23rd of September

LiHS – Liga Humanista Secular do Brasil



Se você rejeitou a religião tradicional (ou nunca foi religioso), você pode estar se perguntando “isso é tudo?”

É libertador reconhecer que seres sobrenaturais são criações humanas… e que não há “espírito”… e que as pessoas surgiram (tanto a espécie quanto os indivíduos) a partir de processos puramente naturais, e que portanto as pessoas são responsáveis por si mesmas.

Mas e depois?

Para muitos, o mero ateísmo (a ausência de crença em deuses e no sobrenatural) ou o agnosticismo (a visão de que tais coisas não podem ser respondidas de forma absoluta) não são o bastante.

O ateísmo e o agnosticismo nada podem dizer sobre questões maiores sobre valores e significados. Se o sentido na vida não é imposto de cima para baixo, que sentidos podemos construir juntos para a vida? Se a vida não é eterna, como podemos fazer com que nossas vidas finitas sejam preciosas?

Como coexistiremos num mundo que não é governado por versões gigantes de nós mesmos?

Para as questões que precisam de respostas depois de nos livrarmos de deuses, espíritos e fantasmas, muitos ateus, agnósticos, céticos e livres-pensadores se voltam para o humanismo secular.

O que é isso?

“O Humanismo é uma postura de vida democrática e ética, que afirma que os seres humanos têm o direito e a responsabilidade de dar sentido e forma às suas próprias vidas. Defende a construção de uma sociedade mais humana, através de uma ética baseada em valores humanos e outros valores naturais, dentro do espírito da razão e do livre-pensamento, com base nas capacidades humanas. O Humanismo não é teísta e não aceita visões sobrenaturais da realidade.”

International Humanist and Ethical Union (IHEU) – Minimum Statement on Humanism

Para defender essa postura acaba de ser lançada a ideia da
LiHS – Liga Humanista Secular do Brasil.

Junte-se a nós!

Nossa visão:

Um mundo sem privilégios religiosos ou discriminação religiosa, onde as pessoas têm liberdade para viver bem com base na razão, na experiência e nos valores humanos universais.

Nossa missão:

A LiHS será fundada para promover o Humanismo, para apoiar e representar as pessoas que buscam viver sem crenças religiosas ou supersticiosas, de uma forma positiva e construtiva em vez de negativa e combativa.

Quem somos:

A Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS) será instituída como uma organização não-governamental sem fins lucrativos, dedicada a apoiar e representar pessoas não-religiosas que buscam viver eticamente sem crenças sobrenaturais e supersticiosas, e que queiram se identificar de forma positiva e afirmativa.

Comprometida com os direitos humanos, com a democracia, com a igualdade, com o respeito mútuo e com a honestidade intelectual livre, a LiHS trabalhará concretamente por uma sociedade aberta, com liberdade de crença, liberdade de expressão, e laicidade nas leis, na educação, na mídia, e no cenário público em geral, sem privilégios para a religião, especialmente a historicamente estabelecida.

Começamos com o blog Bule Voador, muito mais virá em breve.


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Conheça também

11th of September

Discurso do orador


Colação de grau em Biologia, UnB – formandos 1º/2009. Patrona: Cynthia Kyaw. Paraninfa: Heloísa Sinátora Miranda.

Você já se perguntou por que motivo os diamantes valem tanto?

Será que o descobridor do diamante pensou que “uma pedra tão cara a meus olhos tem que valer os olhos da cara”?

A maioria dos mortais não conseguiria distinguir um diamante de um pedaço de vidro. Mas há motivos para dar mais valor ao diamante que ao vidro:

Podemos citar a raridade dos diamantes, ou sua idade (que geralmente excede um bilhão de anos), podemos citar sua bela capacidade de refratar a luz, e outras características que fazem os diamantes serem pedras singulares. Condições de alta temperatura e pressão são necessárias para fazê-los crescer, e eles têm a maior dureza entre todos os materiais que conhecemos. Eles são o produto de uma história singular.

Em oito de agosto de 2005, às nove horas e quarenta minutos, eu me encontrava sentado no chão nem sempre limpo do corredor de salas de aula conhecido como “corredor da morte”. (Quem diria… aqui biólogos são formados no corredor da morte.) Em 20 minutos teríamos nossa primeira aula de Citologia, a primeira aula do nosso curso de graduação em ciências biológicas. Ao meu lado, começando uma conversa acanhada, típica de quem se depara com um estranho, estava uma pessoa que mais tarde se tornaria um dos mais caros amigos que eu poderia querer.

Cada um dos colegas aqui presentes tem histórias similares para contar o que aconteceu nos últimos anos em meio ao concreto desta universidade sem muros.

O motivo de estarmos reunidos aqui é que passamos pelas condições ideais que fazem crescer biólogos. Nossos mestres nos pressionaram, e junto a nossas famílias, amigos e amores, nos acalentaram na exata temperatura de seu afeto, atenção e paciência.

O que fizemos durante esses anos? Aprendemos, por exemplo, que os mesmos átomos que fazem um diamante fazem também a estrutura que sustenta nossos corpos; e esses átomos nasceram no cálido coração das estrelas. Aprendemos que para cada líquen, para cada musgo, para cada barata, também existe uma história.

Ideias, e não concreto, são o material mais duro que sustenta esta universidade. Se trouxemos nossos corpos até aqui, foi por força das ideias que amamos: sonhos, projetos, desejos, cercados de ideias. Na profundidade do tempo e na vastidão do espaço, encontrar um lugar dedicado a ideias, entre elas a história natural dos seres vivos, é uma coisa maravilhosa por si só. O fato de que não ficaremos aqui eternamente só torna tudo mais precioso.

Não, não foi perfeito. Alguns disseram adeus, e voltaram no dia seguinte. Outros disseram “até logo” e se foram para sempre. Mas são justamente as imperfeições, as impurezas, que dão cores exuberantes aos diamantes; então não lamentemos por elas, são também parte de nossas histórias singulares.

Um biólogo olha para flores coloridas, e vê uma história de sedução entre dois grandes reinos vivos. Vê num lago uma completa economia da natureza; numa doença, uma batalha de egoísmos inconscientes; e numa lágrima, uma amostra do berço em que ele mesmo despertou.

Viver estudando o que vive é tanto assistir a uma sucessão de espetáculos quanto uma experiência autobiográfica. Estamos lendo um livro em que nós mesmos somos personagens, e nos emocionamos profundamente ao ler e escrever juntos esta história singular.

Eu não trocaria o que vivi com vocês nem por todos os diamantes do mundo.

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Eli Vieira

Escrito em abril de 2009.

Lido na noite de 10 de setembro para os formandos biólogos da UnB.