14th of September

Religião (cristã): o problema da coerência


Por algum tempo eu venho dizendo que moderação nas religiões abraâmicas é como uma galinha chocando os ovos do Godzilla. Os argumentos a seguir explicarão.
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Se os cristãos moderados propõem que o mito da criação é uma metáfora, não têm onde pôr freios à corrosão ácida que essa ‘metaforização’ vai causar nos relatos bíblicos.

Estarão somente selecionando o que lhes convém para julgar como literal, como a concepção da Virgem Maria (para os católicos), ou a paternidade divina de Jesus.

Metáfora por metáfora, Javé será uma metáfora para as leis da física? A história de Jonas e a baleia é uma metáfora? A história da ressurreição de Lázaro é metafórica? E a da filha de Jairo? E a multiplicação dos pães, o milagre de Canaã, o andar sobre as águas, a aparição para Tomé? Ora, todos esses relatos gozam de tanta santidade e evidências quanto o mito da criação em seis dias, a mulher vindo da costela e o dilúvio universal (os pontos favoritos para metaforizar atualmente).

Os fundamentalistas estão ‘certos’ em dizer que tudo é literal na Bíblia, porque foi assim que sempre funcionou e a metaforização contemporânea seria vista como uma heresia pela maioria dos líderes cristãos que já existiram.
É claro que para fazerem isso os fundamentalistas precisam se resguardar numa patética ignorância (e relutância) quanto aos fatos da natureza e as descobertas científicas.

Desse modo, mais coerentes ainda são os cristãos da chamada “ciência cristã” que se recusam a tomar remédios obtidos pela ciência (a verdadeira) e preferem esperar por milagres para curar coisas como gripe e câncer. Estão sendo coerentes com sua religião, assim como são os homens-bomba com o Islamismo.
Se o Corão incita os seus fiéis a matar os infiéis, quem são os moderados muçulmanos para dizer não?

Desconfio até que existem moderados porque eles não suportam a precariedade de seus próprios livros sagrados e são pessoas sem fé! Se a Bíblia diz que todas as espécies de animais foram botadas numa arca de alguns côvados de comprimento e largura, os moderados precisam ter fé na palavra sagrada! Se o Corão diz para cortar os pés e mãos dos infiéis em lados alternados, os muçulmanos precisam ter fé nisso também.

Certas coisas precisam ser absolutas e não admitem a hipocrisia da moderação ou do meio-termo. Moderados não seguem suas religiões, mas continuam se dizendo pertecentes a elas apesar delas mesmas.

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Se você se diz parte de uma religião, mas considera certos pontos do que ela diz mera metáfora, então você não é legitimamente parte da religião. Se cada um está livre para considerar este ou aquele ponto uma metáfora, e não há critério quanto até que ponto a metáfora vai, então podemos ter dentro dessa religião um ateu que levou a metáfora até suas últimas conseqüências (o que fica tão coerente quanto o fundamentalismo).

Se há tanto livre pensamento dentro da religião considerada, então ela se desmembrou e se decompôs por dentro. Não é mais uma religião (no sentido restrito de ser uma manifestação coletiva).

Meu ‘problema’ não é com o modo tão comum de interpretar a religião através de acepções pessoais – acho até admirável do ponto de vista de acalmar os ânimos. Meu problema é com a coerência filosófica que resultará disso.

É tradição querer organizar as coisas, e é isso que desejo saber, o que restará a ser organizado se for proposto algo menos que “8 ou 80” quanto às afirmações do cristianismo?

Bart D. Ehrman diz: “os textos podem ser interpretados, e são interpretados (assim como foram escritos) por seres humanos que vivem e respiram, que só podem extrair sentido dos seus textos explicando-os à luz de seus outros conhecimentos (…). Por isso é que ler um texto é, necessariamente, mudá-lo”.

Mas é de se espantar que um ser onisciente e onipotente prefira se manifestar por maneiras tão obscuras. Para mim parece uma pista da falsidade dele, pois o mínimo que eu posso esperar de um ser inteligente (mais inteligente que todos nós) é que ele se expresse com o mínimo de lógica num texto sagrado que não dê espaço para interpretações escusas de caráter íntimo. Afinal de contas, ele criou ou não criou o mundo? Se posso interpretar o mito bíblico como metáfora, o que me impede de interpretar a criação em si como metáfora, algo que não aconteceu literalmente?

Sem essa de ‘linhas tortas’, também. Se Deus quer ser adorado e receber orações, seria lógico que tivesse um comportamento livre de obnubilações. Se ele permite tanta liberdade de interpretação para o que ele disse, então ele permite muitas interpretações referentes à sua própria natureza, a maioria delas, por uma questão estatística, plenamente errôneas e até ofensivas. “Fiéis, podem me subestimar até como uma entidade antropomórfica vingativa que cria primatas a partir de barro, mas o importante é que me adorem e paguem o dízimo”.
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CIÊNCIA E RELIGIÃO

Modelos científicos não são completamente destruídos. Eles costumam ser melhorados, como o que aconteceu com Newton, com os modelos atômicos, e até com a teoria da evolução. Coisas como a geração espontânea, por exemplo, nunca chegaram a ser modelos científicos per se, porque não conseguiram excluir alternativas.
Já a religião, quando muda radicalmente, costuma ser por meio da força bruta ou do poder, nunca por causa das evidências.

O que deterá a corrosão ácida que a metaforização está causando?

Qual é a escala de fantasia que estão usando para dizer que certa coisa é fantástica demais para ser literal na Bíblia? Porque a história do messias não é tão fantástica quanto a da criação do gênesis?!

Há muitas limitações biológicas impostas à história da concepção da virgem, e elas podem ser tão numerosas quanto as limitações à criação divina de seis dias.

Se estou sendo radical demais ao exigir um 8 ou um 80, é porque não vi nenhum método confiável apresentado pelos cristãos que seja justo ao julgar o que é metáfora na Bíblia.
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TEOLOGIA LIBERAL

Três elementos da Teologia Liberal segundo o bispo anglicano Dom Sumio Takatsu (apenas os parágrafos com número):

(1) “É receptivo à ciência, às artes e estudos humanos contemporâneos. Procura a verdade onde quer que se encontre. Para o liberalismo não existe a descontinuidade entre a verdade humana e a verdade do cristianismo, a disjunção entre a razão e revelação. A verdade deve ser encontrada na experiência guiada mais pela razão do que pela tradição e autoridade e mostra mais abertura ao ecumenismo.”

Traduzindo: “caro fiel, se vire. Se acha que não consegue acreditar ao mesmo tempo em concepção virginal e genética molecular, faça uma sublimação dos dois conceitos, guarde para si, e não me venha com chorumelas. Pode xavecar com religiões que dizem coisas diferentes das que eu digo, não tô nem aí”.

(2) “Tem-se mostrado simpatia para com o uso dos cânones da historiografia para interpretar os textos sagrados. A Bíblia é considerada documento humano, cuja validade principal estar em registrar a experiência de pessoas abertas para a presença Deus. Sua tarefa contínua é interpretar a Bíblia, à luz de uma cosmo-visão contemporânea e da melhor pesquisa histórica e, ao mesmo tempo, interpretar a sociedade, à luz da narrativa evangélica.”

Traduzindo: “Caro fiel, lembre-se acima de tudo que a Bíblia diz coisas bonitas, portanto alguma coisa deve ter de verdade. Se não sabe por que outros documentos humanos como as cartas que você escreveu para a sua namorada não são considerados sagrados, saiba que a Bíblia é velha, chegou primeiro, então merece estar no altar. Interprete a sociedade baseando-se no sermão da montanha, não no massacre de Jericó, por favor”.

(3) “Os liberais ressaltam as implicações éticas do cristianismo. O cristianismo não é um dogma a ser crido, mas é um modo de viver e conviver, caminho de vida.”

Traduzindo: “Caro fiel, apenas se diga cristão porque a gente gosta de ver você fazendo isso. Faça o que é certo como nós dizemos, continue a tomar a hóstia mesmo achando que está só comendo um pedaço de farinha. Quanto a Cristo ser Cristo mesmo, esqueça, coma essa farinha e cale a boca”.

Os postulados da Teologia Liberal não resolvem o problemão de ter um Deus onipotente e onisciente que não se comporta como tal.

Se Deus deixou que um livro de homens como a Bíblia tivesse justificado tanta besteira em nome dEle, então não é ao mesmo tempo bom e intervencionista. Minha linha de argumentação me leva aos clássicos argumentos de Epicuro:

“Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malevolente. É capaz e deseja? Então por que o mal existe? Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus?”

Nos moldes da teologia liberal o conceito de Deus como ser inteligente, dotado de poderes e criador da natureza é um conceito tão oco quanto um unicórnio com essas mesmas características.

Se é para metaforizar o Antigo Testamento dando privilégios de literalidade apenas para o Novo Testamento, ainda teremos o problema de saber se há uma ligação válida entre os dois quando o último cita o primeiro.

Existe a interpretação de que Cristo morreu para lavar o pecado original de Adão e Eva. Se a história de Adão e Eva é uma metáfora, Cristo morreu então em nome de caprichos de estilo literário de seu Pai – o que diminui o feito.

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ADAPTANDO EPICURO AO PROBLEMA LITERAL/METAFÓRICO

Deus deseja passar aos homens mensagens explicativas sobre si mesmo e sobre as origens, mas não é capaz de fazer de tal modo que seja uma mensagem literal que não permita interpretações mutuamente excludentes ou refutação com base em evidência? Então não é onipotente.

É capaz, mas não deseja? Então ninguém sabe sobre a sua natureza, nem mesmo que se trata de um ser único ou de um ser que criou o universo.

É capaz e deseja? Então por que os textos sagrados já produzidos pela humanidade são tão etéreos, perdem tanto tempo em homilias, e quase nunca acertam alguma coisa sobre a natureza (revelando assim a limitação de quem realmente os escreveu)?

Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus, e por que sequer o consideramos uma possibilidade plausível quando o único motivo para fazê-lo é nosso desejo de ter um universo aconchegante?

Ou então Deus é apenas algo sem inteligência, a base da matéria e da energia, por isso não é capaz de ditar textos sagrados, nem deseja, nem tem a capacidade de desejar qualquer outra coisa. Algo extremamente simples que deu origem a todo o universo, mas passa longe de ter a inteligência de uma bactéria e a sabedoria de um camundongo.
Me parece que essa é a metáfora para Deus.

Pode-se julgar que é metafórico apenas o que está escrito em linguagem poética na Bíblia?

Não. Isso é subjetivo e seria um método desonesto. O sermão da montanha está em linguagem poética. E então, os bem-aventurados aflitos serão ou não serão consolados? É metafórico, então devo interpretar que os aflitos serão consolados não porque há uma força consoladora que os aliviará, e sim porque o tempo cura a aflição, ou então porque a morte será um consolo porque extinguirá a aflição negativamente.

Cristo andou sobre as águas violando as leis de Newton e acusou os profetas de serem homens de pouca fé. Se a passagem me parece poética, então é metafórica, quer dizer apenas que a fé é um fortificante transformador da personalidade e não um artífice da natureza.
Mas se a passagem não é poética, quer dizer que Jesus violou as leis da Física.

Nenhum problema, afinal ele é o filho de Deus e tinha poder para isso, não é?
OK, ser religioso é acreditar nessas coisas que aconteceriam poucas vezes na história. Mas o que está em discussão aqui é: os religiosos estão dispostos a serem coerentes de modo a acreditar em eventos milagrosos relatados na Bíblia de forma a ignorar sua inconsistência frente à ciência?

Pode existir uma linha contínua de coerência quanto ao modo de considerar um ou outro evento milagroso uma metáfora porque é vergonhosamente inconsistente?
O fato de descartar a literalidade é reflexo de reflexão lógica profunda ou mera seleção com base em apetite?

Dizer que os milagres de Cristo são literais e o dilúvio universal é metafórico só transparece a motivação primordial da religião: humanizar o universo. Julgar que algo é verdade porque é bonito e reconfortante.

Esta motivação, apesar da absurda incoerência, é o que jaz por trás da retórica teológica, da ascenção e queda de dogmas, dos mistérios da fé, dos milagres, e todos os pilares fundamentais do cristianismo.

14th of September

Batismo


“No século XIX alguns arqueólogos descobriram em Enoanda, atual Turquia, os restos de uma muralha, com uma inscrição. Dela constavam trechos de ensinamento que Diógenes de Enoanda, discípulo de Epicuro, gravou para disponibilizar a todos quantos passassem por ali, fosse homem, mulher ou criança, de qualquer nacionalidade, o que seria um resumo da sabedoria humana em quatro frases, uma prescrição médica para a alma, um TETRAPHARMAKON [τετραφάρμακος] que dizia:


1) Não há nada a temer quanto aos deuses;

2) Não há necessidade de temer a morte;

3) A Felicidade é possível;

4) Podemos escapar à dor.”

Embora a cura em quatro partes (tetrapharmakos) possa não ser completamente verdadeira ou factível, este blog será uma tentativa de fazê-la verdadeira e factível.
Como biólogo e ateu, quero executar esta tentativa in vitro, pelas rédeas da razão e da ciência.
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18/03/2008

O aparente paradoxo acima merece explicação.
Quando digo que não é factível, mas mesmo assim o farei, o que tenho em mente é que não me esforçarei diretamente em convencer ninguém de que deuses não devem ser temidos.

Muitos sistemas de crença trouxeram justamente o contrário do que propunham ao terem a preocupação ávida de tentar mudar atitudes e pensamentos. Muito mal brotou da preocupação excessiva em estabelecer padrões pétreos de bem.

Me interesso apenas por conhecer, questionar, e argumentar. O que derivar disso, acredito, é que vai insuflar em mim e nos outros os princípios do Tetrapharmakos. Em buscar a amoralidade científica e tentar trazê-la para a Filosofia, para que nossas conclusões não sejam contaminadas por nossos desejos e nosso modelo de mundo não tenha cheiro de esperança ingênua ou desespero, podemos nos deparar eventualmente com uma resignação sábia para com a indiferença do Universo, uma contemplação vivaz da Natureza sem qualquer subserviência à sua força, apenas respeito.

A figura de Epicuro inspira uma atitude mental sã, de um ser humano que desperta e se vê como um simulacro racional; que vê a Natureza não como mãe bondosa, nem como madrasta má, mas como um berço inerte ao mesmo tempo confortável e desconfortável. E ainda assim, uma mente perspicaz, que usa de múltiplas hipóteses e intuição probabilística para explicar fenômenos e impressões, que tem uma atitude empática para com outras mentes, e que expurga a trivialidade do dia-a-dia dando lugar a uma sucessão de espetáculos.

Esta atitude filosófica, encontrada como subproduto de um modo de pensar e não como um santo graal digno de sede sôfrega, é que permite a libertação do temor da morte e dos deuses, e uma nova forma de suportar a dor e desfrutar da felicidade – esta também um subproduto, não uma jóia cobiçada.

11th of September

(Christian) Religion: The Coherence Problem


For some time I have been saying that moderation in abrahamic religions can be described as a hen hatching Godzilla’s eggs. The following arguments will explain.

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If moderate religious people claim the myth of creation is a metaphor, they will have no power to cease the acid digestion that this ‘metaphorization’ will cause to sacred historical reports (the contents of religious books).

Moderates will be just selecting what is convenient to judge as literal, like the Virgin Mary pregnancy (for Catholics), or the divine parenthood of Jesus. In short words, cherrypicking.

Concerning thoroughly these metaphors, would Yaweh be a metaphor for the laws of Physics? The story of Jonah and the ‘whale’ is a metaphor? The resurection of Lazarus is metaphoric? What about Jairus’ daughter? And the bread loafs being multiplied, the turning of water into wine, the walking upon waters, the apparition to Thomas?

These stories have as much evidence and santity as the six-day creation myth, Eve coming from Adam’s rib, and Noah’s ark (the favorite metaphor spots nowadays).

Fundamentalists are “right” on saying that everything is to be taken literally in the Bible, for thus has happened and worked for centuries and the modern metaphorization would be seen as a heresy by most christian leaders that ever lived.
Of course, by doing so the fundamentalists need to attach to a pathetic ignorance (and reluctance) about nature and scientific discoveries.

Thus, even more coherent are the “Christian Science” believers who would rather wait for a miracle than take medicine to cure diseases like flu and cancer. They are being coherent with their religion, and so are the suicide bombers with Islam.
If the Koran spurs muslims to kill the infidels, on what grounds could a muslim moderate possibly retort otherwise?

I even suspect there are moderates because moderation is the response for those who do not endure the precariousness of their own holy books, those of little faith! If the Bible says that every single animal species has been embarked in an ark of some cubits in length and width, moderates must have faith in the holy book! If the Koran recommends infidels should “have their hands and feet on alternate sides cut off”, muslims ought to have faith in the holy word.

Certain things must be taken in absolute terms and do not fit into moderate hypocrisy. Moderates do not actually follow their religions, but claim themselves to be part of them notwithstanding their basic dogmas.

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If you allege you belong to a religion, but regard certain claims of it as mere metaphor, is your allegation truthful? If anyone is free to consider which point is metaphoric, and there is no reliable criterion as to how far goes the metaphor, so we can have within this religion an atheist who has taken the metaphor to the furthest conclusion.

If there is so much free thinking within the given religion, it has probably scattered and decomposed from inside, and is not properly a true religion (in the strict sense of religion as a collective phenomenon).

The ‘problem’ is not the so common habit of interpreting religion through a personal scope – this is a rather admirable strategy from the perspective of calming down the fuss. But could any philosophical coherence be derived from such a stance?

It is traditional to try and organize ideas, and this is a much important task to be done if coherence is wanted out of complete metaphor or complete literality (apparently the only means to imediate coherence) of christian claims. Metaphor seems to be attempted as the fine line between literality and litterality (from litter, complete rubbish).

Bart D. Ehrman says: “Texts do not simply reveal their own meanings to honest inquirers. Texts are interpreted and they are interpreted (just as they were written) by living, breathing human beings, who can make sense of texts only by explaining them in light of other knowledge, explicating their meaning, putting the words of the text “in other words”.”(book Misquoting Jesus)

But wouldn’t it be unlikely that an almighty omniscient being could not find any clear enough means to convey his message? Wouldn’t God avoid such vulnerable obscure texts that allow opposite interpretations?

Such lack of clarity can be a clue to uncover this being as purely fictitious. The permissive attitude towards these texts is not to be expected from an ultra intelligent deity – on the contrary, minimal logic is to be expected, as well as avoidance of personal (not universal) interpretations on answers about whether he did or did not create the world, for instance.

If we are free to interpret the biblical myth as a metaphor, what could halt us when doing so about the creation of the universe, something that in this view did not happen literally?

The commonplace statement “God moves in mysterious ways”, when applied as an answer to these questions, plunges religious thought into ridicule. Where are the mysterious ways when Religion claims he wants to be worshiped and receive prayers? These godly cravings are all too hard to understand for an entity with this weird taste for mystery.

If this deity allows so much freedom of interpretation on what he supposedly said, his behaviour is too lenient: does not scrutinize the vast number of interpretations about his own nature, most of them wrong and even outrageous, for obvious statistical reasons.

“All faithful, ye may underestimate me even as an anthropomorphic revenge-thirsty entity who builds primates out of clay, but the most important is to worship me and pay your tithes”, God would say.

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SCIENCE AND RELIGION

Scientific models are not completely destroyed. They are usually enhanced, as happened to Newton’s, to the atomic models, and even to the theory of evolution. Things such as spontaneous generation, for instance, have never reached per se this status, for they failed to exclude other alternatives.
But for religion, when it changes substantially, it happens by means of force or power, never on an evidence basis.

This historical process of change by force seems to be in a crossways with modern interpretation of holy texts. What else but evidence could spur such condescending attitude?

What could halt the acid corrosion caused by metaphors?
On what fantasyometer can religions rely upon to weigh whether something is too fantastic to be taken as literal in the Bible?

The birth of a messiah is more or less fantastic than a divine creation as described in Genesis?

Some more problems rise: there are serious biological limitations to virgin conception (as Catholics believe), and these may be as numerous as physical limitations to a creation six days long.

If it is too radical to demand extreme position, the sole reason for this demand is the abscence of a reliable method (never mind text exegesis and hermeneutics) among those proposed by believers fair enough to judge what is and is not a metaphor in the Bible.
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LIBERAL THEOLOGY

Three elements of Liberal Theology according to the Anglican Bishop Sumio Takatsu (only numbered paragraphs):

(1) “It is receptive to science, to arts and present human studies. Seeks truth wherever it is. For Liberalism, there is no disconnection between the human truth e and the Christianity truth, [no] disjunction between reason and revelation. The truth is to be found in experience driven more by reason than by tradition and authority, and [Liberal Theology] shows itself open to ecumenism.”

This could be read this way: “dear Christian, if you reckon you can’t believe in virgin conception and molecular Genetics at the same time, just do some sublimation to both concepts, keep it to yourself, and cease your complaints. You may flirt with other religions which say things different from those that I say, I don’t really give a damn.”

(2) “Simpathy has been shown towards the usage of the Historiography canons [sic] to interpret holy texts. The Bible is considered a human document, whose mean validity is in registering the experience of people open to God’s presence. Its persistent task is to interpret the Bible, in the light of a modern cosmovision and of the best historical research and, at the same time, interpret society, in the light of the gospel narrative.”

An alternative translation to Takatsu’s words (not said by him literally – I’m just feeling free to put his ideas in other words): “dear Christian, remember, above all, that the Bible says cute things, therefore must be true about something. If you don’t know why other human documets (like the letters you write to your girlfriend) are not considered as holy as the Bible, be aware that the Bible is old, it came first, so it deserves a special place in the altar. And please, interpet society based on the Sermon on the Mount, not in the Jericho massacre.”

(3)”The liberals stress the ethical implications of Christianity. The Christianity is not a dogma to be believed, but a way of living and living together, a path of life.”

In other words: “dear Christian, just say you are a Christian because we like to see that happening. Do what is right as we say, keep on taking the bread even thinking it is not Christ’s body. About whether Chirst is really the Christ, forget about it, eat the bread and shut up.”

The Liberal Theology’s postulates do not solve the great elephant in the room of having an almighty and omniscient God who does not behave as such.

If God didn’t mind that a book of men like the Bible had been used to justify so much nonsense in His name, so he cannot be good and interventionist at the same time. My line of reasoning takes me to the classical arguments by Epicurus:

“Either God wants to abolish evil, and cannot; or he can, but does not want to. If he wants to, but cannot, he is impotent. If he can, but does not want to, he is wicked. If God can abolish evil, and God really wants to do it, why is there evil in the world? He cannot and doesn’t want to? Then why call him God?”

In the manners of Liberal Theology, the concept of God as intelligent, powerful and creator of nature is as hollow as an unicorn with the same abilities.

If the Old Testament is to be metaphorized, and the priviledges of literality are to be given solely to the New Testament, we will face the problem of whether there is any meaningful link between both when the last one cites the first one.

There is an interpretation according to which Christ died to wash away the original sin perpretated by Adam and Eve. If Adam and Eve’s story is a metaphor, Christ died on behalf of vagaries of his father’s literary style – what certainly diminishes the deed.

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ADAPTING EPICURUS TO THE LITERALITY/METAPHOR PROBLEM

God wants to convey explanatory messages to Humanity about himself and about origins, but he is not able to do it through literal messages that would not allow mutually exclusive interpretations or evidence-based rebuttal? Then he is not omnipotent.

He is able, but does not want to? So nobody knows anything about his nature, not even if he is only one or an assembly of entities, not even if he did create the universe.

He can and wants to? Then why the holy texts ever produced by Humanity are so ethereal, lost in nonsense and excessive moralism, and almost never predict anything really mysterious in nature (thus revealing who actually conceived them)?

He is not able nor wants to? Then why call him God, and why even consider him a plausible possibility when the only reason to do so is our wish to have a cozy universe?

God could be only something mindless, without any intelligence, the basis of matter and energy, so it is unable to produce holy texts. Neither wants to, nor has the ability to want anything else. Something extremely simple that gave birth to all universe, but is far from being as smart as bacteria or mice.
This seems to me the proper and ultimate metaphor for God (means both Pantheism and Atheism).
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Could be judged as metaphoric only what is written in poetic language in the Bible?

No. This would be too subjective and dishonest a method. The Sermon on the Mount is in poetic language (a beautiful one). So, will the blessed that mourn be comforted or not? If it is metaphoric, then I may interpret that “they that mourn” will be comforted not because there is a comforting force that shall relieve them, but because time heals grief, or because death will be a consolation extinguishing all perception including grief.

Jesus walked on the water violating the laws of Physics and called the prophets men of little faith. If the excerpt seems poetic, therefore metaphoric, this means that faith spurs stronger attitude, not that faith can make of mockery of Newton’s laws. But if the excerpt is not poetic, means that Jesus really did it.

No problem, after all he is the son of God and had the power to do it, right?
To be religious is to believe in things that would happen few times in the course of History. But what is being questioned here is: religious people are ready to be coherent in order to believe in miraculous events reported in the Bible and ignore their inconsistency before science?

Could a line of coherence be drawed when pointing one or another of these miraculous events a metaphor because it is embarassingly inconsistent?
Discarding literality begins among thorough logic reasonings, or sheer selection of explanations on an emotional appetite?

Stating that Christ’s miracles are literal and Noah’s ark is metaphor only denounces the primordial motivation of religion: to humanize the universe. To judge something as true because it is beautiful and comfortable.

This motivation, despite its absurd incoherence, is what lies behind the theological rhetoric, the rise and fall of dogmas, the mysteries of faith, the miracles, and all the fundamental pillars of Christianity.

8th of September

Baptism


“In the 19th century some archaeologists discovered in Oenoanda (present Turkey) the remains of a great wall, with an inscription. It included teaching excerpts carved by Diogenes of Oenoanda, who intended to show to any wanderer, man, woman or child, from any nation, a summary of human wisdom in four statements, a medical prescription for the soul, a TETRAPHARMAKON [τετραφάρμακος] which read: 1 – There’s nothing to fear about the gods, 2 – It is unnecessary to fear death, 3 – Happiness is possible, 4 – Pain can be avoided.”

Although the tetrapharmakos is not completely feasible, this blog is an attempt to make it true and feasible.

As a biologist and an atheist, I would like to run this attempt in vivo: based on science and reason and taking on the complexity of life. _____
The apparent paradox above demands further explanation.
When I say that it is not feasible, but even so I will persist on it, what I have in mind is that I am not directly endeavouring to convince anyone that gods should not be feared.

Many systems of belief have done precisely the opposite of what they proposed when trying avidly to change attitudes and thoughts. Much evil blossomed amid desperate attempts to establish touchstones of what should be judged as goodness.

My chief interests concern solely acquiring knowledge, questioning, and enunciating rational arguments. The outcomes of these, I believe, may sow upon us the principles of the Tetrapharmakos. In searching the scientific amorality and trying to bring it to Philosophy, our conclusions can get rid of contamination by our wishes and our model of the world can be disinfected from naïve hope or despair. Furthermore, we can possibly meet a wise resignation to the indifference of the universe, a lively beholding of nature not subservient but respectful to its strength. Epicurus inspires healthy mental attitude, for he embodies a man who awakens and sees himself as a rational simulacrum; who sees Nature not as a benevolent mother, nor as an evil stepmother, but as an inert cradle at the same time comfortable and uncomfortable. And yet, a perceptive mind, that uses multiple hypotheses and probabilistic intuition to try and explain phenomena and impressions, who has a sympathetic attitude towards other minds, and that expurgates the daily triviality giving rise to a succession of spectacular events.

This philosophical attitude, a by-product of a way of thinking and not a holy grail worthy of thirsty craving, allows the relief from fears of death and gods, and a new way to endure pain and enjoy happiness – this one also a by-product, not a coveted jewel.