens.² No entanto, as poucas evidências disponíveis não apontam somente nessa direção, embora pareçam apontar mais nessa direção do que ao contrário. Há um estudo indicando que há certos aspectos do cérebro de mulheres trans que se assemelham mais aos cérebros dos homens.³

Há razões teóricas que levam à previsão de que transexuais desse tipo existam: machos variam mais que fêmeas. Tanto que há machos que se distanciam tanto da média dos machos que são na verdade fêmeas. Isso é corroborado pela maior incidência de transexuais masculino->feminino do que feminino->masculino.

2. Autoginecófila. A autoginecofilia é um termo que em sua raiz indica um “amor por si mesmo quando mulher”. Esse tipo de transexual rompe com a narrativa dos ativistas sobre “corpo errado”. A razão de as autoginecófilas quererem ser mulheres é sexual, neste caso é uma identidade que vem de uma orientação sexual. Elas preferem mulheres, e querem ser mulheres. Talvez, uma forma branda disso são homens que sentem tesão em se vestir de mulher. É simplificação dizer que isso é um “fetiche” porque as autoginecófilas estão propensas a querer fazer intervenções cirúrgicas para ficarem mais femininas. Por exemplo, um caso relatado pela pesquisadora Alice Dreger é de uma autoginecófila que chegou a ter raspado cirurgicamente o osso acima dos olhos (osso frontal) e sentiu um prazer enorme quando foi tomar banho e o xampu entrou em seus olhos.4 A atenção ao sexo do corpo é tamanha que ela percebeu, como poucas pessoas sabem, que esse osso age como um “guarda-chuva” nos olhos de muitos homens quando tomam banho. Há algo de similaridade entre elas e os “modificadores corporais” de outros tipos.

– A maioria das crianças que manifestam disforia de gênero (desconforto com o sexo do próprio corpo) na infância não se torna transexual na vida adulta.5 A disforia se resolve sozinha e boa parte delas se revela gay na puberdade. É por isso que é preocupante a onda de intervenção hormonal em “crianças trans”. Obviamente, uma minoria não resolve a disforia sem passar por terapia com hormônios sexuais e cirurgias, mas é melhor que isso só aconteça na vida adolescente/adulta.

– Alguns pesquisadores acreditam que, por causa da politização e atenção exagerada que o tema está ganhando, algumas pessoas com transtornos de personalidade, especialmente no espectro do autismo, podem se convencer de que têm disforia e desejam transicionar.6 É um fenômeno novo, similar à epidemia de bulimia dos anos 90: até o criador do termo “bulimia” acredita que ele ter criado o termo e o diagnóstico foi algo que CAUSOU que cada vez mais casos aparecessem. Evidência de que é coisa nova: essas pessoas geralmente não manifestaram disforia nenhuma na infância. Algumas se arrependem, e esse arrependimento às vezes termina em tragédia.

– Pela ignorância diante da falta de pesquisas e pelo emburrecimento que a politização causa, o tema está cada vez mais delicado. Os profissionais de saúde tentam seguir o pragmatismo de que o que fizer a pessoa sofrer menos é o melhor. Mas muitas vezes esses profissionais ignoram que há efeitos colaterais nos tratamentos de transição. E que coisas como a voz alterada por hormônios jamais voltam a ser o que eram antes. Ou seja, as profissões da saúde podem causar danos ao se politizarem: seja com a paranoia ultraconservadora de que isso tudo é plano do “globalismo” e da “ideologia de gênero”; seja com a empatia sem cérebro do ativismo que quer que tudo seja decidido com base na subjetividade do paciente, até quando essa subjetividade é volúvel, transtornada e mudará no instante seguinte.

 

Referências:

1 – Nuttbrock, Larry, et al. “A further assessment of Blanchard’s typology of homosexual versus non-homosexual or autogynephilic gender dysphoria.” Archives of sexual behavior 40.2 (2011): 247-257.

2 – Bao, Ai-Min, and Dick F Swaab. “Sexual Differentiation of the Human Brain: Relation to Gender Identity, Sexual Orientation and Neuropsychiatric Disorders.” Frontiers in Neuroendocrinology 32, no. 2 (April 2011): 214–26. https://doi.org/10.1016/j.yfrne.2011.02.007.

3 – Luders, Eileen, et al. “Regional gray matter variation in male-to-female transsexualism.” Neuroimage 46.4 (2009): 904-907.
APA

4 – Dreger, Alice. Galileo’s Middle Finger: Heretics, Activists, and One Scholar’s Search for Justice. Penguin Books, 2016.

5 – American Psychological Association. “Guidelines for psychological practice with transgender and gender nonconforming people.” American Psychologist 70.9 (2015): 832-864. http://dx.doi.org/10.1037/a0039906

6 – Marchiano, Lisa. O preocupante caso da transexualidade socialmente contagiosa. Xibolete, 2017. https://xibolete.uk/trans

28th of January

Autismo: teoria e prática Uma entrevista com Andréa Werner Bonoli


Uma conversa entre uma mãe de autista (Andréa Werner Bonoli, mãe do Theo) e um geneticista para servir de guia a todas as pessoas afetadas e interessadas. Blog da Andréa: http://lagartavirapupa.com.br Patrocine vídeos de divulgação científica como este com um dólar ou mais por mês em: http://patreon.com/elivieira

Informações citadas:

PECS, Sistema de Comunicação por Troca de Figuras https://en.wikipedia.org/wiki/Picture_Exchange_Communication_System (sem tradução para o português na Wikipédia)

Sobre tratamentos charlatanescos com “cândida” / água sanitária, uma reportagem investigativa da BBC expondo os responsáveis: http://www.bbc.co.uk/news/uk-england-london-33079776

Documentário Le Mur com legendas em português http://www.dragonbleutv.com/pt/documentaires/23-le-mur-ou-la-psychanalyse-a-l-epreuve-de-l-autisme-pt

Sobre o farsante autor do estudo que alegou que vacinas causavam autismo: https://en.wikipedia.org/wiki/Andrew_Wakefield

Revista Time: 4 doenças que estão voltando graças aos antivacinas http://time.com/27308/4-diseases-making-a-comeback-thanks-to-anti-vaxxers/

Referências científicas:

Charlop-Christy, Marjorie H., Michael Carpenter, Loc Le, Linda A. LeBlanc, and Kristen Kellet. ‘Using the Picture Exchange Communication System (pecs) with Children with Autism: Assessment of Pecs Acquisition, Speech, Social-Communicative Behavior, and Problem Behavior’. Journal of Applied Behavior Analysis 35, no. 3 (1 September 2002): 213–31. doi:10.1901/jaba.2002.35-213.

Chevallier, Coralie, Gregor Kohls, Vanessa Troiani, Edward S. Brodkin, and Robert T. Schultz. ‘The Social Motivation Theory of Autism’. Trends in Cognitive Sciences 16, no. 4 (April 2012): 231–39. doi:10.1016/j.tics.2012.02.007.

Faraone, Stephen V., Roy H. Perlis, Alysa E. Doyle, Jordan W. Smoller, Jennifer J. Goralnick, Meredith A. Holmgren, and Pamela Sklar. ‘Molecular Genetics of Attention-Deficit/hyperactivity Disorder’. Biological Psychiatry 57, no. 11 (1 June 2005): 1313–23. doi:10.1016/j.biopsych.2004.11.024.

Gaugler, Trent, Lambertus Klei, Stephan J. Sanders, Corneliu A. Bodea, Arthur P. Goldberg, Ann B. Lee, Milind Mahajan, et al. ‘Most Genetic Risk for Autism Resides with Common Variation’. Nature Genetics 46, no. 8 (August 2014): 881–85. doi:10.1038/ng.3039.

Gottesman, Irving I., and Todd D. Gould. ‘The Endophenotype Concept in Psychiatry: Etymology and Strategic Intentions’. American Journal of Psychiatry 160, no. 4 (1 April 2003): 636–45. doi:10.1176/appi.ajp.160.4.636.

Knickmeyer, Rebecca Christine, and Simon Baron-Cohen. ‘Topical Review: Fetal Testosterone and Sex Differences in Typical Social Development and in Autism’. Journal of Child Neurology 21, no. 10 (10 January 2006): 825–45. doi:10.1177/08830738060210101601.

Taylor, Luke E., Amy L. Swerdfeger, and Guy D. Eslick. ‘Vaccines Are Not Associated with Autism: An Evidence-Based Meta-Analysis of Case-Control and Cohort Studies’. Vaccine 32, no. 29 (17 June 2014): 3623–29. doi:10.1016/j.vaccine.2014.04.085.