10th of July

O senso do ridículo e o bairrismo do @ZeroHora


Sou mineiro, e depois de morar quatro anos em Brasília vim fazer pós-graduação em Porto Alegre, há pouco mais de um ano. Jamais encontrei, na UFRGS, qualquer sinal explícito de resistência à minha presença como “estrangeiro”. Mas no comportamento de alguns, especialmente fora da universidade, o bairrismo se manifesta.
O termo “bairrismo” é daqui mesmo. Alguns poderiam chamar de etnocentrismo, provincianismo. Consiste no sentimento de que seu pedacinho de chão no qual viceja a cultura sob a qual você cresceu é necessariamente melhor que qualquer outro, se não no mundo, ao menos no Brasil. Alguns gaúchos, inclusive, apesar de falarem a língua portuguesa e terem praticamente as mesmas referências culturais que você e eu temos quanto à TV e o comportamento na infância, não se consideram brasileiros. Por que? Por que não. Ser brasileiro é feio, mesmo que isto esteja nos seus documentos e na língua que você fala.
A melhor arma contra o comportamento preconceituoso do provinciano (porque provincianismo também é preconceito, para não dizer ilusão ou irrelevância) é a paródia. Por isso eu recomendo o site de “notícias” O Bairrista: combatendo o etnocentrismo local com muito bom humor.
Recebi na minha caixa de correio por engano (ou alguma promoção) uma edição do maior jornal do Rio Grande do Sul, o Zero Hora do grupo RBS. Folheando o jornal (edição de 24 de junho), fui pego de surpresa com demonstrações escancaradas de bairrismo. A que mais me chamou a atenção foi a carta abaixo, publicada com algum destaque numa parte do jornal dedicada a uma série de reportagens sobre gaúchos vivendo fora do RS. A chamada da série chama as pessoas que nasceram no RS e saíram de “colonizadores gaúchos” (sic).
Eis a carta da  leitora:

“Conhecimento, um bem permanente

Meu nome é Patrícia Gasparetto de Medeiros, nasci no dia 1º de janeiro de 1986, em Taquari, e vivi até os 17 anos em Bom Retiro do Sul. Aos 14 anos comecei a trabalhar como babá, e aos 16 ingressei em uma fábrica de sapatos. Sou filha única, mas meus pais não tinham condições de pagar faculdade – minha mãe era merendeira e meu pai trabalhava como amarrador de carga.

Em junho de 2003, decidi morar com uma tia em Campo Grande (MS). Não sabia que seria tão difícil deixar o Rio Grande do Sul, a família, os amigos. Chorei por dois anos, com muitas saudades. Eu sabia que, se fosse para estar longe de quem amava, teria que fazer “valer a pena”. Aproveitei e me dediquei aos estudos, já que assim poderia vencer na vida. Como minha mãe sempre diz: a única coisa que ninguém nos tira é o conhecimento adquirido.

Em junho de 2004 passei no curso de Administração na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Naquele momento senti a alegria da conquista, mas também a tristeza de saber que nos quatro anos seguintes não voltaria a morar no Rio Grande. Campo Grande foi me “adotando”, e em 2007 fui trabalhar no setor de agronegócios do Sebrae. Minha função, viajando por todo estado, é levar conhecimento, ajudar na organização de grupos e incentivar o agronegócio competitivo e sustentável.

Em 2009, me formei, e na colação de grau fui homenageada como melhor aluna da turma. Não esperava, e sei que este reconhecimento foi consequência do fazer “valer a pena” por estar longe da minha terra e da minha gente.

Hoje, pós graduanda em Gestão Estratégica de Negócios, sou casada com um sulmatogrossense e considero o Mato Grosso do Sul meu segundo lar. Não deixo de visitar, todo final de ano, o Rio Grande do Sul e ver as pessoas que amo, trazendo sempre na bagagem um pouco de lá. Acredito que temos que abrir portas para que Deus escolha a melhor forma de nos abençoar.”

Com todo respeito à Patrícia e a saudade que ela tem de “sua terra” e “sua gente”, a impressão que eu tive da carta publicada pelo Zero Hora é que é necessário um esforço gigantesco de um gaúcho para considerar qualquer outra parte do Brasil um “segundo lar”. É difícil acreditar que as pessoas de Campo Grande sejam tão piores assim que os gaúchos, para este esforço ser necessário. A única explicação que eu tenho para essa dificuldade da Patrícia é o etnocentrismo e o ato de fechar-se culturalmente a um novo ambiente, por mais que ela tenha tentando expressar o oposto.
Mas se você não concorda com a minha interpretação da carta, ainda temos bairrismo escancarado na série do jornal: o gaúcho “se mistura” com o resto do Brasil (ou seja, é ele quem tem o poder de iluminar as outras variantes do Brasil, não o contrário) e o “coloniza” quando sai do Rio Grande do Sul, termo no mínimo infeliz com um ar quase eurocêntrico datado do século XVI.
Todos nós somos em parte produto do meio, e eu estaria mentindo se dissesse que não tem nada na minha terra natal que me agrade. Mas estou com o Fernando Sabino, que dizia que ser mineiro “consiste em não tocar no assunto” – nunca me senti na necessidade de exibir minha “mineiridade” como um galardão. Eu não escolhi nascer onde nasci, por que isso por si deveria ser motivo de orgulho? Ainda que eu tivesse nascido no melhor lugar do mundo, novamente, que motivo de orgulho eu teria, se não fui eu com meu esforço quem melhorou o lugar? Eu penso que orgulho é uma resposta: deve-se usar somente quando alguém tenta fazer você sentir o oposto. Eu deveria começar a usar um “orgulho de ser mineiro” se e somente se um grupo estivesse se esforçando para pintar esta condição como negativa – o que infelizmente acontece a nordestinos não só aqui mas também no sudeste.
Mérito não é genético nem se transmite pelo “sangue”. O RS tem muitos méritos como um lugar para viver e como cultura – mas também tem defeitos. Um amigo cearense, que também veio estudar aqui, me disse que toda vez que conta de onde é, uma parte considerável dos gaúchos abre um sorriso e fecha logo depois, numa demonstração caricata de falsa aprovação.
Numa época em que ainda se fazem tentativas de dividir comunidades em heterossexuais e homossexuais, entre brancos e negros, não parece de muita ajuda que parte dos gaúchos, com a aprovação de parte da imprensa, separe brasileiros em gaúchos e não-gaúchos, creditando mérito apenas aos primeiros.
Ainda tem quem pense aqui que trabalha para pagar aos “vagabundos” que recebem a assistência do Bolsa Família lá no nordeste. Em primeiro lugar, é bom lembrar que não são poucas famílias gaúchas recebendo o Bolsa Família, que segundo o Banco Mundial foi um investimento bem pensado do governo, não um “assistencialismo vazio” nem “sustento para vagabundos”. Em segundo lugar, se for mesmo verdade que as contribuições do RS ajudam o resto do Brasil, não deveria ser isso motivo de orgulho?
Somente o preconceito provinciano, bairrista e separatista de alguns poderia ver algo feio em ajudar o nordeste a se erguer economicamente (se é que há fundamento neste mito de que existe um tubo de tributos saindo do RS e desembocando no NE).
Viva o chimarrão! Mas eu não acho graça em tomar, como muitos gaúchos, e me preocupam os efeitos cancerígenos de tanta água quente goela abaixo. Viva o churrasco! Mas eu só como com acompanhamento de salada, como muitos gaúchos, e também observo que toda carne bem passada também tem um monte de substâncias cancerígenas.
Somente com comedimento chimarrão e churrasco são só fonte de prazer na vida, e somente com comedimento é razoável supor que o Rio Grande do Sul tem vantagens únicas que não se encontram em nenhum outro lugar do Brasil e do Mundo.
Só tenho prazer em ter amigos gaúchos que, à revelia da opinião veladamente manifestada pelo Zero Hora, se orgulham quando com suas próprias mãos ajudam o Brasil a melhorar, sem ligar isso necessariamente ao fato de serem gaúchos, assim como também reconhecem que o RS tem muito a ganhar se abrindo culturalmente ao resto do Brasil.
Bah, tchê! Vamos agregar em vez de separar? Vamos crescer em vez de nos vangloriar?
  • Não percebi a carta da garota tão "bairrista" assim, na verdade ela é mais recheada de falta de cultura mesmo, ideinhas antigas de "minha terra" coisas de antes da globalização. O que me deixa intrigada é que ela teve que sair dessa "sua terra" tão maravilhosa para ser alguém na vida, para conquistar um curso superior, por que o RS não ofereceu isso a ela? Que falha dessa "sua terra" tão maravilhosa.
    Somos do mundo, de cada lugar adquirimos novos conhecimentos. Acho o RS lindo, gosto da suas festas para manter tradições (algumas inventadas) mas são divertidas, cheia de beleza, mas muitos gauchos tem mesmo uma certa dificuldade de se abrir para o mundo.

  • Eli, olha só,

    Primeiramente quero dizer que também não sou gaúcha e também estou aqui há tanto tempo quanto você (pouco mais de um ano).

    Sim, concordo que tem um pouco de bairrismo aqui mas também nunca sofri preconceito por isso. Mas o que tu falou sobre a carta da Patrícia ("é necessário um esforço gigantesco de um gaúcho para considerar qualquer outra parte do Brasil um "segundo lar". É difícil acreditar que as pessoas de Campo Grande sejam tão piores assim que os gaúchos, para este esforço ser necessário"), sou obrigada a discordar…

    Sou da região sul, e pra mim me seria muito difícil morar no Sudeste, Norte, Nordeste ou Centro-Oeste não por achar as pessoas piores, mas sim por diferenças, como o clima, a cultura, a música, enfim. Gosto de churrasco, agnoline, frio e de literatura gaúcha. Não tô dizendo que o resto do Brasil seja pior que o Sul – inclusive, sou pesquisadora e sei que o Sudeste está a nossa frente em vários sentidos na pesquisa, investimento e afins – mas é que eu me sinto em casa aqui. Combino com o clima e com a cultura. Não gosto do clima quente e seco do Nordeste, porque gosto de frio e chuva.

    Sim, há bairrismo, mas as vezes a gente vê onde não tem. Eu acho que o que é gritante aqui no Sul é o preconceito, mas não com não-gaúchos, e sim com homossexuais e negros. Percebo que aqui há muitoshomossexuais, mas a maioria dos heteros é muito preconceituosa. E os negros também sofrem preconceito – estudo numa universidade federal em que há apenas 2 negros.

    Abraço!

  • Glaucia e Tarsila,
    muito obrigado pelas contribuições, são pra fazer pensar.
    Abraço.

  • Eu que moro aqui há tanto tempo, peercebo esse bairrismo nas comemorações da Revolução Farroupilha, por exemplo. Como diz o meu marido, "qual o sentido de comemorar uma revolução que perderam?"
    Beijão!

  • Olá, Eli.

    Sou baiana e morei 6 meses em Porto Alegre e pude perceber um pouco do bairrismo do gaúcho. Não sofri nenhum preconceito diretamente, mas é muito perceptível essa "proteção" à cultura gaúcha. Várias vezes vi pessoas vestidas de bombacha em conjunto com o restante do traje oficial gaúcho. Algmas vezes, até mesmo a faca na cintura finalizava a "fantasia". Em dias comuns. Não apenas no mês na Revolução Farroupilha. Outro fato que estranhei: um mês inteiro comemorando uma revolução… O.o Mas vai entender…

    E, nos dias de domingo do mês de janeiro, com a temperatura batento na casa dos 40 graus, lá se iam, os gaúchos, ao parque da Redenção com suas garrafas térmicas, carregando sua água fervendo, para fazer o seu chimarrão, por mais calor que estivesse fazendo… Esses dois exemplos me pareceram bem estranhos. Ainda mais quando tentei trazê-los para a minha realidade: Me imaginei vestida de baiana de acarajé, com um tacho de dendê dependurado no pescoço, fritando acarajés pelo meio da rua e comendo, indo para a universidade vestida assim. Chega a ser engraçado. Mas seria exatamente assim se os baianos tentassem "preservar" tanto sua cultura como os gaúchos fazem.

    ps: Nunca vi um gaúcho com uma camisa de time que não do Inter ou Gremio
    Abraços e parabéns pelo post.

  • tarsila57 disse tudo, concordo plenamente. Não vi nada de mais na carta. Qualquer um em qualquer lugar pode ter esses sentimentos, inclusive é bem comum ouvir do povo do nordeste também quando vai para o sudeste, por exemplo. O texto é sobre saudade, só isso (o que também torna irrelevante o ponto da Glaucia sobre "falhas da terra"). A parte da "mistura" também não tem nada de errado, o jornal é daqui, é natural que a narrativa seja do ponto-de-vista de quem é daqui.

  • são paulo não difere. com esse 'mito do café' acho que o bairrismo aqui é pior, inclusive.

  • Nara,

    obrigado pelo relato. Ele é mais ou menos generalizado nos relatos de muitas pessoas que vêm morar aqui no RS, especialmente em Porto Alegre. Quando tanta gente relata independentemente o comportamento do bairrismo, ele se torna inegável.

    Kurama,
    aparentemente você não tem nada a comentar sobre o jornal chamar gaúchos de "colonizadores".

    Rayssa,
    sim, o bairrismo paulista(no) também é bem conhecido.

    Abraços.

  • Agregando mais um pouco: Sou gaúcho e estou a 2 anos em Campinas, cada vez que volto percebo que boa parte do bairrismo não faz o menor sentido, mas quanto a carta da moça só percebo uma menina interiorana lamentando a saudade de casa, nada de mais.
    Aprendi muita coisa fora do RS, principalmente com amigos mineiros que fiz em Campinas, aprendi a ficar quieto quando convém entre outras coisas, para os gaúchos que acham que o orgulho do RS sempre foi bem quisto em nossos pagos recomento esta reportagem do globo rural com Paixão Cortes http://www.youtube.com/watch?v=hhpXgXKrWbg , onde ele fala que era zoado (gíria paulista utilizada propositalmente) quando andava fantasiado de gaúcho(agora vão me matar).
    Era isto, espero que ninguém leve a sério este comentário, pois como o Eli falou, para combater o bairrismo nada melhor que fazer graça.
    E para finalizar, tenho sim muito orgulho do RS, mas tenho também muito orgulho da diversidade deste nosso país!

  • Sou, paulistano, nascido e criado no Brooklin, e ainda hoje muitas vezes durmo na cama onde fui concebido. Nascido não, que nasci no HOSPITAL 9 DE JULHO.
    Como é ridículo o bairrismo! Na verdade, como percebo nisso a coisa do útero, pois a vivi! E já tenho 53 anos, trabalhei na África, na América Central, em POA. A rigor, não vejo problema no bairrismo, a não ser quando introjetamos que nosso útero foi melhor que o do outro. Infelizmente, isso é muito comum.
    E por conta dessas maluquices uterinas tanta gente volta mais cedo pro útero da Gaia que nos pariu. Aliás, boa sugestão pro Bule #bairrismonao!
    Abraço, meu jovem. Sejas feliz nestas plagas gáuchas! Que somos todos cidadãos desse mundão de meu deus (oops, perdão, não quiz ser idelicado, veja que utilizei caixa baixa)

  • Quando você diz que o Zero Hora fala que o gaúcho coloniza quando sai do RS, lembro também do hino daí:

    "Sirvam nossas façanhas
    De modelo a toda Terra"

    rsrs

  • Ola!

    Sou gaúcha, de Porto Alegre, e entendi e concordo com parte do que foi citado no texto e nos comentários.

    Há sim um bairrismo, uma "proteção" da cultura e um certo pensamento de que o RS é melhor que o resto do país (O que é um absurdo afirmar). Como a Tarsila disse, não é uma dificuldade de tornar um local seu "segundo lar", apenas há conflitos de cultura e gostos. Conheço muitos gaúchos que adoram viver em outros estados, assim como conheço inúmeras pessoas que vieram para o RS, e se consideram gaúchos atualmente.

    Sobre o que comentastes em relação ao bolsa família, é muito triste esta visão que muitas pessoas tem sobre o programa, mas vale lembrar que parte deste preconceito é fundado na imagem estereotipada do nordestino. E isso não foi um gaúcho que implantou nas pessoas.

    Acho que este bairrismo se torna um problema, quando exagerado (como qualquer coisa ou fanatismo) ou quando envolve preconceito com pessoas de outros estados. Nunca presenciei tal situação, mas sei que existe. O RS não é o melhor lugar do mundo, apenas possui características que agradam certas pessoas (como eu). Hoje em dia o movimento separatista é visto como uma piada, até por aqui. Não há a menor possibilidade, nem interesse em separação.

    Leio o bairrista todos os dias, e acho totalmente válida a sátira com este orgulho gaúcho. Inclusive, meu pai, um gaudério de mão cheia, rola de rir com as notícias do blog.

    Mas não entendo onde há o problema em preservar e se orgulhar de uma cultura. Faz parte do dia a dia do gaúcho, tomar seu mate, assar o churrasco no domingo, e parar o estado em tarde de Grenal. A vestimenta gaudéria é considerada traje de "gala" pelos tradicionalistas, e por isso utilizada nas mais variadas ocasiões. O chimarrão é caracterizado por interação social, onde há conversa e troca de opinião, não apenas aguá quente (nunca fervida :p) e um pouco de Ilex paraguariensis processada.

    Acho que é questão de dar valor ao lugar que se vive, mesmo que não sejas responsável direto pela situação do local. Enquanto a maioria das pessoas reclama do local em que nasceu, algumas insistem em ver os pontos positivos e bonitos de sua "terra" e tentam fazer o máximo para ajuda-la. O povo gaúcho sempre se importou muito com política, exatamente por isso. Para garantir que ninguém iria fazer bobagem com "sua terra". É um bairrismo, que gera algo muito positivo para nosso país, uma consciência política.

    Tenho um grande amigo que nasceu e mora em Santos, e sempre que tem oportunidade vêm ao RS me visitar. No começo ele achava tudo muito estranho, mas com o tempo acabou se acostumando e incorporando um pouco deste bairrismo. O levei em um jogo do Grêmio, na Geral, e ele se apaixonou. Com a alegria, apoio e animação da torcida. Futebol é um outro caso, que não cabe aqui discutir (tanto porque meu time está de mal das pernas, heheh)

    Essa é a visão de uma gaúcha, que está em casa lendo alguns artigos científicos e tomando um chimarrão perto da lareira.

  • Oi Eli
    Perdão por meter o bedelho aqui de novo, mas adorei o comentário da Roberta. Não sei quão bairristas serão muitos gaúchos, e até reencaminhei seu post para três 'exilados' meus amigos: mineiro em Bagé e gaúchos em Floripa, para ver suas opiniões. Em minha passagem por POA adorei a cidade, havia orgulho respeitoso em todo canto para com os 'forasteiros'. Já no interior é como em todo lugar: há uma necessidade de se valorizar onde se nasce, só é estranho que os mendigos tenham olhos claros kkk.
    Voltando a SP, aqui tem de tudo – eu me sinto em pleno interior de Pernambuco no bairro de Sto Amaro, e adoro fazer compras aqui, mormente queijo de coalho a R$ 15/kg! Que bom queijo de coalho com churrasco, e tomando chá de hortelã!(por aí é menta?)

  • Olá,

    Me chamo Caio Cesar e moro em Porto Alegre há quase 4 anos. Sou Baiano e penso que na Bahia há amor à terra tanto quanto, ou até mais, do que aqui no RS. Se vangloriar da sua terra não necessariamente está ligado a "bairrismo"… eu amo a Bahia e penso a cada minuto em voltar pra lá, embora não me sentiria infeliz em trabalhar em qualquer lugar que valorize o que eu faço de melhor: estudar genética.
    Hoje posso dizer que também me sinto em casa aqui no RS, conquistei amizades verdadeiras e conheço pessoas muito íntegras, assim como também conheço de várias partes do Brasil. Confesso e admito ainda que o "Bairrismo" do sul me fez sentir mais amor à minha terra do que eu já sentia antes. O amor próprio do povo daqui do Sul me fez perceber e valorizar ainda mais a minha cultura da Bahia e como esta deve ser mais valorizada pelo seu próprio povo, que , lamentavelmente, não valoriza tanto quanto deveria. Esse "Bairrismo bom", contagiante e inofensivo daqui do Sul deve ser sim, vangloriado.
    Entretanto, também tenho que concordar em certos aspectos com o amigo e colega Eli. Embora não vi maldade no comentário retirado do jornal Zero Hora, vejo que há pessoas aqui no sul, não diferentes de pessoas de outras partes do país, que se sentem superiores a outros de outras partes, por trauma, medo do que é externo, complexo de édipo (rs), sei lá, ou ainda, porque acham sua cultura superior, por causa do seu "amor próprio exacerbado", muitas vezes cego, e por que não dizer também, intolerante e etnofóbico, fanático! Existiram e, eventualmente, existem pessoas aqui no sul que também me olham atravessado por eu ser "de fora"! Confesso que isso me incomodou e incomoda bastante. E deve ser discutido bastante, e combatido. Também não consigo entender e até acho estranho por que, ao invés de se dizer "brasileiro", muita gente se diz "Europeu", sendo nascido no Brasil… Isso, na minha visão, é falta real de identidade, é estar em cima do muro, pois não se achando Brasileiro (sendo nascido no Brasil), tampouco poderá ser Europeu, simplesmente por ter seus avós ou tetra-avós nascidos na Europa… grande coisa!!! Talvez daí surgiu o "Bairrismo fanático e decadente". Penso que, no mínimo, lamentável!!!!! Me orgulho de ser Baiano, e mais ainda, de ser Brasileiro!!! E só espero que isto sirva de exemplo para muitos…
    "Tudo é lindo", como diz meu conterrâneo e admirável Caetano Veloso, e tudo e todos devem ser valorizado!!

  • Caio César seu sumido (eu também sou sumido),

    valeu pelo comentário. Eu acabo concordando, acho que também acabei aprendendo este "bairrismo positivo".

    Grande abraço!

  • Não sei se devo, não sei se devo, mas cometerei a temeridade (algo profundamente anti-mineiro) de tocar no assunto.

    Tenho orgulho de ser mineiro, sim. Não da forma bairrista como muitas pessoas têm, mas da forma auto-afirmativa que você descreve. Digo que tenho orgulho de ser mineiro justamente porque muitos não veem razões para ter orgulho desta identidade. Muitos são os que acham que MG é apenas a "transição entre São Paulo e a Bahia" ou "o entroncamento rodoviário do Brasil" (já ouvi estas bobagens).

    Comecei a ter esse orgulho ainda criança, quando contemplei a derrota do Galo no brasileirão de 1980. E por isso acho que entendo a comemoração farroupilha: comemora-se os valores que foram derrotados para mantê-los vivos. Os valores da Guerra dos Farrapos são basicamente o separatismo. Os valores mineiros são, basicamente, ser o coração do Brasil, no sentido de ser uma terra realmente de transição, tolerante e com as demais e ao mesmo tempo menos influenciada que elas pelo estrangeiro.

    Não sei se consegui me expressar bem, mas tenho a impressão de que será muito difícil achar um meio termo entre os dois tipos de orgulho de que falamos.

  • Zé Geraldo,
    entendi sua posição.
    Acho que essas coisas de identidade cultural têm um pouco de irracionalidade, né? Melhor dizendo: arracionalidade, uma coisa que não é racional, mas também não vai necessariamente contra a razão, apenas é independente e mais relacionado a emoções.

    Valeu pelo comentário.
    Abraço.

  • Querido Eli,deixe-me lembrá-lo que já comentei sobre as origens etiológicas do bairrismo lá no comecinho de seu post. Só para ficar no seu campo biológico, acredito que (quase) todas as espécies migratórias têm esse comportamento, desde baleias, aves,tartarugas e salmões.
    Mas não entrei no post prá enfatizar isso, e sim pelas lembranças poéticas da terra do leite (êh Minas,é hora de partir eu vou,vomembora prá bem loonge- êh Milton Nascimento magnífico). É meu estado favorito (sou paulista). ôh trem bão. De seu ventre saiu, e ainda saem, as maiores riquezas naturais deste País, sua arquitetura é excepcional,comida idem e seu povo espelha isso. Adoro trabalhar em Minas: povo generoso e hospitaleiro, até inconsciente de sua riqueza. Quando, há 17 anos, visitei a Serra da Canastra, fiquei surpreso da falta de empáfia dos moradores onde se gera o rio que é a fonte de vida de todo o Nordeste. Minas é a mãe generosa de todos, e o mineiro o povo mais gostoso de tratar. Isso não é prá puxar o saco dôces não, seus mineros duma figa!
    Ps. como ponho uma fotinha no lugar de Avatar?

  • Olá Eli,

    Gostei do seu post, apesar de assim como alguns outros aqui não ter achado a carta da moça tão barrista assim. Acredito que é natural as pessoas preferirem um lugar/clima/hábitos/cultura à outros. O problema é quando queremos hierarquizar isto, ou seja, achar que o meu lugar é melhor do que o outro, de forma absoluta. Sou de Brasília, já morei em São Paulo e moro em João Pessoa (PB) desde 1993. De todos os locais que conheço, João Pessoa foi onde eu senti mais forte este barrismo. Uma boa parcela dos pessoenses gostariam que a cidade continuasse "intocada" pelo turismo, com medo de que isto descaracterize a cidade, traga problemas como violência ou prostituição (apesar do que eu acho que não dependemos de ajuda externa neste sentido). Por isso, acho que se os gaúchos são barristas, os pessoenses também o são, e provavelmente uma parcela dos mineiros, dos cearenses, etc. Não é um sentimento que eu aprecie particularmente, mas acho ele bem inofensivo até o ponto onde ele sirva para apoiar idéias separatistas e preconceituosas. E isto sim, merece resistência.

  • "mas é muito perceptível essa "proteção" à cultura gaúcha." Nós não temos uma Rede Globo fazendo a mídia por nós como faz com a Bahia e com o Rio de Janeiro também…" O único é o Faustão que fala no programa que não assisto por que felizmente minha TV por assinatura (Oi) não passa Globo. Já notícias são notícias, fiz meia faculdade de jornalismo e falo com propriedade que o repórter vai aonde está a notícia. A propósito, a RBS tornou-se agregada à Globo muitos anos depois de já existir por suas próprias forças, a rede do Plim-plim não é responsável pela existência do grupo dos "Sirotsky Brothers"…
    "Várias vezes vi pessoas vestidas de bombacha em conjunto com o restante do traje oficial gaúcho. Algmas vezes, até mesmo a faca na cintura finalizava a "fantasia". Em dias comuns. Não apenas no mês na Revolução Farroupilha." Se tem piriguete de roupa colada, coloridos com roupa… colorida, e tantos outros malucos e malucas andando com roupa esquisita na rua, qual é o mal em se ver alguém "pilchado" (roupa típica gaúcha)???

  • "Outro fato que estranhei: um mês inteiro comemorando uma revolução…" Nosso estado era deixado de lado pelo Império enquanto que a lá pra cima era casa dos Portugueses colonizadores. Ocorre que aqui havia uma população que só fazia pagar impostos à Coroa e nada recebiam em troca (Talvez daí a origem daquela história de trabalhar para sustentar o resto do país, eu particularmente penso que São Paulo, Paraná e Minas também têm esse encargo tão árduo.), as fronteiras nem tinham delimitação exata e eram disputadas à base de "mini-guerras", (o tratado de Tordesilhas nunca foi totalmente respeitado, Portugal e Espanha sempre tentando agregar mais terra à sua parte e o povo no meio dessa briga toda, tendo de resguardar o que tinham), tendo de se virar sozinhos, largados às traças, enquanto o governo incrementava cidades do NE e SE e patrocinava a interiorização de várias partes do país, não do Sul, aqui foi bem mais tarde. A Coroa só se interessou quando percebeu que não era garatntido ter esse território fazendo parte do BraZil e que além de ser difícil conquistar a Colônia de Sacramento poderiam perder o resto, talvez hoje a Argentina ou Paraguay fizessem fronteira com São Paulo ou Paraná, por exemplo… Vejam, Argentinos querendo incorporar nosso solo e o solo dos queridos amigos e irmãos do Uruguay ao seu território. Era luta após luta para defender a terrinha. Depois o Paraguay inventa de querer passagem para o oceano, tentando invadir e ficar com quase todo nosso estado. De alguma forma toda essa era de batalhas talvez tenha deixado algo na cultura do povo, quiçá até no DNA gaudério. Ou seja, havia de se proteger e defender um território com fronteiras internacionais por todo lado, sem ajuda do governo central que só queria saber de vida boa em terras mais quentinhas. Nenhum outro local desse país teve de passar por tudo isso e a Revolução Farroupilha era para propiciar ao Estado ser parte de uma real Federação Brasileira, democrática e Republicana, o que ainda hoje não acontece, já que o governo central manda demais nos estados, que têm sua autonomia reduzida (e continuam tirando… essas obras de agora são tipo pedido esfarrapado de desculpas e por interesse no Mercosul e Copa de "Pé-na-bola"). Aliás, o Rio Grande do Sul é a única República, oficialmente, até hoje, dentro do território nacional, o resto é estado-membro (com "e" minúsculo). Perdemos a guerra por falência e fome. Em 1845 o RS era um dos locais do território nacional de onde só se tirava impostos e nada vinha de volta. A Coroa só investia nas outras regiões (SE e NE), e no litoral ou capitais, claro. Um dia os provimentos escassearam e creio que aquele malandro fdp do Duque de Caxias deve ter tido uma lábia "federal" pra amarrar bem os termos de fim da guerra, acrescentando o pacto federativo aos textos. Nem Pernambuco, com a história dos Holandeses passou por algo igual, já que não seria possível incorporar Recife, Olinda e arredores ao território Holandês, com um "baita" oceano no meio né? Se eles tivessem ficado, é bem mais provável que não haveria tanta seca sem solução no interior nordestino, povo que venceu uma disputa com o mar para ter onde viver. Imagina o que fariam no sertão? Acre não vale, é outro assunto. E foi colonizado", não só por Gaúchos.
    Na Bahia parecem haver festaSSS todos os meses, pode não ser sobre o estado e suas "coisas", mas é só algum aspecto da cultura local. Se não for assim culpem a mídia em geral porque nos passa aqui no Sul essa impressão, de que puxam o saco exageradamente e diariamente de Rio e Bahia. Chega a ser irritante!!! Se não fosse a mídia e imprensa local não teríamos nada sobre notícias locais. A denominação "colonizadores" talvez seja porque foram parar em locais onde não havia nada além de mato ou cerrado. Quando se vai para o meio do nada se é colonizador, pioneiro etc. E é só uma nomenclatura também, chega de tanta frescura acadêmica.

  • "E, nos dias de domingo do mês de janeiro, com a temperatura batento na casa dos 40 graus, lá se iam, os gaúchos, ao parque da Redenção com suas garrafas térmicas, carregando sua água fervendo, para fazer o seu chimarrão, por mais calor que estivesse fazendo…" Azar o deles, se morrerem de câncer de esôfago!!! Eu mesmo não bebo chimarrão, nem Polar e tenho meu orgulhosinho, embora não me incomodaria nem um pouco de morar na Ponta Verde, em Maceió.
    "Esses dois exemplos me pareceram bem estranhos. Ainda mais quando tentei trazê-los para a minha realidade: Me imaginei vestida de baiana de acarajé, com um tacho de dendê dependurado no pescoço, fritando acarajés pelo meio da rua e comendo, indo para a universidade vestida assim. Chega a ser engraçado. Mas seria exatamente assim se os baianos tentassem "preservar" tanto sua cultura como os gaúchos fazem." Se a moça andasse pelas ruas de Salvador vestida de baiana de acarajé, ninguém estranharia, já que é da cultura local. Eu mesmo e qualquer gaúcho acharíamos normal uma baiana típica na Bahia, oras! Quando estive em Porto Seguro senti essa imposição cultural aqui tratada. Era entrar naqueles Axé-Moi da vida e pronto: dá-lhe batucada e dança etc. E pelas ruas da cidade, falantes nos postes tocando axé, dançarinos por toda parte e um monte de turistas sendo invadidos pela massificação da cultura local. Dá na mesma, pô!

  • "Nunca vi um gaúcho com uma camisa de time que não do Inter ou Gremio". Ela esqueceu que em Porto Alegre são os times de maior expressão, mas no interior às vezes se vê alguém com camisas do Caxias ou Juventude (de Caxias do Sul), do Novo Hamburgo, Esportivo de Bento, Inter de Santa Maria etc., já vi camisa do Porto Alegre, que é um time daqui de Poa e nem sei se está em alguma divisão… Infelizmente já vi pessoas com camisa de Corínthians, Flamengo etc. Isso sim é absurdo! Como certeza muitos vão compartilhar da idéia de que é inaceitável ver gaúchos com camisas de times de outras capitais. Eu tenho que é falta de personalidade, como já vi pessoas de outros estados idolatrando times de futebol de locais diferentes. O Sport Recife é um grande time, pra que pernambucanos torcerem pelo flamengo? Mineiro não torcer pelo Cruzeiro ou Atlético ou por outro time de algumas cidade fora de BH é palhaçada, não é não, meus queridos amigos das Minas? Os brothers de Santa já perceberam que time pra eles é Criciúma, Avaí, Figueirense entre outros. Este último recentemente deu um susto nos grandes. Vocês não têm idéia de como o povo Gaúcho apoiou essas conquistas do vizinhos e de ver eles torcendo pelos seus verdadeiros times, dos seus locais! A gauchada só não apoiava quando o jogo era contra algum time seu, tipo Inter, Grêmio, Ju etc. Digo mais, paulistano não torcer por São Paulo, Coringão, Lusa ou Palmeiras me parece o fim do mundo! Carioca não torcer nem pra um Volta Redonda ou Itaperuna é o fim!
    Abraços e parabéns pelo post.

  • Aproveitei texto escrito por Nara Strappa para me expressar, espero não ofender, enviei vários posts porque não cabia tudo o que eu tinha para dizer. Abraço!

  • Eddie,
    obrigado pela contribuição.

  • Gilson Silva

    Gostei muito do seu texto, ficou bem claro que foi construído não somente pela matéria do Zero Hora e sim dos anos vividos no Sul. Eu tenho a mesma opinião, na minha opinião o Sul está se afundando por conta do Bairrismo, “Amo tudo aqui”, “Somos os melhores”, “Nós fazemos melhor” e blá, blá, blá…

    Muitos questionam comigo, por quê você vem tanto aqui então no Sul?
    Eu gosto do lugar, gosto do clima, isso me faz bem. Gosto da cultura também, só não gosto da maneira que maior parte deles defendem e vivem o bairrismo

    Concluindo o meu comentário, só não concordo contigo quanto ao texto da Patrícia, acho que quando ela fala que “Tem que valer a pena”, é realmente o fator de ficar muito tempo sem o seus familiares. Mas no que diz o Zero o Hora, aí eu realmente concordo com você, esse papo, de que, gaúcho sai da sua terra e coloniza o local onde vai residir, realmente é um desrespeito com a cultura local daquele local e com os seus habitantes.

    Viva a coletividade, vida a luta internacional, o Bairrismo é podre. Vamos nos juntar para melhorar o mundo e o nosso país, e não somente o estado onde moramos!

    Abraço!

    • Jaqueline Silveira Lima

      É falta de humildade, isso sim… Fui criada no RS, conheço muito bem a terra, o povo e também aprendi a amar como se fosse meu (até porque não tive oportunidade de ter laços fraternos em meu local de nascença), mas com várias ressalvas. Hoje vivendo em SP reconheço que essa terra me aceitou, e eu não a colonizei (jamais o faria, pois quem sou eu pra isso?). Aqui recebemos todos, de todas as partes, há uma mistura enorme, e
      assim fui recebida… Bairrismo é bom enquanto não ofende ou menospreza. Fora isso é xenofobia.

  • Dhaya Toldo

    Ei, Eli!
    Tudo bem, cara?
    Eu gostei demais do teu texto, me fez pensar num tanto de coisas!
    Até escrevi sobre isso, também! Mencionei o teu texto, mas sem detalhes por não saber se poderia.
    É esse aqui: https://goo.gl/Db3YpJ. Uma nota no Facebook.
    Resumindo, bairrismo é como sotaque: todo mundo tem, mas a gente só percebe nos outros! rsrsrs
    Eu sou uma paranaense morando em BH há 7 anos. Se quiser, acho que pode ser bem legal trocar umas ideias!

    Abraço quebra-costelas, guri!! =D

  • Miriam Garcia

    Até que enfim alguém abordando esse assunto com propriedade. Sou carioca, moro no RS devido à carreira militar. Com a educação que recebi, trouxe minha mãe para passar o mês de setembro aqui e conhecer um pouco da cultura local. Porém, ficamos muito decepcionadas quando em uma festa da tradição gaúcha, um bando de gaúchos se aproximaram da minha mãe e perguntaram: “Tu é gaúcha?” Minha mãe respondeu: “Não, sou natural do ES”. A gauchada sem pensar duas vezes disse: ” Bah! Tu não tem essa VIRTUDE? Sabe qual é o melhor estado do Brasil? Santa Catarina, porque separa o Rio Grande do Sul do resto do Brasil”. Como se por não ser gaúcha, ela não fosse boa o suficiente! Como se fosse uma VIRTUDE ser ou não ser gaúcho. Fala sério! Eles ainda se acham RECEPTIVOS! Bela recepção! Me sinto mal em escrever isso. Mas alguém tem que falar.