20th of September

A beleza é uma construção social ou temos bases biológicas para achar alguém bonito? Resposta a pergunta de leitor


Comece por partir o que você quer dizer com “beleza”. Atratividade facial e de corpos é algo que tem influência clara da biologia. Através das culturas as pessoas valorizam essas coisas de acordo com suas orientações sexuais e de acordo com os sinais de dimorfismo sexual da face e do corpo. Mulheres mais atraentes têm rostos delicados e uma razão entre cintura e quadril próxima de 0.7.* Homens mais atraentes têm rostos mais másculos e uma certa razão entre ombros e quadril (aquela história de “ombros largos”). Além, é claro, de outros sinais dimórficos claros como timbre da voz.**

Também vemos beleza em objetos e paisagens. O biólogo E. O. Wilson especula que a preferência estética por certo tipo de paisagem montanhosa com sinais de água disponível, que ele chama de “biofilia”, foi moldada pela seleção natural.*** Isso é difícil de confirmar. Mas dificilmente existe preferência ou comportamento com zero de herdabilidade, com nenhuma participação dos genes. Eles formam a arquitetura do nosso cérebro e a base sobre a qual as culturas trabalham. Na verdade, a descoberta de que não há comportamento sem influência dos genes, mesmo que pequena, é uma das maiores descobertas replicadas várias vezes na genética do comportamento.****

Muita gente gosta de apontar quadros antigos com pessoas gordas como prova de que a estética dos corpos é completamente contingente à cultura. Também estatuetas do Neolítico como a Vênus de Düsseldorf. Mas é perfeitamente possível que genes também interfiram de acordo com as condições ambientais em que tipo de corpo é considerado atraente. Até em bactérias alguns genes (especialmente em estruturas chamadas “operons”) mudam sua expressão em resposta a estímulos ambientais.

Não há um determinismo genético no sentido de um gene para cada preferência. Comportamentos nunca são influenciados por um único gene. Mas também não há determinismos culturais dessas coisas. Culturas não existem num vácuo divino acima da nossa natureza animal. Nós somos geneticamente programados para a cultura e culturalmente moldados na nossa biologia. Existe a natureza humana.

_____

* Referências:

Cunningham, Michael R., et al. “Their ideas of beauty are, on the whole, the same as ours”: Consistency and variability in the cross-cultural perception of female physical attractiveness.” Journal of Personality and Social Psychology 68.2 (1995): 261.

Singh, Devendra. “Adaptive significance of female physical attractiveness: role of waist-to-hip ratio.” Journal of personality and social psychology 65.2 (1993): 293.

** Referências:

Hughes, Susan M., and Gordon G. Gallup. “Sex differences in morphological predictors of sexual behavior: Shoulder to hip and waist to hip ratios.” Evolution and Human Behavior 24.3 (2003): 173-178.

Hughes, Susan M., Franco Dispenza, and Gordon G. Gallup. “Ratings of voice attractiveness predict sexual behavior and body configuration.” Evolution and Human Behavior 25.5 (2004): 295-304.

*** Wilson, Edward O. Biophilia. Harvard University Press, 1984.

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Leia também:

16th of February

Além do exercício e da dieta: estudo com 300 mil pessoas revela bases genéticas da obesidade


Há muitas razões pelas quais as pessoas ganham quantidades diferentes de peso e a gordura se acumula em partes diferentes do corpo. Pesquisadores conduziram recentemente o maior estudo da variação genética até o momento para encontrar as razões genéticas. Suas descobertas foram publicadas em 12 de fevereiro de 2015 em artigos conjuntos — estudos de associação ao longo de todo o genoma [GWAS] — na revista Nature.

Ao analisar amostras genéticas de mais de 300 mil indivíduos para estudar a obesidade e a distribuição de gordura corporal, os pesquisadores do Consórcio Internacional de Investigação de Características Antropométricas (GIANT) completaram o maior estudo da variação genética até hoje e encontraram mais de 140 locais ao longo do genoma que têm algum papel em várias características da obesidade.

Ao aplicar novos métodos computacionais aos resultados genéticos, descobriram novas vias metabólicas que são importantes no controle do peso corporal e da distribuição de gordura.

Esse trabalho é o primeiro passo na direção de encontrar genes individuais que desempenham papéis-chave na forma e tamanho corporais. As proteínas que esses genes ajudam a produzir poderiam se tornar alvos para desenvolvimento de medicamentos no futuro. Atualmente, não existem tratamentos seguros de longo prazo para lidar com a epidemia global de obesidade.

Razão cintura-quadril importante para avaliar risco de saúde

Um dos artigos focou-se nos locais onde a gordura é estocada no corpo, um fator determinante de risco de saúde. Uma das medidas observáveis associada a localizações genéticas foi a razão de circunferência entre cintura e quadril. Pessoas com linhas de cintura maiores que circunferências do quadril têm mais gordura na barriga estocada em torno de seus órgãos abdominais. Isso as faz mais propensas a terem problemas metabólicos, como diabetes tipo 2, e problemas cardiovasculares em comparação a pessoas com gordura mais localizada na área do quadril ou distribuída igualmente pelo corpo.

“Precisamos saber dessas localizações genéticas porque depósitos diferentes de gordura levam a riscos de saúde diferentes”, disse Karen Mohlke, professora de genética da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte e uma autora sênior do artigo que examinou a razão cintura-quadril de distribuição de gordura.

“Se pudermos descobrir quais genes influenciam onde a gordura é depositada, poderia nos ajudar a entender a biologia que leva a vários problemas de saúde, tais como resistência à insulina/diabetes, síndrome metabólica e doença cardíaca”, disse ela.

As localizações genéticas associadas a depósitos de gordura estão também associadas a genes previamente identificados como importantes para a criação de tecido adiposo. Os pesquisadores também determinaram que 19 das localizações genéticas de distribuição adiposa tinham um efeito mais forte em mulheres; e uma tinha um efeito mais forte em homens.

“Pela descoberta de variantes genéticas que desempenham papeis importante em influenciar a distribuição de gordura corporal e os modos pelos quais a distribuição de gordura difere entre homens e mulheres, esperamos focalizar os processos biológicos subjacentes fundamentais que são cruciais”, disse a autora sênior Cecilia Lindgren, acadêmica residente do Broad Institute de Harvard e do MIT e uma professora associada da Universidade de Oxford.

No segundo artigo da Nature, que se focou no índice de massa corporal (IMC), os pesquisadores identificaram 97 regiões ao longo de todo o genoma que influenciam na obesidade, uma descoberta que triplicou o número de regiões conhecidas anteriormente.

“Nosso trabalho mostra claramente que a predisposição à obesidade e a IMC alto não é devida apenas a um único gene ou mudança genética”, disse a autora sênior Elizabeth Speliotes, professora assistente de medicina computacional e bioinformática no Sistema de Saúde da Universidade de Michigan.

“O grande número de genes torna improvável que uma solução de perda de peso funcione para todo mundo e abre as portas para a possibilidade de usarmos pistas genéticas para ajudar a derrotar a obesidade”, disse ela.

Além disso, os pesquisadores descobriram que as localizações genéticas associadas ao IMC eram provavelmente envolvidas em processos neurais, especificamente a sinalização por neurotransmissores que controlam o apetite e o uso de energia.

“Usando novos métodos computacionais nós apontamos para novas vias biológicas que agem no cérebro para regular a obesidade em geral e também para um conjunto diferente de vias relacionadas à distribuição de gordura que controlam processos metabólicos importantes”, disse o autor sênior Joel Hirschhorn, professor de pediatria de HMS Concordia, professor de genética HMS no Hospital das Crianças de Boston e co-diretor do Programa de Metabolismo do Broad Institute.

Quando entendidos melhor, esses mecanismos podem ajudar a explicar por que nem todos daqueles que são obesos desenvolvem doenças metabólicas relacionadas tais como diabetes e colesterol alto, e poderiam levar a caminhos possíveis para tratar a obesidade ou prevenir doenças metabólicas naqueles que já são obesos.

Os pesquisadores notam que enquanto alguns genes envolvidos na obesidade poderiam já ter sido implicados em outros aspectos da saúde humana, outros poderiam ser parte de novas vias que ainda não são compreendidas. Um melhor entendimento de suas funções relacionadas à gordura corporal e à obesidade pode fornecer uma imagem melhor dos papeis que esses genes desempenham numa variedade de doenças.

“Encontrar os genes que aumentam o risco de obesidade é apenas o fim do começo”, disse a autora sênior Ruth Loos, professora de medicina preventiva do Hospital Monte Sinai e diretora do Programa de Genética da Obesidade e Características Metabólicas Relacionadas no Instituto Charles R. Bronfam pela Medicina Personalizada.

“Um desafio maior agora é aprender sobre a função dessas variações genéticas e como elas de fato aumentam a susceptibilidade das pessoas a ganhar peso”, disse Loos. “Esse vai ser o passo seguinte crítico, que vai demandar contribuição de cientistas com uma ampla variedade de especialidades, antes que nossas novas descobertas possam ser usadas com alvo na prevenção da obesidade e estratégias de tratamento”.

O apoio financeiro à colaboração inernacional foi fornecido em parte pelos National Institutes of Health e pelo Wellcome Trust.

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Adaptado de uma news release multi-institucional. Traduzido de Harvard Medical School News.

14th of February

Orientação sexual masculina é influenciada por genes, mostra estudo


Fonte: The Guardian. Tradução comentada de Eli Vieira.
Genes examinados no estudo não são suficientes ou necessários para fazer homens serem gays, mas desempenham algum papel na sexualidade, dizem pesquisadores americanos
Um estudo sobre homens gays nos EUA encontrou novas
evidências de que a orientação sexual masculina é influenciada por genes. Os
cientistas testaram o DNA de 400 homens gays e descobriram que genes em ao
menos dois cromossomos influenciavam se um homem era gay ou hétero.
Uma região do cromossomo X chamada Xq28 [q é o
braço longo do cromossomo] teve algum impacto sobre o comportamento sexual dos
homens – embora os cientistas não tenham ideia de quais genes na região estão
envolvidos, nem de quantos outros estão em outras regiões do genoma.
Outro trecho de DNA no cromossomo 8 também mostrou
ter um papel na orientação sexual masculina – embora, novamente, o mecanismo
preciso ainda não seja claro.
Pesquisadores especularam no passado que genes
ligados à homossexualidade em homens podem ter sobrevivido na evolução porque
por acaso faziam as mulheres que os portassem mais férteis. Esse pode ser o
caso para os genes na região Xq28, pois o cromossomo X é passado aos homens
exclusivamente por suas mães.
Michael Bailey, um
psicólogo da Northwestern University em Illinois, demonstrou as descobertas na
reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência em Chicago
nesta quinta-feira. “O estudo mostra que há genes envolvidos na orientação
sexual masculina,” disse ele. O trabalho ainda não foi publicado, mas confirma
os achados de um estudo menor que despertou polêmica em 1993, quando Dean
Hamer, um cientista do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, investigou as
árvores genealógicas de mais de 100 homens gays e descobriu que a
homossexualidade tende a ser herdada. Mais de 10% dos irmãos de homens gays
eram também gays, comparados a cerca de 3% da população em geral. Também tios e
primos homens do lado da mãe tinham uma probabilidade maior que a média de
serem gays.
A associação ao lado materno da família levou Hamer
a investigar mais de perto o cromossomo X. No trabalho seguinte, ele descobriu
que 33 de 40 irmãos gays herdaram marcadores genéticos similares na região Xq28
do cromossomo X, sugerindo que genes cruciais residiam ali.
Hamer enfrentou uma tempestade quando seu estudo
foi publicado. A polêmica se deu em torno das influências de natureza e cultura
[nature/nurture] sobre a orientação sexual. Mas o trabalho também despertou
expectativas mais dúbias sobre um teste pré-natal para a orientação sexual. O
[tabloide sensacionalista] Daily Mail deu como manchete “Aborto é esperança
depois de ‘descobertas de genes gays’”. Hamer alertou que qualquer tentativa de
desenvolver um teste para a homossexualidade seria “errada, antiética e um
terrível abuso da pesquisa”.
O gene ou genes na região Xq28 que influenciam a
orientação sexual têm um impacto limitado e variável. Nem todos os homens gays
no estudo de Bailey herndaram a mesma região Xq28. Os genes não eram nem suficientes
nem necessários para tornar qualquer desses homens gays.
O pensamento falho por trás de um teste genético
para a orientação sexual é claro do ponto de vista dos estudos com gêmeos, que
mostram que o gêmeo idêntico de um homem gay, que carrega uma réplica exata do
DNA de seu irmão, tem mais chance de ser hétero do que gay. Isso significa
que mesmo um teste genético perfeito que escolhesse todos os genes associados à
orientação sexual seria ainda menos efetivo que jogar uma moeda.
[Eu não teria tanta certeza disso – o geneticista
Caio Cerqueira e outros colegas meus, por exemplo, desenvolveram um cálculo de propensão
de ter certo tom de pele em humanos modernos e neandertais baseado nos vários
genes que influenciam a cor da pele (ver http://lihs.org.br/caio
), que é uma característica complexa e multifatorial também. E o teste é
considerado melhor que apenas jogar uma moeda. O caso é que usar o teste para
propósitos racistas seria tão errado quanto usar um possível teste de propensão
à homossexualidade para propósitos homofóbicos ou eugenistas.]
Enquanto os genes de fato contribuem para a
orientação sexual, outros fatores múltiplos desempenham um papel maior, talvez
incluindo os níveis de hormônios aos quais um bebê é exposto dentro do útero. “A
orientação sexual não tem nada a ver com escolha”, disse Bailey. “Encontramos
evidências para dois conjuntos [de genes] que afetam se um homem é gay ou
hétero. Mas não é completamente determinante; há certamente outros fatores
ambientais envolvidos.”
No ano passado, antes que os últimos resultados
fossem divulgados, um dos colegas de Bailey, Alan Sanders, disse que as
descobertas não poderiam e não deveriam ser usadas para desenvolver um teste
para orientação sexual.
“Quando as pessoas dizem
que há um gene gay, é uma simplificação exagerada,” disse Sanders. “Há mais de
um gene, e a genética não é a história completa. Com o que quer que seja que os
genes contribuem para a orientação sexual, você pode pensar nisso como
contribuindo tanto para a heterossexualidade quanto para a homossexualidade.
[Os genes] contribuem para uma variação na característica.”
Qazi Rahman, um psicólogo
no King’s College London, disse que os resultados são valiosos para entender
melhor a biologia da orientação sexual. “Isso não é controverso nem
surpreendente, e nada com que as pessoas devessem se preocupar. Todas as
características psicológicas humanas são herdáveis, isto é, têm um componente
genético”, disse. “Os fatores genéticos explicam de 30 a 40% da variação entre
as orientações sexuais das pessoas. Entretanto, não sabemos se esses fatores
genéticos estão localizados no genoma. Então precisamos de estudos que ‘acham
genes’, como este de Sanders, Bailey e outros, para ter uma ideia melhhor de
onde os genes em potencial para a orientação sexual podem estar.”
Rahman rejeitou a ideia de que a pesquisa genética
pudesse ser usada para discriminar pessoas com base em sua orientação sexual. “Não
vejo como a genética poderia contribuir mais para a perseguição, a
discriminação e estigmatização de lésbicas, gays, bissexuais e pessoas
transgênero mais do que explicações sociais, sociais ou de que seria
comportamento aprendido. Historicamente, a perseguição e o tratamento horrendo
de grupos LGBT aconteceu porque políticos, líderes religiosos e sociedades viam
a orientação sexual como uma ‘escolha’ ou como algo devido à criação
inadequada.”
Steven Rose, da Open University, disse: “O que me preocupa
não é a que grau, se a algum, nossa constituição genética, epigenética ou
neural e o desenvolvimento afetam nossas preferências sexuais, mas o enorme
pânico moral e a pauta religiosa e política que cerca a questão.”
13th of January

Observações sobre a genética do comportamento – entrevista completa a’O Diário


Publicaram ontem n’O Diário, de Maringá, uma entrevista minha sobre genética do comportamento, que pode ser lida aqui. O risco desse tipo de entrevista é que, no processo de edição, muitas vezes se perdem informações que o entrevistado considera importantes. Por isso, peço licença à Ana Verzola e seu editor, autores das perguntas, para publicar as respostas completas aqui. Fiquei contente com a qualidade da edição, mas não estaria fazendo meu trabalho bem se eu não reclamasse do subtítulo e do resumo que escolheram.
Ao contrário do sugerido, eu não garanto que “a maior influência vem [sempre] do ambiente”, nem que conhecimento nunca vem do DNA.
Eu não posso garantir que “a maior influência vem do ambiente” porque isso depende do fenótipo comportamental sob análise. Para uns comportamentos pode ser verdade, mas para outros não será. Eu não acho, por exemplo, que os fatores ambientais sejam preponderantes na determinação do choro dos bebês, afinal, podemos dizer que a esmagadora maioria dos bebês humanos chora, independentemente da cultura em que estão. Se o ambiente é preponderante (e posso estar errado quando a achar que não é), só poderia ser então um ambiente tão compartilhado pelos bebês quanto sua intimidade genética.
Minha objeção ao subtítulo é que eu afirmei que conhecimento não vem do DNA no contexto específico de uma resposta sobre conhecimento político. Mesmo que a grande maioria do que se chama de conhecimento tenha conteúdo puramente cultural (informação aprendida), existem alguns conhecimentos que são a priori, e entre esses pode haver alguns que vêm, sim, ao menos em parte “do DNA”. Enfim, esses são os preciosismos que eu não conseguiria dormir sem elaborar. A entrevista completa está abaixo.
***

OD: O que caracteriza a genética do comportamento?

EV: A genética do comportamento pode ser vista como uma aplicação da genética de características multifatoriais ou complexas a um assunto específico que é o comportamento. Definir comportamento pode ser um pouco anti-intuitivo para alguns, porque o que profissionais da área consideram comportamentos nem sempre é o que se vê popularmente como tal. O choro de um bebê, por exemplo, é considerado um comportamento. Também o ato de sucção no peito da mãe na hora da amamentação. Muitos movimentos musculares podem ser comportamentos, mas não se pode sinonimizar comportamentos a movimentos musculares sempre: reflexos como o da rótula, quando um médico bate um martelinho no joelho do paciente, raramente são vistos como comportamentos.

OD: A genética do comportamento é, em termos, um assunto bastante recente. O que as pesquisas já avançaram nessa área?

EV: Não sou especialista, apenas trabalhei com genes associados ao comportamento humano no mestrado. Mas pelas minhas leituras, creio que a atual maior contribuição dos geneticistas do comportamento é ao debate conceitual sobre as origens do comportamento humano. Juntaram evidências suficientes de que na maior parte dos assuntos comportamentais, genética não pode ser ignorada. Nós não somos tábulas rasas, folhas em branco sobre as quais o ambiente e a cultura escrevem, mas também não somos autômatos escravos da determinação genética – não se encontram facilmente comportamentos, ao menos fenótipos típicos dignos do nome, em que tudo é determinado por um único gene. O que parece estar mais próximo da verdade é que uma rede de genes atua em cada comportamento, cada um com um efeito de pequeno a moderado sobre propensões comportamentais. Assim como um bolo é mais que a soma de seus ingredientes, porque precisa do ambiente de um forno para crescer, os comportamentos não devem ser vistos como um resultado inevitável de uma receita genética. Para dar um exemplo específico, foram encontradas algumas variantes da enzima monoamina oxidase A (MAO-A) associadas a comportamento anti-social, porém, as evidências sugerem que muitas pessoas só manifestam essa propensão genética num ambiente abusivo. Isso também pode ser verdade para alelos que predisponham pessoas à psicopatia.

OD: Muito se fala de fatores hereditários no campo de psicopatologias que podem influenciar no comportamento das gerações futuras. Isso realmente pode se confirmar?

EV: O transtorno psiquiátrico com o maior valor de herdabilidade (uma medida da participação dos genes na herança de uma característica) já encontrado é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Isso significa que se você tem TDAH, a chance de o transtorno aparecer nos seus filhos é maior do que se você tiver um outro transtorno psiquiátrico qualquer. Não é uma sentença: é uma probabilidade. Saber desse tipo de coisa é importante porque te deixa informado sobre que tipo de educação deve dar a seus filhos, e não puni-los por coisas que podem não estar sob o controle consciente deles. 

OD: No caso da dependência do álcool ou drogas mais pesadas, há uma chance maior de que os descendentes de usuários estejam mais sujeitos a desenvolver esses vícios?

EV: Há um grupo de pesquisa em genética psiquiátrica na UFRGS dedicado a estudar a genética da drogadição. A maior parte da pesquisa desenvolvida ali, e creio que no resto do mundo, está passando de um estágio inicial de procurar por “genes candidatos” cujas variantes poderiam hipoteticamente estar associadas ao alcoolismo ou tabagismo, para um próximo estágio em que variações no genoma completo e nos genes que interagem com os genes candidatos são levadas em consideração. Alguns resultados positivos mostram um papel do sistema cerebral de sinapses baseadas em dopamina, o que é bem interessante, pois é um neurotransmissor que atua no dito “mecanismo de recompensa” cerebral, importante na sensação de prazer. Se um indivíduo é dotado de variantes que o fazem propenso a se viciar a certa substância, novamente este comportamento se manifestar nos seus descendentes dependerá do contato e da cultura que há ao redor dessa substância. É preciso lembrar que você herda 50% dos genes do pai, e 50% da mãe. Somente na herança de características de padrão de herança mendeliano dominante todos os filhos apresentam a característica de um dos pais, e esse tipo de característica é muito rara, geralmente patológica, e virtualmente a totalidade dos comportamentos não seguem padrões mendelianos de herança (dependentes de relações de dominância e recessividade entre dois alelos de um gene).

OD: O que o meio cultural vivenciado pode desencadear no indivíduo? Se retiramos uma pessoa de determinado ambiente ainda criança, é possível resgatá-la de um meio prejudicial – no caso de famílias violentas, negligência materna, entre outros fatores – ou em algum momento da vida ela poderá reproduzir aquele comportamento?

EV: Como descoberto para o caso do gene da MAO-A, certas propensões só se manifestam diante de gatilhos ambientais, então no caso de uma criança portadora de alelos associados à propensão à agressividade, o ambiente familiar faz toda a diferença. A cultura nos influencia profundamente. Há experimentos comparando, por exemplo, americanos do norte e do sul, mostrando diferenças até fisiológicas na resposta a ser insultado ou desafiado, por exemplo, que são respostas rápidas, inconscientes, e de fundo predominantemente cultural. Há uma obra famosa da literatura britânica, de Charles Dickens, que conta a história de um menino chamado Oliver Twist, um órfão que, apesar de crescer num ambiente social decrépito, desenvolve virtudes notáveis. Não se pode atribuir o sucesso de Oliver à sua genética, ou apenas a ela. Indivíduos podem decidir usar de violência como protesto, por exemplo, por viver numa situação de desigualdade social. Genes são recursos, e não mestres, do comportamento, especialmente o não-patológico (e definitivamente não se deve patologizar toda forma de violência).

OD: Uma pesquisa feita na Universidade de Louisiana envolvendo 742 voluntários que foram submetidos por cinco meses a um programa de exercícios mostrou que algumas pessoas tiveram uma melhora no condicionamento físico em até 40% a mais que os outros participantes – nenhuma das pessoas envolvidas no estudo praticava regularmente atividade física. Esse desempenho tem relação com a genética do comportamento?

EV: Não necessariamente. Isso pode ter mais a ver com variantes genéticas relacionadas ao metabolismo. As pessoas variam quanto à capacidade de ganhar massa muscular, massa adiposa, quanto ao uso de calorias. Num ambiente de carestia, quem tem metabolismo lento e queima poucas calorias por dia tem clara vantagem sobre quem tem um perfil mais atlético e ativo. Numa situação de opulência, os primeiros têm mais chances de obesidade que os últimos. Essa variação pode ser meramente de genética do metabolismo. No entanto, certos comportamentos, como o comportamento de comer mais ou menos, ceder mais ou menos à tentação dos sabores calóricos, também podem influenciar. Há poucos estudos sobre esses comportamentos na genética, mas é possível afirmar que alguns casos de obesidade são altamente influenciados pelas variantes genéticas associadas aos comportamentos em torno dos hábitos de comer.

OD: Alguns representantes religiosos – como Silas Malafaia e Feliciano – abusaram em seus discursos de justificativas “genéticas”, como você mesmo rebateu no vídeo e em uma entrevista. Malafaia disse que não há correlação da homossexualidade com o gene e Feliciano, por outro lado, disse que a violência era ainda ligada ao “gene africano”. Há uma predisposição genética para o comportamento preconceituoso?

EV: Boa pergunta! Vou aproveitar a oportunidade de demonstrar humildade científica e dizer que eu não sei, mas gostaria muito de saber. Às vezes, um comportamento é complicado demais para se delimitar numa análise de associação a variantes genéticas, então ele é quebrado em partes chamadas “endofenótipos”, que seriam mais sujeitos à influência genética. Uma revisão dos cientistas Peter Hatemi e Rose McDermott, de 2012, sugere que há alguns endofenótipos em comportamentos políticos que podem estar sob moderada influência genética. O endofenótipo mais influenciado geneticamente, cuja variação pode ser 60% da responsabilidade de genes, chamaram de “conhecimento político / sofisticação”. Se esses dois pastores tiveram azar na loteria genética relacionada a isso, nada impede que estudem um pouco mais tanto sobre política quanto sobre genética para deixar de dizer bobagem em público. Afinal, se a curiosidade por conhecimento político tem algo de genético, o conhecimento político em si é feito de livros e não de DNA.

OD: Durante as manifestações que tomaram as ruas do Brasil no ano passado, pequenos grupos tiveram comportamentos antissociais praticando atos de vandalismo, violência, entre outras ações prejudiciais à comunidade mas defendidas do ponto de vista ideológico daqueles participantes. A razão pelo qual essas pessoas agiram dessa forma era motivada somente por um impulso dito político?

EV: Na mesma revisão de Hatemi e McDermott, apontam como moderadamente influenciado pelos genes o comportamento político de “atitudes autoritárias”. Porém, apontam como muito pouco influenciado pelos genes o comportamento de “senso de dever cívico”, portanto o último é possivelmente mais moldável pela educação. Talvez se o senso de dever cívico fosse algo mais presente na formação dos policiais que as atitudes militaristas de lidar com “inimigos”, não teríamos observado aquele show de horrores. O mesmo vale para a menos importante violência dos ditos “vândalos”. Não se deve botar a culpa na genética pelo autoritarismo, pois para uma pessoa propensa a defender autoritarismo manifestar isso é preciso também o ingrediente da ignorância. Sou a favor de uma polícia desmilitarizada e menos ignorante – em ambos os sentidos que se costuma usar de ignorante (bruto e desinformado).

OD: Em uma sociedade ainda regida pelo patriarcado, além de algo enraizado e implícito na nossa cultura, existe alguma outra explicação para uma postura machista e de superioridade perante as mulheres?

EV: Homens e mulheres cis (ou seja, que se identificam com o gênero com o qual são rotulados ao nascer, ao contrário de homens e mulheres trans, e pessoas que não se sentem contempladas nessa dicotomia) têm algumas diferenças comportamentais, especialmente quanto à propensão à violência física. Mas não acredito em botar a culpa na testosterona e seus receptores e fatores de transcrição associados pelo machismo. O machismo não é uma sentença genética, é um sexismo que nasce da ignorância e da falta de reflexão ética sobre a humanidade compartilhada pelas pessoas independentemente de suas identidades de gênero. Como no caso citado acima sobre atitudes autoritárias, se houve propensão genética a certas atitudes e “endofenótipos” frequentemente associados ao machismo, isso não significa que outros comportamentos que atuem como remédio não possam ser estimulados pela cultura e pela educação.

OD: Como a genética do comportamento explica a predisposição de algumas pessoas em praticar, por exemplo, esportes radicais?

EV: As pessoas podem variar quanto a (1) alelos que influenciem na resposta ao ácido lático – mais dor ou menos dor após exercícios intensos – neste caso pode ser que a influência sobre o comportamento seja indireta, que a base genética seja puramente associada ao metabolismo, e esse metabolismo aja como um ‘condicionador’ sobre a resposta de prazer ou dor ao exercício; (2) alelos relacionados à resposta prazerosa ou desprazerosa a situações de perigo e descargas de adrenalina e noradrenalina. O papel da noradrenalina no sistema de recompensa cerebral (prazer) já foi indicado por evidências e há até sugestões de que esse sistema seja usado no tratamento de vícios químicos. Eu não diria que “praticar esportes radicais” seja algo com influência particularmente predominante dos genes (basta pensar em quantas inovações culturais foram necessárias para este hábito aparecer), mas pode conter “endofenótipos” mais claramente influenciados por genes.

OD: Algumas pesquisas mostram que praticantes de esportes radicais se expõe a um determinado risco pois a sensação da recompensa supera o medo. Isso é um fator genético ou está associado ao meio?

EV: Os métodos da genética do comportamento são populacionais. É muito difícil hoje em dia tomar casos individuais e atribuir a uma coisa ou outra. Meu palpite é que a melhor hipótese sempre será um balanço entre as duas coisas. Até porque as duas coisas (genes e ambiente) não são dois pólos opostos, mas dois rótulos simplificadores para a complexidade da realidade. O ambiente de um feto pode ser a genética da mãe. Hoje sabemos que nossa genética como populações e espécie foi mudada pela pressão seletiva de hábitos alimentares como o consumo de leite e amido. Crianças são geneticamente propensas ao aprendizado (especialmente da língua) e ao ensinamento da cultura logo nos primeiros anos de vida. Somos seres biologicamente moldados para a cultura e culturalmente moldados em nossa biologia.

OD: Que tipos de comportamento estão associados a fatores genéticos? O ditado filho de peixe peixinho é pode ser traduzido para filho de chato chatinho é?

EV: É difícil encontrar um comportamento que se possa dizer que é completamente isento de influência genética. O celibato poderia ser um deles, por razões óbvias. Mas eu poderia dizer que as pessoas variam, hipoteticamente, quanto à sua propensão genética de resistir à tentação de fazer sexo, então um celibatário de sucesso poderia estar negando uma contribuição genética que está ali. Quanto a ser “chato”, não me parece nem um pouco claro o conceito do que é ser “chato”: a chatice de um é a diversão de outro.

OD: A genética, de forma geral, tem evoluído muito, atingindo um nível de conhecimento até pouco impensável? Até onde a genética pode chegar?

EV: Não é possível mais uma única mente humana abrigar hoje o volume de conhecimento já produzido pela genética. Dificilmente o que já foi produzido em genética do comportamento, que só tende a crescer conforme as técnicas de associação a variantes moleculares e de “peneiragem” dos fenótipos e endofenótipos vão evoluindo. A genética, como toda ciência madura, é um edifício construído e mantido coletivamente. E por ser um empreendimento de humanos que pode ser sobre humanos, não pode estar ausente de discussões sobre ética. Os limites tecnológicos e os limites éticos decidirão onde a genética pode chegar. Porque “poder” tem dois sentidos: ser capaz de fazer, e ser capaz de arcar com as consequências em fazer.
11th of March

Agradecimentos à Sociedade Brasileira de Genética


Meus mais veementes agradecimentos à Sociedade Brasileira de Genética por se posicionar ao lado do pensamento crítico e científico, e ao lado da igualdade, coisa na qual a comunidade científica pode ser um exemplo por sua crescente receptividade a pesquisadores de todos os fenótipos e bases culturais.
Já passou o tempo do medo da eugenia e do determinismo genético, em que interesses escusos de preconceituosos e anti-humanistas poderiam sequestrar a voz da ciência e usar seu nome por causas que eram, em seu cerne, não apenas eticamente equivocadas, mas factualmente enganosas.
Estamos num tempo em que cientistas podem unir-se a filósofos, juristas, líderes de crenças e todos os que trabalham intelectualmente com rigor para a defesa da humanidade – toda ela, e não apenas parcelas, não apenas quem se encaixar nas médias estatísticas das curvas gaussianas. 
Nossos olhos, parafraseando Carl Sagan, estão voltados para as estrelas e o futuro, onde gerações que não mais lembrarão nossos nomes olharão de volta para um Pálido Ponto Azul, seu berço planetário, certamente gratos por todos aqueles que se levantaram contra as ideias segregacionistas que, muitas vezes vilipendiando o nome da família, falando em nome da família, tentaram separar a família humana.
Esta família começou há mais de 200 mil anos, na África, o que faz de todos nós afrodescendentes. Se podemos todos sentir saudades quando olhamos para a magnífica África, devemos em grande parte este conhecimento à genética.
Nesta era genômica nós geneticistas entramos no mundo das macromoléculas guardiãs dos segredos da vida com o mesmo deslumbramento de Alfred Russel Wallace na Amazônia e Charles Darwin na Mata Atlântica. Wallace se preocupava com justiça social. Darwin se preocupava com a abolição da escravidão. A SBG mostra que ressoa o legado desses e outros grandes das ciências biológicas tanto ao defender a curiosidade pela diversidade humana e suas bases genéticas e ambientais quanto por ecoar seu grito de esperança por justiça.
Hoje me sinto grato, orgulhoso e esperançoso por ser biólogo, geneticista e brasileiro.
Agradeço a esses geneticistas de talento pelas rápidas assinaturas na carta que virou manifesto oficial da SBG:

Francisco Mauro Salzano – UFRGS;
Rosana Tidon – UnB;
Lavinia Schüler Faccini – UFRGS;
Nilda Diniz – UnB;
Ana Letícia Kolicheski – University of Missouri;
Renato Zamora Flores – UFRGS;
Nelson Fagundes – UFRGS;
Maria Cátira Bortolini – UFRGS;
Claiton Henrique Dotto Bau – UFRGS;
Vanessa Rodrigues Paixão Côrtes – UFRGS;
Silviene Oliveira – UnB;
Vanina D. Heuser – Turku University;
Ligia Tchaicka – Universidade Estadual do Maranhão;
Andrea Marrero – UFSC;
Eliana Dessen – IB-USP;
Melissa Camassola – Universidade Luterana do Brasil;
Kátia Kvitko – UFRGS;
Charbel Niño El-Hani – UFBA;
Elise Giacomoni – UFRGS;
Carlos Menck – USP

Veja: Manifesto da Sociedade Brasileira de Genética sobre bases genéticas da orientação sexual

22nd of February

Resposta às declarações obscurantistas de Silas Malafaia sobre genética da homossexualidade


Homossexualidade é “comportamento e não genética”? E a Genética do Comportamento?

[CC-eng] Eli Vieira, Brazilian PhD student in genetics at the University of Cambridge, UK, refutes the allegations made by Silas Malafaia, millionaire evangelical preacher, about the origins of homosexuality.

==Referências==

Capítulo de Manual de Genética do Comportamento dedicado à Homossexualidade, citando mais de 50 referências científicas:

Dawood, Khytam, J. Michael Bailey, and Nicholas G. Martin. “Genetic and environmental influences on sexual orientation.” Handbook of behavior genetics (2009): 269-279. PDF: http://is.gd/Kbt2md

Artigos:

Bailey, Nathan W., and Marlene Zuk. “Same-sex Sexual Behavior and Evolution.” Trends in Ecology & Evolution 24, no. 8 (August 1, 2009): 439–446. doi:10.1016/j.tree.2009.03.014. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19539396

Savic, Ivanka, and Per Lindström. “PET and MRI show differences in cerebral asymmetry and functional connectivity between homo-and heterosexual subjects.” Proceedings of the National Academy of Sciences 105, no. 27 (2008): 9403-9408. http://www.pnas.org/content/early/2008/06/13/0801566105.abstract

Kerr, Warwick Estevam, and Newton Freire-Maia. “Probable inbreeding effect on male homosexuality.” Rev. Brasil. Genet 6 (1983): 177-180. PDF:  http://web2.sbg.org.br/gmb/edicoesanteriores/v06n1/pdf/a12v06n1.pdf

Bocklandt, Sven, and Eric Vilain. “Sex Differences in Brain and Behavior: Hormones Versus Genes.” Advances in Genetics 59 (2007): 245–266. doi:10.1016/S0065-2660(07)59009-7. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17888801

Burri, Andrea, Lynn Cherkas, Timothy Spector, and Qazi Rahman. “Genetic and Environmental Influences on Female Sexual Orientation, Childhood Gender Typicality and Adult Gender Identity.” PLoS ONE 6, no. 7 (July 7, 2011): e21982. doi:10.1371/journal.pone.0021982. http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0021982

Lübke, Katrin, Sylvia Schablitzky, and Bettina M. Pause. “Male Sexual Orientation Affects Sensitivity to Androstenone.” Chemosensory Perception 2, no. 3 (September 1, 2009): 154–160. doi:10.1007/s12078-009-9047-3. http://link.springer.com/content/pdf/10.1007/s12078-009-9047-3

Liu, Yan, Yunxia Si, Ji-Young Kim, Zhou-Feng Chen, and Yi Rao. “Molecular regulation of sexual preference revealed by genetic studies of 5-HT in the brains of male mice.” Nature 472, no. 7341 (2011): 95-99. http://www.nature.com/nature/journal/v472/n7341/full/nature09822.html

== Repercussão deste vídeo ==

1) http://www.bulevoador.com.br/2013/02/resposta-de-geneticista-a-silas-malafaia/
2) http://www.bulevoador.com.br/2013/02/comentarios-a-algumas-repercussoes-do-video-resposta-de-eli-vieira-ao-pastor-silas-malafaia/
3) http://www.bulevoador.com.br/2013/02/jurista-responde-a-silas-malafaia-maria-berenice-dias/

== Sobre a questão ética ==

1) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200760585403341
2) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200841179138134
3) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200847108126355

== A Primeira Resposta de Malafaia a este vídeo: recheada de falácias ==

http://www.enfu.com.br/mentiras-de-silas-malafaia/

== Sobre a segunda resposta de Malafaia em vídeo: ataques pessoais de quem não sabe o que é debate ==

Resposta de Izzy Nobre: http://www.youtube.com/watch?v=iOe-eVuJdco

Minhas respostas:

1) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200836920671675
2) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200836417139087
3) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200836432339467
4) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200836796428569
5) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200837198718626
6) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200840650444917
7) https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200840816969080

== A ambição política de Malafaia de juntar seu grupo de fé em torno de um “grupo inimigo” ==

http://ateiadebomhumor.ligahumanista.org/2013/02/a-cortina-de-fumaca-de-silas-malafaia.html

== Desfecho ==

Recusei a maior parte dos convites para entrevistas e espero a repercussão na Sociedade Brasileira de Genética:
https://www.facebook.com/elivieira/posts/10200841315621546