21st of June

Intelectuais contra a Copa = clichê


Luis Fabiano (AFP) Na copa de 1994 eu era uma criança feliz e me diverti assistindo o tetracampeonato da seleção brasileira. “É TETRA! É TETRA!” Tinha 7 anos. Quando o Brasil marcava um gol, eu e a minha irmã escrevíamos o placar nos nossos caderninhos, e o nome do jogador que fez o gol. Depois, na copa de 1998, com 11 anos, eu já comecei a criar a ojeriza contra o evento. Em 2002, no pentacampeonato, eu era um adolescente insuportavelmente avesso a tudo que fosse popular, diria na época que a copa é panis et circenses apenas, coisa para o populacho. Enquanto todo mundo comemorava eu dava um muxoxo. Em 2006 eu estava em Brasília, no começo da graduação. Estava ou dissertando contra a parada dos serviços públicos nos dias dos jogos do Brasil, ou torcendo contra o Brasil no apartamento dos meus amigos que queriam assistir a copa. É, eu gostava de falar mal da Copa do Mundo. Eis que eu evoluí do clichê. Assisti aos dois jogos da seleção nesta copa de 2010, no primeiro, contra a Coreia do Norte, acompanhei sozinho atentamente, twittando comentários. Ontem assisti ao jogo contra a Costa do Marfim com meus colegas de pensão, minha nova morada em Porto Alegre, onde vim fazer pós-graduação. Eu me observei atentamente. Gelei com os tiros de meta. Gritei e fiquei boquiaberto observando a beleza do gol do Luís Fabiano (aquele que teve um pouquinho de mão, mas a gente perdoa). Fiquei irritado com a violência dos marfineses e com a dissimulação do Kaká (podem negar à vontade, mas ele deu uma cotovelada sim). Redescobri aquela criança de 1994, lá do interior de Minas Gerais, que nunca gostou muito de educação física nem de jogar uma pelada, mas que sabia se divertir assistindo à Copa com a família.
Continuo não tendo time de futebol. Os gaúchos podem perder a esperança de me cooptar para a torcida gremista ou colorada. Mas estou aprendendo uma coisa interessante: nem tudo o que é popular é lixo. O futebol, como também é clichê falar, pode ser uma verdadeira arte. Demanda grandes cérebros com grandes habilidades motoras.
Para o pessoal que lê Nietzsche e Dostoievsky que continua fazendo o que eu fazia quatro anos atrás, eis algumas reflexões: Eu posso aceitar seus argumentos racionais mostrando o disparate dos governos em gastar mais dinheiro com estádios do que com hospitais e escolas. Posso até engolir seus resmungos sobre a frialdade do sistema capitalista do entretenimento em massa.
Mas nada disso anula o puro prazer que é possível ter assistindo a um jogo futebol e torcendo de verdade para um dos lados. Então, saiba separar instituições falhas de fontes legítimas de prazer estético. Pode apontar as falhas da FIFA e da Copa, mas pergunto: que instituição humana trabalha perfeitamente como um moto perpétuo? Está na hora de botar os pés no chão e ver que assim como moto perpétuo não existe, também não existe organização humana perfeita que leve em conta todas as prioridades de gasto de recursos além de sua própria, muito menos entre organizações devotadas a entretenimento. A Copa não existe para promover a educação nem a divulgação científica, não existe para promover a segurança social nem a saúde que não seja a saúde dos próprios jogadores. Então criticar a Copa por trazer o circo na equação do pão e circo é no mínimo uma falta de foco. É um clichê intelectuais desdenharem da Copa porque a ladainha é sempre a mesma. Só tentam achar uma racionalização por sua falta de apreciação estética e ética pelo evento. Em vez de admitirem que não gostam porque não gostam, tentam construir a falta de gosto na forma de argumentos sócio-político-gastronômico-midiático-econômicos. Sei disso porque era o que eu fazia. Acontece a mesma coisa com alguns que desdenham da MPB, do samba e da produção artística nacional em geral. Racionalização Freud explica. Pode não ser verdade que quem desdenha sempre quer comprar, mas aposto que todo frígido diz que não gosta de sexo porque tá com dor de cabeça.

11th of June

O que você acha das ciências humanas?


Richard Feynman dizia que ciências humanas não são ciências ‘de verdade’.

Feynman era um professor e um cientista apoteoticamente excelente, mas isso não fazia dele um filósofo. Ele se incomodava com debates de tentativa de definir a ciência, fazia piadas sobre as questões filosóficas, e ao mesmo tempo pregava um realismo ingênuo sem saber que estava fazendo metafísica ao falar certas coisas. É um ethos comum de cientistas.

Discordo dele. Ciências humanas podem ser ciências ‘de verdade’ quando adotam certos procedimentos, resolvem certos tipos de problemas e elaboram explicações atendendo a certos valores epistêmicos.

Qualquer atividade humana pode ser científica, na minha opinião, se justificar crenças de um modo característico.

Este modo característico de justificação tem atributos mínimos, que na minha opinião são:
– a capacidade de prever o comportamento e o estado das entidades naturais em particular que são objeto deste conhecimento, em generalizações simbólicas com a forma se/então. (ex: se a Terra e Marte satisfazem a teoria da gravitação, dadas certas condições iniciais então Marte será avistado no céu na posição x no tempo t)
– a falseabilidade (ex: a teoria da gravitação PODE ser falseada se for demonstrado que os corpos celestes não se atraem na razão direta de suas massas e razão inversa do quadrado de suas distâncias)
– a reprodutibilidade (faça como eu fiz e por mais cético que você seja seus resultados apoiarão o que eu disse)
– a máxima objetividade (uso de conceitos claros, uso de ferramentas matemáticas e estatísticas sempre que há possibilidade de tratamento quantitativo e amostral dos fenômenos de interesse)
– uma tendência histórica a refinamento de conceitos de forma a resolver novos problemas sem deixar de resolver os problemas que já resolvia. Ou seja, uma capacidade de crescer metamorficamente.

Não é uma lista exaustiva, mas já pode ser preenchida, imagino, por muitos programa de pesquisa em ciências humanas, principalmente alguns da psicologia e da sociologia. Não tenho a necessidade de afirmar a priori que nada do que se faz no que é chamado de "ciências humanas" é científico, porque vejo a ciência como uma atividade de justificação de crenças e resolução de problemas, e não vejo impossibilidade para teorias psicológicas e sociológicas preencherem estes nichos.

Elas não seguem o "método científico", muitos vão dizer. Mas o que é o tal do método científico? Observação, depois hipótese, depois teste, depois conclusão?

Esqueceram-se de avisar isso para Newton e para Einstein, que tinham as teorias antes das observações. Na verdade, a separação entre teoria e observação é obscura. Filósofos importantes da área da filosofia da ciência que discordavam em quase tudo concordavam em dizer que existe uma impregnação teórica da observação.

Portanto, dizer que não há ciência nenhuma nas humanidades porque elas não seguem o "método científico" é coisa ingênua de cientistas como o Feynman, que podem fazer muito bem e admiravelmente sua própria ciência, mas na hora de comparar o que fazem com o que outros fazem e julgar se é ciência ou não, morrem de preguiça e preferem falar mal dos filósofos chatos que ficam fazendo perguntas ‘bobas’.

Claro, as perguntas dos filósofos não se resolvem como se resolvem problemas sobre o mundo natural. Perguntas como "o que é ciência" e "humanidades são ciência?" não são respondidas com teorias da biologia, da física ou da química. São respondidas com filosofia. Pergunte-me qualquer coisa.

9th of June

Adauto Lourenço mentindo pelo criacionismo


Já falei sobre esta nobre criatura (?) antes no fomigerado* prêmio TOP FIVE de desonestidade intelectual de criacionistas brasileiros.

* FOMIGERADO = neologismo semelhante a famigerado, mas que deriva de FOME em vez de fama, dadas as circunstâncias de falta de nutrição intelectual do indivíduos considerados.

A seguir, a nova estrepolia do sr. ‘mestre’ Adauto Lourenço. Mas antes, vamos ver de onde ele tirou a informação para distorcer. Ano passado, em comemoração aos 200 anos de nascimento de Charles Darwin e 150 anos de seu magnum opus, a revista científica Nature lançou vários materiais de DIVULGAÇÃO (ou seja, materiais que podem ser entendidos por leigos em biologia [como o Adauto], por terem menos jargão técnico) da evolução biológica, um dos quais, uma compilação de várias pesquisas em biologia evolutiva, eu traduzi e publiquei no Evolucionismo.org com o nome 15 joias da evolução. Nenhum criacionista apresentou qualquer refutação relevante a esta obra de divulgação da revista científica que tem um dos maiores impactos do mundo (existe um número proposto por organizações privadas para avaliar a relevância de publicações científicas, chamado “fator de impacto”, e a Nature é um dos periódicos com o maior fator de impacto). Agora em 2010 a última edição da revista científica Nature veio, como de praxe, lotada de artigos que assumem que a evolução biológica é um fato. Mas o sr. Adauto Lourenço, físico, leigo em biologia, acha que um desses artigos faz o exato oposto de corroborar a evolução: adauto_lourenço_mentira O artigo ao qual o nobre hominídeo se refere tem este título e estes autores:

Experimentally assessing the relative importance of predation and competition as agents of selection
[Tradução livre: Avaliando experimentalmente a importância relativa da predação e da competição como agentes da seleção]

Ryan Calsbeek & Robert M. Cox
(Department of Biological Sciences, Dartmouth College, Hanover, New Hampshire 03755, USA) Eu poderia rebater a coprolalia do sr. Adauto Lourenço com o título do artigo. Mas vou fazer melhor. Traduzo o resumo do artigo que consta na Nature. O resumo já cita vários outros artigos científicos, mas vou omitir os números das citações por estética. Aí vai:

Experimentos de campo que medem a seleção natural em resposta a manipulações do regime seletivo são extremamente raros, mesmo em sistemas onde a base ecológica da adaptação foi estudada extensivamente. A radiação adaptativa [ou seja, o conjunto de sucessivas especiações, sucessivas origens de novas espécies] dos lagartos caribenhos do gênero Anolis tem sido estudada por décadas, levando a previsões precisas sobre a influência de agentes alterativos de seleção natural em campo. Aqui nós apresentamos evidências experimentais para a importância relativa de dois agentes putativos de seleção na formação da paisagem adaptativa em uma radiação insular clássica [desde Darwin sabe-se que ilhas promovem a origem de novas espécies, como no caso dos tentilhões das Galápagos, e neste caso lagartos caribenhos]. Nós manipulamos populações do lagarto marrom Anolis sagrei** em ilhas inteiras, para medir a importância relativa da predação versus competição como agentes da seleção natural. Excluímos ou incluímos aves e cobras predadoras em seis ilhas que variavam de baixa a alta densidade populacional de lagartos, e então medimos as diferenças subsequentes no comportamento e a seleção natural em cada população. Os predadores alteraram o comportamento de empoleirar-se dos lagartos e aumentaram sua mortalidade, mas os tratamentos de predação não alteraram a seleção em características fenotípicas. Alternativamente, aumentar experimentalmente a densidade da população fez crescer dramaticamente a força da seleção de viabilidade favorecendo maior tamanho corporal, maior comprimento de membros e maiores níveis de estâmina. Nossos resultados para A. sagrei são consistentes com a hipótese de que a competição intraespecífica é mais importante que a predação na formação da paisagem adaptativa para características cruciais para a radiação adaptativa dos ecomorfos de Anolis.

** O simpático lagartinho Anolis sagrei, inclusive, consta na sétima das 15 joias da evolução, divulgadas, como disseram os editores da Nature em janeiro de 2009, para mostrar “que a seleção natural é um fato, da mesma forma que é um fato que a Terra orbita o Sol”. Concluo com um recadinho para o nobre euteleostômio Adauto Lourenço: O senhor MENTE. Pior: o senhor MENTE para ganhar dinheiro. Pior: o senhor MENTE para esconder a verdade. Como consegue deitar vossa vazia cabecinha em vosso pobre travesseiro todos os dias à noite e dormir sabendo do fato de que é um MENTIROSO da pior ESPÉCIE? (E aqui, não me refiro à espécie Homo sapiens, cuja maioria de seus constituintes costuma ser mais nobre que o senhor.) Como todos os outros criacionistas que citei no TOP FIVE, o Adauto é um PARASITA da literatura científica. Em vez de produzir por contra própria algum estudo mostrando evidências de que a vida foi criada ou projetada, estes criacionistas distorcem publicações científicas de revistas como a Nature. A verdade precisa da mentira para ser defendida? Se não, quem está com a verdade, os criacionistas ou aqueles que aceitam o fato de que os seres vivos mudam?

3rd of June

O que você pensa do suicídio?


Classicamente, este assunto é discutido em termos de coragem e covardia. Que o suicida seria um corajoso por tirar a própria vida, e um covarde por desistir de viver.
Eu não vou tratar disso nesses termos.
Minha avó paterna se matou, em 1992, tomando veneno para rato. Antes disso, ela tentou várias vezes antes (acho que foram 11 tentativas ao todo). Ela sofria de depressão há vários anos e meu pai a levara para São Paulo para um psiquiatra acompanhar o caso, mas, obviamente, não houve sucesso.
O tempo apagou muitas evidências. Mas, pelo que me lembro dela, o problema dela era mesmo depressão patológica. Mas isso não significa que não houvesse motivos externos para a decisão que ela tomou.
Como no caso da minha avó, há fatores internos e externos que provocam estados mentais propensos a suicídio.
Eu nunca quis, até hoje, terminar minha vida. Lembro-me de ter dito a alguns amigos, quando eu tinha 17 anos, que havia uma “felicidade constante” como pano de fundo psicológico às situações pelas quais passava (situações devidamente infladas em importância como faz a mente adolescente). Mas “felicidade” não é a palavra correta. Epicuro de Samos tinha um termo para definir este estado mental: “ataraxia”.
Ataraxia seria um estado de “imperturbabilidade” da mente. Não confundir com insensibilidade. Interpreto este conceito como uma estrutura emocional que se desenvolve numa mente que tem certos recursos que lhe permitem não entrar em desespero ou pânico nas mais diversas situações, ainda que sofra inimaginavelmente. Para o desenvolvimento da ataraxia uma mente precisa ter contato com estes recursos, quando são externos (por exemplo, relações sociais de reciprocidade, como amizades, e relações familiais e românticas); e também precisa ser uma mente fundada sobre recursos internos em particular.
Um desses recursos internos é, eu penso, uma herança genética adequada. Os genes que ajudam a construir uma mente são uma espécie de arcabouço, e se o arcabouço não está funcionando bem, toda a estrutura desmorona.
Os genes são um dos recursos internos que podem predispor alguém a passar por estados mentais suicidas. Inclusive há transtornos de base genética em que um dos sintomas é a autoimolação. E também há estudos de associação entre algus genes e certos tipos de transtornos psiquiátricos que têm comorbidade com a depressão e podem levar ao suicídio.
Suicidar-se é para aquelas pessoas cuja ataraxia foi minada por falta ou destempero entre recursos internos ou externos.
Minha avó se matou porque tinha um gene defeituoso? Não. Um gene não teria feito isso por si só, poderia apenas, como eu disse, predispô-la ao horror absoluto que extingue a vontade de existir. Então a minha avó tinha um genótipo de predisposição ao suicídio? Não sei. A investigação levaria anos, e provavelmente não geraria respostas satisfatórias.
Então minha avó simplesmente ‘ficou triste’ por conta da aspereza das condições pelas quais passou na história da vida dela? Sim, como tantos outros depressivos, ela até poderia verbalizar alguns motivos pelos quais ela se sentia derrotada.
Mas até mesmo a resposta dela não seria suficiente para saber por que ela se matou. Simplesmente porque eu não sei, e ninguém nunca saberá, como os recursos externos da vida dela interagiram com os recursos internos da mente que ela tinha ao ponto de gerar este resultado lastimável de extinção da ataraxia.
O suicídio pode ser visto como resultado de transtornos evitáveis ou tratáveis. No caso dos genes ou de um desenvolvimento incompleto ou anômalo de estruturas cerebrais, intervenções farmacológicas contra tendências suicidas são possíveis.
No caso dos recursos externos, é responsabilidade de órgãos governamentais de saúde pública promover mínimas condições de vida para seus cidadãos, e isso inclui saúde psicológica e saúde social. Não é possível filosofar sobre a felicidade se você não tem nem o que comer. No caso da saúde psicológica, o comportamento do suicida/depressivo muitas vezes é estereotipado e envolve uma amostragem viciada dos eventos que acontecem à sua volta (ele dirá que tudo o que acontece com ele é ruim, quando muitas vezes não é a verdade), e é um processo de retroalimentação da depressão que pode ser atacado por abordagens de psicoterapia como a terapia cognitiva (nada sei a respeito para comentar – mas o mais interessante aqui é que, talvez, a terapia cognitiva possa ‘treinar’ a pessoa para observar as situações de modo mais científico, ou seja, sem viciar suas ‘amostras’).
Se não tivesse uma atitude cognitivamente balanceada e ‘realista’, nem pão para comer (com uma eventual ‘ceia’ de pão com queijo), Epicuro jamais teria a ataraxia sobre a qual falava, e que o acompanhou durante sua bem retratada morte, sentindo dores excruciantes decorrentes de cálculos renais.
Eu tenho ataraxia hoje e sempre tive até hoje. Mas se meus recursos internos forem cortados, minhas amizades me abandonarem, minha liberdade for ceifada, todas as fontes de prazer esgotadas, não sei se meus recursos internos manteriam minha vontade de viver de pé indefinidamente (pode ser que sim, em referência às boas memórias do passado, pode ser que não, se o ato de recordar não representasse compensação).
Se um dia eu estiver num estado vegetativo, sem sinal de atividade cerebral cognitivamente relevante, desejo que a morte seja causada a mim, assim como desejou minha avó. Mas há uma grande diferença aqui: uma pessoa em estado vegetativo é uma migalha de tudo o que ela foi um dia, e minha decisão pela eutanásia seria feita em referência a alguém que um dia fui e não desejou naquele tempo estar nesta situação num futuro imaginável; enquanto isso, um suicida toma uma decisão aparentemente consciente que me é completamente incompreensível e absurda.
Não pense que não condeno algumas formas de suicídio. Condeno todo suicídio feito por alguém que foi ludibriado ao ponto de ter certeza de que a morte é apenas uma passagem entre dois mundos e não uma aniquilação completa da existência. Mas não tenho por que condenar suicidas, porque o suicídio me espanta para além de qualquer tipo de julgamento moral. Só me resta a aversão e tentativas fúteis de compreender o que é largamente incompreensível, porque só o suicida fala a língua do suicídio, e tentar compreendê-lo falando outra língua é impossível.
Houve um tempo em que minha avó não queria se matar. Houve um tempo em que ela amamentou meu pai, e houve um tempo em que ela me acalentou e cantou para mim. Prefiro ter a lembrança de uma cantiga do que me torturar com a lembrança de um suicídio. Prefiro lembrar minha avó pelo amor e pela música, do que por uma decisão que nunca compreenderei.
Lazarina Vieira cantava. Até que um dia parou de cantar.