1st of maio

Sobre a “falsa simetria”


Identitários odeiam argumentos como “se fosse branco/mulher/etc dizendo isso…” ou “queria ver se invertessem os papeis…” porque esse tipo de argumento apela para intuições universalistas: que todo mundo é igual, que o que vale para um também vale para outro. Essa igualdade eles detestam.

Tanto que criaram um dispositivo retórico que soa vagamente como um nome de uma falácia, sem estar em nenhum manual de falácias:* “falsa simetria”. São as duas palavrinhas mágicas para tentar convencer a si mesmo que é bonito tratar diferente as pessoas com base em superficialidades, dando carta branca ou completo veto a depender das diferenças nessas superficialidades (raça, sexo, orientação sexual, e agora até IMC).

Ou seja, as intuições universalistas (que herdamos de pensadores e não são tão naturais) dizem que um indivíduo é igual a outro onde importa, que é a racionalidade, que dá a capacidade de se responsabilizar por deveres. Entre ativistas, falar em dever é uma coisa muito impopular, pois ser ativista já é uma atitude que implica que a pessoa não espera resolver um problema sozinha ou juntar um grupo que arregace as mangas para resolvê-lo (na maioria das vezes): o que é mais comum, por ser muito mais barato, é abrir o berreiro e pedir pela intervenção de autoridades (especialmente as estatais).

Então, quem mais fala em igualdade costuma ser também quem mais detesta uma igualdade fundamental: a igualdade de direitos e deveres, sem favorecimento, sem facções, sem perseguições a grupos. E, também, quem mais fala em “empoderamento” é quem mais quer ser tratado como criança, sem responsabilidades nem deveres, por figuras de autoridade, especialmente o Estado. Mais parece uma autoinfantilização.


* Sobre manuais de falácias, não deixem de conferir este artigo do Matheus Silva mostrando que são propaganda enganosa.

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