12th of April

Por que não sou vegetariano


Acho natural e louvável que as pessoas apliquem sua empatia a animais não-humanos.
E acho ainda mais natural que isso costuma ser feito mais à medida em que o animal em questão é mais aparentado a nós. É por isso que cães fazem mais sucesso entre nós que lagartos. Lagartos nos parecem frios e indiferentes, cães demonstram ter várias das nossas emoções.
Alguns veganos dizem que você deve aplicar direitos iguais ou análogos aos direitos humanos a outros animais, na medida em que estes animais apresentam “senciência”.
Tenho para mim que o problema começa com a terminologia. Senciência é um termo muito obscuro. Não descreve as coisas bem. Se se refere à recepção sensorial, no quesito do tato por exemplo um peixe é mais senciente que um bugio; no olfato um porco é mais senciente que um chimpanzé, na visão um lêmure de Madagascar é mais senciente que um musaranho-toupeira.
Se se refere à capacidade de processamento cortical ou à dor, a coisa fica complicadíssima. Para começar, a maioria das espécies animais sequer tem um córtex cerebral. Em nós e outros vertebrados existe um sistema nocirreceptor (uma parte do sistema sensorial dedicada a detectar a dor), mas este sistema não servirá como comparação para saber se a maioria das espécies animais sente alguma dor.
Pode-se argumentar, entretanto, que os animais usados na pecuária como gado de corte têm homologias de córtex e sistema nociceptor, o que é verdade. Vacas realmente podem sentir dor como nós.
Mas uma ética baseada apenas em homologias de nocicepção e processamento cortical é incompleta, mais tarde direi o porquê.
O que importa para o momento é que “senciência” é um termo de uma obscuridade inadmissível para tentar impor a outros uma conduta.
Uma dieta vegetariana é bem mais custosa financeiramente que uma dieta onívora [que vem sendo praticada na nossa linhagem há milhões de anos].
Alguns dos motivos para tanto são os seguintes:
– os animais que comemos sintetizam, extraem e concentram em seus tecidos nutrientes essenciais que se formos extrair dos vegetais precisaremos ter um grande gasto energético com processamento industrial. Enquanto o refugo desse processamento é eliminado naturalmente e mais facilmente reciclável nos animais de criação [porque, apesar da inflação populacional que causamos, eles são parte de uma biosfera que evoluiu métodos de reciclagem eficientes por bilhões de anos], o lixo que seria gerado por nossa indústria que faria este trabalho seria de mais difícil reciclagem.
– os animais fazem o trabalho da indústria alimentícia bem melhor, porque sua economia fisiológica é resultado da seleção natural. Por isso, para alimentar a população mundial com todos os nutrientes essenciais, incluindo a vitamina B12, é bem mais barato [sustentando portanto mais vidas] usar o consumo de produtos alimentícios de origem animal.
Dizer, como dizem os veganos, que comer animais é imoral, traz consigo algumas premissas tácitas, como por exemplo um absolutismo moral, como se saber o que é moral e imoral fosse tão objetivo quanto saber a que temperatura e pressão a água ferve.
Não é bem assim. Fundamentos morais só existem na forma de postulados internos a escolas filosóficas particulares.
Fundamento moral será o imperativo categórico para os kantianos, será o cálculo de quantidade de dor e prazer para os utilitaristas, será a obediência cega a decálogos para fundamentalistas cristãos.
Filosofia moral [também chamada de Ética, a área da filosofia que se dedica à investigação da conduta (ethos), e a partir disso o discernimento de que condutas são desejáveis ou indesejáveis] não é álgebra.
É engraçado escutar de veganos que eu, por exemplo, seria imoral por comer carne, quando eles usam como premissas um termo obscuro (senciência) e uma ideia bastante simplória do que seria moralidade, filosofia moral ou ética.
Eu poderia mostrar facilmente que observando certas acepções de “senciência” e “moral”, eu estou agindo perfeitamente bem, sendo “ético”, ao comer carne apenas de animais anencéfalos. Ou seja, eu posso achar na ética que estes veganos defendem uma justificação para continuar comendo carne.
Mas o problema não pára aí.
Existe uma assimetria de tratamento da biodiversidade animal aqui, e uma incongruência filosófica.
Comecemos pela assimetria. Levando em conta o mantra de “respeitem os animais”, eu como biólogo devo chamar atenção para o seguinte:
Por que ninguém tem dó das moscas que caem na sopa ou das lombrigas assassinadas com licor de cacau?
Existem razões para salvar as Taenia spp. e outros animais nojentos, entre os quais presumo que estejam Necator spp., Ascaris spp., Tunga penetrans, Pulex irritans, Schistosoma mansoni, insetos das ordens Phthiraptera, Blattaria, Diptera, além de outros animais classificados como Annelida, Mollusca, Chelicerata, Platyhelminthes.
Por que estes invertebrados nojentos devem ser protegidos da extinção?
– Porque por estarem aqui neste planeta há milhões de anos, são parte do equilíbrio dos ecossistemas onde são encontrados naturalmente. A quebra desse equilíbrio pela extinção desses animais ameaça muitas outras espécies conectadas a eles, inclusive as que sustentam o ser humano.
– Porque são resultados improváveis e contingentes do processo da evolução biológica, e não existem em nenhum outro lugar neste universo. Eliminá-los seria como queimar todas as obras de Shakespeare.
– Porque a evolução lhes concedeu modos eficazes de sobrevivência, que se estudados podem gerar novas tecnologias.
Por outro lado, por que os invertebrados nojentos que parasitam APENAS o homem (não é o caso da maioria dos citados) devem ser extintos?
– Antes eles do que nós. Eu queimaria todas as peças de Shakespeare se conservá-las ameaçasse a minha vida.
Por que o PETA, o vegan-power, e movimentos afins são ridículos?
– Porque doutrinam pessoas com falácias, porque agem de maneira assimétrica na conservação da biodiversidade (não se importando com os invertebrados nojentos aqui listados), porque demonstram grande ignorância sobre a biodiversidade, e porque acham que os direitos dos outros animais têm de ser defendidos passando por cima dos direitos humanos.
Tratada a assimetria, falemos da incongruência. Alguns veganos e vegetarianos dizem não comer carne porque querem defender os direitos dos animais de corte.
Se deixarmos de abater estes animais para consumo, que vai ser deles? O ser humano fez foi favorecer o sucesso reprodutivo de espécies como Gallus gallus e Bos taurus. Sem nós, eles nunca seriam tão numerosos, não teriam a oportunidade de sequer nascer.
Nesta ética vegetariana, o que é melhor? Sofrer ou nunca ter existido?
Estariam alguns vegetarianos defendendo o direito de não existir?
Em conclusão, para não me estender demais, devo ressaltar que eu não defendo o sofrimento dos outros animais. Métodos de abate indolor são bem-vindos.
Mas alguns vegans/vegetarianos-moralistas estão querendo demais: a total e completa parada no consumo de produtos de origem animal. Isso é fanatismo, isso é doutrinação, isso é dogmatismo, isso é ser inflexível, parecem pastores pregando sua seitazinha por aí.
Uma informação que não deve constar em filmes veganos como “A carne é fraca” nem nos blogs veganos que estão se multiplicando pela internet feito bolor em pão guardado:
Crianças recém-nascidas por volta dos 7 meses de gestação precisam do extrato de pulmões de porcos para conseguirem respirar.
Porque os pulmõezinhos delas não produzem os surfactantes (que evitam que o pulmão fique colapsado como um saco molhado por dentro), que são jogados fora quando se mata um porco. Há sintéticos, mas funcionam mal.
Então, é preferível salvar os porquinhos a salvar bebês recém-nascidos?
Não? Então é aceitável o abate de porcos para esse fim, não é?
Então é melhor guardar certas ilações moralistas vegetarianas fanáticas, já temos muitos outros tipos de fanatismos prejudiciais na nossa sociedade para nos preocupar.
Não há nada melhor para uma criança desnutrida comer do que um bom e suculento fígado. Vamos ficar gastando rios de dinheiro para extrair os mesmos nutrientes de um fígado em toneladas de plantas, em vez de ir pelo caminho mais fácil que é criar um herbívoro que faz isso por nós?
A Ética existe em função do ser humano, que precisa seguir uma vida tranquila sem remorsos do que fez ou fará (se bem que não é grande o número de pessoas que realmente tem essa preocupação, não entre políticos). Não me venha dizer que eu tenho que me sentir culpado pelo salaminho que comi hoje, quando eu mal digeri a minha incapacidade de fazer alguma coisa pelo menininho que me pediu esmola.
Sistemas éticos absolutistas só servem aos dogmáticos, não aos céticos, e têm um saldo negativo para com a felicidade ao longo da história.

***

ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE (29/12/2012): Mudei de ideia em vários sentidos sobre este texto. Comecei a refutar a mim mesmo aqui.

  • Vejo que aproveitou minha pergunta do formspring para escrever um post. Bacana ter rendido assim.

    Seus argumentos são excelentes, de fato, porém me perturba muito a forma de criação e abate de certos animais.

    Para que seja feito Baby Beef, por exemplo, é necessário que o novilho seja preso num espaço minúsculo, não tendo assim condições de se movimentar, com o objetivo de não desenvolver seus músculos tornando assim a carne mais tenra e macia.

    É claro que o novilho não apresenta a "sensciência" para identificar que está confinado num espaço de 1m x 1m aguardando pela morte, porém esse tipo de criação não me parece nem um pouco benevolente quanto a "termos dado a oportunidade de nascerem".

    Isso sem contar nos diversos métodos de abate, praticados por todo o mundo.

    Ressalto que não sou vegetariano, porém questiono tudo isso justamente por encontrar algumas inconsistências em meu raciocínio "onívoro".

    Um abraço,
    João Cunha
    http://twitter.com/joaocunha

  • excelente Eli. Expressou vários pontos utilizando várias esferas de conhecimento, principalmente na hora de tratar do problema da sensciência e o possível sofrimento de certos animais em vários cenários.

  • João,

    pessoas que comem baby beef (vitela) e foie gras deveriam mesmo sentir uma pontada de culpa por financiarem o sadismo e a tortura.

  • Acho que este post se originou depois da minha pergunta no formspring, e por sorte entrando aqui me deparei com este. Não vou comentar tudo, porque não disponho de tempo para discutir os pormenores. Alem do mais tem algumas frases que não merecem ser comentados, como a parte final do… o que seria das vacas, se não fosse humanos para come-las. rsrsr

    Bom, o termo Senciência ja sofre indagações dentro do proprio Direito Animal. No entanto, alguns autores conceituam muito bem o termo e está longe de qualquer coisa que você colocou aqui. Mas é desnecessário essa discussão. Até mesmo porque a expanção ética, principalmente no Direito é em torno da auto-consciência.

    Dieta vegetariano não é mais custosa do que a dieta que contem produto animal. Oras um dos paises que mais possui vegetarianos é pobre, como a India. Não há nada que torne a dieta vegetariana mais cara. Ao contrário, até mesmo porque, quem gasta dinheiro em churrascos, carne alem do recomendável pelos médicos, e outras guloseimas não está se importando muito com o custo da dieta.

    Bom, não vou discutir essa questão economica/ambiental/nutricional. Porque ela ja está em unanimidade que a Dieta vegetariana é saudável para todas as idades,e é melhor ao ambiente, é sustentável e é uma medida contra problemas causada com o estilo de vida politico/social/economico atual. Mas isso para mim, é o de menos. Porque a questão é ético. Mesmo que o "peido" da vaca de abate limpasse a atosmofera. Não mudaria em nada o discurso pró Direitos Animais.

    Os DDAs, dão fundamentações do motivo pela qual dizer que comer carne é imoral. Nenhum DDA sai por aí gritando que "carne é imoral" e pronto. E está cheio de blogs, como esse, e textos refutando um direito animal ou veganismo que vocês montaram em suas mente, seja lá que motivo confortante for, mas que nada tem a ver com Direito Animal. Ou se tem, é algo ja demasiadamente discutido e há muito tempo respondido.

    Eu achei curioso foi você comparar animais como chimpanzes, vacas,rhesus e ratos com vermes parasitas, moscas, etc. Mas se vc foi nesse polo extremo resgatar motivos para permitir o subjugamento humano sobre p. ex. rhesus porque eu não posso viajar no outro extremo e comparar esses animais com humanos? Oras, não há motivo algum de termos proibido o tão lucroso para a sociedade, em todos os aspectos, comercio de escravos. Tão menos a pesquisa em humanos. Alias temos casos de uso de escravos para teste de vacinas.

    Sobre ainda o dilema do "se ameaçar minha vida"…. Vejo isso como uma demagogia. Oras, se ameaçar minha vida, eu mataria até você. No entando, será dificil perceber que isso não serve como fundamento ou como explicação para continuar com bilhôes de abates de animais? E menos ainda justificar testes em animais? Oras, eu preciso de um coração e não tem nenhum orgão doado na fila de espera, o que eu faço? Vamos pegar alguem forçar a me dar um coração? Sò porque "se eu estiver correndo perigo, mato até o Obama?" Não, não funciona por aí. Esse argumento é fragil, e não convence.

    Não se usa um caso excepcional para fundamentar casos regras.

    Achei curioso essa parte:
    Isso é fanatismo, isso é doutrinação, isso é dogmatismo, isso é ser inflexível, parecem pastores pregando sua seitazinha por aí.

    Como você vê os Direitos Humanos?Vc poderia me mostrar uma FLEXIBILIDADE em se tratando dos Direitos Fundamentais dos Humanos? Crianças que possuem graves problemas cardiaco, precisa de coração novo e nem sempre existe doador. O que faremos? Flexibilizar os DHs e importar um extrangeirinho para retirar seu orgão? Como criticar algo, pressupoe estar informado sobre esse algo, vc ja deve ter ouvido falar em "especismo", não?

    Ao inves de usar de emocionalismo e chantagem emocional, porque não rebate o argumento da "igual consideração"? Porque não coloca o motivo de que não se deve considerar igualmente os interesses dos animais independemente da sua carcaça?

  • Parabéns pelo ótimo texto Eli…
    Sintetizou exatamente o que eu vivo falando para os vegans que vem pregar para minha pessoa!
    Ainda mais depois que descobrem que sou biólogo e não aderi a religião deles.

  • Excelente, vou tomar esta argumentação como referencial para discutir esse tema…

  • "Acho natural e louvável que as pessoas apliquem sua empatia a animais não-humanos […] E acho ainda mais natural que isso costuma ser feito mais à medida em que o animal em questão é mais aparentado a nós."

    Camuflando isso aí, no meu ponto de vista, coisa que desponta naturalmente, isto é, sem raciocínio ou grandes estudos, estão todos os argumentos acerca de inteligência e sensiência como justificativas para defender os bichos. Quero dizer que parece haver uma predisposição natural e determinante para o nascimento de posturas como as criticadas por você, ou algo que preceda a razão. A tal predisposição, ao menos inicialmente, você denominou empatia, uma habilidade de "simulação" importante para o convívio social (simulamos emoções, cenários e condutas experienciados por outras pessoas). Como podemos também intuir e simular sentimentos e intenções de outros animais, sobretudo aqueles cujos fenótipos comportamentais e morfológicos se assemelham com os nossos, acabamos decidindo (comumente sem raciocínios pesados) que eles são dignos de consideração moral. Nossa "Psicologia Intuitiva", como diria Pinker, que evoluiu para preservar nossos genes, acaba alimentando políticas morais cujos propósitos são atípicos, utópicos e muitas vezes contraditórios. O "vegetarianismo moral", a partir do que foi discutido, parece ser fruto desse mosaico.

    Há um texto em meu blog onde discuto um pouco dessas questões sob o pano de fundo do filme AVATAR. Dê um pulinho lá quando puder.

    Abraço, meu caro!

  • Muito bom texto. "Excelente", eu diria, não fosse um momento aqui e alí que, pelo menos pra mim (de certa forma o "réu", ou parte do assunto), ficou mais do que evidente a contribuição do emocional, pequenas coisas completamente desprezíveis (no sentido de poderem ter sido omitidas) na tentativa de se firmar como A ou como B, ou no choque de pontos de vista.
    Mas fica aqui o reconhecimento de que, em se tratando desse assunto, argumentações e, talvez principalmente, serenidade como as suas estão em falta, pelo menos no mundo que eu conheço. Se todo não-vegetariano ao menos debatesse todas as vezes dessa forma, acho que dificilmente veria tanto problema em tratar do assunto ou mesmo em responder simples perguntas. Perdão por comentar tantos dias após a postagem, e meus pessoais e sinceros parabéns pelo que eu coloquei acima.

    Daniel, não sei se ainda vai ler, mas é pra você.
    "Atípicos", tudo bem, afinal isso varia conforme o referencial. "Utópicos" também, estaria mentindo se dissesse que não me parece ser uma triste realidade.
    "Muitas vezes contraditórios", desconsiderando o "muitas vezes", provavelmente fruto da emoção, eu, como indivíduo e não como porta-voz de uma classe, não me vejo em posição de dizer que sim ou que não (obviamente, no entanto, é provável que na minha interpretação tenham sido menos vezes do que na sua).
    Mas, logo abaixo da camada de retórica, não pude deixar de notar da sua parte o tom de desprezo ao "vegetarianismo moral", enquanto filho bastardo da evolução da humanidade e nossa "habilidade de simulação importante para o convívio social" (ou assim interpretei eu). A minha pergunta é bem simples: se é bom, correto, moral, ético, racional (qualquer um desses você preferir) "decidir que são dignos de consideração moral" (as aspas são mero sinal de referência) os da mesma espécie, o que dá imediatamente o valor contrário à consideração aos demais?

  • Interessante o texto a as réplicas também. Sou onívoro, e é a primeira vez que leio os argumentos de vegetarianos a respeito (pelo menos argumentos com alguma consistência).

    Uma observação e uma pergunta :
    1 – Sobre a indagação : "Porque não coloca o motivo de que não se deve considerar igualmente os interesses dos animais independemente da sua carcaça?" . Eu entendo que considerar as necessidades (e não interesses) dois outros animais é válido sim, mas considerá-los igualmente é um pouco desonesto intlectualmente. Assim como o Comunismo é desonesto ante nosso inerente egoísmo, nós simplesmente não somos iguais. O argumento do Eli é muito feliz nesse ponto.

    2 – Pergunta de leigo no assunto Veganismo: Existe uma mobilização de seus adeptos para que ninguém coma carne, tornando-se uma espécie de lei, ou é simplesmente uma tentativa de "abir os olhos" dos carnívoros, sem se intrometer na dieta de cada um ?

  • Henry

    Sobre sua pergunta:
    "Existe uma mobilização de seus adeptos para que ninguém coma carne, tornando-se uma espécie de lei, ou é simplesmente uma tentativa de 'abrir os olhos' dos carnívoros, sem se intrometer na dieta de cada um?"

    Sim, o veganismo "radical" faz isso o tempo todo, incluindo atentados com mortes (humanas, claro) aqui e acolá.

  • O fato de que o argumento moral a favor do vegetarianismo esteja errado não quer dizer que a dieta vegetariana não seja mais eficiente do que as alternativas. Seus argumentos nutricionais contra o vegetarianismo são tão fracos que até o artigo da wikipedia (em inglês) tem resposta a eles, e o seu argumento da eficiência do processamento energético animal simplesmente porque foram "selecionados naturalmente" (há que se lembrar que as vacas, porcos, galinhas, etc de hoje foram selecionados artificialmente, do mesmo modo que o grosso dos vegetais produzidos para consumo) não passa de uma falácia naturalista. É preciso olhar para os dados, como por exemplo a relação custo-benefício da produção nutricional em relação aos recursos usados (como água, solo, combustível, etc) e consequências indesejadas (produção de lixo, metano, desmatamento, protecionismo economico do primeiro mundo, etc) que possam realmente dizer qual a dieta sustentável (e a diferença entre o que se chama de sustentabilidade hoje, com uma bela parcela da população humana desnutrida, e as alternativas onde a fome seja minimizada). E finalizando, argumentos morais são realmente muito fracos, tanto é que você não precisa necessariamente se sentir mal em continuar comendo carne à despeito desse hábito ser uma das maiores causas do impacto ambiental do ser humano na terra.

  • Hãn? Eu usei um argumento de "processamento energético"? Onde?

    Acho que usei um argumento de captação e síntese de nutrientes, que é bem diferente.

    E como a intenção principal era atacar os argumentos morais furados, me dou por satisfeito.

  • Não concordo quando os vegetarianos dizem que comer carne é não é ético. Quem determinou que não é ético?

    Quanto a questão ambiental e de saúde, essa discussão já não faz mais sentindo pois é fato que uma alimentação vegetariano é mais saudável, também é melhor para o meio ambiente. Tudo isso já está provado. Sinto muito, mas não adianta criar argumentos contrários. Basta ler o que já foi produzido sobre o assunto ou assistir alguns documentários.

  • Não sou vegetariana ou vegana, mas:
    1) Argumento moral por argumento moral, concordo plenamente com o argumento do Johnny. É absurda a maneira como os animais são tratados na produção em larga escala para alimentação. Existe uma grande diferença entre forçá-los à reprodução de forma não saudável e dolorosa (vide a vida que leva uma vaca reprodutora) e "termos dado a oportunidade de nascerem".
    2) Uma dieta vegetariana balanceada e variada (ainda que ovo-lacto, desde que sem abusos) é mais saudável. Digo balanceada e variada porque isso quer dizer que ela não precisa ser feita exclusivamente com produtos processados industrialmente (o que, aliás, seria pior para a saúde). Ela também certamente não é mais cara.
    3) Não gosto de extremismos. Não é necessário abdicar totalmente de produtos alimentícios de origem animal, mas comê-los em excesso por questão de prazer e não nutricional, usando mil desculpas, (que, convenhamos, é o que uma parcela significativa da população faz, já que uns 40% estão acima do peso) é um absurdo tanto com os bichos quanto com a saúde humana.
    Em suma, não é necessário abdicar 100% do consumo, mas é bom para os animais, para o meio-ambiente e para nós mesmos reduzí-lo bastante. Nutricionalmente falando, não precisamos desses alimentos diariamente em três refeições. Aliás, carne, derivados do leite, frango e ovos todos os dias fazem mal.
    4) Veganos não privilegiam apenas animais "bonitinhos" ou próximos ao homem. eles não matam, por exemplo, os insetos que entram em suas casas, por exemplo, apenas cuidadosamente os colocam para fora. Podem estar certos ou errados, porque nós não temos sabedoria suficiente para julgar, mas decididamente são coerentes.

  • Olá Eli! Olha só hein! Não achei seu site pelo Bule e sim pelo Google! heheh!

    Li suas argumentações a respeito do vegetarianismo/veganismo. Concordo com a questão doutrinária da coisa. Você, ainda, deixou bem claro que é contra a "tortura".

    Eis o ponto.

    Eu sou um vegetariano "light". Sinto-me comparsa de torturadores de animais, pois, sabemos como os mesmos são criados e abatidos. Eis a razão pela qual como carne com pouca frequencia.

    Outra razão pela qual como carne com pouca frequencia, são os inúmeros estudos indicando a maior incidência de câncer de cólon nos consumidores regulares de carne vermelha ou processada. Há, ainda, o impacto ambiental do consumo excessivo de carne. Nossa Amazônia devastada é prova cabal disso.

    Infelizmente, como você falou, acho que o satisfatório está no equilíbrio. Diminuindo o consumo de carne, reduzimos a devastação e o sofrimento animal, ao mesmo tempo em que fazemos bem para a nossa saúde. No meio tempo, acho válido investir na prevenção da crueldade dos abatedouros. Desde o doméstico até os industriais.

  • você se camufla por meio de argumentos inconsistentes e pseudo-científicos e no meio da sua vaidade se julga muito superior aos que não pensam como você, como se fossem desinformados, ingênuos e fanáticos irracionais. se os bebezinhos com pulmões debilitados vierem a ser seres humanos adultos ignóbeis como você, melhor mesmo que padeçam.

  • Oi Eli. Primeiro contextualizo.
    Sou ovo, lacto vegetariano. Financio a "escravização" de animais para darem-me seu leite e seus abortos! rs
    Odeio pernilongo, mato todos!
    Tenho empatia pela maioria dos animais, não é por todos não! Também não tenho empatia por todos os seres humanos, e isto, não é hipocrisia.
    Contextualização feita.

    De forma empírica digo que isso é uma inverdade. "Uma dieta vegetariana é bem mais custosa financeiramente que uma dieta onívora(…)."

    Como em self-service todos os dias e gasto a mesma quantidade que meus amigos carnívoros.

    Finalizando. Por dois motivos escolhi ser vegetariano.

    O primeiro já disse, tenho empatia com a maioria dos animais. Não quero que eles sintam a dor da morte. Em que pese o fato da vida na natureza ser bem cruel.

    O segundo motivo é. A criação de animais arrebenta com o planeta e, escolhi não fazer parte deste grupo!

    abs

  • Christofer,

    admito que é questionável que a dieta vegetariano custe mais que a onívora.

    É uma questão empírica e existem pesquisas econômicas a respeito.

    Não tenho tempo para pesquisar sobre o assunto, e caso eu esteja errado sobre isso, vale lembrar que a intenção principal do meu texto era questionar a validade do absolutismo moral que alguns veganos pregam à maneira dos fundamentalistas religiosos.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

  • Eu acho que cada um vê seu ponto de vista de um jeito, cada um pensa de um jeito, sobre o vegetarianismo e sobre uma vida normal, eu sou vegetariano não só por conciêntização dos animais mais também por mudar meu habito alimentar, ter um modo de vida diferente.

  • Sem falar que carne é algo muito gostoso.

  • Oi Eli, eu moro na Inglaterra tambem e assisti o seu video em resposta ao Silas Malafaia, e eu concordo em grau numbero e genero com voce. Cai de paraquedas aqui no seu blog pelo video do Malafaia e cheguei a este post. Sou da turma cientifica tambem, apesar de nao ter terminado a faculdade de Veterinaria, fiz metade dela e me interesso por genetica e evolucao pra caramba. Eu sou vegan e ao ler este seu texto a respeito de surfactantes para bebes pre maturos eu achei que a colocacao foi infeliz, pois como um estudante de genetica e evolucao, voce deveria entender que a gente evoluiu devido a selecao natural tambem. Os menos preparados sao excluidos da linha evolutiva, como acontecem com animais que nascem defeituosos e seus pais os abandonam – um bebe prematuro seria classificado nesta mesma situacao – se um animal selvagem da a luz a um prematuro, ou sera abandonado ou sera amado ate que morra, se tiver que morrer. Na minha opiniao o mesmo se da a bebes prematuros. Se tiver que viver, vivera, tudo eh parte da selecao natural e evolucao de especies. O problema eh que o ser humano gosta de brincar de "deus" (entre parenteses por que eu nao acredito que exista um), o ser humano gosta de interferir na ordem natural das coisas. Por um lado eh bom pois nao estariamos onde estamos agora sem algumas interferencias, porem na minha opiniao se eh para causar sofrimento a outro ser vivo que nao tem NADA HAVER com a estoria, eu sou completamente contra. No caso dos bebes prematuros, hj em dia existe a prevencao para que em caso isto aconteca (seu bebe nasca antes do tempo) ele ja tenha produzido surfactantes. Prescreve-se corticoides para a mae durante a gestacao, e ela produz cortisona, que passa diretamente para o feto via placentaria e ajuda a acelerar a maturidade pulmonar, entao se o nenem nascer prematuro ele nao morre e nao precisamos matar porquinhos para "salva-lo". 🙂

  • Nao sao todos vegans que tem cacife para defender a propria ideologia. A maioria como eu agem por um amor a todos seres, inclusive plantas.

    Como apenas folhosos e frutas cru em grande quantidade e suplemento de b12. Saude impecavel e simplicidade a 2 anos. Gasto muito pouco com meus alimentos pois 70% eu planto (moro em cidade).
    Eu penso:
    Nao consigo matar inseto por prazer mato acidentalmente, quando como frutas, andando.. Agente mata tanto desses mini-seres sem saber, quando vejo que mais um morreu acidetalmente, nao sinto tanta pena.

    Queria que a industria parasse de "fazer" animais para o consumo. Com isso teremos uma quantidade grande de pets para cuidar, que se extinguiriam naturalmente. Acho que Temos que matar apenas para sobreviver mesmo.

    Tem muita coisa que voce diz que nao sao verdade e outras discutiveis mas deicho para os outros leitores dizer. Ajuda muito deichar as referenciaa tambem.
    Paz

  • Nao sao todos vegans que tem cacife para defender a propria ideologia. A maioria como eu agem por um amor a todos seres, inclusive plantas.

    Como apenas folhosos e frutas cru em grande quantidade e suplemento de b12. Saude impecavel e simplicidade a 2 anos. Gasto muito pouco com meus alimentos pois 70% eu planto (moro em cidade).
    Eu penso:
    Nao consigo matar inseto por prazer mato acidentalmente, quando como frutas, andando.. Agente mata tanto desses mini-seres sem saber, quando vejo que mais um morreu acidetalmente, nao sinto tanta pena.

    Queria que a industria parasse de "fazer" animais para o consumo. Com isso teremos uma quantidade grande de pets para cuidar, que se extinguiriam naturalmente. Acho que Temos que matar apenas para sobreviver mesmo.

    Tem muita coisa que voce diz que nao sao verdade e outras discutiveis mas deicho para os outros leitores dizer. Ajuda muito deichar as referenciaa tambem.
    Paz

  • Éd Fons

    Concordo com vc que sempre deve-se prezar pela moderação. Porem sobre a obesidade, já é bem comprovado que o que nos levou a esse mal foi o consumo excessivo de carboidrato! O carboidrato é muito mais prejudicial a saúde que a gordura em excesso. Gorduras saturadas, em geral, é mais saudavel que carboidratos simples. Açúcar é o pior alimento que existe e que apareceu na terra. Está em todos os lugares, vicia e nos entope de gordura rapida e dificil de queimar! O homem paleolitico vivia das proteinas e gorduras das carnes, as fibras, minerais e vitaminas de frutas e vegetais e os carboidratos estavam diluidos em tudo isso, em baixa quantidade, que no fim, nos supria com a quantidade ideal! Hoje, nosso nutriente base é carboidrato! Pão, doces, massas, pizzas, arroz, refrigerantes! SER VEGETARIANO NÃO É SINONIMO DE SER SAUDAVEL! Depende muito! Um vegano pode comer farinha refinada e açucar o tempo inteiro se quiser…