17th of May

Conselhos a LGBT no dia de combate à homofobia #LoveIsLove


Hoje é Dia Internacional de Combate à Homofobia. Eis os meus comentários como um gay que atacou essa questão com ciência e argumento.

– Nós já conquistamos o que era legalmente relevante. Eu lamento pelos métodos: ativismo judiciário em vez de decisão de representantes democráticos, como fez a Argentina. Lamento porque o potencial desses métodos é deixar a homofobia inercial da cultura supurar e fermentar, levando muitos a querer revanche.

– Há muita homofobia (que eu chamei de inercial porque penso que está refreando) na cultura brasileira, mas isso é largamente um resultado da escolaridade baixa e mal aplicada educação. Há uma correlação entre nível educacional e abandono da homofobia. Portanto, os LGBT deveriam estar mais interessados em propor reformas à educação do que em reclamar da última celebridade que disse “viado” (se é que sobrou alguma, dado o sucesso da mordaça politicamente correta). Eu não acho que a solução para a educação no Brasil é enfiar mais dinheiro nela, ao menos não sem um plano detalhado de como será aplicado. Se for simplesmente enfiar dinheiro, é um buraco negro de dinheiro que continuará devolvendo pouco.

– A insistência de criminalizar o que chamam de “discurso de ódio” tem mais potencial de aumentar a hostilidade aos LGBT e ativistas da questão do que de ajudar a resolver o problema. “Discurso de ódio” é um termo mal definido, as pessoas têm uma tendência a quererem expandir conceitos (especialmente os mal definidos) para calarem a boca de seus desafetos. Como é um fato que os cidadãos tendem a errar a favor do autoritarismo e da censura, a margem de erro das autoridades deve favorecer a liberdade, contra a maré da população. Eu testemunhei o erro de boa parte ou de uma maioria de ativistas ao tentarem calar a boca de Silas Malafaia e Levy Fidélix, fazendo malabarismo interpretativo para transformar o que disseram em incitação à violência (limite justo e legal da expressão), por pura conveniência, para calar a boca de dois desafetos. Isso é uma mancha na história do ativismo LGBT brasileiro, deve ser visto como tal por qualquer pessoa defensora de direitos humanos, dos quais a liberdade da expressão é um dos mais importantes, se não o mais importante (como saberemos se o direito à vida foi violado, por exemplo, sem termos liberdade de comunicar o fato?). Meu conselho aqui é de desistir da criminalização do “discurso de ódio” contra LGBT, até porque isso não faz absolutamente nada para mostrar erradas as idéias veiculadas por esse tal “discurso de ódio”, é apenas uma tentativa de varrê-las para debaixo do tapete. O problema de idéias perniciosas varridas para debaixo do tapete é que o ambiente sob o tapete é escurinho, úmido e quente, ou seja, propício para seu fortalecimento e proliferação.

– Despolitizem e despartidarizem a questão LGBT. Cada gay de direita que aparece é um sinal de progresso, não uma trombeta do Apocalipse. Parem de pensar que a esquerda é reduto obrigatório de LGBT, a esquerda não foi justa conosco, e as conquistas sob o último governo foram todas resultado de ativismo judiciário, não de “vontade política” (essa quimera) de líderes das tribos políticas que os ativistas mais amam.

– Você, jovem LGBT, não se deixe tribalizar por ser LGBT. Não ache que você faz parte de uma “cultura” especial por ser LGBT. As pessoas ainda devem ser julgadas por seu caráter, e se é para ser membro de grupos, que seja em função de interesses e idéias em comum, não em função de acidentes de nascença. Os grupos identitários só vão te ensinar a se ver como vítima e atrasar o seu desenvolvimento como pessoa.

– Rejeite “teoria queer” e alegações de “construção social” da sexualidade onde quer que as encontrar, são tão pseudocientíficas e desinteressadas do conhecimento quanto a homeopatia.

#LoveIsLove

(Arte: cálice romano retratando sexo gay, atualmente no Museu Britânico, conhecido como “Warren Cup”. Foto por Ashley Van Heaften.)