25th of September

Comentários sobre o Kit Crente, o manual eleitoral conspiracionista anti-gay publicado em apoio a Marina Silva


Imagem comprada em banco e alterada para o kit crente de Édino Fonseca e Pedregal
O Kit Crente é um manual de teorias da conspiração dos candidatos Édino Fonseca e Pedregal, pró Marina Silva presidente e Romário senador, impresso e distribuído aos eleitores do Rio de Janeiro.
Hospedei o Kit Crente no meu próprio site e o link se encontra no fim deste texto. É um documento que deu trabalho para quem fez: 24 páginas com qualidade gráfica de revista comercial.
CAPA
A capa já dá a tônica conspiracionista: “VEJA os planos do anticristo”, com destaque à palavra “Veja”, com fonte parecida com a da revista homônima. Deve caber processo por uso indevido de imagem do veículo aqui. A capa diz “A NOVA ORDEM MUNDIAL contra família e a igreja”. Junto com o termo “anticristo”, o termo “nova ordem mundial” é moeda de troca em grupos de teoria da conspiração há muito tempo. Ambos são citados por exemplo no livro “Parusia – A Segunda Vinda de Cristo”, do Pe. Léo Persch, que tem uma edição de 1995 que eu li quando criança. O livro de Persch é um compêndio de paranoia conservadora com um mundo moderno que o padre vê com bastante ansiedade. Lembro que ele dizia que o símbolo da paz criado pelo movimento pró-desarmamento nuclear britânico (☮) era um símbolo do demônio – uma cruz quebrada de cabeça para baixo. Sinto decepcionar conspiracionistas católicos, mas o símbolo nada mais é que as letras “ND”, de “nuclear disarmament”, como são expressadas com bandeirinhas de sinal de tráfego, superpostas pelo designer Gerald Holtom em 1958 ( http://en.wikipedia.org/wiki/Peace_symbols ). Isso é só para mostrar que origens obscuras, geralmente de livre associação de ideias, conspiracionismos como os do material em questão têm.
PÁGINA 1 – Introdução
Aqui um tom maniqueísta já vem nas primeiras linhas. O manual diz que está lutando contra pessoas mal intencionadas, e traz uma foto de um demônio em forma de mulher, atrás de um homem segurando uma bíblia que foi modificada para dizer “código penal”. Isso porque Édino Fonseca alega ter barrado um projeto que transformaria igrejas em associações (não sei qual é o problema nisso… passariam a pagar impostos finalmente?). A foto representando o diabo em forma feminina o político comprou neste banco de imagens: http://www.shutterstock.com/pic-125255954/stock-photo-priest-evicting-demons-conceptual-photo.html
É uma moda nessas eleições. A campanha da petista Gleisi Hoffmann, candidata ao governo do Paraná, também comprou fotos desse banco de imagens, e botou “eu voto Gleisi” de baixo da foto de um cara que nem é brasileiro ( http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/09/1522193-candidatos-mostram-modelos-estrangeiros-como-se-fossem-eleitores.shtml ).
O manual diz se opor a “uma sociedade corrompida e pecaminosa nesses tempos de relativismo e materialismo”. Diz que há uma rebelião contra Deus. E que o agora extinto PLC122/06, que equiparava homofobia a racismo, e o Plano Nacional de Direitos Humanos 3 têm como finalidade original a “desconstrução da família original” e a “apreensão e queima de Bíblias”. O que é completamente falso, sabidamente falso, e quem tem coragem de escrever isso para ganhar votos é que põe em questão quem de fato está com “más intenções”.
PÁGINA 2 – Eutanásia
A seção começa alegando que Tarō Asō, um político católico japonês, convidou idosos a cometerem suicídio para deixarem de ser um peso. A declaração do político é uma declaração burra, até porque a terceira idade é bastante produtiva. O uso dessa declaração é para confundir o direito de morrer com a coação para a morte. Como o livro “Por Um Fio” do Dr. Drauzio Varella torna claro, uma morte digna é o que está em questão. Alguns religiosos como o pastor Édino podem achar que somos obrigados a sofrer até o fim dores excruciantes de algum câncer incurável, porque é o jeito “natural” e a suposta “vontade divina”, mas muitos religiosos não concordam e muitas pessoas como eu não são religiosas e não querem ter a religião interferindo, infectando o poder do Estado, até mesmo o nosso leito de morte. É uma questão de direito do indivíduo poder escolher morrer antes que uma demência corroa todas as suas memórias e capacidades ou antes que dores insuportáveis torturem nosso último pedaço de vida. Escrever nosso epílogo quando podemos e como queremos é um direito que temos, e o autoritarismo de pessoas como esses políticos teocratas com nossas vidas privadas tem que acabar já. Comparar quem quer ter seu direito à eutanásia assegurado a nazistas, como faz o manual, é mais um sinal de má intenção de quem pagou e o escreveu. Existem discordâncias legítimas quanto a terceiros terminarem nossa vida para nos poupar de sofrimento (o que pode sim ser uma atitude correta), mas comparar adversários de opinião a Hitler é encerrar o debate assinando confissão de burrice. Eutanásia significa “morte verdadeira” ao pé da letra, e não, como sinonimiza o Kit Crente, “genocídio”.
PÁGINAS 3, 4 E 5 – Aborto
O Kit Crente afirma que o direito de abortar é um plano do anticristo para destruir a humanidade. E diz para o leitor perguntar quem está por trás da campanha pró-aborto. Ora, ninguém está por trás: o Conselho Federal de Medicina diz que as mulheres devem ter o direito de abortar até 12ª semana de gestação ( http://genetici.st/cfm ). Eu defendo isso com argumentos, publicamente ( http://genetici.st/aborto ), e não tenho nada a esconder nem nenhum interesse oculto. Meu interesse é abolir uma lei medieval que aqui no Reino Unido não existe há muito tempo. A qualidade de vida dos britânicos e de cidadãos de outros países em que o aborto está legalizado é prova de que a paranoia conspiracionista é baseada em preconceito religioso, e não na razão. Até familiares vêm expressar desapontamento, eu cobro argumento e argumento não vem. Embriões e fetos precoces não são pessoas. Seu potencial de formar pessoas não os dá direitos de pessoa assim como meu potencial de ser médico não me dá direitos de médico de receitar remédios ou fazer cirurgias. E assim como o potencial inegável de todas as células do corpo de se tornarem pessoas não torna imoral fazer a sobrancelha ou abrir uma barriga para tirar um apêndice inflamado. Se abortar embrião é assassinato, assar um bolo de nozes, tirando das nozes o potencial de crescerem e se tornarem nogueiras, é desmatamento. Quando falta argumento, resta apelar pra emoção: o manual mostra bebês ensanguentados, um modelo vestido de nazista jogando um bebê de fase final da gestação numa lata de lixo. A aparência de um aborto legal, no entanto, não é nada disso. Quem quiser ver, e saber que não é nada chocante e nem se parece em nada com essas peças de desespero retórico dos “pró-vida”, pode ver aqui: http://www.meuaborto.com.br/
No fim da seção sobre aborto, o Kit Crente traz uma tabela com supostos preços de partes de feto num suposto mercado negro mantido por clínicas de aborto. Isso vem de uma investigação de uma organização antiaborto. O curioso sobre isso é que todos os detalhes sobre o caso morreram lá pelo ano 2000. Nenhum grande veículo de mídia deu atenção, e até a página da Wikipédia sobre a organização responsável, Life Dynamics, não cita o suposto mercado. Além disso, o comércio de tecidos fetais é proibido por lei nos EUA. Por que cavar uma polêmica midiática vazia de grandes provas nos anos 1990? A resposta é a mesma: apelo à emoção na ausência de argumentos que apelem à razão.
PÁGINAS 6-10 – Prostituição e Homossexualidade
O Kit Crente tenta demonizar os direitos das prostitutas que elas mesmas buscam desde o trabalho da falecida Gabriela Leite. Mais tentativa de ingerência religiosa usando o poder público sobre a vida de quem não quer seguir seus preceitos moralistas irracionais. Igrejas podem espernear, mas o corpo do cidadão pertence a ele próprio e com ele ele faz o que quiser, inclusive oferecer serviços sexuais por dinheiro. Prostituição já é legal, o que infelizmente é ilegal é que profissionais do sexo se organizem, por isso existe o projeto de lei com o nome da Gabriela proposto pelo Jean Wyllys. Em qualquer país que respeite as liberdades individuais e não seja refém de bancadas teocráticas e autoritárias, o projeto passaria.
Depois, o kit parte para conspiracionismos contra direitos LGBT e a velha alegação de que equiparar homofobia a racismo como crime é atentar contra liberdade de expressão. Tenho certeza que muita gente falava isso sobre a lei anti-racismo nos anos 1980. A alegação de que homofobia não é comparável a racismo também carece de argumento. Pessoas como o Malafaia alegam que, diferente de fenótipos de negritude, comportamentos afetivos e sexuais não têm nada com genética e podem ser mudados. Disso eu já cuidei no meu vídeo-resposta, e até hoje não apareceu geneticista que refutasse. Além disso, certas pessoas homossexuais têm trejeitos marcados e não podem esconder (nem devem!) sua homossexualidade assim como pessoas negras não podem esconder (nem devem!) que são negras. A revista depois perde tempo com detalhes e relatos de pessoas que supostamente se tornaram gays por verem outras sendo gays, inclusive o Clodovil. Chama isso de “estatística”. Não é: chamamos isso de evidência anedótica, e não tem valor algum para provar essa alegação. Talvez quem alega que ser gay é determinado socialmente seja mal resolvido e tenha um medo danado de dar vazão a certas vontades que tem quando passar a conviver com pessoas gays como cidadãos iguais?
Depois, o manual tenta uma manobra de distorção: diz que pessoas do mesmo sexo formando famílias “afetivas” (as famílias tradicionais então não são afetivas?) estão sob uma patologia. Só que nenhum órgão médico científico considera homossexualidade uma doença.
O Kit Crente cita um tal de Genival Veloso de França, que supostamente diz num livro de medicina legal editado pela Guanabara Koogan que a homossexualidade e a transexualidade são doenças. Bem, a OMS diz o contrário. E o Dr. Robert Spitzer, que fez os últimos estudos propondo cura gay em periódicos científicos, mudou totalmente de ideia e não faz isso mais ( http://www.bulevoador.com.br/2012/05/famoso-psiquiatra-pede-desculpas-por-estudo-sobre-cura-para-gays/ ).
O manual, alegando que homossexualidade é patologia, alega que casais gays não devem ter direito de adotar crianças. Isso é facilmente respondido com estudos como o da Universidade de Cambridge mostrando que crianças com dois pais ou duas mães se dão muito bem ( http://www.cam.ac.uk/research/news/ive-got-two-dads-and-they-adopted-me ).
O principal responsável pelo Kit Crente é o pastor Édino Fonseca, aparentemente. Na Wikipédia está dito que, como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, o pastor tentou passar um projeto de cura gay. Daí se entende por que ele omite que homossexualidade já não é mais considerada doença por qualquer organização de psicologia ou psiquiatria, e que a transexualidade não é mais considerada doença no DSM-V, e provavelmente deixará de sê-lo no Código Internacional de Doenças. É engraçado que o Kit Crente cite o transtorno chamado Orientação Sexual Egodistônica. Essa egodistonia é justamente o desconforto por que passam pessoas que não se aceitam como são e tentam essas curas gays oferecidas por organizações evangélicas na surdina pelo país. Se achou que isso iria provar que ser gay é doença, o deputado estava muito enganado. E ele não perde por esperar: chegará o dia em que transexualidade deixará completamente de sê-lo também, pois não há argumento ético ou técnico-científico que justifique tratar a identidade de alguém como uma doença. Posso apostar nisso e vou ganhar.
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Comentei aqui metade do Kit Crente. O que mais impressiona é o nível de detalhe dos conspiracionismos, o trabalho que deu selecionar enviesadamente cada mínimo pedaço de informação para promover conservadorismo irracional e preconceito. Outras partes que não comentei envolvem alegações sobre o MST e sobre os planos de descriminalizar drogas.
O Kit Crente pode ser baixado aqui: http://genetici.st/kitcrente
14th of September

Fucô não é meu Pastô: filósofo Michel Foucault diminuía gravidade da pedofilia para atacar “biopoder”


Da série “Fucô não é meu pastô”: quando, em nome de atacar o “biopoder”, o francês diminuiu a gravidade da pedofilia.
“[É] central na crítica de Foucault o papel que as pretensões epistêmicas das ciências desempenham numa estrutura de raciocínio prático que leva agentes preocupados com sua prosperidade a se tornarem agentes de sua própria opressão. E a parte crucial da “pretensão” é, como notamos antes, que as ciências humanas iluminam a verdade sobre como seres humanos (normais) prosperam em virtude de aderirem às estrituras epistêmicas e metodologias das ciências naturais. Lembre-se também que Foucault, diferentemente de Nietzsche, não contesta a autoridade prática da verdade (isto é, a alegação da verdade para determinar o que *deve* ser feito); em vez disso ele nega que as alegações em questão sejam verdadeiras ou que tenham a garantia epistêmica que esperaríamos de alegações verdadeiras. Então, o projeto de libertação foucaultiano em sua totalidade se volta para o status epistêmico das alegações das ciências humanas. E sobre esse ponto central Foucault não tem, surpreendentemente, quase nada a dizer além de levantar “suspeitas”. Talvez a medicina ou a psiquiatria *contemporâneas* tenham identificado *tipos naturais*, isto é, agrupamentos reais de propriedades patogênicas interconectadas de pessoas. Neste caso, a história de Foucault é a história da ciência de araque do passado recrutada em favor objetivos morais e políticos, uma história cujos contornos gerais são há muito conhecidos, mesmo que Foucault conte aspectos marcadamente novos a seu respeito. Sobre o status epistêmico das ciências humanas *atuais*, tudo o que Foucault nos oferece é uma suspeita, em vez de um argumento. A suspeita é, como argumentamos anteriormente, epistemologicamente importante, mas precisa ser suprida de uma crítica da verdade das alegações em questão.
Mesmo essa suspeita, no entanto, é enfraquecida, infelizmente, pela atitude às vezes cavalheiresca de Foucault para com os fenômenos em questão. Considere a seguinte passagem notável da História da Sexualidade, sobre a qual os devotados seguidores de Foucault raramente comentam:
“Um dia, em 1867, um trabalhador rural da vila de Lapcourt, que era uma pessoa simples, empregado aqui e ali a depender da estação, vivendo da própria subsistência… foi entregado às autoridades. Na fronteira de um campo, ele havia obtido algumas carícias de uma menina, da mesma forma que ele já havia feito e tinha sido observado fazendo pelos moleques da vila ao seu redor… Então ele foi acusado pelos pais da menina frente ao prefeito da vila, entregue pelo prefeito aos gendarmes [guardas], levado pelos gendarmes ao juiz, que o condenou e o entregou primeiro a um médico, e então a outros especialistas. … O que é digno de nota nessa história? A mesquinhez disso tudo; o fato de que essa ocorrência quotidiana na vida da sexualidade da vila, esses prazeres bucólicos inconsequentes, poderiam se tornar, a um tempo, o objeto não apenas da intolerância coletiva mas de uma ação judicial, uma intervenção médica, um exame clínico cuidadoso, e uma inteira elaboração teórica.” (p. 31)
Os mesmos eventos subjacentes podem, é claro, ser descritos de forma bem diferente: que até o tempo daquele incidente, a pedofilia e o abuso sexual infantil haviam sido rotineiramente tolerados – tratados como um “prazer bucólico inconsequente” na expressão alarmante de Foucault – mas gradualmente as pessoas vieram a perceber que homens “simples” sendo masturbados por meninas pequenas não era coisa tão boa (nem tão “inconsequente”), e assim o moderno estudo científico da pedofilia, e seus danos, começou. Por que deveríamos preferir a versão de Foucault à versão alternativa não está claro. Por que não dizer, em vez disso, que no século XIX um certo *tipo* psicológico foi descoberto, a saber, o pedófilo, e que os prejuízos da pedofilia também foram descobertos, mesmo que as versões dessas descobertas do século XIX tenham sido superadas por um século de investigação? Ausente em respostas para perguntas assim, o projeto crítico de Foucault fica em perigo.”

Brian Leiter. “O status epistêmico das ciências humanas: reflexões críticas sobre Foucault”. http://philpapers.org/rec/LEITES

Leia também: “Tudo é narrativa”: um trem muito doido.

9th of September

General elections in Brazil: a short guide for humanists


In October 2014 Brazilians will vote and choose the next president, federal deputies and senators. Here is a summary of the state of affairs in the topics that humanists worry about.
Leading polls as a presidential candidate now is Marina Silva (PSB, Brazilian Socialist Party), who comes from a poor background in the heart of the Amazon forest. Silva, who converted to Evangelicalism in the 1990s, says her conversion happened because of a miracle that doesn’t sound too miraculous: she recalled the name of an experimental drug to treat the mercury poisoning she suffered from. Some supporters of the re-election of Dilma Rousseff (PT, Workers’ Party) accuse Silva of being a fundamentalist. This is hard to argue for, since she can be seen saying “even” atheists can have good, moral lives, and also sounds hypocritical because Rousseff has failed in clearly defending a progressive agenda. But also hard to argue against, because Silva, after launching an excellent plan for LGBT rights, recanted large chunks of the plan 24 hours later, removing support to the criminalisation of anti-LGBT discrimination and hate speech, and insisting, despite the judiciary’s decisions, on calling gay marriage a “civil union,” as though the word “marriage” belonged solely to the religious. Silva’s catch-all mantra about contentious human rights issues, from abortion to smoking weed, is that she will submit them to referenda. 
President Dilma Rousseff indeed has failed in being as progressive as she appeared to be before her first term and being true to what she really believes. In 2007, when asked if she believed in God, she answered “I balance myself on this issue”. Three years later, when running for president, she “forgot” completely about her agnosticism of sorts and kneeled before Our Lady of Aparecida in the large Catholic shrine. In her first year in office, she vetoed an educational material known as the anti-homophobia kit saying to the press her government wouldn’t allow “sexual option propaganda”. “Sexual option” is how many Brazilians ignorantly call sexual orientation, by the way. In her second year, Rousseff’s Chief of Staff signed off a dismissal for a senior employee at the Ministry for Health, the reason being that this employee was creating too progressive anti-HIV campaigns for gay men and prostitutes. The phrase “sexual option”, the mark of ignorance, made into a second coming in Rousseff’s early government programme for her next term in office. Her campaign staff quickly redacted the text, but kept it superficial enough not to make any clear specific agenda for the LGBT, who hope to have gay marriage not only sanctioned by the courts but written into law, and to have homophobic discrimination criminalised as much as racism. Now in her second campaign for president, Dilma Rousseff is again doing her spectacle of insincere faith: she attended the inauguration of the “Temple of Solomon” in São Paulo, said “the state is secular but happy is the nation whose god is the Lord” in another Evangelical church, and, betraying feminist colleagues, she applauded when a theocratic deputy (in a church, accompanied by the president) celebrated the veto to a healthcare policy directed at the exceptions where women can have abortions in Brazil (rape, life risk and anencephalic foetuses).
Behind Silva and Rousseff, Aécio Neves (PSDB, Brazilian Social Democracy Party) focuses on economic issues, pays little attention to human rights except to promise he will put people in jail at a younger age, to pass superficial pro-LGBT messages that don’t upset homophobes, and to swear he shall not move a finger to change the cruel anti-abortion laws. His party, along with the president’s, is riddled with corruption scandals.
The scariest of all presidential candidates, arguably, is the candidate in the 4th position, with 1% of votes in polls. Pastor Everaldo (PSC, Social Christian Party), as he calls himself, is defending a chimeric blend of social conservatism and extreme economic liberalism. Ciphering his message to call homophobe votes, he says he is campaigning “in favour of the family” defined as man, woman and children. He promises to privatise key state-owned industries like Petrobras. Pastor Everaldo is the tip of an iceberg of candidates for the legislative: from the last elections in 2010, the number of candidates for the bicameral parliament who name themselves with religious titles like “pastor”, “bishop” and “father/sister” has grown by 47%. 
Supporting Everaldo in the same party and trying a re-election is Pastor Marco Feliciano, who for a year presided over the human rights commission of the Chamber of Deputies for the bafflement of human rights activists. Among Feliciano’s famous soundbites of wisdom, my favourite is this: “Jesus’s DNA was not like ours. He had X chromosomes, however, the Y chromosomes were not human. (…) His carnal involvement with a woman could lead to a superior race.” Besides Feliciano, Everaldo has a supporter in Pastor Silas Malafaia, classified as a millionaire by Forbes magazine, and most famous homophobe in Brazil. When I made a video last year replying to Malafaia’s claims that child abuse causes half of homosexuality and the other half of gay people just choose to be so, he attacked me on his TV show calling me a “pseudo-doctor who’s defending his own cause” and “a lad who hasn’t changed his nappies in genetics”. Since then, when he makes a list of his enemies, he never forgets to list humanists among them.