15th of November

Psicologia Evolucionista justifica preconceito, machismo e misoginia?


Quando eu fundei o blog de divulgação científica Evolucionismo, eu passava bastante tempo varrendo órgãos de imprensa convencionais procurando notícias científicas.
“Tu me ergues”, parque Vigeland, Oslo.
O que eu descobri é que notícias de ciência, por falta de preparo de muitos jornalistas, e por falta de interesse dos órgãos em contratar jornalistas especializados como o Reinaldo José Lopes, são eivadas de meias-verdades, oportunidades perdidas para ensinar conceitos importantes, e tentativas frustradas de espetacularizar o que não é um espetáculo noticioso como “homem morde cachorro”.
E não é feito por má fé, é que a receita para fazer notícias não funciona muito bem quando se trata de divulgar descobertas que requerem a compreensão de certas teorias e premissas anteriores.
A psicologia evolucionista (eu prefiro “evolutiva”, ao contrário de profissionais da área no Brasil) sofre bastante nas mãos da imprensa, que tem essa sede de querer noticiar hipóteses ruins de certos profissionais, que costumam estar bastante distantes da prática acadêmica dos melhores psicólogos evolutivos. De vez em quando sai algum livro absurdo alegando coisas tolas sobre diferenças de comportamento entre homens e mulheres e firmando a alegação na nossa história evolutiva.
A primeira distinção que deve ser feita é que as fontes primárias são os artigos publicados em periódicos acadêmicos revistos por pares, não em livros de divulgação. E entre os livros de divulgação, bons autores consagrados devem ser lidos primeiro, na área sendo indispensáveis Steven Pinker e Gary Marcus.
Um centro respeitado de pesquisa em psi-evo é o liderado pelo casal Leda Cosmides e John Tooby na Universidade da Califórnia em Santa Barbara.
Não, a psicologia evolutiva definitivamente não existe para justificar preconceitos e misoginia. Ela existe para gerar hipóteses testáveis sobre que componentes do comportamento humano pode ser explicados e previstos por nossa história evolutiva. O comportamento irracional de parte da população de comer até ameaçar a própria saúde, porque supostamente deriva de uma era em que nossa espécie tinha pouco alimento disponível, por exemplo, começa a ter corroboração em nível molecular.
Outras histórias de sucesso da psicologia evolutiva são explicar por que motivo as estatísticas apontam que filhos adotados sofrem mais nas mãos dos próprios pais do que filhos biológicos (efeito Cinderela); e como funciona o mecanismo psicológico de detecção de parentesco que fundamenta o tabu quase universal do incesto (efeito de Westermarck).
O que a psicologia evolutiva não é:
– alegações de diferença de QI entre negros e brancos;
– alegações de diferença de QI entre mulheres e homens;
– qualquer explicação que descreva um grupo de pessoas como “mais evoluído” que outro.
Há diferenças de comportamento entre homens e mulheres, com raízes evolutivas? É possível que sim. Tanto quanto há diferenças anatômicas entre um grupo e outro. E são diferenças que valem para a maioria estatística, para as quais há exceções e minorias naturais (tanto quanto há pessoas que nascem com genitália ambígua, ou pessoas que desde muito cedo manifestam transexualidade apenas psicológica sem nenhum sinal corporal).
É digno de atenção, por exemplo, que também entre chimpanzés existe uma diferença de preferência de brinquedos entre machos e fêmeas infantes.
Constatar que diferenças existem até na raiz evolutiva e genética dos seres humanos não é justificar preconceitos nem misoginia. Parafraseando Karl Popper, o ideal do igualitarismo simplesmente é cego para as diferenças factuais entre as pessoas, ou seja, promover a igualdade como valor moral não significa ignorar que as diferenças existam entre as pessoas – na verdade é preciso louvar as diferenças, e, ao constatar que alguma variante torna seus portadores vulneráveis, tomar ações afirmativas para elevá-los à igualdade.
Se é algo como não poder andar, criar rampas de acesso para cadeirantes. Se é algo como sofrer violência dentro de casa com mais frequência, criar coisas como a delegacia da mulher e a lei Maria da Penha (sem criar a ilusão de que o grupo masculino não pode ser vítima ocasional de violência doméstica, em menor frequência que as mulheres). Se é algo como menor acesso à educação, facilitar este acesso de uma forma que não diminua o mérito e esforço (sou favorável a cotas econômicas, mas não a cotas raciais).
A psicologia evolutiva existe para o propósito de qualquer outra ciência: desvendar, amoralmente como toda ciência, aspectos de seu objeto de estudo (nossa própria natureza) que possam nos informar melhor em nossas decisões. A psicologia evolutiva é amoral no sentido de funcionar como uma lança funciona (parafraseando Carl Sagan): a lança pode ser usada para matar pessoas ou para caçar e alimentar uma família. A psi-evo pode ser usada para estigmatizar (e quem faz isso geralmente não usa boas fontes) ou para mostrar que tipo de vieses nós como uma espécie temos e o que podemos fazer para viver melhor com eles.
30th of October

5 criacionistas desonestos do Brasil


Peço desculpas pelo título ligeiramente pleonástico. Já sei o que você vai dizer: “Eli, por que você perde tempo com essa gente?” A resposta eu tiro da pena de H. L. Mencken (1924):

“O iconoclasta se afirma quando prova com suas blasfêmias que este ou aquele ídolo não passa de uma besta – e deixa cheio de dúvidas pelo menos um dos que o ouvem. A liberação da mente humana avançou muito quando alguns gaiatos depositaram gatos mortos em santuários e depois saíram pelas ruas espalhando que aquele deus no santuário era uma fraude – provando a todo mundo que a dúvida era uma coisa legítima. Um relincho vale por 10 mil silogismos.”

Quem é o ídolo-besta aqui? Eu diria que são as ilações desonestas de certos indivíduos que perdem a noção da argumentação racional quando a mesma ciência que usam para postar em seus blogs e vacinar suas crianças começa a pisar em seus sensíveis calos religiosos, que só estão em seus pezinhos porque essas pobres pessoas tiveram a infelicidade de sofrer doutrinação na infância, de um modo tão dramático que qualquer pontinha de dúvida parece lhes causar irritação e lágrimas. Mesmo que seja dúvida alheia. Não suportam ver que a biologia moderna está sustentada sobre um pilar central chamado teoria da evolução. Não suportam ver que áreas completamente independentes dentro das universidades, como a cosmologia na física, as neurociências na fisiologia e na psicologia, e a estatística em todas elas e muitas mais, colocam sua biblicomania onde ela merece estar: no compêndio de mitos que a imaginação humana já criou e não servem para nada quando se trata de investigar objetivamente o que este universo, este planeta, esta espécie e esta mente são, já foram ou poderão ser. E o gato morto é uma coisa que eles chamam pelo anglicismo “design inteligente” ou pelo tradicional arroz-com-feijão “criacionismo”. A diferença entre as duas coisas é algo que estamos aguardando desde que o tal Discovery Institute lançou o infame documento Wedge – cuja intenção é marretar uma cunha (wedge) de obscurantismo na menor das frestas políticas de atividades seculares da Humanidade como a ciência. (Jerry Coyne já tentou ver alguma diferença entre criacionismo e DI, sem grande sucesso.) Eis o meu relincho iconoclasta contra cinco dessas criaturas, a seguir (se bem que eu tenho muitas dúvidas sobre quem está relinchando aqui). Vamos ao primeiro.

1 – Enézio de Almeida

Procure qualquer notícia sobre biologia evolutiva na internet. Qualquer uma mesmo. Para cada uma delas, na faixa cronológica dos últimos quatro anos, você provavelmente encontrará um relincho comentário correspondente num certo blog tocado por este homem que atende pelo nome de Enézio de Almeida Filho. Meu problema com Enézio nem é tanto o fato de ele defender esse criacionismo versão cavalo-de-Troia cuja tradução correta do nome seria “Projeto Inteligente”. Muito pior que ele se agarrar com todas as forças de seu coraçãozinho a uma hipótese falida é sua absoluta incapacidade de realmente refutar um argumento alheio, e igualmente grande inanidade em defender seu próprio ponto de vista que tem óbvias raízes na religião. Evidências para minhas acusações? Claro que tenho. Vejamos duas:

  • A resposta de Enézio para o site da Ciência Hoje, quando este se recusou a publicar as chorumelas do criacionista Marcos Eberlin sobre o artigo de Sérgio Pena, foi uma barafunda de insinuações à moda das piores teorias da conspiração. Para ele a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) tem possibilidade de cortar as verbas do laboratório de Eberlin porque ele tentou publicar alguma besteirinha fundamentalista numa revista de divulgação científica. Evidências do Enézio? Bem… esta é a pergunta que mais dói nos calos dele. Detalhe: ele também quer a demissão do editor da CH online.
  • Enézio parece achar que copiar e colar textos de evolução em seu blog e depois comentar alguns parágrafos é o suficiente para desacreditá-los, sendo esses parágrafos meras repetições de sua infindável agenda pseudocientífica, meras afirmações sem sustentação alguma em literatura científica. Exemplo: em resposta ao artigo de divulgação de Reinaldo José Lopes sobre o fóssil Ardi, publicado na Folha, Enézio fez uma série de perguntas e recomendou postagens de blogs como o de Casey Luskin, um apologeta para o já citado Discovery Institute (dedicado a chorar pitangas pelo fracasso do criacionismo há décadas). Enézio, tão preocupado em olhar as diretrizes de publicação da Ciência Hoje supostamente traídas pela recusa de publicação da réplica de Eberlin, diminui bastante seu zelo quando tenta refutar uma publicação científica mostrando o parentesco entre o Ardipithecus ramidus e o Homo sapiens. O que eu não engulo é que Enézio não saiba a diferença entre divulgação e publicação científica, e que uma publicação científica só pode ser refutada com outra publicação científica.

Mas, em meio a tantas críticas à pesquisa em biologia evolutiva, onde estão as evidências de Enézio para a criação? Em sua defesa, Enézio poderia inventar que a tal “complexidade irredutível” é evidência positiva de criação, por isso tentou defendê-la desesperadamente nos comentários do blog RNAm. Como eu disse naqueles mesmos comentários, non sequitur é pensar que ainda que exista algo irredutivelmente complexo, só poderia ter vindo das mãos de um artífice inteligente fantasmagórico que tem como hobby mandar seus filhos semideuses para sangrar até a morte pregados em pedaços de pau na Terra. E o maior defensor da ideia de complexidade irredutível, Michael Behe, reconheceu que ela não implica em criação (caso existisse complexidade irredutível, o que também não é o caso). E até hoje Behe está devendo uma reformulação do conceito de complexidade irredutível que ele prometeu em seu texto Reply to My Critics (Biology and Philosophy, 2001). Desnecessário dizer que a publicação em que Behe apresenta a ideia, o livro “A caixa preta de Darwin”, passa bem longe de ser uma publicação científica revista por pares.

“Behe teve de admitir que não havia uma única publicação revista por pares em ciência que apoiasse sua visão sobre sistemas biológicos irredutivelmente complexos que não pudessem ser possivelmente explicados pela evolução. Behe admitiu em sua “Réplica a Meus Críticos” (Reply to My Critics) que apontar para um sistema irredutivelmente complexo (onde uma parte faltante causaria o colapso do funcionamento do sistema) não era o mesmo que evidenciar que tal complexidade irredutível não pudesse emergir através da seleção natural. Na biologia evolutiva o conceito de exaptação é largamente usado para explicar a evolução de uma característica biológica que sirva uma função num ponto da evolução e muda para outra função depois devido a mudanças no sistema em questão. (…) Para piorar, Behe tinha descrito (1) o flagelo bacteriano, (2) a cascata de coagulação e (3) o sistema imunológico como três sistemas irredutivelmente complexos. Porém, Kenneth Miller, professor de biologia da Universidade Brown e especialista em biologia celular, mostrou evidências sólidas no julgamento [de Dover] de que foi mostrado em pesquisa científica revista por pares que cada um desses sistemas não eram irredutivelmente complexos.”

Fonte: Foster, Clark & York. Critique of Intelligent Design. Monthly Review Press, 2008. Página 15. A sentença do juiz ao final do julgamento de Dover é que Design Inteligente é sim criacionismo disfarçado tentando mais uma vez, numa guerra de mais de 80 anos, se enfiar nas escolas públicas dos Estados Unidos, onde a constituição proíbe o proselitismo religioso no ensino público. As evidências analisadas pelo juiz incluíam o livro didático “Of Pandas and People” ligado ao Discovery Institute, que continha reaproveitamento de parágrafos inteiros de publicações criacionistas anteriores. Uma análise até mostrou que alguém de fato substituiu “criacionistas” por “proponentes do design inteligente” às pressas no texto para tentar mascará-lo como se fosse científico. (Isso na esperança vã de estabelecer DI como ciência.) Enézio, à maneira como muitos criacionistas como Kirk Cameron alegam ter sido descrentes no passado, diz que foi um evolucionista de carteirinha. Que estranho um ex-evolucionista que não entende o conceito básico de exaptação (que explica justamente a suposta lacuna que Michael Behe tenta preencher com a complexidade irredutível), que não sabe que referência científica se refuta com referência científica, e ainda vive de colher proselitismo em blogs de fundamentalistas como Casey Luskin (procure este nome no YouTube para saber de quem se trata – é o Brasil importando porcaria enlatada dos EUA denovo). Relinchos de um blog podem ser refutados por relinchos de outro blog, por isso, Enézio, sua desonestidade persistente nesse seu blog lotado de coisas que são boas e não são suas e coisas suas que são um lixo, você ganha a medalha de ouro da desonestidade criacionista tupiniquim. Ainda que caia a teoria da evolução, Enézio, e Ardi seja um boneco fabricado durante uma noite, onde estão suas evidências para a criação? Por que você não se ocupa de fornecê-las em seu blog em vez de inventar conspirações em volta da SBPC e do mundo acadêmico?

2 e 3 – Michelson e Eberlin

Vão dividir a medalha de prata o jornalista Michelson Borges e o químico Marcos Eberlin. Achei que o Michelson não merece uma posição só para ele, só porque o nível dos blogs dele é abaixo de medíocre. Estou exagerando? Não estou. Que outro nome você dá para um blog que diz que o Ardipithecus ramiduscontinua macaco”, que coloca “sic” depois da idade de um fóssil sem fornecer refutação aos métodos com que foi determinada, que insiste na falácia constante de que se uma coisa é complexa, só pode ter sido projetada por alguém inteligente? Se você não chama isso de medíocre, está tomando esta alcunha para si. Em compensação, Michelson não é nada medíocre para fazer apresentações de powerpoint. Mas o conteúdo é quase zero. Como no dilema de Brás Cubas (“coxa, porém bonita, bonita, porém coxa”) – bonitos slides, porém inanes. Sem falar na pregação barata de ficar publicando relatos de crentes que supostamente receberam alguma coisa de Deus (geralmente algo facilmente obtido por esforço próprio) . E ainda estamos esperando um único caso de perna amputada que tenha crescido denovo com a força da oração. A desonestidade do Michelson não é tão grande quanto a do Enézio. Reside apenas na insistência dele em falar do que não sabe. Obviamente, uma pessoa que é criacionista no mínimo está precisando aprender muitas coisas, a começar pela definição de Darwin de que a evolução acontece em populações e não em indivíduos, e que não é melhoria mas apenas mudança. Isso já corta a maioria das alegações criacionistas sobre a biologia evolutiva. Para encontrar várias delas basta navegar pelos blogs do Michelson, que são um atavismo haeckeliano do criacionismo americano, que eventualmente evoluiu para a posição defendida pelo Enézio. Ah, Michelson, sobre aquele monte de besteiras que o Diogo Mainardi disso sobre aquecimento global e você amou e reiterou, pense em ler algo realmente referenciado cientificamente a respeito. Porque Mainardi não é cientista (questiono também se é jornalista… ou colunista…) e a Veja não é revista de ciência. Agora vamos para o superstar do criacionismo brasileiro, Marcos Eberlin. Michelson e Enézio adoram lembrar que Eberlin tem um currículo científico extenso, tendo recebido honrarias por seu trabalho com a química orgânica, como a recente eleição para presidente da Sociedade Internacional de Espectrometria de Massa. Querem ver o Eberlin sendo honesto? Leiam os artigos científicos dele. Querem vê-lo sendo desonesto? Leiam tudo o que ele escreve sobre evolução fora desses artigos. Aliás, Michelson e Enézio não se dão ao trabalho de informar que nenhum dos artigos de Eberlin defende realmente o criacionismo. No currículo Lattes de Marcos Eberlin as palavras “criação” e “criacionismo” não aparecem nem uma única vez. Que estranho! O tão falado “cientista criacionista” não tem nenhuma publicação científica sobre criacionismo? A argumentação extra-científica de Eberlin consiste em pregação barata mesclada a alegações falaciosas, por exemplo, a falácia non sequitur, ao dizer que se todos os aminoácidos do corpo humano são levógiros e todos os açúcares são dextrógiros, foi porque Deus deu uma de Pasteur e separou os cristais desses compostos lá no barro de Adão. Pelo visto justificação epistemológica é uma expressão que Marcos Eberlin nunca ouviu na vida dele. Alguém por favor conte a Eberlin que vários seres vivos utilizam aminoácidos dextrógiros, basta ele procurar qualquer livro de bioquímica, como o de Lehninger. E que se uma espécie usa um só tipo de quiralidade de aminoácidos, explicações racionais e plausíveis são economia de energia na produção de enzimas (coisa que a seleção natural explica) ou herança de um padrão primordial em espécies ancestrais (uma não exclui a outra). Mas estou falando em espécies ancestrais? Até isso parece que Eberlin nega. Deve ser difícil viver negando freudianamente fatos da natureza. Ah, Eberlin, e no meu entender, compreender que os padrões geométricos dos cristais derivam do princípio da menor energia, e não do gosto estético de uma entidade fantasmagórica para a qual você não tem nenhuma evidência, deveria ser considerado um pré-requisito para alguém querer ser um químico respeitado. Aguardo Enézio e Eberlin pararem de fazer acusações contra os outros e fornecerem evidências positivas para a criação. (Acho que aguardarei sentado até morrer.)

4 e 5 – Adauto e Malafaia

Dividindo a medalha de bronze, duas figuras muito… interessantes? Sim, se interessante significa hilariante. Adauto Lourenço é um dos criacionistas brasileiros que provavelmente mais ganha dinheiro fazendo palestras pelo país, geralmente em instituições religiosas (com algumas tentativas frustradas de fazer proselitismo em universidades). O Adauto é ainda mais medíocre em argumentação e conteúdo que Michelson Borges, mas faz algo que este não faz: apela para sua própria autoridade insistentemente, brandindo seu diploma pela universidade fundamentalista Bob Jones (uma universidade americana que há não muito tempo discriminava os negros em suas dependências). Além deste diploma, Adauto adora associar seu nome a instituições científicas respeitadas ao redor do mundo nas quais fez breves estágios (veja este tópico do fórum Club Cético). Quando não está falando que é isso ou aquilo, Adauto geralmente está falando altas besteiras sobre evolução, praticamente todas listadas nos típicos erros criacionistas. Ele parece representar também um atavismo do criacionismo americano no aspecto de inflar o currículo. Bette Chambers, uma americana de Lacey, Washington, contou-me que antes da internet surgir ela chegou a encontrar criacionistas que, em seus currículos, inventavam universidades que não existiam para parecerem respeitáveis o suficiente ao ponto de ter liberdade para dizer asnerias sobre evolução. Silas Malafaia não precisa inventar currículo, nos lembramos muito bem dele, na época em que usava bigode, apoiando Edir Macedo. Agora é todo críticas contra a Igreja Universal, mas ao mesmo tempo pede centenas de reais para seus telespectadores para uma tal “unção financeira”. Faltou dizer que o beneficiário da unção financeira não é o telespectador. Meu amigo evangélico Eliel Vieira elaborou uma crítica ao Malafaia que vale a pena ler. Tenho preguiça de refutar o que Silas Malafaia diz sobre a evolução e os evolucionistas. Já fizeram isso por mim na lista dos típicos erros criacionistas. Só me resta dizer que Malafaia é tão confiável falando de ciência quanto prometendo a unção financeira que ele vai te dar se você depositar 900 reais onde ele quer.
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