1st of maio

Sobre a “falsa simetria”


Identitários odeiam argumentos como “se fosse branco/mulher/etc dizendo isso…” ou “queria ver se invertessem os papeis…” porque esse tipo de argumento apela para intuições universalistas: que todo mundo é igual, que o que vale para um também vale para outro. Essa igualdade eles detestam.

Tanto que criaram um dispositivo retórico que soa vagamente como um nome de uma falácia, sem estar em nenhum manual de falácias:* “falsa simetria”. São as duas palavrinhas mágicas para tentar convencer a si mesmo que é bonito tratar diferente as pessoas com base em superficialidades, dando carta branca ou completo veto a depender das diferenças nessas superficialidades (raça, sexo, orientação sexual, e agora até IMC).

Ou seja, as intuições universalistas (que herdamos de pensadores e não são tão naturais) dizem que um indivíduo é igual a outro onde importa, que é a racionalidade, que dá a capacidade de se responsabilizar por deveres. Entre ativistas, falar em dever é uma coisa muito impopular, pois ser ativista já é uma atitude que implica que a pessoa não espera resolver um problema sozinha ou juntar um grupo que arregace as mangas para resolvê-lo (na maioria das vezes): o que é mais comum, por ser muito mais barato, é abrir o berreiro e pedir pela intervenção de autoridades (especialmente as estatais).

Então, quem mais fala em igualdade costuma ser também quem mais detesta uma igualdade fundamental: a igualdade de direitos e deveres, sem favorecimento, sem facções, sem perseguições a grupos. E, também, quem mais fala em “empoderamento” é quem mais quer ser tratado como criança, sem responsabilidades nem deveres, por figuras de autoridade, especialmente o Estado. Mais parece uma autoinfantilização.


* Sobre manuais de falácias, não deixem de conferir este artigo do Matheus Silva mostrando que são propaganda enganosa.

24th of abril

A Vantagem Viral do Radicalismo


As ideias radicais se espalham mais e melhor pelo espaço de discussão pública. Suas versões mais moderadas com frequência não são nem mesmo conhecidas. Se isso for um fato, é uma limitação humana que deve ser levada em conta por todas as pessoas que se preocupam com a educação do público. Se estas não se interessarem, o conhecimento desse fato será abusado por aqueles mais interessados em usá-lo de forma consciente para fins mais questionáveis.

O que é radicalismo, e o que é moderação? Não parece ser o caso que sempre o primeiro é igual à irracionalidade, e sempre a última é indicativo de ter boas justificações. Mas há correlações aí. Radicais costumam ser irracionais, moderados costumam ter virtudes epistêmicas como o reconhecimento da própria falibilidade. A pessoa de postura radical não costuma querer ouvir nuances, detalhes, exceções às suas generalizações, mesmo se forem exceções reais, importantes e, no esquema maior das coisas, a maioria dos casos reais.

Vamos a um exemplo. Já fui vegetariano por cerca de um ano, e, antes, interrompi o consumo de carne vermelha por quatro anos. Ainda acho vegetarianismo correto, mas não pratico: não aspiro a ser santo e brinco que é o “meu catolicismo” (posso indicar bons argumentos para defender a indesejabilidade da santidade moral, mas, claro, não posso usar essa desculpa com frequência, e considero voltar a praticar). O vegetarianismo é uma posição moderada a se adotar quando se pensa que os animais merecem ser tratados como mais moralmente importantes que objetos inanimados. Já o veganismo é mais radical: alega que os usos de produtos de origem animal que o vegetariano faz são irremediavelmente imorais, ou no mínimo muito difíceis de serem moralmente neutros ou positivos. (Confira aqui meus argumentos contra o veganismo.) Mas, como em outros assuntos, é o veganismo, a versão radical, que tem vantagem nas redes, não o vegetarianismo, a versão moderada. Por quê?

1 – A Vantagem Computacional

As ideias radicais são mais prontamente simplificáveis em frases curtas e slogans, em suma, em propaganda. Assim, são mais prontamente compreensíveis por qualquer cérebro humano e mais facilmente armazenáveis em memórias humanas. Quando falamos em vantagem viral, a analogia às vezes é mais que analogia: não é à toa que os vírus são as entidades biológicas autorreplicantes mais simples que existem.

2 – O Insulto ao Senso Comum

Estamos em um momento histórico em que conhecimento é entendido como algo antagônico ao senso comum. No mínimo, como algo não disponível nele. Isso leva a uma visão pejorativa do senso comum que ignora que ele é o resultado de milhões de mentes mais e menos independentes trabalhando juntas por centenas, às vezes milhares de anos. Temos, então, ironicamente, um preconceito popular (ao menos popular entre elites) contra conhecimentos populares. Estou traduzindo o livro Denfendendo a Ciência — Dentro do Razoável, da filósofa Susan Haack, para ajudar a combater esse preconceito. O resultado deste preconceito é que, como o senso comum é visto como pura ignorância, ideias que o insultem de graça, mesmo se patentemente falsas, ganham já uma aura de respeitabilidade. E as ideias radicais insultam o senso comum.

3 – O Autoelogio dos “Especialistas”

Como acontece com adeptos de hipóteses conspiratórias que explicam tudo sem explicar nada, o adepto de ideias radicais se sente importante por saber uma coisa que poucas pessoas “sabem”. Isso se articula com o aspecto anterior de falta de respeito pelo senso comum. Não só o “povo ignaro” está errado por não ter pensado na ideia radical antes, como também está errado por não aceitar a ideia radical agora (não ocorre ao radical que talvez o senso comum possa dar base para argumentos e evidências da experiência bons o suficiente para rejeitá-la). O radical se vê, autoelogiosamente, como um especialista, um guardião de um setor do conhecimento humano. Isso culmina numa vantagem viral, pois ideias que são uma forma indireta de fazer autoelogio sempre serão mais populares que ideias que são neutras ou detrimentais para a autoavaliação moral de seus defensores.

***

Com frequência, ideias radicais são radicalmente implausíveis. E por isso mesmo têm vantagens de espalhamento entre muitas mentes, como os vírus entre muitos organismos. A Vantagem Viral do Radicalismo pode ser observada em qualquer assunto. Tomemos o espectro de ideias pró-liberdade na política, por exemplo. Hoje é mais provável que brasileiros saibam quem é um ativista anarcocapitalista com problemas psiquiátricos do que quem foi Friedrich Hayek, ou, no mínimo, que leiam mais do primeiro do que do segundo.

Claro, o que se chama erroneamente de moderação pode se revelar complacência e covardia intelectual. O que se chama erroneamente de radicalismo pode se revelar a virtude da resiliência em defender uma verdade rejeitada por muitos (os próprios radicais insistirão nessa interpretação do próprio radicalismo). Com frequência, ideias verdadeiras, porém inconvenientes e impopulares, são dispensadas como radicais por pessoas que não têm argumentos para rebatê-las, ou que teriam algo a perder caso fossem disseminadas; e a defesa de ideias falsas, porém populares, é tratada como virtuosa, moderada e desejável.

Mesmo assim, a vantagem viral do radicalismo continua sendo um fenômeno digno de atenção, independente dessas qualificações.

12th of março

Ativismo como Antiterapia: Como a lacração afeta a saúde mental dos lacradores


20 Minutinhos
Ativismo como Antiterapia: Como a lacração afeta a saúde mental dos lacradores
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Fonte discutida: Knapp, Paulo. Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Artmed Editora, 2009.

Textos indicados:

23rd of fevereiro

Livro, Um Delívrio


Com o perdão do trocadilho, vim comentar o que vejo há muito tempo e considero um preconceito popular. Vou batizar de falácia felipenetiana. É a noção de que quantidade de leitura significa qualidade de leitura. Vemos a falácia felipenetiana também implícita nos vários youtubers que fazem vídeos na frente de uma estante lotada. (Não que eu seja contra, é bonito mesmo.)

Ler muito pode ser ruim. Mais importante que ler muito é ler com diversidade. Ler muito não é problema se é para distração com romances, ou com sequências de fatos pouco consequentes, ou seja, se é sua versão de passar horas vendo séries ou vídeos, que você não finge que é necessariamente melhor que outras formas de distração. O problema é a insinuação da falácia felipenetiana que ler muito é ler melhor, ou que vai te tornar uma pessoa mais inteligente e autônoma no pensamento.

Com frequência, quando eu critico um autor, um de seus fãs alega que eu tenho que ler ou a obra inteira, ou um livro inteiro antes de criticar. Minha resposta é que isso não é necessário, se eu sigo um método de amostragem representativa no que ele escreveu.

Além disso, sou preguiçoso, confesso. Não leio Dune por isso, apesar de achar o universo de Frank Hebert bem interessante. Por causa da preguiça uso esse método de amostragem, que tem o benefício de ter validação científica. Na ficção, só Harry Potter e Dostoievsky eu li vorazmente. Ler de capa a capa é perfeccionismo bobo. Então, leia só uma parte, mas não só a parte do começo. Para se permitir fazer isso você precisa perder esse preconceito perfeccionista bobo de ler do ISBN até o “impresso em papel Bíblia por Gráfica Fulana”.

Claro que, assim como no uso da amostra dentro da ciência, sua opinião vai depender da qualidade da sua amostra. Três páginas iniciais vai geralmente ser uma amostra viciada do resto. Daí a sugestão de introduzir um elemento aleatório. E aumentar a amostra também. Até que ponto? Depende, claro. Mas 10% é suficiente para qualquer livro, talvez até demais se é uma ficção que não está te ganhando. Outra dica para melhorar a amostragem é olhar citações célebres do autor ou da obra. Se você concordar com os fãs que aquilo é realmente bom, é um sinal de que talvez valha a pena aumentar a amostra, ou, se assim quiser, finalmente ler tudo. Só não entre nessa onda generalizada de desonestidade sobre o quanto se lê. Todo mundo sabe que é mentira.

Se eu acho que leio menos do que eu deveria ler? Sim, eu acho. Não conheço pessoa racional e interessada em conhecimento que não se flagele com isso. Moral da história, mesmo assim: não sou vaca para consumir quilos e quilos de celulose todo dia.

9th of dezembro

Transexualidade: um papo embasado


20 Minutinhos
Transexualidade: um papo embasado







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Aprenda o que mais importa sobre transexualidade num papo com Ágata Cahill e Matheus Stonoga. Músicas de Matheus Souza Celius.

28th of outubro

FADIG-19: Não há problema em se cansar de falar do vírus e querer tocar a vida


Cansaram do coronga? Não aguentam mais falar em Covid? Pararam de acompanhar os números? Normal. Adam Smith comenta que uma pessoa pode lamentar a morte de milhões e dormir tranquila, mas, se for perder um dedinho amanhã, não dorme hoje. Não é algo a se lamentar sobre as pessoas: é uma limitação a se entender.

Quem não entende isso é quem esposa utopias como sistemas a serem implantados, e ataca “capitalismo” (liberdade econômica) sem entendê-lo. Seres humanos são limitados em preocupações e têm seus interesses em primeiro lugar. Que estejam livres pra praticar seu “egoísmo” é algo bom.

Daí a outra passagem famosa de Adam Smith: não é da boa vontade do padeiro que obtemos o pão. Ele segue o interesse de obter um lucro em cima de transformar farinha em pão. Você segue o seu objetivo de dar parte do que você tem para poder comer o pão. Ganho mútuo, motivações “egoístas”.

A liberdade de poder perseguir interesses “egoístas”, dando em mútuo ganho para quem se envolve nessas trocas, é o que faz uma sociedade produtiva e próspera. O que não a faz produtiva é próspera, em contraste, é ralhar com o padeiro que ele é um suposto monstro por não pagar certo valor mínimo arbitrário para seu assistente de forno.

Quem gosta de gente entende que gente é bicho limitado, que é normal que prefira o próprio filho a uma criança aleatória, que se preocupe mais com própria fome do que com o sofrimento das vacas. Quem quer que mais pessoas tenham uma boa vida quer mais liberdade, não mais interferência.

Não é surpresa, portanto, que, quanto mais uma cabeça se ocupa de utopias e sermões morais, por pensar que é ungida e tem a fórmula mágica do mundo melhor, mais esta cabeça é misantropa. Dos socialistas aos veganos. Observem quantos veganos dizem que gente é parasita do mundo.

Ora, é justamente entre os moralistas, que se ocupam profissionalmente de pensar tudo o que fazemos de errado por botar nossos interesses em primeiro lugar, e entre adeptos de utopias, que faz sucesso o antinatalismo de David Benatar: que seria errado trazer mais pessoas ao mundo.

Não é para dizer que moralistas e utópicos estão sempre errados: seus argumentos às vezes fazem sentido. Mas têm uma incompreensão fundamental da natureza humana, que vêem como infinitamente maleável e capaz de altruísmos artificiais como “posse coletiva dos meios de produção”.

Por que os progressistas identitários querem cancelar Steven Pinker? Aí está a resposta. Pinker, apesar de progressista, é um dos principais críticos da opinião de que seres humanos são uma folha em branco, uma tábula rasa, infinitamente moldável à imagem e semelhança do progressismo.

E não tem coisa que utópicos que não acreditam em limitação humana odeiem mais que ouvir de cientista que o ser humano tem limitações e não há problema nisso.

Então, relaxe: você não é uma pessoa pior porque parou de acompanhar notícias da COVID-19 há semanas ou meses. Ponha a máscara ao sair, passe o álcool gel, e cuide do seu jardim. Assim, o que você fará de bom no mundo será um subproduto do que você faz por si mesmo (seu vizinho verá o jardim e se alegrará — clientes e colegas desfrutarão do fruto do seu trabalho).

Não cobre de si mesmo a tarefa impossível de sofrer junto com multidões ou formular o próximo plano infalível do mundo melhor. Deixe os planos infalíveis para os seres infalíveis.

2nd of setembro

A História Profunda do Sexo


20 Minutinhos
A História Profunda do Sexo







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Um resumo do que se propõe em biologia sobre a origem das espécies sexuadas e diferenças esperadas entre sexos.

6th of agosto

Apertem os cintos, os lacradores vêm aí


20 Minutinhos
Apertem os cintos, os lacradores vêm aí







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Previsão negativa para o arrefecimento da ideologia da “justiça social crítica” no Brasil, com base no que anda acontecendo no mundo anglófono.

Livro de Ficção Científica lançado: O Quarto Mistério. Leia uma amostra grátis na Amazon: https://amz.onl/0glGPnl

Dissertação de mestrado de Shaun Cammack sobre o caso Evergreen: https://shauncammack19352070.files.wordpress.com/2020/08/final-the-evergreen-affair-shaun-cammack.pdf

3rd of abril

Práticas carreiristas de acadêmicos para inflar a própria importância


– Ciência salame: a pessoa “picota” vários estágios do que, num mundo mais honesto, seria um estudo só, e publica como vários estudos separados para obter mais citações. Número de citações contam para emprego.

– Trenzinho da alegria de autoria de artigos: a pessoa vira co-autora do artigo só por ser membro de algum laboratório ou grupo de pesquisa, mesmo sem ter feito nada pra contribuir pro artigo. É a forma desonesta do favorzinho, do “eu coço suas costas e você coça as minhas”. O favorzinho infla citações dos envolvidos.

– Trenzinho da alegria de citações: “eu cito você e você me cita”. O que não tem nada a ver com a qualidade dos trabalhos citados. É um pouco diferente porque é menos cara de pau, já que não se incluem mutuamente como autores nos artigos, só se citam como favor.

– Citação-sequestro: “ah, você está precisando do meu equipamento no seu experimento? Oh mas que peninha. Só vai usar se me incluir como autor no seu artigo depois.”-

– Citação-sequestro do revisor: para publicar artigos em revistas acadêmicas, é preciso passar pela chamada revisão por pares. Outros especialistas olham o artigo e dão um parecer por aceitar imediatamente, rejeitar imediatamente, ou aceitar contanto que o autor faça algumas correções ou inclusões. O último caso é oportunidade perfeita para revisores predatórios: só publicam o artigo se você citar o que eles querem, que “coincidentemente” inclui eles próprios ou os amigos deles.

Os pesquisadores que não fazem isso geralmente têm um tema ou um método que querem avançar, e chamam por colaboradores de forma diferente, pra realmente contribuir. Algumas revistas, pra coibir isso, listam o que cada pessoa fez no artigo.

Então, quando algum burocrata vem comemorar o número de citações de autores brasileiros na literatura científica, ou o número de artigos publicados, eu não me empolgo, não. Grande parte disso é ciência salame e trenzinho da alegria. Pesquisadores chineses fazem muito isso também.

A versão mais corrupta disso, como comentei numa live, é quando os favores ficam generalizados numa área porque as pessoas começam a fazê-los por afinidade política. A área vira um conjunto de “pesquisadores” que não compartilham curiosidade por um tema: compartilham uma fé.

Como disse na live: comunidade de crença é a coisa mais velha da humanidade. Porque acreditam juntos numa coisa, isso não significa que têm razão. Porque dão um verniz acadêmico às crenças deles, não significa que são diferentes de uma igreja qualquer. Citam uns aos outros para fazer afagos ideológicos entre si, não por progresso cognitivo.

8th of março

Esopo e a Esquerda Acadêmica


Primeiro, (parte d)a esquerda acadêmica criou o pós-modernismo, anunciando que perdeu a fé em objetividade, imparcialidade e neutralidade dos seres cognoscentes e nas peças epistemológicas que criam. Depois, partiu para cumprir essa profecia, destruindo essas coisas no que toca.

Comemoraram quando o New York Times publicou editorial anunciando que tinha lado político nas eleições (que tinha todo mundo sabia, mas o anúncio era oficialização do abandono da aspiração à imparcialidade). Fecham as portas dos acadêmicos que tenham evidências contrárias às suas teses. Fazem birra infantil quando qualquer opinião que não gostam encontra alguma liberdade de ser expressada, em qualquer espaço, partindo inclusive à violência, e deturpando pensadores da liberdade como Karl Popper para dar aparência de justificação à própria intolerância violenta.

Há muita sabedoria nas antigas fábulas e contos da carochinha. Várias atitudes dessa esquerda são descritas nessas histórias para crianças, especialmente as clássicas de Esopo.

O conto do menino que gritou “olha o lobo” é perfeito para descrever o pânico da opressão em todo lugar que olham. Já gritaram tanto “olha a opressão” que não é só a vila o seu alvo: gritam uns para os outros: “seu feminismo não é bom o suficiente porque não é um feminismo negro”, “homens gays têm privilégios acima de mulheres nesta sociedade patriarcal”.

Outro conto perfeito pra descrever a esquerda acadêmica é o da Raposa e as Uvas, que tem tudo a ver com a profecia autocumprida da objetividade impossível. Conta Esopo que, incapaz de alcançar as uvas deliciosas, a Raposa declarou que não as queria mesmo, pois estavam verdes. Como a esquerda acadêmica falhou em dar essas marcas de probidade epistêmica a várias de suas crenças: falhou o marxismo, falhou e continua falhando a ação afirmativa, etc.; ela declarou que essas marcas não podem ser atingidas por mais ninguém. Daí a condenação/ceticismo pirrônico contra a objetividade, a imparcialidade e a neutralidade de conhecedores e conhecimentos.