10th of April

Três citações feministas


“Uma recusa a reconhecer a plena humanidade das mulheres, e uma inabilidade correlata de apreciar a total individualidade de cada mulher, de fato é o cerne do sexismo (e, mutatis mutandis, do racismo). Então, é perturbador que muitas mulheres na academia, hoje, em vez de serem recebidas como participantes plenas da vida da mente, encontram-se sutilmente ou não tão sutilmente encorajadas a se confinarem ao gueto de colarinho cor-de-rosa de “women’s issues” e “abordagens feministas”; como é [também perturbador] ouvir os ecos de estereótipos sexistas antigos na filosofia feminista contemporânea: que a ética feminista focar-se-á no cuidar em vez de no dever, ou na virtude em vez de na justiça; ou que lógica é um empreendimento masculinista; ou que a epistemologia feminista deve enfatizar a conectividade, comunidade, emoção, confiança, o corpo, etc.”
– Susan Haack, “After my own heart”, 2008.
“Muitos homens são muito mais oprimidos que muitas mulheres, e qualquer feminista que esteja determinada a apoiar mulheres em todas as situações certamente encontraria algumas onde seu apoio a mulheres em vez de homens aumentaria o nível de injustiça no mundo. (…) Nenhuma feminista cuja preocupação com mulheres venha de uma preocupação pela justiça em geral pode jamais legitimamente permitir que seu único interesse seja a vantagem das mulheres.”
– Janet Radcliffe Richards, “The Sceptical Feminist”, 1994.
“O que sinto que devemos querer dizer é algo tão óbvio que é propenso a escapar à atenção completamente, ou seja: não que toda mulher seja, em virtude de seu sexo [apenas], tão forte, inteligente, artística, sensata, diligente etc. quanto um homem qualquer que possa ser mencionado; mas que uma mulher é tanto um ser humano comum quanto um homem, com as mesmas preferências individuais, e com a mesma medida de direito a gostos e preferências de um indivíduo. O que é repugnante a todo ser humano é ser pensado sempre como um membro de uma categoria e não como uma pessoa individual. (…) O que é irrazoável e irritante é assumir que todos os gostos e preferências que se tem hão de ser condicionados à categoria à qual se pertence. (…) 
Ocasionalmente imbecis e editores de revistas chamam-me para dizer algo sobre a escrita de romances policiais “do ponto de vista de uma mulher”. A tais demandas pode-se apenas dizer ‘Vá embora e não seja tolo. Isso equivale a perguntar qual é o ângulo feminino num triângulo equilátero’. (…)
Mesmo onde as mulheres têm conhecimento especial, elas podem discordar entre si como outros especialistas. Por acaso médicos nunca entram em rusgas ou cientistas nunca discordam? Seriam as mulheres não-humanas, ao ponto de se esperar que engatinhem todas juntas num rebanho como ovelhas?”
– Dorothy Sayers, “Are women human?”, 1938.