29th of September

A vingança das intuições Sobre os relativismos


– Você pode alegar que não acredita em padrão de beleza, mas quando vê uma pessoa com aquela razão entre cintura e quadril, ou entre ombro e quadril, aquele timbre de voz agradável, e aquela pele saudável, sabe que fica impactado.

– Pode dizer que moral é relativa à subjetividade, à cultura e aos tempos; mas quando vê um animal sendo torturado, sente que há algo de realmente errado naquilo e se esquece de qualificar “errado para mim”, “errado para os brasileiros de século XXI”.

– Pode se pavonear de entendido e dizer que a ciência é só uma narrativa entre várias igualmente boas, que verdade é poder, que quem fala em verdade é positivista antiquado; mas quando é acusado de um crime que não cometeu, quer que a verdade objetiva venha à tona, quer que a investigação seja imparcial, neutra e melhor que meras narrativas fictícias.

Relativismos são projetos falidos, cognitivamente insustentáveis, e seus defensores não cansam de hipocritamente contrariá-los todos os dias das formas mais banais.