28th of April

Sobre as difamações


Sobre constantes difamações a mim nas redes sociais, me perguntar não ofende nem um pouco. Mas lembrem-se que os responsáveis por nossas próprias crenças somos nós mesmos, e quem adota crenças (sobre pessoas ou causas ou coisas) com evidência insuficiente, pouco argumento e muita irritação coletiva, sofre as consequências de sua própria falta de pensamento crítico. Meus textos falam por mim.

Prints descontextualizados e tentativas de assassinato de reputação por seguidores dogmáticos de ideologia, não. Um exemplo: quando soube que a Lei João Nery será o tema da parada LGBT, comentei “oba! Funcionou [a petição]!”. Usaram exatamente esse comentário meu para me acusar de ser transfóbico. É evidência suficiente? Outra pessoa, afiliada ideologicamente à “teoria queer” (da qual discordo simplesmente porque é fundada em determinismo cultural), irritou-se porque, quando eu pedi que ela desse um exemplo de sociedade com um número alto de gêneros, tipo dez ou mais, ela alegou que essa sociedade era o Brasil. Extasiado diante da hilariedade dessa alegação, eu fiz uma lista de falsos gêneros brasileiros além dos já conhecidos, incluindo “Chico Buarque” (não sei vocês, mas eu adoraria ser do gênero Chico Buarque). A pessoa falhou em me dar um exemplo histórico de cultura com um número exorbitante de gêneros. Se o número de gêneros não é exorbitante em todas as culturas já estudadas, então há limites para o número de gêneros que os humanos podem desenvolver em suas culturas, e alegarei que parte desses limites são biológicos. Ou seja, é plausível um número bem maior que dois gêneros, só que esse número não pode ser infinito. Pois, se for alegado que pode ser infinito, na minha opinião isso esvazia o conceito de “gênero” como categoria social, ou seja, altera o sentido do termo sem qualquer justificação, tornando-o mais próximo de “personalidade”.

Portanto, uma discordância de ideias foi o motivador de um desses prints para tentar me difamar. Outro print, em que falo da “seita dos batatinhas” é explicitamente uma referência a seguidores dessa ideologia, e não pessoas trans em geral. Basta procurar no Google e verão quem está usando o termo e para quê.

De onde tiro essas ideias? Uma das minhas fontes é a acadêmica feminista Martha Nussbaum e suas críticas à Judith Butler. Já traduzi alguns parágrafos de um artigo dela e postei no Facebook. Estou tentando passar meu “academicismo” em cima da “vivência das mulheres” e da “vivência das pessoas trans”? Não, estou exercendo minha liberdade individual de julgar ideias por seus méritos. Ademais, e a vivência da Martha Nussbaum, como mulher e filósofa, vão jogar no lixo? Responsabilizem-se pelas consequências problemáticas de suas ideias injustificadas. Beijinho no ombro.