30th of December

O ornitorrinco no inferno da criação


Introdução: criadores e criatividade Acredita-se que o Criador bíblico, por sua própria atividade direta ou indireta através dos ambientes, fez as criaturas "segundo sua espécie" e de acordo com categorias (como “animais aquáticos”). Isso revela uma predileção por tipos, por classes, em contraposição à maior criatividade que estaria numa singularidade absoluta de cada criatura, pois uma maior criatividade reside em obras sem repetições. É a qualidade que determina a criatividade, não a quantidade. Por isso, um artesão costuma ser mais criativo que uma linha de produção mecânica. Estamos acostumados a ver cópias no nosso mundo, como na reprodução, então não seria de se estranhar que um criador fizesse os seres vivos “segundo sua espécie”. Tomamos a reprodução por garantida, sequer ousamos imaginar outra forma de o criador perpetuar a criação. Entretanto, pode-se imaginar, nem sempre no passado tomamos a reprodução como algo tão certo. Já acreditamos, como os vitalistas, que a natureza gera criativamente formas vivas por geração espontânea. Já houve quem acreditasse, inclusive, que todos nós viéssemos de pessoinhas minúsculas que residiam nos gametas. Esses homúnculos teriam sido plantados pelo criador nas gônadas de Adão e Eva [1]. Isso recebia, ironicamente, o nome “evolução” (hoje, “pré-formacionismo” [2]): a “teoria” de Albrecht von Haller da primeira metade do século XVIII. Como mentes livres, assim como podemos imaginar que os bebês sejam trazidos pela cegonha, podemos imaginar também um criador que tenha ojeriza à repetição pouco criativa, e faça cada organismo de uma forma única e singular, sem repetir um único órgão, uma única cor, uma única forma, não usando a cópia que acontece na reprodução. Se no mundo os organismos fossem assim, talvez poderíamos ter certeza de que são fruto de um projeto inteligente. Mas acreditar que o artífice cria cada organismo individualmente, por métodos que diminuem a participação da cópia automatizada da reprodução, é se deixar levar por um sobrenaturalismo maior que o do livro do Gênesis – pouca gente ou ninguém hoje acreditaria nisso, afinal temos coisas como o teste de DNA para corroborar uma reprodução “mecânica”. O que é revelador é que, em comparação a esse criacionismo absoluto tão tolo quanto a lenda da cegonha, o texto do Gênesis se mostra mais comprometido com o mundo material ao invocar a predileção da mente do criador pelas categorias, pela repetição tanto na reprodução dos organismos dentro das espécies quanto nos “nichos” ocupados por várias espécies. Não se pode dispensar uma óbvia extensão dessas categorias bíblicas às categorias da taxonomia, a arte de classificar os seres vivos, como faz Carolus Linnaeus (Carlos Lineu) em seu Systema Naturae: Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie.

Inclusive, Lineu criou esse sistema de classificação "para a maior glória de Deus". Classificar, para Lineu, nada mais era que aumentar nosso panorama da quantidade de categorias escolhidas pelo criador. A obra sistematizada por Lineu revelava a sabedoria de um artífice cósmico. Entretanto, o primeiro dos taxonomistas se achava perdido para separar o homem do macaco de uma maneira que não atraísse a “sanha dos eclesiásticos”. [3]
As classes e o Inferno Naturae
450px-Dante_StatueA criação está dividida em classes, assim como está dividido, na obra de Dante Alighieri, o Inferno.  
Da mesma forma que um taxonomista qualquer separa os seres vivos de acordo com a quantidade de características que compartilham em níveis hierárquicos de semelhança, Dante separa o inferno em níveis concêntricos em que o núcleo recebe os piores pecadores (e.g. blasfemos e sodomitas), enquanto o limbo, o círculo mais externo, recebe os que cometeram pecados leves (e.g. pagãos virtuosos). As classes de pecados definem o destino da alma do pecador no Inferno.[4]
Classes, como nos ensina David Hull, são categorias “espaço-temporalmente indefinidas” construídas a partir de leis definidas.[5] Leis definem que átomos dotados de dois prótons são necessariamente membros da classe “Hélio”, mesmo que todos os representantes dessa classe sumam do universo. Leis morais da mente divina, por sua vez, definem punições particulares para pecados particulares, mesmo que nenhum pecado do tipo que condena as almas ao sexto círculo (onde está Epicuro e seus seguidores) seja cometido. Tanto o Inferno de Dante quanto o Systema Naturae estão provavelmente comprometidos com uma idéia: classes como representações de essências. A associação do pensamento essencialista do criacionista ao essencialismo de Platão é clara, quando ambos usam atributos comuns dos seres vivos para inferir projeto inteligente. E este projeto inteligente (ou intelligent design, termo usado no sentido moderno pela primeira vez numa carta de Charles Darwin para John Herschel) é nada menos que a concretização das essências da mente do Criador, no primeiro caso, e da arte do Demiurgo entre o mundo real e o mundo das formas, no segundo. [6] Por causa dessa herança intelectual, ainda hoje vê-se a atividade da taxonomia e mesmo da descrição de espécies biológicas como ligar seres vivos, através de características necessárias, à sua essência através de uma classe. A própria conceituação do que é alguma entidade biológica muitas vezes é feita de uma forma essencialista. Para John Locke, a atividade da classificação fundamenta todo entendimento. Mas as classes que fazemos, as idéias abstratas que derivamos dos nomes que damos a coisas como o homem ou o cavalo, não são casos particulares de essências que estejam em qualquer lugar fora da nossa mente. [7] Criar classes para auxiliar o conhecimento, portanto, não necessariamente precisa ser ligá-las a uma instância superior que lhes defina a partir de essências. Tentarei mostrar, utilizando o ornitorrinco como caso particular desse “Inferno Naturae”, que o criacionismo não sobrevive a uma análise racional e cética das evidências físicas relativas aos seres vivos – esses pecadores que expiam por uma forma de pensar obsoleta. O ornitorrinco no inferno da criação Quando a Bíblia conta que Deus criou os animais, ele o fez muitas vezes de acordo com classes (categorias). Cria os que rastejam pela terra, cria os que voam pelos ares.

Por isso, quando um criacionista observa dois mamíferos, por exemplo um cão e o homem, ele vê o compartilhamento de características como algo que corrobora a criação, pois "mamífero" (ou seja, produzir leite, ter pêlos) nada mais seria que uma das categorias ou classes da criação.

Por puro capricho o criador fez várias espécies que rastejam pela terra, e por puro capricho fez várias espécies que produzem leite e têm pêlos.

Não é à toa que em Filosofia a definição clássica do que seria um conceito é feita a partir de "características necessárias e suficientes", numa lógica essencialista que foi herdada tanto do pensamento religioso quanto do pensamento filosófico que não contrariava o pensamento religioso (leia-se Platão e Aristóteles, que não por acaso desfrutam da posição central na pintura de Rafael no Palácio Apostólico do Vaticano há quase 500 anos).

O conceito de mamífero, nestes termos, seria delimitado por uma linha rígida que separa os animais que possuem um conjunto de características necessárias e suficientes para ser mamíferos e os que não possuem. Isso significa que haveria um "tipo mamífero" ideal ao qual os animais mamíferos do mundo real ‘prestam tributo’.

Por isso, em princípio, as características compartilhadas (ou seja, homologias) entre os animais não precisam, a priori, ser interpretadas como evidência de compartilhamento de um ancestral comum entre as espécies (se tiveram um ancestral comum e hoje são diferentes, isso já implicaria que evoluíram). Frente ao conhecimento acumulado da moderna Biologia, entretanto, os criacionistas precisariam postular classes de criação muito numerosas, refletindo os caprichos do criador em que acreditam. Seriam necessárias mais classes de criação do que níveis do inferno de Dante. Outro problema além desse é que as fronteiras entre as classes de criação seriam nebulosas demais, obscurecendo e tornando absurdos os desígnios do criador. Um artista pode manter um mesmo estilo em várias criações, mas fazer todas as criações compartilharem “cores”, ou características em suas “causas formais” pode ser visto como capricho, ou seja, uma escolha pouco criativa, preguiçosa, repetitiva e injustificada. Tomemos como exemplo o ornitorrinco, um animal de uma espécie Ornithorhynchidae-00 única que hoje só é encontrada no leste da Austrália e na ilha da Tasmânia, e façamos um experimento mental de adesão ao criacionismo. Vamos fingir que acreditamos que todas as espécies vivas, incluindo essa, foram fabricadas diretamente por um Criador. Numa racionália criacionista, precisaríamos atribuir várias classes de criação ao ornitorrinco, à maneira com que Dante separa o inferno em níveis, em que cada nível diz respeito à qualidade de pecado a ser expiado. Mas no nosso caso, cada "nível" diz respeito ao compartilhamento de características desse animal com outros seres vivos.

O ornitorrinco tem um código genético idêntico ao que é encontrado em praticamente todos os seres vivos sobre a Terra. Isso seria o primeiro capricho da criação. Existem códigos genéticos entre seres unicelulares que são diferentes, ou seja, o do ornitorrinco não é indispensável.

Como em amebas, samambaias, coelhos, cangurus, águas-vivas, as células dos ornitorrincos têm núcleos. Outro capricho e outra classe de criação. Juntamente com coelhos, cangurus, lagartos, sapos, estrelas-do-mar e humanos, o embrião do ornitorrinco apresenta um orifício em uma das primeiras fases de desenvolvimento que delimita mais tarde o ânus. Isso também não é indispensável, pois em outros animais esse orifício (o blastóporo) se torna posteriormente a boca.

Seguem-se outras classes de criação, outros níveis no nosso “inferno” da natureza: o ornitorrinco é cordado como o fóssil Pikaia, vertebrado como o surubim, tem quatro membros como o elefante.

Como as quatro espécies de equidna que vivem também apenas na Oceania, o ornitorrinco bota ovos , e usa um mesmo orifício (a cloaca) para excreção, defecação e reprodução; e seus esqueletos também compartilham várias características.ovoequidna Em conjunto, as quatro espécies de equidna e a única espécie de ornitorrinco formam o grupo chamado Monotremata (que significa literalmente “um buraco” – a cloaca). A classe dos monotremados é a última “classe de criação” que mencionarei no nosso experimento mental de aderir ao criacionismo.

Nosso caprichoso criador não quis ser criativo fazendo todas as classes separadas e independentes. O nosso inferno da criação, cujo núcleo é o ornitorrinco, apresenta uma escolha peculiar do Criador: economia de idéias. Temos bonecas russas encerradas cada uma menor dentro de outra maior, em vez de obras independentes e “absolutamente criativas”.

No inferno de Dante, o primeiro círculo, o mais externo, é dedicado à expiação dos pecados pequenos, como daqueles pagãos virtuosos, que estão ali no limbo por não terem aceitado (ou mesmo conhecido) Cristo. No primeiro círculo das classes de caprichos do criador, está o código genético. Seriam as bactérias que se situam fora desse círculo meros “esboços”, como de um aprendiz de caligrafia gótica, que foram abandonados em favor de uma caligrafia ideal repetitiva? Um criador perfeito precisaria de ensaios, aprendizado, esboços? Quando o ornitorrinco foi descoberto pela tradição da história natural européia, no final do século XVIII, pensou-se que os exemplares empalhados eram fraudes. Houve até quem procurasse os pontos de costura que ligariam bizarramente o bico àquele corpo que parecia pertencer a algum tipo de castor. Um naturalista, Blumenbach (1800), até o batizou de Ornithorhynchus paradoxus. Só ornithorhynchusanatinuspoderia ser um paradoxo para a criação que um animal que se encaixava nos círculos ‘infernais’ das classes até o nível dos mamíferos, diferente de todos os outros animais que ali – à maneira com que os caídos expiam seus pecados – exibem suas evidências de projeto divino, zombasse a Razão (Logos) botando ovos, ferroando com seu esporão venenoso e brandindo seu bico escarnecedor.

O conceito essencialista de mamífero de tempos anteriores sofreu um baque.

Mas paremos aqui, transtornados e abatidos por essa aporia natural, o nosso experimento mental de fingir que somos criacionistas. Comecemos outro experimento: agora somos céticos.

Somos céticos e conhecemos Guilherme de Occam, que disse que ao nos defrontarmos com fenômenos inexplicados, devemos optar por hipóteses mais simples, econômicas, prováveis e racionais. Isso, afinal de contas, não é uma afronta ao nosso ceticismo, é uma metodologia defensável. É a navalha de Occam, que nos serve como guilhotina para o que afronta o nosso ceticismo. A definição essencialista de conceito não nos serve mais, como céticos que somos. Não podemos continuar pulando de essência em essência, para dizermos "ah, bem, de vez em quando os mamíferos podem botar ovos…". Vamos fazer diferente: escolhemos um protótipo para o conceito de mamífero: um coelho, por exemplo. Mas não vamos dizer que só entrará no conceito de mamífero quem desfrutar de condições necessárias e suficientes para ser mamífero. Não vamos criar uma essência de mamífero. Nosso coelho vai servir apenas para comparação. Então vamos definir que é mamífero quem tem uma certa semelhança familiar com o coelho. Não haverá uma linha imóvel delimitando nosso conceito de mamífero. As fronteiras entre o conceito de mamífero e outros conceitos serão nebulosas. Quem propõe essa definição de conceito prototípico e semelhança familiar é um filósofo chamado Ludwig Wittgenstein. [5]

Um ornitorrinco é um mamífero porque produz leite, que escorre por seu pêlo e é lambido pelo filhote que acabou de sair do ovo. Ele não tem mamilos. Mas produzir leite é uma coisa raríssima no nosso inferno natural. Ter pêlos também, e esse bicho tem pêlos. Portanto, no meio de várias características que unirão o nosso ornitorrinco ao nosso protótipo, o coelho, estarão os pêlos e o leite – não apenas a sua aparência, mas as suas características mais íntimas, como a composição da queratina do pêlo e a composição da albumina do leite. Como céticos queremos ver até o limite mais íntimo das coisas antes de fazer afirmações e estabelecer nosso conceito de mamífero.

O conceito prototípico nos servirá melhor do que o conceito essencialista agora, pois duvidamos que seja preciso haver uma essência de mamífero. Mas céticos não precisam negar as evidências, e são as evidências a base do conceito prototípico que criamos. Mas não estamos satisfeitos. De onde vieram a albumina e a queratina que o coelho e o ornitorrinco compartilham? Sabemos que há genes nos DNA’s dos dois animais, mas isso não explica por que esses genes geram resultados praticamente idênticos nas proteínas ao serem traduzidos nas células da pele.

Sabemos que ornitorrincos vêm de ornitorrincos e coelhos vêm de coelhos, então os genes desses animais são passados dos pais para os filhos. A razão da os genes de albumina e queratina do filhote serem idênticos aos genes dessas mesmas proteínas contidos na mãe é a herança, a cópia. Não é um grande salto para um cético pensar, agora, que a razão de tanto o coelho quanto o ornitorrinco compartilharem esses mesmos genes e essas mesmas proteínas seja a cópia e a herança, ou seja, a ancestralidade comum em alguma espécie que viveu no passado. Então, a semelhança familiar deve ser o resultado de um parentesco real.

Então, a razão de o ornitorrinco compartilhar características com o Pikaia, com o coelho, com o ser humano, com águas-vivas, com plantas, pode ser uma ancestralidade comum em tempos diferentes e circunstâncias diferentes, por isso os conceitos prototípicos podem ser aplicados a cada círculo do inferno da natureza, mas o motivo disso não parece ser capricho do criador, mas um grande nexo genealógico, de níveis de parentesco trespassando os níveis infernais! Para acreditarmos nessa enorme inversão de valores para com nossa posição anterior, precisaremos de evidências de que o ornitorrinco não foi sempre ornitorrinco: de que o próprio conceito de "ornitorrinco" seja prototípico. Sabemos que o ornitorrinco moderno nasce com um dente efêmero que o ajuda a sair do ovo, depois cresce alguns dentes na fase jovem, e na fase adulta perde todos os dentes. No passado seria possível que os ancestrais do ornitorrinco preservassem dentes na fase adulta, como acontece com o coelho? A resposta é sim, temos evidências disso, e os nomes dessas evidências são os fósseis Obdurodon obdurodon (~26 milhões de anos), Steropodon (~110 milhões de anos), e Teinolophos (~120 milhões de anos), todos com dentes na fase adulta. Todos de uma linhagem que foi mudando e um dos resultados é hoje o ornitorrinco sem dentes na fase adulta.[8] Uma vez que essas espécies extintas eram ornitorrincos um pouco diferentes do ornitorrinco moderno, de onde veio essa linhagem de ornitorrincos? O círculo infernal dos monotremados, os mamíferos que botam ovos, é bem mais largo que essa linhagem. Inclui as linhagens dos equidnas. As homologias denovo nos servirão para usar a navalha de Occam e abandonar os caprichos do criador e aceitar racionalmente a ancestralidade comum. Temos evidências de que os equidnas mudaram também, porque temos fósseis de ~106 milhões de anos [9] e análises de relógio molecular.[8]

Nosso pensamento cético não se contraria também em aceitar que a razão pela qual os monotremados botam ovos é porque eles fazem parte do círculo infernal dos tetrápodos que botam ovos, como os chamados répteis. Isso também por um conceito não-essencialista, prototípico, que reflete as evidências observadas. Temos outras vias além dos fósseis para satisfazer nosso ceticismo. Por exemplo, já temos mapeado o genoma do ornitorrinco, publicado na revista científica Nature em maio de 2008. O genoma do ornitorrinco tem características de réptil e de mamífero. Indica que a mesma família de genes que deu origem ao "veneno" do esporão do ornitorrinco foi responsável também, seguindo outra rota, pela origem dos venenos das serpentes.[10]

Nossa análise cética dos círculos infernais da natureza é tão precisa que podemos concluir que o bico do ornitorrinco, por outro lado, não é evidência de que o ornitorrinco e as aves herdaram seus bicos de um ancestral comum que tinha bico. O "bico" do ornitorrinco é uma estrutura com consistência de borracha, cheia de órgãos que percebem a eletricidade das presas que se escondem no fundo dos lagos, enquanto o bico das aves é uma estrutura dura, córnea. O bico do ornitorrinco não pertence ao conceito prototípico de bico das aves.
Conclusão
Agora, pela navalha de Occam e pelo ceticismo, pela razão e pela parcimônia, podemos optar pela melhor explicação para o porquê de as espécies terem mudado e transitado entre os círculos infernais da natureza ao longo do tempo, mudando de conceito em conceito, revolucionando a si mesmas, evoluindo. Temos algumas explicações complicadas, e uma explicação simples. As complicadas são: o criador, apesar de não ter tido o trabalho de dar sempre pinceladas na formação de sua obra, participou do processo, como um artífice insatisfeito que gosta de fazer ajustes de tempos em tempos – que é o deus de Newton; ou o criador apenas foi responsável por sintonizar leis gerais que dariam os resultados que ele esperava (apesar de isso ser contraditório com a noção de contingência e imprevisibilidade da evolução) – que é o deus de Leibniz; ou então temos uma linha de montagem de leis gerais ou de intervenções intermitentes no mundo natural, com vários criadores fazendo reuniões periódicas para aprovar o que vai passar e o que vai ser reprovado na linha de produção; entre outras explicações complicadas, formuladas pelas mais diversas religiões no decorrer da história humana. É difícil, quando não impossível, ter um critério para descartar uma explicação complicada em favor de outra complicada. E temos a explicação simples: o que fez a evolução acontecer foram processos puramente naturais, dentro os quais o principal é seleção natural – a sobrevivência não-casual de variedades que surgem casualmente. É uma explicação simples, provável e econômica, então será poupada pela navalha de Occam. Quanto a criadores ou interventores, nós os ignoraremos. Não precisamos dessas hipóteses, como teria respondido Laplace à pergunta de Napoleão, que queria saber por que Deus não era mencionado em seu tratado de mecânica celeste. Que os criadores fiquem, caso existam, no espaço que sobrar entre os mundos, como quis Epicuro de Samos.[6] Referências 1 – Stephen Jay Gould. Darwin e os grandes enigmas da vida. Martins Fontes, 1987. 2 – Richard Lewontin. A tripla hélice – gene, organismo e ambiente. Companhia das letras, 2002. 3 – Carl Sagan. Os dragões do éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana. F. Alves, 1987. 4 – Dante Alighieri. A divina comédia. EDUSP, 1979. 5 – David Hull. A Matter Of Individuality. Philosophy of Science, 45, pp. 335–60, 1978. 6 – John Bellamy Foster, Brett Clark & Richard York. Critique of Intelligent Design – Materialism versus Creationism From Antiquity to the Present. Monthly Review Press, 2008. 7 – John Locke. Of General Terms in An Essay Concerning Human Understanding. http://etext.library.adelaide.edu.au/l/locke/john/l81u/B3.3.html, 2007 8 – Rowe et al. The oldest platypus and its bearing on divergence timing of the platypus and echidna clades. PNAS vol. 105 no. 4. 2008. 9 – Pridmore et al. A Tachyglossid-Like Humerus from the Early Cretaceous of South-Eastern Australia. Journal of Mammalian Evolution, Vol. 12, Nos. 3/4, December 2005. 10 – Warren et al. Genome analysis of the platypus reveals unique signatures of evolution. Nature, Vol 453, 2008.

14th of December

O Nazismo se sustenta? – um debate


Minha amiga Thaís, uma brilhante estudante de um CEFET, pediu que eu conversasse com um conhecido dela chamado Guilherme.  Ela me antecipou alguma das idéias de Guilherme, e então marcou uma data e uma hora para debatermos pela internet. Embora talvez não admita, Guilherme é claramente um neonazista. Em sua página de perfil num site de relacionamentos, ele dedica um álbum inteiro para armas da segunda guerra mundial, outro para  cartazes de propaganda nazista e fotos de Hitler abraçando hitler criancinhas, e em sua descrição pessoal este rapaz diz que o humanismo e o igualitarismo são ilusões inventadas por mentirosos. O mais notável em meio a tudo isso é que ele tenta usar a Teoria da Evolução, da Biologia, para apoiar essa ideologia. O debate a seguir foi realizado no dia 13/12/2008, entre por volta de 19h e 20h45min. Não farei conclusões após o debate, acredito que ele fala por si. *** Guilherme diz: Olá Eli… Eli diz: Olá Guilherme, prazer. Guilherme diz: Prazer, Eli… A Thaís me contou que visitou meu perfil no orkut. E que não concorda com alguns pontos da minha visão política. Eli diz: Sim é verdade pode me passar o link novamente? Faz tempo que visitei Guilherme diz: É uma questão complexa…estamos falando sobre política economica, racial, social ou o que? http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=ls&uid=13296220951595695652 Ou talvez de biologia…ela me disse que você é um biólogo… Eli diz: bem, como eu sou biólogo, procurarei falar de biologia, mas como adoro filosofia eventualmente posso falar disso também Guilherme diz: Se visitou o perfil há muito tempo, deveria conferir o álbum para fins didáticos que postei..com verdades não ditas pelos seus professores marxistas, ou pela mídia sionista Eli diz: que bases o senhor tem para afirmar que meus professores são marxistas? Guilherme diz: Professores de história ou geografia do ensino médio são parte do "grupo de risco". A probabilidade é alta… Eli diz: meus professores não são de ensino médio Guilherme diz: Na realidade, foi só uma expressão, kameraden… Eli diz: são todos pós doutores Guilherme diz: Parabéns, campeão…quer postar seu curriculum agora? hahaha Eli diz: Sinceramente estou de férias e tentando relaxar, não vai dar pra debater se houver esse tipo de bile. Thaís diz: Guilherme, por favor Guilherme diz: Não foi pra ofender, kameraden… hahahaha Não sabia que era sensível assim.. Thaís diz: Não dá pra saber quando é ou não para ofender por msn, Guilherme. Eli diz: tenho horror a comunismo e sérias objeções ao pensamento de Marx, não vou aceitar você afirmar do alto do seu preconceito, de alguém que sequer me conhece, que sou comunista Guilherme diz: Seu amigo se ofende facilmente… Não disse que era comunista… Eli diz: esse tipo de estratégia são fogos de artifício desnecessários para um debate racional Guilherme diz: Mas que a informação que recebem sobre o III Reich passa por uma peneira… Eli diz: Ou teremos um debate racional, ou não teremos nada porque eu me simplesmente sairei. Guilherme diz: Prefiro a primeira opção Eli diz: Muito bem, então sigamos. Uma informação você já tem: eu não sou marxista, nem meus professores. Guilherme diz: Não pensei que fosse. Thaís diz: Eli, deu uma olhada novamente no perfil de Guilherme ? Eli diz: tive uns problemas com esse pc ruim da família, só consegui abrir o link agora estou vendo Thaís diz: havia algumas coisas relevantes que você destacou para mim quando viu…. talvez seja útil começar por aí… Eli diz: Muito bem, vou ignorar as afirmações de caráter moral. Me interessam as afirmações de caráter natural. No primeiro parágrafo, você diz: "o fim do orgulho racial" Gostaria de informá-lo que "orgulho racial" é um oxímoro porque não existem raças na espécie humana. Isso é uma informação puramente técnica. Guilherme diz: O conceito de raças na biologia não é muito claro. Eli diz: Raças são grupos de organismos de uma dada espécie que possuem uma similaridade genética entre si que difere do resto da espécie. Investiga-se objetivamente as raças hoje em dia Guilherme diz: E que tal organismos que seguiram uma trilha evolutiva diferente? Aptos a ambientes específicos? Eli diz: basta a diferença genética intergrupos ser maior que a intragrupos. Fazemos isso com base no que chamamos de "haplótipos" Grupos que compartilham "haplótipos" são chamados "haplogrupos" Haplótipos nada mais são que conjuntos de sequências específicas de nucleotídeos no DNA em regiões não codificadoras de genes Investigou-se, então, através de haplótipos, as similaridades e diferenças nas chamadas populações "aborígines" da espécie humana. Aborígine, aqui, define-se como uma população que esteve mais ou menos estável num mesmo ambiente por exemplo, os inuits são aborígines do norte do canadá. Alguma pergunta até aqui? Guilherme diz: Recentemente, pesquisadores comprovaram que os "Vedas" não foram escritos por arianos, através de pesquisas genéticas que indicam não haver presença de sangue indo-ariano ou indo-europeu no norte da Índia. Porque neste caso, a diferença genética foi válida? Para comprovar algo que atinge o orgulho ariano, principal alvo da esquerdalha… Eli diz: isso não é relevante estamos falando de raças aqui Guilherme diz: Se a diferença genética é tão pequena, não entendo como esta pesquisa foi possível. Eli diz: não me interessa quem escreveu os vedas ou o mahabharata existem haplótipos diagnósticos em alguns poucos grupos humanos, como os bascos, mais especificamente homens bascos tudo o que eu estou dizendo eu aprendi numa disciplina de graduação chamada "evolução humana" então, concluindo o raciocínio que iniciei como você já antecipou as diferenças genéticas entre as populações humanas não são suficientes para classificá-las como raças passo agora mesmo um artigo de um especialista na área, Alan Templeton. Guilherme diz: Não nego a existência de uma ciência engajada politicamente, servindo aos propósitos populistas e sionistas. Esta pesquisa, é só uma evidência disto. Quando o discurso é pró-igualitarismo, não há raças….entretanto, quando estão atuando em outra área de interesse (denegrir afirmaçoes do III Reich), tudo muda…. Eli diz: Você está criando uma teoria da conspiração. deixa eu esclarecer para você Se há um haplótipo que é exclusivo da população humana da alemanha e áustria Guilherme diz: É uma teoria…plausível para mim. Eli diz: ele não serve para designar uma raça Guilherme diz: Entendi. Mas concorda comigo que cada "raça" trilhou um caminho evolutivo diferente? E é apto a ambientes específicos? Eli diz: inclusive, ele pode estar presente em pessoas de aparência negra, oriental, etc. Porque os haplótipos usados como diagnóstico para as populações aborígines não são regiões gênicas. E existem mais de 60 genes que determinam a cor da pele. Portanto, não há um critério para pegar o DNA de alguém e dizer que o fenótipo dessa pessoa seria aprovado pela alemanha nazi-fascista como de um ariano. defina "caminho evolutivo" Guilherme diz: Entendo. Sei que existe um só gene que determina a cor da pele. Mesmo porque, as raças consideradas arianas não apresentam um só fototipo. Variam do 1 até o 3… Sabia que o nome Irã, foi escolhido para a Pérsia pelo ministro da economia do Reich? Irã significa "terra dos arianos"… Eli diz: Já disse que mais de 60 genes determinam a cor da pele. passo artigo agora mesmo se quiser publicado em periódico científico indexado Guilherme diz: Eu acredito… Só estou afirmando que, a cor da pele varia entre povos arianos, já que estes se espalharam pelo globo. Sendo assim, não há tanta importância a respeito da cor da pele, como imaginam. Eli diz: não nego que as diferenças existem. Existem os extremos. Mas não há barreira entre esses extremos. A genética humana é um continuum entre os grupos. A diferença intragrupos é maior que a diferença intergrupos. Guilherme diz: germânicos, alpinos, nórdicos, latinos, mediterrâneos, eslavos e até iranianos e cartagineses são arianos… Eli diz: Não era o que se pensava na época do "Reich" enfim sua frase sobre "orgulho racial" é portanto inócua pois raças não há não na nossa espécie segundo a definição estritatemente biológica, que é a que importa afinal, é a que investiga o mundo natural e não traça barreiras artificiais. Guilherme diz: Entendi o que quis dizer sobre as diferenças. Mas voltando ao "caminho evolutivo". Sabe-se que houve alguma pressão sobre as populações indo-europeias e indo-arianas que resultou na pele clara/morena. E que este mesmo padrão seria inviável na África. Eli diz: explico para você como surgiu a pele clara. Guilherme diz: Esta diferença não basta para uma classificação de "raças"? Eli diz: não porque, como eu disse, as fronteiras entre os extremos são indefinidas e isso não é por causa da miscigenação, veja bem. isso é algo presente naturalmente entre as populações aborígines então, quer saber como surgiu a pele clara? Guilherme diz: Já li teorias a respeito. Relacionadas ao metabolismo de vitamina D. Eli diz: já temos uma hipótese "campeã" na biologia sim a pele clara é determinada por alelos de proteínas como a tirogenase alelos surgem de mutações mutações são cegas ("aleatórias") Guilherme diz: Além desta, li sobre uma preferencia biológica pela pele clara. O que explica o porque da exaltação da mulher clara na Grécia, China, Japão e etc. Talvez isso esteja relacionado ao metabolismo de vitamina D durante a gravidez… Eli diz: pode ser, mas sabemos que o conceito de beleza tem também muito de cultural Guilherme diz: Sim, mutações são cegas. Entretanto, a natureza agiu sobre nossas populações no passado, gerando estas diferenças evolutivas entre as "raças". Eli diz: não sabemos quais são os comportamentos humanos determinados por genes alguns sim, mas não todos o que você entende por evolução? Guilherme diz: Não sabemos, exatamente…era onde eu queria chegar… http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2032/artigo105091-1.htm Já viu esta pesquisa? Eli diz: geralmente não confio no que o terra publica, já errou demais. mas vou ver Ah… Murray. Ele defende essa posição heterodoxa Guilherme diz: Enfim, é perfeitamente correto afirmar que cada raça é mais apta ao seu meio original, não concorda? Negróides são mais aptos à vida na África. Caucasianos, ao clima temperado…esta afirmação deveria bastar para justificar a segregação, não acha? Não confio no Terra também, mas gostei desta entrevista. Eli diz: mas ele tem vários problemas com ela: pesquisas do século XX tentando identificar diferenças de "inteligência" entre as "raças" foram refutadas. Ver Stephen Jay Gould – A falsa medida do homem. Guilherme diz: Há diferenças no intelecto mediano das diversas raças, e assim sendo, há alguma diferença considerável (e ainda desconhecida) na neuro-anatomia entre as raças. Eli diz: antes de mais nada, quero que você responda o que você entende por evolução. Você continua usando raças, e eu já mostrei por que elas não existem na nossa espécie. Na neuroanatomia, o que se sabe é que negros têm em média cérebro maior Guilherme diz: Não conheço outro termo que separa negros dos judeus, ciganos, caucasianos e etc. Por isso, continuarei a usar este termo durante a conversa Eli diz: mas a estrutura cerebral é a mesma nas várias populações aborígines então, o que é evolução e o que é adaptação para você? Guilherme diz: Algo que não compreendo: Pode existir áreas do cérebro relacionadas à socialização. Acredito que será possivel explicar porque tais povos possuem um senso de comunidade apagado, já que historicamente formaram tribos, pequenas sociedades ligadas por elos biológicos (famílias e agregados). Eli diz: 1) Artigo sobre o status das raças humanas segundo a moderna genética: http://api.ning.com/files/m6t4VIrvnzm*pRd08AkS8vl1oy7WqyiHcD2js6Vw*1DPdyla*RLdI8C36-v7OqBFXxZs3MkECu3oom5Qw0U1u5fMD*GUTts7/Templetonhumanraces.pdf Guilherme diz: Em contraste absoluto com os arianos, que aparentam apresentar uma "pré-disposição" ao auto-sacrifício, que o leva até as medidas mais extremas em prol da generalidade, formando assim, impérios, nações e estados. Trabalhando por gerações futuras… Além da melhor adaptação ao clima, nossa capacidade de formar sociedades mais complexas também é uma teoria crível. Eli diz: Senso de comunidade apagado? Não vejo isso. Todas as populações humanas, pelo que descrevem antropólogos como Claude Lévi-Strauss, são dotadas de culturas, e a estrutura das culturas se repete em todas: senso de liderança e governo, religião, música, língua, fabricação de artefatos. Isso é condizente com o que já falei: é grande a homogeneidade genética entre as populações humanas. Como não há diferença genética suficiente entre os ditos "arianos" e outras populações humanas, não há motivos para se afirmar que estejam pré-dispostos a qualquer coisa geneticamente, apenas culturalmente, pela informação acumulada ao longo de gerações da população aborígine. Guilherme diz: Negros e ameríndios, infelizmente inseridos no ocidente, apresentam dificuldade de enxergar todo o panorama da nossa sociedade complexa. O senso de unidade e comunidade inferior, os leva a ações que não servem ao propósito de um estado, mas de um grupo. Nós chamamos estas ações típicas de: Furto, assalto, roubo, tráfico e etc…a necessidade de formar gangues pode ser uma aproximação do estado… natural deles. Eli diz: me desculpe mas essa afirmação sua é completamente infundada não há evidências para corroborá-la. Guilherme diz: A estrutura se repete? Mas é o ariano que fornece todos os alicerces e pilares para a produção humana moderna… Ele é o único "fundador da cultura superior". Eli diz: todas as funções para as quais os negros se volutariaram até hoje eles fizeram nem mais brilhantemente nem mais burramente que qualquer outra pessoa Falso. A produção humana moderna é resultado da coalescência de várias fontes a fonte ariana é apenas uma delas Guilherme diz: Tudo o que amamos nesta terra, tudo que é admirável, é fruto de poucas raças….que em origem são uma só. Hitler já dizia isso. Eli diz: hoje, todas as etnias fazem ciência, por exemplo, e a China já está ultrapassando a qualidade de muitos países arianos por aí. Todas as ditas raças têm uma única origem, o leste africano, há aproximadamente 150 mil anos. A genética do comportamento humano, muito provavelmente não mudou muito de lá para cá. Guilherme diz: A China, o Japão e outros países amarelos não apresentam cultura típica na base de suas vidas. Todo o esqueleto de sua produção industrial, é ariana. A base da vida deles, é ariana. Eli diz: É fácil mudar cor da pele, estatura, formato de olhos, etc., coisas não muito importantes no corpo humano no decorrer de algumas dezenas de milhares de anos. Guilherme diz: A cultura deles foi reduzida a enfeite em celebrações ocasionais, e não mais governa a vida destes povos. Sem a influência ariana, não seria possível dizer qual seria o desenvolvimento dos amarelos. Eli diz: Mas para mudar a base genética do comportamento, muito mais tempo seria preciso. Porque os genes que afetam o comportamento, como o FOXP2, costumam gerar mais mutações deletérias que os outros. FALSO. Hitler discursando para a SS é um enfeite e uma celebração ocasional. Guilherme diz: O que é falso? Eli diz: Peço que reponda a minha pergunta: o que é evolução e adaptação para você? Falso você dizer que os orientais dependeram dos arianos Há cinco mil anos quando os arianos eram meros bárbaros a China tinha tecnologias avançadas tanto as de guerra, quanto as de arquitetura, até escrita, etc. etc. Guilherme diz: Evolução é resultado de melhorias hereditárias onde o mais apto deixa mais descendentes do que o menos apto… Eli diz: Pois você confirmou o que eu desconfiava. Sua definição de evolução é biologicamente ERRADA. Guilherme diz: E qual seria a verdadeira definição? Eli diz: Evolução é a MUDANÇA nas frequências dos genes, nas características das populações. Nada a ver com melhoria. Melhoria é um conceito ético/estético irrelevante à natureza. A evolução é a mudança que acontece geralmente em resposta à seleção natural, ou seja, em resposta à maior reprodução e sobrevivência de características quaisquer que sejam geneticamente determinadas. Se não acredita em mim, veja um artigo de um especialista, o evolucionista Stephen Jay Gould: http://evolucionismo.ning.com/profiles/blogs/o-dilema-de-darwin-a-odisseia Guilherme diz: Melhoria no sentido de adaptabilidade. Uma mutação mais apta irá prevalecer. Eli diz: adaptabilidade pode levar à extinção inclusive. Como extinção pode ser melhoria? Evolução não é melhoria, isso até Darwin sabia. Guilherme diz: O clareamento da pele, é uma melhoria para se viver no clima temperado, por exemplo. Eli diz: Mas não para se viver na África subsaariana! Guilherme diz: Jamais afirmei a superioridade física do ariano sobre a dos demais… nem mesmo intelectual. Murray fez isso. Hitler, não. Eli diz: Você disse "orgulho racial", isso já pressupõe afirmação de superioridade. E sua idéia de evolução, como eu mostrei, estava equivocada. Guilherme diz: Hitler não acreditava na superioridade intelectual ou física da raça ariana. Eli diz: Isso já derruba ao menos metade do que você diz no seu perfil. Guilherme diz: Você pressupôs. Não é o sentido que a frase tem. Eli diz: Ele não acreditou em 1945, quando ele determinou que a raça ariana era inferior aos eslavos, e deu ordens para que o que tinha sobrado de recursos na Alemanha fosse destruído pelo exército do Reich. Fonte: Alcir Lenharo. Guilherme diz: Não é uma fonte confiável. A URSS foi uma vergonha na guerra. Eli diz: Você respondeu a minha pergunta, definiu equivocadamente evolução. Não há como se justificar. Guilherme diz: Assim como a Polônia e outros países eslavos. Eli diz: Dizer que não é fonte confiável é falácia ad hoc. Recorre-se à falácia ad hoc para elaborar hipóteses acessórias para uma hipótese já refutada. o que se chama popularmente de "desculpa furada" Guilherme diz: Quer que eu poste sites que afirmam que a civilização chinesa foi construída por chineses mestiços com arianos? Vamos lá, um pouco de honestidade, camarada. Eli diz: Sites? Sites não são suficientes. Quero pesquisas com revisão em pares, artigos científicos. Caso não saiba, Alcir Lenharo é historiador, e confiável, é revisto por pares, e suas fontes são dadas. Guilherme diz: Não há documento que comprove esta ordem. Eli diz: Agora, quero comentar outro ponto da sua descrição. Isso pode ser resolvido mais tarde. Você fala em "raça pura". Como eu já mostrei que não há raça, isso já é um oxímoro, mas posso dar outros motivos para a noção de raça pura ser simplesmente absurda. Guilherme diz: Não há documento que comprove que germânicos são inferiores a eslavos….além disso, os dois povos são arianos e a Rússia apresenta o maior exército skinhead wp do mundo. Eli diz: nenhum povo é inferior a nenhum outro povo por critérios naturais. Enfim Como eu dizia, raça pura é um absurdo. Explico o porquê. Para se manter uma raça pura, deve-se começar com uma população pequena inicial. Guilherme diz: Leia Mein Kampf, e verá que Hitler concorda que não há superioridade física ou mental entre raças. Capítulo XI Eli diz: Isso significa que cruzamentos entre primos acontecerão. Não estou interessado em ler livros sagrados. Cruzamentos entre primos são popularmente desestimulados, porque a tradição observou que gera anomalias frequentes. isso tem uma razão genética. Como eu já informei, a mutação é cega, acontece sempre. Mutações se acumulam em todas as populações. Como nós temos duas cópias de cada cromossomo, carregamos, cada um de nós, um conjunto de alelos deletérios. Esses alelos deletérios não nos afetam, porque temos no outro cromossomo outra cópia do gene, um alelo normal, que faz o papel que o alelo deletério não está fazendo. Esse conjunto de genes deletérios que cada pessoa tem se chama carga genética. quando se inicia uma população com a intenção de fazer uma "raça pura", invariavelmente haverá cruzamento entre aparentados O cruzamento entre aparentados aumenta a chance de fazer com que esses alelos deletérios, herdados do ancestral comum, se fixem em dose dupla, e aí sim o estrago começa a ser feito. uma raça pura teria uma grande quantidade de alelos deletérios em dose dupla. Guilherme diz: Pureza racial = preservação das características típicas das raças. Além de restringir cada "raça" ao seu habitat natural, originário, onde são mais aptas. Eli diz: ISSO ACONTECE COM JUDEUS Judeus só se casam com judeus Guilherme diz: Nada contra os judeus….contra o z.o.g., já é outra história.. Eli diz: por isso entre eles é comum uma doença genética, que surge justamente quando um alelo deletério se manifesta em dose dupla o nome dessa doença é Tay-Sachs. Guilherme diz: Apoiamos a extrema direita judaica, assim como apoiamos movimentos negros como o NBPP Eli diz: Isso não acontece porque são judeus e são uma "raça" inferior, isso acontece porque os judeus tentam manter sua "raça" pura! Esse fenômeno, em que os alelos deletérios começam a fazer estrago porque aumentam os homozigotos na população, recebe também um nome: depressão endogâmica. O que pode mitigar a depressão endogâmica? MISCIGENAÇÃO. Por isso, a miscigenação é um BEM para a continuidade da espécie humana. Está aí, sem nenhuma apelação ideológica, razões puramente naturais para se deixar de ser nazista e se começar a ser mais liberal. Guilherme diz: Hhahahahahahahahhaha Os judeus estão muito bem com sua depressão endogâmica… Eli diz: agora estão porque investem em pesquisa e aconselhamento genético Guilherme diz: E a respeito das tribos africanas, ou japoneses? Sinto muito, mas não há uma ameaça na depressão endogâmica…não tão grande quanto a sociedade multicultural… Eli diz: terão depressão endogâmica quanto mais sectárias forem também. Guilherme diz: O dano causado pela aceitação social dos negros é facilmente observado… Eli diz: sinto muito, mas sem evidências e referências suas afirmações ideológicas não têm valor algum aqui. Guilherme diz: Sem evidências? Você não as quer enxergar… Eli diz: um teísta sempre me diz a mesma coisa sobre deus… mas sou ateu, fazer o que… adoro evidência. Guilherme diz: Há evidências, camarada… Eli diz: de deus, ou do seu dogmatismo nazista? Guilherme diz: Observe a produção cultural na Angola, e verá que é totalmente voltada ao sexo… Eli diz: isso é "evidência" anedótica, não tem valor. Leia "O mundo assombrado pelos demônios", de Carl Sagan. Guilherme diz: Observe que, o mundo pós- Martin Luther King Jr. (especialmente EUA), tem caído pelas ações afirmativas e veículos de aceitação social do negro em detrimento da cultura dos elementos civilizadores. O monopólio da mtv por cantores negros, é só um exemplo…a mtv pode ser uma merda, mas dita as regras para a juventude de hoje. E o que se vê nestas produções típicamente negras? Sexo, putaria, apologia ao crime e ganguismo… O mesmo acontece entre angolanos… Eli diz: Milton Nascimento não tem nada disso, é um músico excepcionalmente bom. ouvidas com atenção as letras das músicas dele são poemas muito bem engendrados com ótimas mensagens também, no nível de um Goethe eu diria. Guilherme diz: O efeito social é o distanciamento da juventude para com o elemento civilizador, com o ancestral fundador desta terra, e uma aproximação para com os povos derrotados e subjugados… Ele não escreve as próprias letras… Pelo menos, a maioria não é da autoria dele. Eli diz: escreveu muitas sim. Guilherme diz: Como disse, a maioria não é dele. Eli diz: prove. Guilherme diz: Pesquise você mesmo, mas se é fã dele, já deveria saber…. ele é considerado um "espírito musical", justamente porque adapta letras ao ritmo… Eli diz: quem precisa de Milton Nascimento quando tem um escritor do nível de Douglass? suas afirmações sobre os negros não se sustentam como mostrei nesse debate, não se sustentam também suas afirmações sobre raça e sobre evolução (que você nem soube definir corretamente) Se você se aferra às suas crenças, para mim não é diferente de um evangélico louvando Jesus. Guilherme diz: Mas sobre o que disse sobre a civilização chinesa em relação à ariana…não sabemos o motivo da civilização chinesa ser mais antiga do que a ariana, mas acredito que são fatores geográficos e o estabelecimento de uma vida sedentária antes do que o ariano. Agora, porque cabe ao ariano o título de "conquistador-mor"? Porque ele é o elemento civilizador e fornece todos os alicerces para a produção científica? Eli diz: vai começar a pregar? Guilherme diz: Para a produção artística? São indagações… Eli diz: Não se sustenta. Nada disso se sustenta. A China está produzindo ciência de alto nível. Guilherme diz: Claro que sim…quer citar um filósofo negro ou alguma pesquisa realizada utilizando somente a produção típica dos negroides? E onde está a base destas pesquisas? Eli diz: Cito filósofos chineses se quiser. Guilherme diz: Quem desenvolveu a química, física e biologia moderna? Orientais lideram as raças de segunda classe, justamente por isso. Eli diz: um conjunto de práticas culturais científicas que qualquer população humana é capaz de fazer. Guilherme diz: Volto logo… Eli diz: Não entendeu que não existem raças ainda? Isso aqui está parecido demais com meus debates com teístas. Seu dogmatismo nazista não difere do dogmatismo deles. Informo que vou me retirar do debate às 20h30min. Vou publicar o debate no meu blog e no orkut também. Guilherme diz: Não faça isso, kameraden… Eli diz: não creio que você possa pedir direitos reservados para uma conversa de msn Guilherme diz: Aff… Contanto que eu não tenha nenhum tipo de problemas legais… Eli diz: seu email não será informado. Apenas seu primeiro nome, o que não é problema. Guilherme diz: Use o nick, ora! Eli diz: existem muitos guilhermes no mundo Guilherme diz: Aff…foda-se, faça o que quiser… Eli diz: mas enfim, ainda sou todo ouvidos caso haja alguma tréplica. Thaís diz: Eli, fique mais tempo… 20:30… muito cedo.. Guilherme diz: Mas se acontecer alguma coisa, minha prinzessin vai me fazer o favor de me revelar seu endereço e aí a coisa vai ficar "preta"…tome cuidado com isso. Só uma última pergunta Eli diz: você está preparado para responder legalmente por essa ameaça? Guilherme diz: huahahahaha Eli diz: internet não é terra sem lei, não vou tolerar ameaças de um neonazista ignorante Guilherme diz: Que sugeira, heim? Eli diz: sujeira se escreve com j Guilherme diz: Então ficou ainda mais sujo agora… Eli diz: sério? de que forma? Guilherme diz: retiro a ameaça, mas faça o favor de tomar cuidado com essa merda. Quanto a minha última pergunta… Eli diz: continua sendo uma ameaça, senhor. Guilherme diz: Interprete como quiser…. Eli diz: na ausência total de argumentos e evidências, seu último recurso é a intimidação? Isso é deveras patético. Guilherme diz: Agora, é certo que o conceito de "raça" não é único nas áreas da biologia? Varia da botânica para a zoologia? Ou há uma regra clara para a classificação? Eli diz: É certo que a homogeneidade genética entre grupos humanos é muito maior do que em qualquer outra espécie em que se aplicou o conceito de raça. Guilherme diz: Fugiu da pergunda. Eli diz: é isso o que interessa. Isso é o que está no mundo natural. Guilherme diz: ??? Eli diz: E isso derruba suas idéias. Guilherme diz: ?????? Creio que não. Eli diz: Crer. Verbo bem apropriado. Guilherme diz: A classificação de raça que você usa, não é regra na biologia A biologia não tem uma regra clara sobre este conceito. Eli diz: é a regra na genética de populações. é a regra que interessa porque o que interessa é a hereditariedade e herança é assunto da genética. Guilherme diz: Entre as regras, porque não grupos de uma mesma espécie que apresentam caminhos evolutivos distintos, como negros, brancos e mogóis cel novamente.. Eli diz: e vou aceitar acaso o seu conceito de "caminho evolutivo", sendo que você sequer sabia o que era evolução? Guilherme diz: voltei Eli diz: Preciso ir. Meus argumentos já foram apresentados, de qualquer forma. Basta reler e procurar referência para o que não entendeu. Guilherme diz: Não aceite minhas palavras, mas as pesquisas que já leu sobre as "pressões" que resultaram no surgimento dos fototipos 1,2,3,4,5 e 6. Eli diz: referência científica, por favor. não sites de "supremacia branca" Guilherme diz: Você conhece a teoria campeã… Não preciso transcreve-la… Eli diz: Qual, a de cor da pele? Já disse, adaptações se referem a ambientes. somente uma crença religiosa suporia que a europa tem algo de fantasmagoricamente especial em relação à áfrica. Guilherme diz: E portanto, cada raça é mais apta ao seu ambiente original, sendo que negros são mais aptos na áfrica e brancos, na Europa, por exemplo. Eli diz: aptos em relação à quantidade de incidência de radiação solar, não ao continente em si. Continentes mudam de lugar. Não mudaram muito desde a origem da humanidade, entretanto. Guilherme diz: Camarada, não estou dizendo que mutações ocorreram e deixaram os brancos superiores aos negros. Só afirmo que a segregação racial preserva a identidade e até mesmo as adaptações naturais de cada raça para uma vida melhor em um ambiente específico… Eli diz: não preciso da identidade de genocidas. Guilherme diz: aff Está falando do "holoconto"? Melhor deixar isso para outro dia… Eli diz: Ah, então você é do clubinho do Ahmadinejad. Outro clubinho crédulo e dogmático. Guilherme diz: Não necessariamente… Eli diz: Sim necessariamente, basta visitar os museus para ver a quantidade de pessoas que morreram. Ou você acha que todo aquele cabelo lá em Auschwitz veio da barba dos soldados da SS? todas aquelas roupas foram feitas no tricô por Eva Braun? Revisionismo sobre o holocausto é credulidade está na categoria de Cientologia, Espiritismo, Comunismo. Guilherme diz: Sim, mas existem pesquisas que dizem que o número foi inferior a metade…foi comprovado que a sopa de judeu é uma invenção, assim como a cabeça de judeu encolhida, pele de judeu como ornamento em móveis e etc… Eli diz: Se fossem 10 já bastariam. Se fosse 1 já bastaria. Guilherme diz: Após estas pesquisas, judeus tentam proibir o revisionismo…talvez, estas descobertas sejam apenas a ponta do Iceberg… Eli diz: São mortes da responsabilidade de pessoas crédulas como você. Que não questionam as decisões dos superiores. Que acreditam piamente que raças existem. Guilherme diz: A criação dos campos de concentração não é um crime nazista. A moral muda…britânicos criaram os campos, britânicos fizeram pesquisas médica em crianças abandonadas…americanos-judeus fizeram pesquisas…enfim, tal crime não é uma exclusividade nazista. Judeus tentam ter o monopólio sobre o sofrimento… Eli diz: Todos são culpados por seus respectivos feitos. Isso não diminui a culpa da ideologia nazista. Guilherme diz: Aliás, os campos foram uma ótima decisão. Evitou uma revolta armada dentro das cidades… Eli diz: Ah claro… E Deus é um e três ao mesmo tempo. Guilherme diz: O que acha que aconteceria nos guetos destinados aos judeus e ciganos? Eli diz: Já estou de saída, e para você não dizer que estou fugindo, vou esperar uma última palavra sua antes de clicar em sair. Guilherme diz: Foi uma boa idéia envia-los aos campos… Eli diz: Apresse-se. Guilherme diz: Mas enfim….já que sabemos que a biologia não tem uma só regra para a classificação de raças, usamos este termo para segregar grupos humanos aptos a ambientes específicos, com taxa hormonal diferente, e etc…talvez, até diferenças neuro-anatamicas desconhecidas que explicam porque certos grupos humanos estavam presos a idade da pedra enquanto a europeus civilizavam meio mundo… Eli diz: Boa noite. Guilherme diz: Temos também uma teoria social, relacionada a necessidade de uma identidade racial, baseando-se em fatos…um exemplo, são as comunidades fechadas no Brasil… Que são as mais bem sucedidas… ***

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