15th of janeiro

Stephen King tem razão: pedir para considerar “diversidade” de autores é, sim, pedir aceitação para trabalhos de má qualidade


Stephen King, escritor de enorme sucesso, está recebendo revolta como resposta por ter proferido uma mera sensatez:

“…Eu jamais consideraria a diversidade quando se trata de arte. Somente a qualidade. Parece, para mim, que fazer o contrário seria errado.”

As respostas revoltadas são, até onde li, regurgitações da pseudoteoria interseccional, dogma sob o qual está sendo fundada a Nova Igreja Reformada da Justiça Social.

Vocês podem não gostar do meu tom provocativo quando falo disso. Mas, trilhem essa sequência simples de pensamentos:

– Se valorizamos a literatura, é por causa da qualidade. A literatura é uma grande categoria da arte que atende a anseios nossos como espécie, que vão da simples quebra do tédio à apreciação estética da língua e de tramas fictícias.

– Demandar da literatura algo que pouco ou nada tem a ver com qualidade é instantaneamente tirar o foco da qualidade. Sim, podemos preferir mais de uma propriedade de um objeto. Podemos pedir qualidade ao mesmo tempo em que pedimos diversidade de autores baseada em características irrelevantes como cor da pele e sexo. Porém, vivemos num mundo com recursos limitados. Um desses recursos é justamente a atenção dos leitores e apreciadores de literatura. Deixar-se distrair por características irrelevantes de autores é, sim, algo que tende a dar um desconto negativo na atenção dada à qualidade.

– Se os dogmas da NIRJS estão corretos, os autores que são “homens brancos cis héteros” (ninguém explica por que são esses os atributos identitários escolhidos como relevantes, e não, por exemplo, se são diabéticos, se torcem para time de futebol, se consideram Dostoiévski boa literatura) têm sucesso porque são justamente isso, “homens brancos cis héteros”. Mas até esses militantes identitários não vão ousar alegar que não existe nenhuma qualidade literária no trabalho do King que também explique o sucesso dele. E mais, muitos vão dizer que o trabalho dele tem qualidade justamente porque ele desfruta de privilégios concedidos a ele por esses atributos identitários. Neste caso, os oprimidos, destituídos de privilégios, escreverão com qualidade inferior, por não terem os tais privilégios. Dessa forma, não há escapatória: segundo uma interpretação plenamente plausível dos dogmas da política identitária, pedir para apreciar autores por sua identidade oprimida equivale, sim, a pedir para apreciar trabalho de má qualidade. E é esse pedido que estão fazendo em todo assunto em que injetam suas ideias abjetas.