1st of agosto

Refutação preemptiva às bobagens que Silas Malafaia dirá na Globo hoje


Hoje o fiscal anal geral da República, Silas Malafaia, estará no programa de Pedro Bial na Sonegadora de Impostos, digo, na Rede Globo.

Eis aqui uma refutação preemptiva às falácias do pastor, se ele abrir a boca para falar da natureza da homossexualidade:

1 – Francis Collins, que ocupou cargo burocrático do sequenciamento do rascunho do genoma humano por parte do governo dos EUA, cientista cristão e um bom cientista, jamais negou as bases genéticas da orientação sexual em humanos. Isso é mentira do Malafaia. Eis o que Francis Collins de fato disse:

“Uma área de particular forte interesse público é a base genética da homossexualidade. As evidências de estudos com gêmeos de fato apoia a conclusão de que fatores herdáveis têm um papel na homossexualidade masculina.”

2 – Mayana Zatz, geneticista respeitada brasileira, também não negou as bases genéticas da orientação sexual. Mentira do Malafaia. Marcos Eberlin, químico da Unicamp que gasta seu tempo livre atacando a teoria da evolução aceita unanimemente por aqueles que, diferente dele, pesquisam em biologia, genética e genômica, não é um geneticista. Em todo lugar que Malafaia vai ele repete que o criacionista é geneticista, e isso é mais uma mentira.

3 – Malafaia usa apenas uma fonte, o livro de um tal John S. H. Tay. Como Malafaia usa este como autoridade e mal toca em qual argumento ele usa para negar as evidências de base genética na orientação sexual, basta contar o número de cientistas e universidades que o desmentem nas referências que citei no meu vídeo. http://youtu.be/3wx3fdnOEos

Malafaia é tão ardiloso que ele indica esse livro porque a tradução é editada pela igreja dele, e ele quer aumentar seus lucros vendendo o livro.

Na conclusão do livro, Tay alega: “as evidências apontam a eficácia das terapias de reorientação [sexual]”, ou seja, cura gay. Malafaia usa como referência em genética um livro que alega que é possível fazer a tal da cura gay. 

Enquanto isso, Robert L. Spitzer, considerado por alguns como o pai da psiquiatria moderna, pediu desculpas por ter alegado que a cura gay era possível e ter feito estudos tendenciosos contendo esta alegação. http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2012/05/20/famoso-psiquiatra-pede-desculpas-por-estudo-sobre-cura-para-gays.htm

4 – A tese do Malafaia de que direitos dos LGBT têm que ser submetidos a plesbiscito é absurda e fascista. Desafio-o a citar um só jurista que defenda uma excrescência dessas. Se maiorias pudessem decidir sobre os direitos das minorias, linchamentos seriam legais, e a escravidão dificilmente teria sido abolida. Malafaia quer que a maioria decida sobre os direitos desta minoria porque ele espera que a maioria compartilhe de seu preconceito e de seu ódio contra esta minoria.

5 – Para demais bobagens que ele dirá sobre Estado laico, favor ler esta nota (clique no título):  Brasil não pode ser laico por causa de “Deus seja louvado” no dinheiro e “sob a proteção de Deus” na Constituição?

Para terminar, só quero acrescentar uma coisa: a emissora tem responsabilidade sobre este convite. Convidar o Malafaia para falar de gays não é diferente de convidar a Ku Klux Klan para falar de negros. Até quando a mídia vai dar espaço para preconceituosos e propagadores de discurso de ódio?

2nd of dezembro

Resposta ao ataque de Rachel Sheherazade contra o Estado laico


Rachel Sheherazade diz que concorda com Sarney que a tentativa de retirar "Deus seja louvado" do dinheiro é "falta do que fazer". Quem tinha falta do que fazer foi quem atendeu a vontade individual do Sarney e enfiou essa frase no dinheiro em 1986, direito que não era assegurado a ele nem como presidente. Não tem lei nenhuma regulando isso, e a Constituição diz para o Estado não apoiar nenhuma crença religiosa. É um exemplo típico de ingerência do particular sobre o que é público. É a segunda vez que a jornalista, nessa mescla de jornalismo amador brasileiro entre notícia e opinião, perde totalmente a noção do que fala quando se trata de convivência do Cristianismo com outras crenças no Brasil. Outra ocasião em que ela fez isso foi quando os tribunais gaúchos corretamente retiraram crucifixos de suas dependências. Sem falar nos mitos e inverdades por ela proferidos. Se foi o Cristianismo que pariu a noção de igualdade social, então ela vai ter que explicar por que a Revolução Francesa não partiu de iniciativa cristã, muito pelo contrário, sendo inspirada por obras seculares como a Encyclopédie, a primeira enciclopédia do mundo, organizada pelos ateus Diderot e D’Alembert. Na escola ninguém aprende o mínimo sobre laicidade, Rachel Sheherazade é só mais um dos sinais da pobreza da educação nessa área. Fica a pergunta: se é desimportante a frase no dinheiro, por que tanto barulho sobre a tentativa constitucionalmente correta de retirá-la? Por que o procurador CATÓLICO que propôs a retirada da frase foi ameaçado de morte? Temos uma turba de teocratas que querem empurrar seu cristianismo goela abaixo em todos neste país, e esse autoritarismo começa justamente em coisas pequenas como frases no dinheiro e crucifixos em tribunais. Como disse o Carlos Orsi, essa insinuação de que o assunto não é importante é quase uma confissão de derrota: sabemos que é errado, mas vamos continuar fazendo mesmo assim, porque somos maioria, maioria ditatorial que não se importa com a vontade de minorias como politeístas, ateus, e quem acredita em forças superiores mas não gosta de chamá-las de "Deus". O assunto é muito simples: só tem dois jeitos de ser neutro: ou bota-se TODAS as frases religiosas e não-religiosas imagináveis nas notas de real, e transforma-se todas as paredes de tribunais em penduricalhos de símbolos de todas as crenças religiosas que tenham pelo menos um defensor no Brasil, ou retira-se tudo. Retirar tudo é mais barato, mais racional, mais respeitoso. E pelo amor de Iemanjá, parem com esse negócio de inventar que "Deus" é uma expressão neutra de todas as religiões. Budistas não acreditam em nenhum deus, perguntem à Monja Coen. Eu não acredito em nenhum deus, muito menos em entidades como a bela e afável Iemanjá, e sou cidadão brasileiro. Exijo, como cidadão brasileiro, que parem de enfiar suas crenças pessoais no dinheiro e nos tribunais que são de TODOS, não apenas de vocês. Exijo em nome da Constituição que a Rachel Sheherazade não leu. *** A juíza que decidiu pela permanência da frase confessional diz que não vê muitos incomodados com a frase. Prove que ela está errada assinando esta petição.