24th of January

Epicurismo


Photo © 2008 Holly Hayes/Art History Images. All rights reserved.
A imagem mostra Metrodoro de Lâmpsaco, filósofo grego membro do Jardim de Epicuro de Samos, retratado cerca de 500 anos após sua morte num mosaico romano (fim do século II a começo do século III). 
O texto do mosaico diz algo assim: “Nós nascemos apenas uma vez; é impossível nascer duas vezes e é necessário não mais existir eternamente [após a morte]. Mas você, embora não seja mestre do amanhã, descarte a fruição. A vida é gasta pela procrastinação e cada um de nós morre sem tempo suficiente nas mãos.” 
Epicuro de Samos fundou uma escola filosófica que era um estilo de vida, um caminho de temperança para a felicidade e o conhecimento. Combatia ardentemente as alegações das outras grandes escolas de Atenas: os acadêmicos (seguidores de Platão), os estoicos (seguidores de Zenão de Eleia entre outros) e os peripatéticos (seguidores de Aristóteles). 
Os “epicureus” (epicuristas) são citados desfavoravelmente na Bíblia, e Dante, embora gostasse de Epicuro como pessoa, manda-o para o sexto círculo do inferno por causa de suas ideias. Thomas Jefferson, numa carta em 1819, diz a William Short “eu também sou um epicurista”. A tese de doutorado de Karl Marx foi sobre Epicuro. 
Não acredito que indivíduos ou escolas de pensamento possam conter todo o conhecimento do mundo (muito menos hoje), mas não tenho reservas quanto à maioria das ideias epicuristas, que atravessaram mares de tempo e resistência e continuam encontrando admiradores ilustres mais de 2300 anos depois. 
Eu, também, sou epicurista. O antigo nome do meu blog, “Tetrapharmakos in Vitro”, era uma referência direta ao epicurismo de Diógenes de Oinoanda (Oinanda fica na atual Turquia), que escreveu as ideias de Epicuro num muro de três metros de altura, endereçou as ideias a todas as pessoas do mundo todo independente de gênero, idade ou nacionalidade, abraçando uma ideia cosmopolita de cidadania internacional, coisa tão importante hoje. E como estudante de doutorado tento sempre seguir o conselho de Metrodoro, nem sempre com sucesso. 
Uma boa fonte para saber mais: “The Cambridge Companion to Epicureanism” (2009), editado por James Warren.
(Publicado no meu extinto Facebook em fevereiro de 2013.)