20th of September

A beleza é uma construção social ou temos bases biológicas para achar alguém bonito? Resposta a pergunta de leitor


Comece por partir o que você quer dizer com “beleza”. Atratividade facial e de corpos é algo que tem influência clara da biologia. Através das culturas as pessoas valorizam essas coisas de acordo com suas orientações sexuais e de acordo com os sinais de dimorfismo sexual da face e do corpo. Mulheres mais atraentes têm rostos delicados e uma razão entre cintura e quadril próxima de 0.7.* Homens mais atraentes têm rostos mais másculos e uma certa razão entre ombros e quadril (aquela história de “ombros largos”). Além, é claro, de outros sinais dimórficos claros como timbre da voz.**

Também vemos beleza em objetos e paisagens. O biólogo E. O. Wilson especula que a preferência estética por certo tipo de paisagem montanhosa com sinais de água disponível, que ele chama de “biofilia”, foi moldada pela seleção natural.*** Isso é difícil de confirmar. Mas dificilmente existe preferência ou comportamento com zero de herdabilidade, com nenhuma participação dos genes. Eles formam a arquitetura do nosso cérebro e a base sobre a qual as culturas trabalham. Na verdade, a descoberta de que não há comportamento sem influência dos genes, mesmo que pequena, é uma das maiores descobertas replicadas várias vezes na genética do comportamento.****

Muita gente gosta de apontar quadros antigos com pessoas gordas como prova de que a estética dos corpos é completamente contingente à cultura. Também estatuetas do Neolítico como a Vênus de Düsseldorf. Mas é perfeitamente possível que genes também interfiram de acordo com as condições ambientais em que tipo de corpo é considerado atraente. Até em bactérias alguns genes (especialmente em estruturas chamadas “operons”) mudam sua expressão em resposta a estímulos ambientais.

Não há um determinismo genético no sentido de um gene para cada preferência. Comportamentos nunca são influenciados por um único gene. Mas também não há determinismos culturais dessas coisas. Culturas não existem num vácuo divino acima da nossa natureza animal. Nós somos geneticamente programados para a cultura e culturalmente moldados na nossa biologia. Existe a natureza humana.

_____

* Referências:

Cunningham, Michael R., et al. “Their ideas of beauty are, on the whole, the same as ours”: Consistency and variability in the cross-cultural perception of female physical attractiveness.” Journal of Personality and Social Psychology 68.2 (1995): 261.

Singh, Devendra. “Adaptive significance of female physical attractiveness: role of waist-to-hip ratio.” Journal of personality and social psychology 65.2 (1993): 293.

** Referências:

Hughes, Susan M., and Gordon G. Gallup. “Sex differences in morphological predictors of sexual behavior: Shoulder to hip and waist to hip ratios.” Evolution and Human Behavior 24.3 (2003): 173-178.

Hughes, Susan M., Franco Dispenza, and Gordon G. Gallup. “Ratings of voice attractiveness predict sexual behavior and body configuration.” Evolution and Human Behavior 25.5 (2004): 295-304.

*** Wilson, Edward O. Biophilia. Harvard University Press, 1984.

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Leia também:

  • Uma série de estudos de Ecologia Comportamental mostram que a preferência por determinados traços físicos varia conforme o ambiente — o que não nega a predisposição genética, mas mostra que nosso hardware é preparado para variar ecologicamente mesmo.

    Tem estudos recentes mostrando que mulheres jamaicanas preferem homens com traços mais másculos, em relação à preferência das mulheres inglesas, que preferem os baby face.

    Essa variação parece ter relação com a prevalência de patógenos na região. Regiões com mais risco de contaminação acabam gerando preferências por traços mais ligados à boa saúde e à boa imunidade. E nesse sentido os indicativos de testosterona são um ótimo sinal. Como esse hormônio tem efeito imunossupressor, ostentar traços secundários moldadas pelos níveis desse hormônio acaba também manda sinais de um bom sistema imunológico, resistente a doenças.

    • José

      Eita! Interessante!

    • Marcelo Gaio

      Bem o que eu sempre imaginei mesmo. A beleza está muito na saúde.

  • José

    Gostei do texto, porém tive dificuldade para interpretar a seguinte frase: “Nós somos geneticamente programados para a cultura e culturalmente moldados na nossa biologia.”. Pode elucidar?

    Obrigado.

    • Diego Saraiva Felipe

      (Pelo que entendi, e que o Eli me corrija caso seja um erro…)
      Nós temos em nossa genética componentes biológicos que nos fizeram criar sociedades e culturas e estas, por sua vez, sempre tiveram de se adaptar à nossa biologia, no fim das contas. Um fator (genética) crescendo, mudando, moldando e gerando o outro (cultura) que, por sua vez, afeta, reduz ou expande e, por fim, canaliza nossa biologia…

      • José

        Obrigado, Diego. Era bem isso mesmo…

    • Oi José, o que eu quis dizer com “geneticamente programados para a cultura” é que nós, diferementemente de todos os outros primatas vivos mais aparentados, manifestamos o comportamento de ensinar muito cedo na vida, por volta dos 3 ou 4 anos. O fato de crianças tão pequenas já manifestarem capacidade de ensinar, além de aprender, é uma evidência de que nossa estrutura fundamental é preparada para a cultura complexa. Pois não há motivos para acreditar que esses comportamentos pró-cultura são 100% cultura, afinal chimpanzés não conseguem agir da mesma forma apesar de serem bem parecidos conosco. Eu digo que somos culturalmente moldados na nossa biologia porque há evidências de que o consumo de leite e amido mudou nossa biologia, selecionou certos alelos. Com base também em pesquisas de cientistas como a Suzana Herculano-Houzel, que mostra que para nosso cérebro ter evoluído para ser tão grande foi necessário que já estivesse presente o hábito cultural de produzir fogo. Por isso, a cultura moldou nossa biologia.

      • José

        Obrigado, Eli. Entendi perfeitamente agora, e ainda aprendi um pouco mais!

  • Mayako

    Isso é bem interessante.

    A pesquisa de Elizabeth Pillsworth “Women’s Sexual Strategies” — que fala de um ponto de vista evolutivo de como a sexualidade evoluiu tanto para homens quanto para mulheres, desde a necessidade de recursos (quando vivíamos coletando/caçando) — mostra que há uma diferença de excitação feminina em relação aos homens mais másculos (grandes, mandíbula quadrada) e os mais femininos (menores, mandíbula mais delicada). Os primeiros eram preferidos quando elas estavam sentindo-se mais excitadas, ou em período próximo a ovulação (que aumenta excitação sexual). Já os homens com traços suaves estavam relacionados à relações de longo termo e fidelidade, enquanto os mais másculos relacionavam-se a atividades sexuais rápidas, relacionamento curto.

    É claro que existem preferências pessoais: nem toda mulher vai ser assim, e nem todo homem vai ter sempre mais atração por certos tipos femininos; mas o estudo mostra um ponto interessante visto que trabalhou com dicotomias — muito másculo, pouco másculo. Talvez seja diferença cultural, aliás, é diferença cultural, mas não sabemos até onde a genética vai nisso.

  • Vale mencionar que esses estudos são feitos com tribos de caçadores-coletores também, muitos deles praticamente sem contato direto com sociedades industriais como a nossa. Existe uma validade bem consistente na repetição de alguns critérios de beleza ao longo dos grupos humanos.

    • Mayako

      Exatamente, Felipe. As pessoas têm de levar em consideração que agora estamos em uma nova era da evolução humana que já é indissociável da tecnologia. Não somente isso, até mesmo a Terra segue o mesmo caminho — vide a Antropocene! Temos que levar em consideração que o cérebro racional hoje em dia vale mais, e que cada vez mais os instintos se tornam tão perceptivos aos nossos olhos que quase não têm efeito — pelo menos não como antigamente.

      • Eu não sei se concordo. Ach oque vc formulou a questão de um modo diferente do que eu faria.

        A questão não é que os “instintos” não são mais tão válidos por causa da racionalidade ou algo assim,

        Na verdade é por causa da nossa natureza biológica que temos algo como a cultura ou a capacidade de ser racional — por mais que os estudos mostrem que nossa tomada de decisão é bem mais irracional do que supomos no cotidiano.

        Esses padrões biológicos se revelam com uma roupagem adaptada a cada cultura.

        • Mayako

          Você levantou um ponto interessante, eu realmente formulei de forma diferente, perdoe-me. Eu estava querendo relacionar a tecnologia com a futura evolução humana. Futura, porque apesar de termos corpos adaptados à vida selvagem (na realidade adaptados a quase qualquer coisa), a nossa vida é o oposto disso, e cada vez mais necessitamos do intelecto e não tanto do nosso físico. Eu estava pensando como seremos no futuro, diante essa observação.

          • Então vc tá indo mais até pra linha dos transumanistas, que acham que a junção do humano com a tecnologia vai fazer a gente controlar o processo evolutivo da nossa própria espécie, no futuro?

          • Mayako

            Acertou! Eu estava numa baita duma angústia porque não achava um termo para definir essa ideia, daí acabei “tropeçando” num vídeo de transhumanismo e eu lembrei que havia visto isso váários anos atrás. Agora que eu sei a terminologia, ficou bem mais fácil digerir essas ideias!

            Mas minha resposta não é necessariamente transhumanismo: a tecnologia, gostemos ou não, já tem um grande impacto nas vidas humanas. É claro que se formos comparar com nossa carga genética, hoje em dia vivemos o contrário do que nossos genes dizem (caçador-coletor), mas olhando para o futuro, não sabemos como a tecnologia vai diferenciar nossa evolução — não necessariamente controlar, para os não transhumanistas, mas de qualquer forma ela vai dar um impacto sim.

          • Eu esquematizaria mais ou menos assim:

            Temos genes que nos predispõem a agir de certas maneiras em certos contextos. Somos moldados pela evolução basicamente para viver num ambiente mais parecido com o das tribos caçadoras-coletoras. Nossa sorte é ter essa predisposição para funcionar em contextos verdadeiramente variáveis.

            Mas ainda assim temos flagrante “desadaptação” para algumas peculiaridades dos tempos modernos.

            E isso possivelmente vem acontecendo desde que nossos ancestrais Homo sapiens começaram a criar ferramentas e alterar significativamente seu ambiente natural. Isso passou a ser mais uma variável muito importante para o processo de evolução da espécie.

            Fomos seguindo esse modelo e a cada século ficamos ainda mais especialistas em moldar nosso próprio ambiente.

            Chegamos às projeções do transumanismo: podemos controlar de tal forma o ambiente através da tecnologia, que poderemos até mesmo influenciar diretamente na nossa configuração biológica (através de engenharia genética ou algum tipo de mescla entre homem e máquina).

            haha Pronto. Acho que consegui esquematiza nossa linha de raciocínio aqui.

          • Mayako

            HA! Eu não resumiria melhor! E eu diria que, de forma generalizada, a nossa especialidade é ficar cada vez mais racionais (se olharmos a longo prazo, considerando a tecnologia) pela necessidade maior de habilidades de resolução de problemas (considerando que ficamos mais especializados com o tempo, tanto em relação ao trabalho quanto à Ciência).

            Que bom ter essa conversa de forma pacífica, em algumas outras áreas da internet algumas pessoas já me rotulavam de algo que não fazia o menor sentido e nem estava relacionado com o que eu falava e acabava com qualquer possibilidade de discussão, quando na verdade eu só estava falando da possibilidade de superarmos a nossa Biologia — já superamos instintos com a racionalidade, é o que torna greve de fome possível, eu não imagino errado alterar o corpo para melhor!

          • Que bom que fiz um bom trabalho. Haha

            Deixa eu ver se entendi. As pessoas às vezes te discriminam por vc falar desse lance da tecnologia como forma de superarmos a vida humana biológica tradicional?

            Do que te chamam?

            Haha só um obs. Eu não vejo a razão como uma superação de instintos. Seria o mesmo que dizer que elaborar ferramentas é uma superação da biologia. Na verdade é uma expressão da nossa biologia extremamente capaz de aprender e nos fazer explorar o ambiente de diferentes formas.

            Até porque não somos mesmo muito racionais, na prática. Nossa tomada de decisão é bem irracional.

            Já ouviu falar nas pesquisas do Dan Ariely?

          • Mayako

            Sim, exatamente, discriminam. Muitas delas acabam achando que eu estou dizendo que não temos instinto ou que já o superamos e a partir desse erro (que acham que eu disse) constroem argumentos para dizer que estou errado, sendo que eu só queria dizer que já temos uma relação “simbiótica” com a tecnologia. Nossa vida não é mais de savana, e eu duvido que alguém iria querer voltar para a o cotidiano Paleolítico. Humanos têm raison d’être demais para isso.

            Geralmente não me chamam de nada, só respondem dizendo “é, tecnologia vai melhorar muito nossa vida, tipo agora que as pessoas se ofendem com tudo e a internet ajuda a espalahr vitimismo.” Tipo… wtf.

            Eu também não vejo a razão como superação dos instintos, eu me expressei mal. Eu quis dizer que podemos usar a razão para suprimirmos certos instintos. Não que eles desaparecam, mas é que nós acabamos por ser capazes de decidir não os usar. “Na verdade é uma expressão da nossa Biologia extremamente capaz de aprender e nos fazer explorar o ambiente de diferentes formas.” Que definição interessante! Gostei bastante dela, resumiu bastante sem elevar a razão a patamares quase divinos, mas também sem desconsiderar a beleza dela. Na prática, nossas tomadas de decisão são irracionais, eu já li sobre, principalmente em tomadas rápidas. Ser racionais, ou melhor, desconectado demais da situação nos faz vê-la simplesmente como informação, ou dados de um gráfico — sou culpado disso às vezes. Esse comportamento resultaria em apatia para com os resultados de quaisquer situações. Até mesmo se aplicarmos teoria dos jogos temos que considerar o que gostamos ou não — o que é uma emoção.

            Acredito que, a racionalidade, no sentido humano, é também a capacidade de analisar situações de forma consciente sobre o conteúdo delas, ou melhor, entender que decisões são produtos de motivos, e saber quais são estes. Mas muita gente confunde razão com lógica, mas nem tudo que é lógico é ético, e aí já entra moralidade na discussão. Acabei desviando da Biologia, mas eu sou consciente de que emoção (ou irracionalidade) é inseparável do que é humano. Eu gosto mais da definição psicanalítica: é um tipo de energia a ser usada, e no caso de pessoas racionais demais, a ‘energia’ é direcionada à análise e não ao sentido.

            É interessante como observamos que, no sentido Biológico, não há “razão x emoção”, é tudo reação química. No sentido filosófico ou social, damos nome a tudo. Vê como contexto é tudo?! Hehe.

            Sobre Dan Ariely, eu não conhecia, foi um ótimo achado! O que você tem a dizer?

          • Vc é da área de psicologia ou estuda algo o tipo?

            Eu não sou muito fã da psicanálise, mas entendi o espírito da citação que vc fez e concordo — se eu tiver entendido bem haha.

            Acho que a biologia pode colocar a questão da emoção e da racionalidade como algo além da da bioquímica. Não que seja algo que transcenda isso, mas uma questão de esfera de análise diferente.

            Tipo, vc pode enxergar a estrutura funcional por trás de vários processos biológicos, desde o funcionamento de um grupo de neurônios até um grupo de cupins. Depois dá uma olhada nos trabalhos do Daniel Dennett se tu quiser se aprofundar nessa parada. É muito interessante. São funções gerais/macroscópicas que emergem de sistemas complexos.

            O Dan Ariely é psicólogo, trabalha com economia comportamental, voltada ao comportamento irracional. É bem legal. Ele tem um livro chamado Previsivelmente Irracional. É sobre a ideia de que somos irracionais a maior parte do tempo nas nossas tomadas de decisão, mas evolutivamente isso não é incoerente. Nossa irracionalidade na verdade é fruto de algoritmos evolutivos com os quais somos dotados. Em situações certamente relevantes em ambientes ancestrais, esse tipo de irracionalidade valia a pena em termos de sobrevivência e reprodução. O mais interessante (não tá no livro) é que alguns vieses desses são compartilhados com outros primatas, o que reforça essa ideia de ancestralidade do comportamento.

          • Mayako

            Não tenho estudo formal em Psicologia, o que eu escrevi foi apenas com sentido retórico e estilístico, apenas por comparação (que bom que você entendeu, eu tentei ser o menos ambíguo possível).

            Eu pesquisei mais sobre o Ariely e planejo ver o trabalho dele — grato novamente por me falar dele! Algo que eu poderia lhe recomendar é Frans de Waal, que estuda comportamento moral em animais — igual ao que você disse, reforça ancestralidade do comportamento –, e o que é mais interessante é que isso rebate a ideia de que moralidade é apenas humana ou algo muito “avançado” para outras espécies. O trabalho dele ajuda a quebrar algumas falácias naturalistas e de moralidade — principalmente as de moralidade como “prova” da existência de divindades, o trabalho dele mostra, de uma maneira, que moralidade é apenas evolução, ou a melhor forma de um grupo se organizar, e isso é completamente lógico, não há nada de místico nisso. Ele tem um TED que ele resume o que ele faz, recomendo bastante.

          • Ah eu já li Eu, Primata, do de Waal.

            O trabalho dele sobre moralidade em outros primatas de fato mostra que não é preciso te alta cognição pra surgir o comportamento moral. O que nós humanos fazemos é uma discussão teórica e racional sobre a moral, mas ela estaria presente em termos de tendências comportamentais de um jeito ou de outro. É algo que acaba emergindo naturalmente através da interação de indivíduos num sistema que leva em conta coalizões, cooperação, free riders, recursos limitados etc.

          • Mayako

            Eu acredito que ainda é um tabu, pelo menos entre pessoas mais leigas sobre Ciência, ser comparado a animais não-humanos, ou melhor, ver que nossas características não são tão especiais assim (menos, talvez, o córtex pré-frontal). Moralidade foi por muito tempo (e ainda é!) assunto que se relaciona a prova de alguma divindade, justamente porque só humanos pensam nisso. Mas é apenas uma saída lógica para progressão de um grupo. É evolução. Agora que até a moralidade está sendo “desmantelada” pela Ciência (no sentido de que não é nada superpoderoso ou especial, é só evolução), o que é assunto de mistificação é a mente/consciência — tanto que se você procurar alguns artigos que supostamente refutam o Transhumanismo, você vai ver que eles se baseiam na premissa de que a mente/consciência é algo não-físico e portanto não poderíamos viver como máquinas, só que muitas vezes eles beiram o espantalho e até um declive escorregadio, dizendo consequência se X acontecer, sendo que são hipóteses nunca testadas.

  • Cores Festas

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