6th of November

Na íntegra: falando à BBC sobre ateísmo


A BBC Brasil me entrevistou para uma matéria sobre ateus, e, como é compreensível, pouco do que eu disse ao repórter André Bernardo foi publicado. Como de praxe aqui no meu blog (vide esta entrevista sobre genética do comportamento e esta outra sobre “apropriação cultural”), seguem abaixo as perguntas e minhas respostas na íntegra.

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1. Segundo o Censo de 2010, 0,39% da população brasileira, o que corresponde a cerca de 740 mil pessoas, se declaram ateus ou agnósticos. O senhor diria que, na prática, esse número é bem maior? Por que é tão difícil ser e, principalmente, assumir-se ateu no Brasil?

Sem dúvidas o número é bem maior, especialmente naquelas subculturas brasileiras em que os ateus, especialmente os mais jovens, precisam se esconder de suas famílias e comunidades, com medo de serem postos para fora de casa e ostracizados. Mas eu não esperaria um número exorbitantemente maior, digamos, superior a 10%, pois as condições que levam ao ateísmo orgânico são bem particulares e ainda insuficientes no Brasil. Ateísmo orgânico é como o sociólogo Phil Zuckerman chama a perda de fé de ateus em sociedades em que não houve história de ateísmo forçado pelo Estado. O maior exemplo são os países escandinavos. Há muitos ateus lá porque há uma educação de boa qualidade difundida, e porque as pessoas têm vidas mais confortáveis. Segundo um estudo publicado na revista científica PNAS, há uma relação forte entre a crença em um deus punitivo e poderoso e condições ambientais estressantes, como o deserto. O Javé dos monoteísmos surgiu exatamente nesse contexto, era uma explicação e um consolo diante de uma natureza inclemente para os povos do oriente médio.

2. Uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, realizada em 2008, mostrou que 17% dos brasileiros odeiam os ateus, 25% têm antipatia e 29% são indiferentes. A que o senhor atribui isso? Teria alguma explicação?

Isso vem diretamente da insistência da maior parte dos religiosos, em especial cristãos, em ensinar que não há uma vida moral sem Deus, o que é uma posição cuja fraqueza já havia sido apontada por Sócrates no diálogo Êutifron. Insistir nela, portanto, é ensinar apenas parte do cânone cultural ocidental. O apresentador de TV Datena disse que os ateus que estavam ligando para o programa dele para responder a uma enquete sobre a existência de Deus estavam ligando dos presídios. Acabou tendo de pagar indenização a um ateu que se sentiu caluniado. A insinuação de que os ateus não têm norte moral é constante nas igrejas cristãs, e talvez é uma ideia difícil de largar porque faz parte do que atrai seguidores. Ninguém quer ser má pessoa, então alegar que seu produto principal de venda é a bondade em pessoa é uma boa estratégia, especialmente se essa fabricação publicitária é ensinada a crianças sem capacidades críticas de questioná-la, por incontáveis gerações. O problema dessa ideia é que ela é falsa. Quem hoje trabalha profissionalmente com a vanguarda do pensamento ético, que são os filósofos eticistas, geralmente nem acredita em Deus. É o caso do filósofo Peter Singer, que praticamente fundou o movimento pelos direitos dos animais, para diminuir a tortura e o sofrimento a que os submetemos. É verdade que há ateus antiéticos, mas a maioria dos ateus é gente bem educada e preocupada em fazer a coisa certa, por vários motivos, incluindo o respeito a si mesmo. Ademais, fazer a coisa certa com intenção de ganhar recompensas após a morte é algo que parece interesseiro. As pessoas buscam fazer a coisa certa por motivos desvinculados de suas crenças religiosas ou irreligiosas: a moralidade é indispensável na vida e eu duvido que qualquer pessoa consiga viver sem ocasionalmente ser insultada pelo que é errado ou ficar desejosa do que é certo. Qualquer ser pensante precisa lidar com noções de certo e errado, assim como precisa lidar com noções de verdadeiro e falso. Não é preciso procurar muito para achar pessoas que são exemplos de vida ética e não acreditam em Deus, assim como é fácil achar o mesmo entre os religiosos.

3. Há relatos de ateus e agnósticos que, aqui ou lá fora, chegaram a sofrer perseguição. Você já foi vítima de preconceito ou discriminação por assumir publicamente que não acredita em Deus?

Não teria caso claro em que fui discriminado por ser ateu – até porque quem quer discriminar faz isso facilmente sem ser notado, por exemplo me negando oportunidades e oferecendo a quem acredita em Deus. Desconfio que já aconteceu, mas é impossível provar. Eu criei uma paródia da famosa formiga evangélica “Smilingüido”, porque sempre achei meio desonesto mostrar para as crianças apenas as partes bonitas e com mensagens corretas da Bíblia, escondendo as partes ultrajantes e horrendas. Criei uma paródia e chamei de “Smilinguarudo“, que é uma formiga linguaruda porque mostra justamente as partes difíceis de justificar, como quando Deus, protegendo os sentimentos feridos do profeta Eliseu, mandou duas ursas para matar e esquartejar mais de quarenta moleques que o tinham chamado de “careca”. A melhor interpretação que conseguiram me dar disso é que a tradução é inexata e que não eram moleques, eram homens adultos insultando Eliseu. Quer dizer então que se foram homens adultos, Deus está correto em pagar insultos verbais com esquartejamento por ursas? E por que eram ursas fêmeas? Eu desenhei essa cena e publiquei no Facebook. A editora responsável pelo personagem parodiado prometeu me processar. Em resposta, eu me limitei a dizer que minha paródia é protegida por Deus e pelo artigo 47 da lei nº 9.610/1998, que protege as paródias. Não digo que esse caso foi de discriminação por eu ser ateu, mas ilustra bem o quanto a crítica incomoda quando mensagens supostamente sagradas se mostram estranhas, imorais e malucas.

4. Há quem chega ao cúmulo de pensar que, por não acreditarem em Deus, os não crentes são menos confiáveis e solidários que os crentes. O que você pensa disso? De onde vem essa distorção?

Vem de ignorância sobre ética, de não pensar detidamente com rigor no que se está falando. O diálogo de Sócrates com Êutifron terminou num dilema: ou nós sabemos o que é certo e errado porque temos capacidade de detectá-lo por nós mesmos, e os deuses também têm essa capacidade e por isso nos recomendam usá-la, ou dependemos dos deuses para apontar o que é certo e errado, botando a autoridade dos deuses na frente da nossa capacidade de raciocinar eticamente. Se o mal no mundo é uma doença e o remédio são as boas ações éticas, as boas ações éticas são boas por suas propriedades intrínsecas, e não porque eventualmente foram comandadas por alguém, ainda que este alguém seja onipotente, onisciente e onipresente. Esta me parece ser a solução ótima para o dilema de Êutifron. A alternativa, que é depender da autoridade de Deus, só adia o problema de entender o que é certo e errado, e além disso nos bota numa posição subserviente e infantilizadora. Muito mais interessante que girar em círculos em torno da autoridade de Deus sobre a moralidade é ouvir os filósofos sobre objetividade e subjetividade na ética, sobre meta-ética. É um campo em que o progresso é possível se arregaçarmos as mangas e deixarmos de lado a autoridade de Deus. Prova disso é que nossa cultura mudou de ideia sobre a permissibilidade da escravidão, e não é possível alegar que a religião foi protagonista dessa mudança, porque a Bíblia autoriza a escravidão em várias passagens, em ambos os testamentos.

5. Já houve algumas campanhas ateístas no Brasil, certo? “A fé não dá respostas. Só impede perguntas” é uma delas. O que pode ser feito para combater a ojeriza contra ateus e agnósticos?

Não achei essas campanhas efetivas porque se valiam de slogans que, como qualquer frase de efeito, são cheios de furos. Sabe quem mostraria que sua fé o levou a várias perguntas e respostas, refutando essa frase? Isaac Newton, que fez ciência só até por volta dos 30 anos e depois só cuidou de teologia. Também não gosto do tom inflamatório, embora eu aprecie um pouco de sarcasmo. Para obter mais tolerância, creio os ateus têm muito a aprender com os gays. Embora para muita gente ainda seja difícil lidar com gays e lésbicas fazendo carícias públicas, até quem tem ojeriza contra eles costuma reconhecer que eles estão dentro de sua liberdade num país laico. Em Bangladesh, recentemente, blogueiros ateus começaram a ser assassinados a machadadas e facadas. Já foram dez mortes de ateus e secularistas desde 2013 só nesse país. O mesmo tratamento que o Estado Islâmico dispensa a gays ele dispensa também a ateus, com diferença somente na forma de execução. A maioria dos religiosos, dos muçulmanos aos católicos, desaprova essas intolerâncias extremadas. Mas será que alguns não praticam formas mais brandas de intolerância? Uma intolerância não deixa de ser intolerância porque não mata ninguém. Pintar todos os ateus como gente imoral ou perdida no niilismo é algo desonesto pois há inúmeros exemplos do contrário para qualquer um que quiser honestamente procurar. Alguns vão alegar que ateus dizem que todo religioso é burro e intelectualmente preguiçoso, mas eu sei que isso não é verdade e até já li teologia do Alvin Plantinga, que é melhor defendida racionalmente que o ateísmo de muitos ateus. É claro que eu, ateu, acredito que estou certo e darei argumentos defendendo meu ateísmo, e considero irracional quem nem tenta defender sua crença diante de críticas e acha até errado que alguém queira criticar. Cada um dá uma desculpa diferente para ter fé, e é incrível como muitos religiosos parecem ter desistido de argumentar racionalmente pela fé nos tempos modernos, quando Tomás de Aquino, por exemplo, acreditava que poderia firmar a existência de Deus e todo o cristianismo em premissas inquestionáveis. Talvez foi porque ele falhou que hoje se recorre tanto ao subjetivismo e ao relativismo para defender a fé? Debates à parte, creio que ateus têm parte da responsabilidade por sua difamação, quando se acovardam de se afirmar e dizer o que pensam em público. É bom para todos nós de todas as fés ou faltas de fé que a sociedade seja plural e nenhuma discordância seja varrida para debaixo do tapete só porque algumas pessoas são incompetentes para discordar sem exaltar os ânimos ou querer punir os discordantes. O Estado Islâmico é um lugar chato e opressivo onde todo mundo pensa igual (ou age como se pensasse). Deve servir de exemplo para sociedades como a brasileira serem o exato oposto: um lugar em que as pessoas são livres para não acreditar em Deus, para expressarem seus pontos de vista (e até se ridicularizarem). A liberdade de expressão é uma boa ideia porque difunde as ideias corretas e também as erradas, nos forçando a defender as primeiras e mostrar por que duvidamos das últimas. Tratar as ideias corretas como dogmas inquestionáveis levanta dúvidas sobre sua correção, pois o que precisa desse tipo de proteção são ideias frágeis diante da crítica. E tratar as ideias erradas como tabus imencionáveis levanta dúvidas sobre nossa real capacidade de mostrar que essas ideias são de fato erradas. Religiosos acreditam que o ateísmo é falso? Então não têm por que vilipendiar os ateus: se o ateísmo for falso, ele se dissolverá diante da luz da verdade no debate aberto, franco, rigoroso e democrático. O mesmo vale para a religião. Quem confia em sua posição defenderá as liberdades individuais de todos.

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1st of June

Perguntas frequentes sobre humanismo FAQ humanista


Uma série de respostas a perguntas básicas sobre o que significa ser humanista, que escrevi para a Liga Humanista Secular do Brasil.01. Somos ateus?

Humanistas são céticos quanto às propostas históricas de existência de entidades sobrenaturais e divinas. Uma forma de ceticismo quanto a divindades é o ateísmo, outra é o agnosticismo. Portanto, humanistas são ateus ou agnósticos.

02. Somos antropocêntricos?

Não. Como a fronteira entre as propriedades dos seres humanos e as propriedades de outros animais não é radicalmente nítida, faz todo sentido que humanistas tenham noções éticas que incluam outras espécies. Isso significa que humanistas não coadunam com a crueldade contra outros animais. Também não somos antropocêntricos em outros sentidos: os seres humanos são uma parcela ínfima do universo, antropocentrismo é acreditar que ele todo foi feito de presente para nós.

03. Somos pessoas sem norte ou desesperadas?

Não, ao menos não em função das nossas ideias. O humanismo oferece a autenticidade em aceitar os fatos sobre o que somos – por exemplo, que provavelmente não há vida após a morte – e buscar construir sentido para nossas vidas de forma racional. Uma vida não passa a ter sentido só porque supostamente é eterna, pensar assim seria como pensar que, porque tem valor a atividade de cuidar de um jardim em um dia, esse valor seria aumentado ou mantido se isso for feito o tempo todo ou para sempre. Vidas finitas ao mesmo tempo com sentido e frutíferas são não apenas uma possibilidade: são talvez a única forma de existirmos com finalidades de valor que abraçamos voluntaria e autenticamente.

04. Somos pessoas emocionalmente frias?

Absolutamente não. É um espantalho a ideia de que pessoas racionalistas são frias e sem emoção. Afinal, quando as pessoas sentem revolta, podem ser razoáveis ou irrazoáveis em estar revoltadas. Quando alguém se apaixona, pode estar sendo razoável nessa emoção, ou irrazoável (por exemplo, pode se apaixonar por alguém que só lhe faz mal e não corresponde). Além disso, quando exercitamos o pensamento crítico, podemos nos regozijar do mero fato de estarmos fazendo isso, podemos ter prazer ao perceber nosso próprio crescimento pessoal quando abandonamos uma crença errada e adotamos uma mais próxima da verdade. Razão e emoções são intrincadamente relacionadas, e não necessariamente opostas. E sentir uma emoção qualquer não exime ninguém de submeter essa emoção ao exame crítico: podemos descobrir que a sentimos irrazoavelmente e agir de forma a fazê-la passar.

05. Rejeitamos qualquer coisa que não for cientificamente comprovada?

Não. Em primeiro lugar, a noção de “cientificamente provado”, se interpretada ao pé da letra, sugere que nada mais há para se descobrir sobre o assunto “provado”, ou então que a tal “prova” é impossível de estar errada. Essa atitude dogmática é incompatível com o proceder científico, que põe em funcionamento as habilidades da investigação idealmente com o rigor dos séculos de métodos refinados para ampliá-las e corrigir seus erros. A ciência é uma investigação que muito tem em comum com outros tipos de investigação: a que visa a solucionar crimes, a que visa a rigorosamente interpretar e aplicar leis, a que visa a inventar pratos irresistíveis ao paladar, a que pretende fazer análise crítica de conceitos, etc. Todos os tipos de investigação podem ser feitas com rigor, a ciência é um dos tipos mais bem sucedidos, mas não é o único, e pode ser mal feita como todos os outros. Portanto, embora nem tudo seja passível de escrutínio científico (conhecimentos matemáticos, por exemplo, são obtidos por outros métodos), nenhuma ideia deve escapar à cobrança do rigor do pensamento crítico. E acreditamos que afirmar a existência de coisas sobrenaturais falha gravemente nesses critérios de rigor, assim como falham práticas como homeopatia, esquemas de pirâmide, irracionalismos pós-modernos etc.

06. Rejeitamos feminismo ou veg(etari)anismo?

Não necessariamente. Se com “feminismo” o que se pretende dizer é um conjunto de ideias e ações com garantida promoção da igualdade de oportunidades e direitos entre os gêneros, então feminismo nada mais é que humanismo aplicado a questões de gênero. Nem sempre, infelizmente, é isso que se quer dizer com “feminismo”, então a primeira coisa a se fazer é ter clareza quanto ao termo. Outra é dar prioridade às questões éticas a respeito de gêneros, em vez de entrar em guerras de identidade sobre quem pode se dizer feminista ou não – pela evidente prioridade dessas questões éticas acima da afirmação identitária de ativistas. Sobre veg(etari)anismo, como dito, humanistas não coadunam com crueldade contra animais, não por dogma, mas porque ser cruel com animais é irracional, e os argumentos em prol da crueldade empalidecem com sua fraqueza frente aos argumentos a favor da dignidade dos animais. Cada humanista é livre para levar esses argumentos até suas consequências, e debater até que ponto a crueldade deve ser combatida, e que atitudes, se alguma, devem ser mudadas. Importante nesse assunto é saber que em qualquer dieta é possível adotar alguma forma de diminuir a crueldade contra animais. Mesmo pessoas adeptas do churrasco podem procurar saber se os animais que consomem foram maltratados enquanto viviam. E se alguém acredita que é correto independentemente de contexto torturar seres humanos ou outros animais, com certeza não é humanista.

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A Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS) foi fundada em 2010 e é a maior organização latino-americana dedicada especificamente ao humanismo. Eu fui presidente da associação até 2013. Ela foi escolhida para sediar o próximo Congresso Humanista Mundial, em São Paulo, 2017. Em poucos dias a LiHS mandará um representante ao STF para defender a laicidade do Estado, cada dia mais ameaçada no Brasil. Contribua com a associação: http://lihs.org.br/doar | Afilie-se em: http://lihs.org.br/queroentrar

1st of May

Invertebrados e humanistas


Há 200 anos, Jean-Baptiste Lamarck, naturalista francês, dividiu os animais em vertebrados e invertebrados. Note que a divisão é desigual de uma maneira importante: vertebrado é uma classificação positiva, baseada na presença de um órgão observável que é a coluna vertebral. Invertebrado é uma classificação negativa, ou seja, é um nome para os bichos que não têm esse órgão.
Após a teoria da evolução e outros avanços, a biologia aprendeu que a classificação “invertebrados” é chauvinista, nada explicativa, e não junta os animais de uma forma que reflita sua história ou suas características. Nós biólogos ainda chamamos animais de invertebrados nas nossas disciplinas, mas sabemos que é uma forma artificial de chamá-los e que, para compreendê-los, de nada adianta saber o que eles não têm (coluna): precisamos saber o que esses animais nos mostram ter, de forma positiva (positiva no sentido de afirmativa): ctenóforos têm corpo gelatinoso, como cnidários, mas diferente dos últimos são bilateralmente simétricos. Para entender cnidários e ctenóforos, pensar no que não têm em comum não acrescenta nada. Ou seja, a categoria dos invertebrados é meramente instrumental.
A minha conclusão é que os termos “ateu” e “ateísmo” são da mesma natureza de “invertebrado”. Unir pessoas com base numa falta de fé tem que ser meramente instrumental, não se pode esperar que grandes realizações resultem disso (no momento que um ateu propõe uma coisa, a chance de haver outro que acredita no oposto é alta). É preciso mais que criticar: é preciso propor. Ninguém que é ateu deve se sentir obrigado, em virtude do ateísmo, a pensar criticamente, a ser cético, a gostar de filosofia e ciência, a se importar com direitos humanos, democracia e Estado laico. Esse conjunto de valores em conhecimento e conduta forma a coluna vertebral do humanismo. Humanistas nem precisam provar a que vieram: já existe uma longa história de suas realizações.
Forçadas a arregaçar as mangas diante do silêncio do cosmos, as pessoas humanistas examinam, reexaminam, propõem e criticam. Discordam entre si, afinal é preciso partir de uma pluralidade de hipóteses, mas frequentemente convergem em investigações independentes. Só querem saber do que pode dar certo, não têm tempo a perder, mas sabem que prazer não é necessariamente tempo perdido. A vida é finita e pode ser melhor aqui e agora. E “vida” não significa apenas “vida humana”; “finita” não significa “aceitamos qualquer conclusão que puder ser obtida no prazo de uma vida”; e “melhor” não significa “o que importa é ter mais gente pensando exatamente como nós”, nem significa “vamos praticar justiça punitiva para ferir quem feriu, excluir quem excluiu, e censurar quem censurou”.
Não é fácil, não é popular, e o sucesso não é garantido. Faz-se as coisas mesmo assim porque omissão é uma decisão perigosa. E não há nada mais terrível no leito de morte de uma pessoa humanista que a sensação de que não se dedicou a nada além de si mesma, não construiu nada, não aplicou tempo e esforço em projetos de valor que valorizam a própria vida, e que esta vida pode ser descrita pelo que não teve, uma vida “invertebrada”.
15th of December

“Eu sou humanista.” Será mesmo?


Permita-me respeitosamente discordar de sua autoidentificação, pois não parece ser este o caso se: – Você é contra a criminalização da homofobia, e igualmente contra a descriminalização do racismo. Pode-se aceitar que você acredite ter bons argumentos pelo excesso de liberdade de expressão permitindo inclusive o discurso de ódio, mas não é possível coerência se você sai fazendo campanha contra o PLC122 mas prefere nada comentar sobre a lei que este projeto visa a editar, a lei anti-racismo. No mínimo você deveria chamar pela impugnação da lei anti-racismo. Ser incoerente no tratamento de diferentes preconceitos pode indicar que você esposa algum deles. – Você é contra o direito de uma mulher de decidir se quer levar adiante ou não uma gestação até certo limite de desenvolvimento do feto. Especialmente se você se recusa a explicitar quais são as condições necessárias e suficientes para que um ser vivo seja considerado um cidadão digno de direitos. Não, este debate não é sobre "a vida" – vida é um conceito tratado por biólogos e filósofos da biologia. Este debate é sobre quando, no espectro do desenvolvimento de um embrião humano, ele deixa de ser uma coisa mais parecida com as células vivas que expelimos e matamos todos os dias (inclusive as da sua salada) e passa a ser uma criança de fato, com todos os direitos que as crianças justamente têm. Definir "criança" de forma esdrúxula, igualando-a a um zigoto ou a um conjunto amorfo de células totipotentes, é uma posição que leva a problemas éticos insuperáveis, inclusive o problema ético de atentar contra a autonomia das mulheres.

– Você reclama dos movimentos sociais o tempo todo e gostaria que eles se extinguissem, quando é objetivamente demonstrável que várias de suas reivindicações fazem sentido e que os grupos que eles representam realmente têm seus interesses desfavorecidos injustamente na sua sociedade.

– Você acha que certos grupos de crença ou de posição política são blocos monolíticos contendo apenas cópias de um estereótipo desumanizado.

– Você pensa que absolutamente toda ética é relativa e que portanto ninguém pode acusar culturas que mutilam genitalmente mulheres e cometem infanticídio de estarem cometendo atos imorais.

Se alguma dessas carapuças serviu, infelizmente terei que veicular a má notícia de que você não é, de fato, um humanista. Não de acordo com boas fontes políticas (http://lihs.org.br/humanismo ) e filosóficas (http://lihs.org.br/etica ).

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Publicado originalmente na página da LiHS no Facebook.

12th of June

Joga pedra no Eli


Respondendo a tuítes de algumas pessoas que se importam o suficiente comigo para me odiarem no Twitter. Todas as publicações são da noite de 11 de junho quando transmiti Twitcam pela segunda vez no @BuleVoador.

Senhor Saulo vira membro de associações sem ler os estatutos delas. Aqui, Saulo, para sanar suas “dúvidas”:

ARTIGO 24º Compete ao Presidente: a) A representação institucional e diplomática da LiHS junto à sociedade civil

Humanismo, uma religião? Que acusação barata e fácil. Como eu disse na transmissão, a aderência a três princípios configura um humanista secular: direitos humanos para ética, ciência e debate para epistemologia e democracia para política. Se isso é religião, então qualquer coisa é. Se isso é dogma, qualquer coisa é.

Oba, vamos lá causar a discórdia! Joga pedra no Eli! Ele é bom de apanhar, ele é bom de cuspir, maldito Eli.

Uau Mário. Humanismo secular religião, e agora fundamentalismo humanista secular. Estou morrendo de medo dos fundamentalistas humanistas se armando com a declaração dos direitos humanos pra cima da gente! Está aprendendo a argumentar com aqueles cristãos que dizem que o Dawkins é fundamentalista ateu?

Me chamou pra causa nobre? Qual? O Projeto Livres Pensadores? Não me lembro de ter sido chamado. Nenhum dos seus emails fala isso, e eu olhei todos. Mas é claro que devo estar mentindo, afinal eu sou o malvado Eli. Sobre o Bule, também não me lembro, mas não sou eu o responsável, eu  não mando no Bule Voador, só sou presidente da associação dona do Bule Voador.

Ouviu, Jô?! Nada de me chamar. Eu sou perigoso. Posso ter um texto meu de 2007 como primeiro resultado do Google para “ateísmo dogmático”, texto que critica dogmatismo, mas eu sou dogmático mesmo assim, porque o Mário falou e o Saulo assinou em baixo. Alguém me algeme! Me mantenham bem longe do Jô Soares! E longe dos ateus também, é claro, porque eu os persigo.

Cuidado comigo. 35 diretores da Liga Humanista estão sendo “traídos” diariamente por mim, sou traiçoeiro. E minha desonestidade intelectual está bem clara em todos os meus textos. É por isso que eu jamais uso referência acadêmica em nada.

 Muitas vítimas do malvado Eli. Devo ter feito alguma coisa bem ao estilo Eric Cartman com todas essas vítimas.

Claro, importante lembrar que o malvadão é presidente da LiHS. Mantenham isso em mente.

Taí uma prova da minha maldade! Chamei minha tia homofóbica e capitalista de homofóbica capitalista. Mereço a forca?

Já isso é uma mentira, e eu tenho testemunhas. Nadja faz psicologia. No chat da LiHS eu citei o livro “Imposturas Intelectuais” de Sokal e Bricmont, um clássico do ceticismo acadêmico. No livro há um capítulo mostrando que o psicanalista Jacques Lacan se comportou como um pseudocientista em várias instâncias, por exemplo dizendo que o “órgão erétil” masculino é igual à raiz de menos um. Eu disse à Naja Nadja no Facebook que atacar as teorias de Lacan não é atacar a pessoa dela (óbvio) e nem atacar a psicologia, porque psicanálise não é só Lacan e psicologia não é só psicanálise (há muitas outras vertentes como a psicologia cognitiva, a transacional, o behaviorismo…). Eis a resposta da Nadja a essas obviedades lógicas e factuais: 
Ao chamar Lacan (cujas teorias são objeto de meus estudos) de pseudo-intelectual, você, automaticamente ESTÁ me chamando de pseudo-intelectual SIM.

Aham, Nadja, senta lá.

É, eu viro bicho. Começo até a postar no meu blog, veja só, quão animalesco da minha parte.
Valores dogmáticos, que perigo! Ciência, direitos humanos e democracia, dogmas perigosíssimos, mantenham distância! Ah, e sim, inventei isso, afinal sou a única pessoa postando no Bule Voador.

Nadja está se referindo à coluna Advocati Fidei, do Bule Voador, que publica quinzenalmente artigos de dois cristãos nada ortodoxos, Alex Altorfer e André Tadeu. Que inadmissível um blog ateu receber cristãos! Lugar de ateu é com ateu! E o Eli é que é dogmático e fundamentalista!

Está fazendo tanta falta, Nadja, nem imagina o quanto. Oba, o Bule Voador ganhou apelido para a gente usar toda vez que não gostar dele!

 

Entenderam? Nenhum humanista pode reclamar quando alguém defende a morte. Nem se este alguém for tão coerente que é contra a pena de morte, só que tipo, assim, pode ter pena de morte às vezes, quando ele quiser, porque aí podemos decidir quem vai morrer, mas nada de pena de morte hein! Eu sou malvadão mesmo, que perigo.

E o melhor da noite vem da lacaniana roxa:

Não me faço de rogado: Allahu Akbar, kumbaya my Lord, Parangaricotirimirruaro.

Vai ser presidente do seu clube ou síndico do seu prédio? Prepare-se pra isso aí. Chorumelas pra dar e vender.

20th of August

Por que não sou niilista – uma resposta a André Díspore Cancian


o-grito Recentemente comentei uma entrevista do André Díspore Cancian, criador do site Ateus.net, em que ele expressava o niilismo. Desenvolverei um pouco mais aqui.
Se o niilismo (do latim nihil, nada) é meramente notar o fato de que não há um sentido para a vida, ao menos não um que seja propriedade fundamental da nossa existência ou do universo, então eu também sou niilista. Ou seja, é muito útil o niilismo como ceticismo voltado para a ética.
Porém há mais para o niilismo de alguns: não apenas notam este fato sobre a ausência de sentido na natureza que nos gerou, como também descartam de antemão, dogmaticamente, qualquer tentativa de construção de sentido como uma mera ingenuidade. E nesta segunda acepção eu não sou, em hipótese alguma, um niilista.
Há duas razões para eu não ser um niilista:
1) Vejo uma inconsistência interna, que é técnica, no niilismo:
É uma posição circular, pois parte de uma questão de fato, que é a falta de “sentido” na vida, para voltar a outra questão de fato, que é nossa necessidade de “sentido” na vida apesar de o tal sentido não existir.
A inconsistência aqui é ignorar um enorme campo, a ética, que é o campo das questões de direito.
“Sentido” é algo que pode ser construído pelo indivíduo e pela cultura, como sempre foi, porém sem o autoengano de atribuir sentido ao mundo natural que nos gerou mas ver o tal sentido como vemos uma obra de arte.
Ninguém espera que a beleza das obras de Rodin seja uma propriedade fundamental da natureza. Da mesma forma, não se deve esperar que sentido seja uma propriedade fundamental da vida.
Filósofos como Paul Kurtz e A. C. Grayling estão estre os que explicitam e valorizam a construção do sentido da vida da mesma forma que se valoriza a construção de valor estético em obras de arte.  
Como niilista, o André Cancian acha que a decisão ética diária que tomamos por continuar a viver é fruto apenas de instintos moldados pela seleção natural, e que a razão deve apenas não se demorar em tentar conversar com estes instintos, pois se tentar, ou seja, se focarmos nossa consciência no fato do absurdo da natureza (tal como denunciado por Camus e Nietzsche) cessaríamos nossa vontade de viver voluntariamente.
É um erro pensar assim, porque um indivíduo pode, como Bertrand Russell e Stephen Hawking relatam para si mesmos, construir um sentido para sua própria vida, consciente de que esta vida é finita e insignificante no contexto cósmico. É uma alegação comum que era esta a posição defendida por Nietzsche – que valores seriam construídos após a derrocada dos valores tradicionais. Mas não sou grande fã da obra de Nietzsche como filosofia, sou da posição de Russell de que Nietzsche é mais literatura que filosofia. A posição do niilista ignora também os tratados de pensadores como David Hume sobre a fragilidade da razão frente a paixões. A razão é escrava das paixões – é um instrumento preciso, como uma lâmina de diamante, porém frágil frente à força das paixões.
A razão e a âncora empírica são as mestras do conhecimento e da metafísica. Por outro lado, as paixões, ou seja, as emoções, incluída aqui a emoção empática, são as mestras das questões de direito, como indicam pesquisas científicas como as do neurocientista Jorge Moll.
A posição niilista é inconsistente ao limitar a legitimidade do pensamento ao escrutínio racional e/ou científico. Na verdade, razão e ciência são para epistemologia e metafísica (não respectivamente, mas de forma intercambiável). Ética existe não apenas como objeto de estudo destas outras faculdades, mas como todo um alicerce sustentador das nossas mentes: o alicerce das questões de direito –
– "devo fazer isso?"
– "isso é bom?"
– "isso é ruim?"
São questões com que nos deparamos todos os dias, a respeito das quais as respostas epistemológicas e metafísicas (referentes a questões de fato) são neutras.
Na entrevista no blog Amálgama, André Cancian faz questão de citar que as emoções (ou paixões), que ele chama de "instintos", tiveram origem através da seleção natural.
Esta prioridade inusitada na resposta do Cancian é exemplo da circularidade do niilismo: nada teria sentido porque as emoções vieram de um processo natural de sobrevivência diferencial entre replicadores que variam casualmente.
Frente ao fato de também a razão ter vindo do mesmíssimo processo, como Daniel Dennett argumenta brilhantemente em suas obras, por acaso isso torna a razão desimportante ou então faz dela um instrumento que só gera respostas falsas?
Esta pergunta retórica serve para exemplificar que nenhuma resposta a ela faz sentido ao menos que se separe, como fez Kant, as questões de fato das questões de direito.
É algo que niilistas como o André Cancian insistem em não fazer.
Na UnB, tive aulas com um filósofo admirável chamado Paulo Abrantes. Quando entrava na questão metafilosófica de explicar o que é filosofia ou não, ele, como a maioria dos filósofos, dava respostas provisórias e incertas. Uma dessas respostas me marcou bastante: filosofia é a arte de explicitar. Todo trabalho de tomar uma ideia cheia de conceitos tácitos, dissecá-la e explicitá-la melhor, seria um trabalho filosófico.
Quando certas formas de niilismo ignoram a importantíssima explicitação kantiana da separação entre questões de fato e questões de direito, estão voltando a um estado não filosófico de aferrar-se a posições nebulosas e tácitas.
Concluindo a primeira razão pela qual eu não sou niilista, posso então dizer que é porque o niilismo parece-me antifilosófico.
2) Não sou niilista, também, por ser humanista. Em outras palavras, o vácuo que o niilista gosta de lembrar é preenchido em mim pelo humanismo.
Aqui vou ser breve: por mais que eu tente explicar, racionalmente, razões pelas quais sou humanista, todas estas tentativas são meras sombras frente a sentimentos reais que me abatem.
O fato de existir o regime teocrático no Irã, e o fato de dezenas ou centenas de pessoas estarem na fila do apedrejamento, entre elas uma mulher chamada Sakineh Mohammadi Ashtiani, é algo que açula "meus instintos mais primitivos", parafraseando uma frase famosa no Congresso alguns anos atrás.
Sinto de verdade que é simplesmente errado enterrar uma mulher até o ombro e atirar pedras contra a cabeça dela até que ela morra.
Sinto que também é errado achar que "respeitar a cultura" do Irã é mais importante que preservar a vida desta mulher e de outros que estão na posição dela.
Porque culturas não são indivíduos como Sakineh, portanto culturas não contam com nem um pingo da minha empatia. Mas aqui são denovo minhas capacidades racionais tentando explicar minhas emoções.
Tendo isto em mente, convido qualquer niilista a pensar, agora, o que acha de dizer a esta mulher, quando ela estiver enterrada até os ombros, que nada do que ela está sentindo tem importância porque as emoções dela são instintos que vieram da evolução pela seleção natural.
Estou apelando para a emoção numa argumentação contra o niilismo? Claro. Eu construí o sentido da minha vida, aliás estou sempre construindo, com a noção de que minhas emoções – e as dos outros – são importantes sim, mesmo tendo elas nascido do absurdo da natureza. Na verdade, este batismo de sangue as valoriza. Mas falar das emoções, que são a base da ética, à luz de seu batismo de sangue é assunto para outro texto. Quem sabe usar o personagem Dexter Morgan como mote para falar disso? Não decidi ainda se será bom ou ruim.

23rd of September

LiHS – Liga Humanista Secular do Brasil



Se você rejeitou a religião tradicional (ou nunca foi religioso), você pode estar se perguntando “isso é tudo?”

É libertador reconhecer que seres sobrenaturais são criações humanas… e que não há “espírito”… e que as pessoas surgiram (tanto a espécie quanto os indivíduos) a partir de processos puramente naturais, e que portanto as pessoas são responsáveis por si mesmas.

Mas e depois?

Para muitos, o mero ateísmo (a ausência de crença em deuses e no sobrenatural) ou o agnosticismo (a visão de que tais coisas não podem ser respondidas de forma absoluta) não são o bastante.

O ateísmo e o agnosticismo nada podem dizer sobre questões maiores sobre valores e significados. Se o sentido na vida não é imposto de cima para baixo, que sentidos podemos construir juntos para a vida? Se a vida não é eterna, como podemos fazer com que nossas vidas finitas sejam preciosas?

Como coexistiremos num mundo que não é governado por versões gigantes de nós mesmos?

Para as questões que precisam de respostas depois de nos livrarmos de deuses, espíritos e fantasmas, muitos ateus, agnósticos, céticos e livres-pensadores se voltam para o humanismo secular.

O que é isso?

“O Humanismo é uma postura de vida democrática e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e forma às suas próprias vidas. Defende a construção de uma sociedade mais humana, através de uma ética baseada em valores humanos e outros valores naturais, dentro do espírito da razão e do livre-pensamento, com base nas capacidades humanas. O Humanismo não é teísta e não aceita visões sobrenaturais da realidade.”

International Humanist and Ethical Union (IHEU) – Minimum Statement on Humanism

Para defender essa postura acaba de ser lançada a ideia da
LiHS – Liga Humanista Secular do Brasil.

Junte-se a nós!

Nossa visão:

Um mundo sem privilégios religiosos ou discriminação religiosa, onde as pessoas têm liberdade para viver bem com base na razão, na experiência e nos valores humanos universais.

Nossa missão:

A LiHS será fundada para promover o Humanismo, para apoiar e representar as pessoas que buscam viver sem crenças religiosas ou supersticiosas, de uma forma positiva e construtiva em vez de negativa e combativa.

Quem somos:

A Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS) será instituída como uma organização não-governamental sem fins lucrativos, dedicada a apoiar e representar pessoas não-religiosas que buscam viver eticamente sem crenças sobrenaturais e supersticiosas, e que queiram se identificar de forma positiva e afirmativa.

Comprometida com os direitos humanos, com a democracia, com a igualdade, com o respeito mútuo e com a honestidade intelectual livre, a LiHS trabalhará concretamente por uma sociedade aberta, com liberdade de crença, liberdade de expressão, e laicidade nas leis, na educação, na mídia, e no cenário público em geral, sem privilégios para a religião, especialmente a historicamente estabelecida.

Começamos com o blog Bule Voador, muito mais virá em breve.


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