4th of December

Cristianismo: falso e corrupto


Faço uso de meu direito de livre expressão para defender abaixo, o mais sucintamente possível, duas teses sobre o cristianismo: de que é epistemologicamente falso e moralmente corrupto.

Epistemologicamente falso,

porque alega que o universo foi produzido pela mente de um fantasmão amorfo externo ao universo, que especialistas como Leonard Mlodinow e Stephen Hawking dizem ser absolutamente desnecessário para ter uma perspectiva hipotética plausível da origem deste universo. Posso citar também Victor J. Stenger e – por que não – até Pierre-Simon Laplace séculos atrás, que disse a Napoleão que não necessitava de deus algum para explicar a mecânica celeste (a que ele melhorou a partir do trabalho de Isaac Newton, que conscientemente abandonou a ciência para se dedicar ao misticismo no começo de sua terceira década de vida).
É curioso que o suposto todo-poderoso do cristianismo seja todo impotente dentro de uma perspectiva racional de compreensão do universo.
E não é só isso… o cristianismo faz mais um sem-número de alegações extraordinárias sobre o mundo, para as quais implora que baixemos os requisitos céticos que aplicamos às alegações extraordinárias dos xamãs e videntes dos oráculos de outras tradições culturais. Não podemos aceitar Ganesha com sua ridícula tromba de elefante, mas temos que aceitar um judeu levantando da tumba depois de sangrar e apodrecer durante três dias inteiros. Não podemos aceitar a montanha faminta do povo Aymara, mas temos que aceitar mundos mágicos em que os "justos" gozarão do gáudio eterno de bajular o tal fantasmão amorfo.
Não há base alguma, comum a qualquer mente não assolada por doutrinação anticrítica com custo emocional, que estabeleça as alegações fundamentais do cristianismo sobre seu Deus e seu homem ressurgido, Jesus, acima das alegações dos muçulmanos sobre Maomé viajar num cavalo voador.  

Moralmente corrupto,

porque está estacionado na ideia anti-humanista de que é bom e belo que Jesus, presumido inocente, pague por crimes de outrem: no caso, o resto da humanidade. Este ponto jamais arredará das concepções dominantes de cristianismo. A corrupção moral do cristianismo é evidente, também, em sua plasticidade extraordinária durante a História, servindo aos justos mas também aos escravocratas, misóginos, racistas, violentos, homofóbicos e sectários das mais diversas estirpes culturais; o que comicamente contrasta com sua alegação de estar trazendo consolação aos aflitos. Corrupção moral também é o nome que se dá ao comportamento de intolerância à crítica, tomando qualquer menor questionamento sobre suas alegações insubstanciosas sobre o universo como uma grave ofensa ou crime, expondo seus críticos honestos a uma horda de doutrinados com sede de linchamento moral. Como o deísta Voltaire, viro a cara diante do símbolo horrível da cruz, que deixa conspícua a inclinação do cristianismo de se comportar como um culto à morte enquanto alega ser preocupado com a vida. Repudio também a noção de amor castrado que chamam de ágape, que nada mais é que uma falsa panaceia para o indivíduo. prometeu_fueger_1817Por todas as luzes que iluminaram nossa espécie nestes 200 mil anos de existência, digo que jamais responderei ao cristianismo usando de seu expediente frequente de apelo à irracionalidade e à força. Minha pena está em riste, mas não preciso de espada alguma, que o mesmo Jesus diz ter vindo para trazer. Vim para trazer a pena, e estou preparado para compartilhar uma sociedade com pessoas que se subscrevem a tal sistema moralmente corrupto e falso, lutando apenas pelo direito de ter espaço nesta sociedade e usar da habilidade crítica e racional que milhões de anos de sofrimento evolutivo deram de presente à humanidade e o cristianismo insiste em não usar. Eu perdoo a meus entes queridos cristãos por seu cristianismo, e, se eles praticam o que pregam, me perdoarão por meu humanismo secular, ainda que na minha opinião devessem louvá-lo em coro comigo. Estou disposto também a colaborar, inclusive intimamente, com qualquer cristão, porque para mim pessoas antecedem suas ideias. Bem-aventuradas são as pessoas, pois são mais importantes que as ideias falsas e corruptas que frequentemente trazem consigo.  

“Ergo vivida vis pervicet et extra
processit longe flamentia moenia mundi
atque omne immensum peragravit mente animoque.”
Lucrécio, De Rerum Natura, Livro I, linha 72.
Categories:  Blog Humanismo

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