29th of December

Por que não sou mais onívoro: resposta a mim mesmo – parte 1


Lisa Simpson crescida, por Jordan MeadEm abril de 2010 escrevi um texto que até hoje consta como primeiro resultado nas buscas para seu título, “por que não sou vegetariano”. Dois anos e meio depois, vim a tomar uma decisão que contradiz a posição que tentei defender – hoje vejo que de forma incorreta e até irracional – naquele texto. A maior guinada, que não pretendo justificar aqui nesta primeira parte, foi o abandono da ideia de que teorias éticas dependem de emoções para se justificar. Acredito no oposto hoje em dia: que embora emoções sejam importantes para motivar a ação ética ou importantes de outras formas para a moral (e ética e moral são muito melhor tratadas como sinônimos), até mesmo um psicopata completamente desprovido de empatia poderia tomar decisões eticamente corretas usando apenas a reflexão racional. A decisão que tomei foi de mudar minha dieta. Não há, até onde sei, um rótulo para as restrições alimentares e de consumo que adotei. Este primeiro texto de resposta não pretende ser uma resposta exaustiva a mim mesmo e aos erros que cometi neste assunto. Mais partes virão em algum tempo.

Eis, então: Breve diálogo fictício sobre minha decisão de não consumir mais carne vermelha.

– Não como carne vermelha porque tentei achar motivos pelos quais isso é correto e não achei nenhum. Na verdade só achei, inclusive no que eu próprio pensava a respeito, apelos irracionais à emoção (inclusive ao prazer gustativo) e tentativas de furar buracos nos argumentos de quem não come em vez de um caso completo defendendo a prática. Não saí por aí acusando ninguém de “imoralidade”, só penso que uma pessoa honesta deve reconhecer que ela come carne vermelha pelos mesmos motivos que eu baixo mp3 ilegalmente: porque não tem recursos / motivação / coragem / heterodoxia suficientes para parar algo que, olhando bem de perto e julgando a média dos modos como é feito e as consequências que traz, é errado.

– Mas você come milho, não come? Há uma grande probabilidade do milho que você come estar vindo de lavouras em que são colhidos com colheitadeiras que inevitavelmente matam ratinhos inocentes que ficam por ali. Portanto, você tem sangue nas mãos tanto quanto eu, o que eu faço é pegar da mão e botar na boca, e se isso tem algo de prejudicial é apenas a mim na eventualidade de ser comida pouco saudável.

– Este é um problema interessante porque lembra os experimentos mentais em ética sobre o bonde desgovernado. Enquanto a maioria das pessoas acha correto puxar uma alavanca para mudar um bonde de trilho para que ele mate menos pessoas, pouca gente acha correto atirar um homem gordo em cima dos trilhos para obter o mesmo efeito. Enquanto puxando a alavanca você só está matando pessoas indiretamente, empurrar o gordo é algo que parece mais com assassinato. Comprar e comer carne vermelha me parece trazer problemas inevitáveis, por estar muito mais diretamente ligado a causar sofrimento ou atentar contra a individualidade de um ser capaz de sofrer e capaz de experimentar o mundo ao ponto de ter interesse em viver, do que comprar vegetais, que são possivelmente colhidos com a consequência indireta e evitável de animais sofrerem e morrerem. Financiar o abate pecuário diretamente lembra empurrar o gordo, e comprar o milho parece puxar a alavanca.

– Mas de qualquer forma você não é isento de estar provocando – mesmo que mais indiretamente que eu – a morte e sofrimento do tipo de animal que você acredita ter status para consideração moral. Como pode então achar que pessoas que fazem o que você não faz deveriam reconhecer que o que fazem é errado?

– Seu argumento é que dois errados fazem um certo? Quando deixa de pagar impostos tenta se justificar dizendo que Al Capone também não pagava? Isso seria falácia, uma escapada à discussão em vez de uma resposta a ela. O que estou dizendo é outra coisa: que duvido que pessoas que comem carne vermelha (vamos deixar outros tipos de carne para outro debate) possam justificar este hábito como coisa correta, recomendável, justa ou louvável a se fazer. Se têm outros motivos para continuar fazendo, posso imaginar quais sejam e até imaginar explicações para eles, por isso mesmo não acho que repreensão e acusação sejam úteis (como não são úteis para o caso de consumo de obra intelectual e artística sem levar em conta os direitos de quem a criou). As pessoas fazem as mais variadas coisas pelos mais variados motivos. Mas só uma fração dessas coisas é correta, e só uma parte dessas coisas é justificável racionalmente. Deixar de comer carne vermelha é tanto correto quanto justificável. A atitude contrária não é – ainda mais quando consideramos como é feita hoje, e é claro que varia em mais e menos incorreta dependendo de como é feita, mas creio que ser incorreta é uma de suas propriedades fundamentais.

– Extratos de pulmões de porcos são necessários para dar surfactantes para bebês recém-nascidos, sem os quais os bebês não conseguem respirar. Surfactantes sintéticos, até onde sei, não funcionam tão bem. Está dizendo que abater porcos para este fim é errado?

– Não. Estou dizendo que abater porcos é geralmente errado. Não que é errado em absolutamente todas as circunstâncias possíveis e imagináveis – o que também vale para assassinatos e mentiras. É geralmente errado, e principalmente para fins de consumo dispensável e diversão. Porque porcos são seres capazes de sofrer e seres que têm interesse em viver. Abatê-los é interferir injustamente com este interesse e na maior parte dos casos causar-lhes dor desnecessária. Isso significa que, objetivamente falando, se ética diz respeito a evitar sofrimento e respeitar interesses, porcos devem necessariamente ser seres dignos de serem lembrados quando pensamos no que é a coisa certa a se fazer. Que eles próprios não tenham linguagem e capacidade complexa de julgamento não importa – isso significa que eles não podem ser agentes morais, mas não significa que não podem ser pacientes morais. Ou seja, não podem decidir eticamente, mas devem ser incluídos no grupo de seres que merecem a piedade de seres pensantes.

– Se porcos merecem esse status moral, então, se uma fazenda estivesse sendo invadida por um tsunami e você tivesse um helicóptero, você daria igual prioridade para salvar as pessoas e os porcos?

– Não. Porque eu acredito que porcos são dignos de serem pacientes morais, não significa que eu acredite que todos os pacientes morais têm a mesma prioridade. Pode-se tentar orientar as prioridades pelos interesses – pessoas têm mais interesses (e potencialidades, que talvez possam ser incluídas nos interesses) que porcos, portanto, em geral, têm mais prioridade. Mas uma pessoa em iminência de ralar um joelho com certeza tem menos prioridade que um porco em risco de morrer com uma facada no coração, para mim. De novo, a prioridade em geral ser maior para uma espécie não significa que ela seja sempre maior em toda e qualquer circunstância concebível. E não é, na verdade, a espécie que define a prioridade, mas a natureza dos indivíduos em determinado problema moral, além de, como ilustrei, as possíveis consequências de uma ou outra decisão. Num prédio em chamas com uma única criança num quarto e trezentos mil embriões humanos em outro, eu com certeza daria prioridade total a salvar a criança, e minha prioridade de evitar que os embriões fritassem seria equivalente à prioridade que eu dou a evitar que minha salada apodreça na geladeira. Porque não parece ser o caso que embriões humanos mereçam o mesmo tratamento de indivíduos humanos.

– Foda-se, vou comer minha picanha porque é gostosa e ponto final, ninguém pode me impedir.

– Ninguém tentou tirar seu direito legal de fazê-lo. O que é imoral nem sempre tem que ser ilegal, e vice-versa. Pense nisso. E pense, se quiser é claro, se “porque é gostosa” é realmente um motivo que justifique alguma coisa. Hannibal Lecter diria o mesmo sobre cérebros de gente viva.

  • Mas não entendi uma coisa: carne branca, não deixou de comer? e pq? Frango e peixe eu ainda como, mas não tenho muitos argumentos pra não parar, além de gostar de comer peixe (além do ômega3), eventualmente frango.

  • Eli, como inclusive conversamos pessoalmente, eu concordo com a maioria desses argumentos, e "gostaria" de ser vegetariano — isto é, tendo a concordar completamente com esses argumentos, entre outros, e essas conclusões — mas suspeito fortemente que traduzir essas conclusões, ainda que se concorde com elas, para a prática não seja tão viável e claro assim. Um dos principais problemas é o mencionado por você, o de que mesmo o consumo direto exclusivo de vegetais não significa necessariamente a não participação no menor sofrimento de outros animais. A comparação com empurrar o gordo e puxar a alavanca não me parece satisfatória, em ambos os casos para mim se está puxando uma alavanca para matar, apenas em um deles você come o gordo depois, no outro o gordo apodrece de toda forma, em ambos os casos o gordo já morto é apenas matéria orgânica. Outra questão independente que sempre considerei é o quanto o esforço dedicado, o ônus total para colocar em prática essas conclusões — novamente, ainda que sejam aceitas — não poderia diminuir mais o sofrimento se dedicado a outras ações mais efetivas. Por exemplo, alguém que invente uma carne sintética que substitua o consumo de, digamos, 100.000 cabeças de gado ao ano, não poderia comer carne pela vida inteira e ainda assim ter contribuído mais para a diminuição do sofrimento do que se simpelsmente tivesse deixado de comer carne? A resposta simples é sim. A reação imeditada é perguntar… hipocrisia? Sim, nesse caso bem clara, mas esse é um caso extremo. Se o inventor se permitisse apenas um pouco de carne que se não consumida por ele seria jogada no lixo? Hipocrisia? Talvez não. O que me parece interessante é evitar, sim, o sofrimento de outros animais, lutar contra um especismo atávico, entre tantas outras lutas, mas há inúmeras e incontáveis situações e questões morais apresentadas a todo momento a tantas pessoas… simplesmente concluir que o onivorismo é simplesmente errado, como uma conclusão absoluta, é algo que me soa ainda radical demais. Nunca poderemos evitar por completo todo o sofrimento do mundo. Um tal de Buda já havia concluído isso há alguns milhares de anos. Impor intelectualmente o vegetarianismo lembra muito impor o ateísmo como única posição racional para uma pessoa informada e inteligente. Penso que uma pessoa racional pode sim crer em deus, penso que um onívoro pode ter uma moralidade não-"especista".

  • Júlio, eu vou explicar isso depois, por isso este texto é apenas "parte 1".

    Kentaro, valeu por comentar. Se entendi bem você aponta dois principais problemas. Um é o "absolutismo moral", outro é que você duvida que a onivoria tem consequências piores que o vegetarianismo.

    1 – Duas vezes eu falei sobre o que é o geral – a média – e o que é particular. O geral e a média, com base nos argumentos sobre senciência e interesses, é que é errado matar um animal para comer. Mas não é errado matar um animal para alimentar sua família se você não tem nenhuma outra escolha. Assim como não é errado que sobreviventes de um acidente de avião no meio dos Andes comam a carne dos cadáveres que padeceram no acidente. Em ética, assim como muitas vezes acontece em ciência, há casos em que a regra vale claramente, mas há casos problemáticos. Mas que a mecânica newtoniana não consiga explicar a órbita de Mercúrio não se segue necessariamente que ela deva ser jogada fora, "refutada" como acreditava Popper. Eu estou, sim, dizendo que, dadas as circunstâncias de hoje, comer carne é algo geralmente errado. E este não é um caso eticamente problemático – é um caso bem claro. Mas é evidente que comer carne produzida por cultura de tecidos em laboratório não seria errado, não pelos mesmos motivos ao menos.

    2 – Minha comparação sobre o problema do bonde vale porque (a) matar o gordo é o alvo principal na decisão de jogá-lo nos trilhos, e é evidente que matar uma vaca é a ação sine qua non para ter um bife no prato; e (b) os ratinhos mortos pelas colheitadeiras são danos colaterais, e, como eu disse, evitáveis. Como matar vacas seria evitável para o explícito propósito de fazer hambúrguer? Só no caso de carne em cultura, que, como você bem sabe, trata-se ainda de pesquisa básica e está a anos-luz de entrar no mercado. Não me parece ser o caso, objetivamente falando, que mais animais morram como dano colateral de colheitas do que na fila do abate. Até porque animais, especialmente mamíferos e especialmente roedores, possuem capacidade de aclimatação comportamental e adaptação, podendo tanto individualmente quanto populacionalmente evitarem por si mesmos serem danos colaterais da agricultura. Como os animais de corte teriam isso, se a intenção é esta – que sejam de corte? Por isso, não me parece justo dizer que os dois casos são igualmente errados (agricultura e pecuária de corte), quando apenas um deles tem o explícito propósito de matar animais, e em alguns casos, como o preparo para kosher e halal, têm também o explícito propósito de torturar o animal.

    Sobre o uso do termo "imoral", é o que se segue da teoria moral consequencialista levemente delineada aqui. Eu disse que não saí acusando ninguém de imoralidade, e não saí mesmo. Eu saí argumentando quais ações e decisões são imorais, e não adjetivando pessoas.

    Sobre ser impossível evitar todo o sofrimento no mundo, não vejo por que isso é uma resposta para uma proposta que o diminui concretamente.

    Abraço.

  • Eli,

    primeiro quero parabenizar pelo posicionamento. É a primeira vez que lhe vejo admitir uma mudança de opinião e isso é admirável (da forma como está fazendo).

    Segundo, eu não sou biólogo, e você o é, portanto, estou em uma posição de desvantagem para dizer o seguinte: há um certo consenso de que desde seus ancestrais, a espécie humana é onívera, certo? Inclusive li em algum lugar que uma das primeiras funções das mãos com dedo opositor seria para destroçar/segurar coelhos, lebres, etc, já que não possuímos caninos grandes e garras como possuem os carnívoros por excelência.

    Unicamente por esse motivo, não vejo como "errado" comer carne de tipo algum.

    Eu sou quase vegetariano, por gosto mesmo, nada de saúde ou de ética: meu paladar simplesmente prefere vegetais, frutas e massa e eu como carne mais por obrigação do que outro motivo. Portanto, não estou aqui para defender o consumo de carne.

    Acho que a questão ética é *muito* fraca. Praticamente todos os animais são parasitas de alguma forma, certo (outra afirmação em desvantagem)? Se você escolhe ser parasita de uma alface pois ela não se parece fisicamente contigo, isso não quer dizer que é mais ético, pode ser mais confortável, mas não exatamente mais ético.

    Portanto, não acho que ética/moral deveria ser o ponto principal, a menos que estejamos falando de desperdício ou sofrimento causado per si, ao invés do fim ser para se alimentar.

    Enfim, pode me corrigir se quiser 🙂

  • Eli,

    primeiro quero parabenizar pelo posicionamento. É a primeira vez que lhe vejo admitir uma mudança de opinião e isso é admirável (da forma como está fazendo).

    Segundo, eu não sou biólogo, e você o é, portanto, estou em uma posição de desvantagem para dizer o seguinte: há um certo consenso de que desde seus ancestrais, a espécie humana é onívera, certo? Inclusive li em algum lugar que uma das primeiras funções das mãos com dedo opositor seria para destroçar/segurar coelhos, lebres, etc, já que não possuímos caninos grandes e garras como possuem os carnívoros por excelência.

    Unicamente por esse motivo, não vejo como "errado" comer carne de tipo algum.

    Eu sou quase vegetariano, por gosto mesmo, nada de saúde ou de ética: meu paladar simplesmente prefere vegetais, frutas e massa e eu como carne mais por obrigação do que outro motivo. Portanto, não estou aqui para defender o consumo de carne.

    Acho que a questão ética é *muito* fraca. Praticamente todos os animais são parasitas de alguma forma, certo (outra afirmação em desvantagem)? Se você escolhe ser parasita de uma alface pois ela não se parece fisicamente contigo, isso não quer dizer que é mais ético, pode ser mais confortável, mas não exatamente mais ético.

    Portanto, não acho que ética/moral deveria ser o ponto principal, a menos que estejamos falando de desperdício ou sofrimento causado per si, ao invés do fim ser para se alimentar.

    Enfim, pode me corrigir se quiser 🙂

  • Marinho,
    obrigado.

    Essa opinião de que os polegares opositores evoluíram unicamente pela pressão seletiva de capturar animais é o que chamamos de adaptacionismo injustificado. Nem tudo o que há no corpo humano é fruto da seleção natural, a seleção natural não é o único processo evolutivo, e certas características podem aparecer como subprodutos deste e outros processos evolutivos.

    Sim nós apresentamos algumas adaptações à onivoria, como o modo como acontece o processo digestório. Nosso sistema digestório é típico de uma espécie onívora.

    Mas você está enganado em usar isso para extrair suas conclusões éticas. Porque algo é natural, não significa que seja aceitável ou louvável ou desejável. Nem mesmo inevitável.

    Igualar natural a eticamente aceitável se chama falácia naturalista.

    Se fosse demonstrado então que pernas evoluíram porque nos permitem chutar crianças, então este hábito estaria demonstrado como aceitável?

    Não é assim que ética funciona.

    Eu não faço ideia do que você quer dizer quando diz que "ética é muito fraca". Talvez você pudesse esclarecer.

  • Oi Eli. Bom ver que você voltou a escrever.

    Sobre o texto em si, acho racional fazer o ponderamento sobre circunstâncias em que algo moralmente errado (como tirar a vida de um mamífero) pode ser justificada ou justaposta com outras ações éticas, ou comparada com outra demanda.

    Contudo, temos uma divergência bem cedo no texto: por que tirar a vida de um mamífero com o fim específico de alimentação é errada? Na minha consciência, não é errado. Pode não ser o mais saudável para o planeta, mas isso, não é motivo suficiente para mudar meu comportamento – penso que podemos nos dar certas liberdades na vida em respeito ao que seria ideal para o planeta – do contrário, arte nunca mais. Então, para mim, comer carne não é correto nem incorreto, assim como não é correto nem incorreto baixar músicas LEgalmente (deixe as músicas ilegais para outra vez). Creio que nem toda ação carrega um valor ético positivo ou negativo, algumas são simplesmente escolhas. E para um sujeito como eu, que discorda do seu postulado de que matar um animal é errado mesmo com esse fim (embora eu concorde que abater industrialmente pessoas para comer seja errado), o texto não tem sustentação como regra geral (mas reconheço que faz sentido como razão para o Eli Vieira não comer carne vermelha).

    [Durante a leitura do meu comentário entenda pessoas como não animais nem mamíferos.]

  • Eli, primeiramente parabéns pelo texto. Segundo, outro parabéns por voltar atrás e por não ter medo ou vergonha de colocar isso publicamente. Agora que os parabéns já foram dados, deixe-me apresentar a você, com duas coisas que temos em comum: ser mineiro e viver na Inglaterra. Mas com certeza, devemos ter muito mais coisas em comum. Concordo com quase todo o texto e sei que é um texto ainda inacabado. Já havia discutido esses mesmos tópicos (e outros parecidos) com os meus amigos Veg(etari)anos de Montes Claros. Inclusive abordei uma problemática, ainda não levantada por você, que é: a questão dos nossos índios. Infelizmente, muitos veg(etari)anos ainda não conseguem enxergar esse delicado problema e alguns ainda se dizem favoráveis a uma dizimação da população indígena, ainda que disfarçada de “conscientização dos povos indígenas”. O Robson, que também escreve no Bule Voador, abordou muito bem essas mesmas questões, focando nas questões éticas/morais.

    Acredito que na medida que formos nos esclarecendo, iremos sim adotar uma nova postura alimentar, como a dos vegetarianos e veganos. Deixar de comer carne vermelha, no exemplo que você citou, tem inúmeras vantagens, do ponto de vista social, da saúde, ambiental/ecológico, etc. Mas quando você ponderar sobre a questão indígena, provavelmente chegará às mesmas conclusões que o Robson e eu chegamos (não trago aqui os meus textos, pois estão num grupo do Facebook), daí você notará que esta parte do seu texto “Deixar de comer carne vermelha é tanto correto quanto justificável. A atitude contrária não é…”, precisará de correção.

    Você cita também (e acertadamente de acordo com a minha opinião), os exemplos do porco que vai morrer com uma faca no pescoço e da pessoa com eminência de ralar o joelho e também o caso da criança e dos embriões. Então quero fazer com você um exercício de reflexão moral: Pegamos seu exemplo do prédio em chamas e você agora só tem a oportunidade de salvar uma vítima. Neste caso as vítimas são: um bebê que foi diagnosticado como psicopata (assumamos aqui essa possibilidade hipotética como verdadeira, podendo inclusive vir a matar seres humanos em sua fase adulta) e que a outra vítima seja um “bebê porco” (leitãozinho). Moralmente falando, qual dos dois você salvaria neste caso?

    E por último você diz: “O que é imoral nem sempre tem que ser ilegal, e vice-versa.” Entendo, porque aceito que moral pode variar dependendo do país ou da época. Mas e quanto a ética?

  • o texto do Eli foi completo e responde sua pergunta por si só, estamos falando de tratar os animais como seres dignos de viver também.

  • Eli Vieira, boa tarde!

    Sou Renata Valim do Rio de Janeiro. Assisti seu vídeo para o Silas Malafaia e a réplica dele. Sou cristã e a postura do Silas Malafaia decepciona a mim e muitos outros cristãos.

    Cristão tem princípios e o principal, amor. Amor pelas pessoas, foi o que Cristo nos ensinou e continua nos ensinando até hoje através do amor e graça que sentimos D'ele.
    Pois bem, infelizmente, sinto que o Silas Malafaia não defende mais apenas princípios e gostaria de pedir desculpas como cristã por isso e lhe dizer que não somos assim, não em sua maioria.
    Somos amor a vidas, amor a Deus, mas NUNCA contra pessoas. Não é pra ser assim.
    A igreja é feita de pessoas e por ser assim existem erros.

    Meu objetivo aqui é pedir desculpas, lhe dizer que nem todo cristão busca se promover e que Jesus Cristo me ama tanto quanto ama você, ama a todos nós.

    Abraços e Deus abençoe sua vida, sua carreira, que você seja próspero na graça de Deus.
    Espero que essa mensagem chegue à você.

  • Eli Vieira, boa tarde!

    Sou Renata Valim do Rio de Janeiro. Assisti seu vídeo para o Silas Malafaia e a réplica dele. Sou cristã e a postura do Silas Malafaia decepciona a mim e muitos outros cristãos.

    Cristão tem princípios e o principal, amor. Amor pelas pessoas, foi o que Cristo nos ensinou e continua nos ensinando até hoje através do amor e graça que sentimos D'ele.
    Pois bem, infelizmente, sinto que o Silas Malafaia não defende mais apenas princípios e gostaria de pedir desculpas como cristã por isso e lhe dizer que não somos assim, não em sua maioria.
    Somos amor a vidas, amor a Deus, mas NUNCA contra pessoas. Não é pra ser assim.
    A igreja é feita de pessoas e por ser assim existem erros.

    Meu objetivo aqui é pedir desculpas, lhe dizer que nem todo cristão busca se promover e que Jesus Cristo me ama tanto quanto ama você, ama a todos nós.

    Abraços e Deus abençoe sua vida, sua carreira, que você seja próspero na graça de Deus.
    Espero que essa mensagem chegue à você.

  • Oi Eli

    O criacionista frustrado contraataca agora a bola da vez foi vc:

    http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed733_dois_extremos_de_uma_questao

    Favor responder a altura e tapar a boca desses panacas.

  • João Maurício Alexandre Da Sil

    Achei essa reflexão subjetiva demais… O sofrimento nem é pauta, pq raros são os que se alimentam de animais vivos. É mais comum achar pessoas que maltratam bichos do que os que abatem. A vida é supervalorizada. A sobrevida no caso. Ser irracional não é privilégio e não fosse o fato de você discernir o que é ético e o que não é, você estaria devorando carne crua enquanto um bicho sangra. Coloque-os no lugar do bicho como bicho, vale a pena viver uma vida de ruminante? Senciência, sério??? Se você tenta abater um homem ele se refugia, se alia para resistir. Veja os quilombos, as populações que foram dizimadas por se defenderem. Bichos fazem isso? Com toda essa literatura romântica e humanista de direito dos animais, trace a linha sincera do que foi necessário ao homem para acabar com abusos absolutistas e graças ao telencéfalo altamente desenvolvido é a diferença de que bicho nenhum jamais fará isso pois suas percepções são irracionais, sem dotação de sentido lógico. E você tendo aproveitado sua vida, acha mesmo que viver limitado à irracionalidade é algo belo? Algo que deve ser preservado? Pensa no valor final? Que que tem de bom pra uma vida irracional, se, inclusive, apenas por não sermos, podemos contemplá-las e decidir o que fazer ou não fazer com elas? O dia que eu me encontrar sem memória e sem razão, vai ser um dia que eu vou virar um animal. Existir sem pensar e lembrar é a pior das coisas que pode me acontecer. É basicamente morrer, mesmo tendo as funções biológicas funcionando, por mais alguns anos… Nenhum vegano consegue desconstruir isso. A única veracidade da vida. Pensar é existir.

    • Lanna Martins

      O que vc está falando? Vc pegou uma vertente que lhe é satisfatória do texto e colocou ao seu favor. Ele em momento algum comparou o poder de racionalidade de um homem com a de um animal (não humano), o que houve foi um posicionamento de que eles são capazes sim de sentir e que comemos pelo simples fato de ter um gosto bom, logo, por egoísmo. O sofrimento não esta em quem “perde a razão” ou a quem “nunca teve” está no olhar das pessoas de fora, que sentem dó. Na real as pessoas que tem algum problema na razão ou na memoria, na maioria das vezes não tem ciência disso, vivem felizes dentro do seu mundo. Assim como vc vive feliz dentro da sua ignorância!

      • João Maurício Alexandre Da Sil

        Vivem felizes porra nenhuma. Você que acha isso porque acredita em contos de fada. felicidade não é eu quero ser, o outro é e ponto final, não…. Você que é a ignorante aqui que não tem nenhum aprofundamento científico… }

        O sofrimento não esta em quem “perde a razão” ou a quem “nunca teve” está no olhar das pessoas de fora, que sentem dó. Na real as pessoas que tem algum problema na razão ou na memoria, na maioria das vezes não tem ciência disso, vivem felizes dentro do seu mundo.

        Que embasamento científico você tem para isso? Nem o empiricismo está do seu lado, ninguém quer ficar em um estado vegetativo de consciência, inclusive essas pessoas viram um completo estorvo pra família que cuida, sai do mundo da Disney e abraça o caos, é só isso que tem na realidade….