9th of April

Sobre sexualidade, para evitar problemas e ficar mais próximo a realidade.. penso que é muito melhor dizer que não tem certeza dela. A certeza dela, na verdade, não nos serve de nada. E sexualidade não é algo inconstante e imutável..


cont: "Afinal se podemos mudar nossos gostos por tipos de pessoas do mesmo sexo, podemos mudar o sexo em si também. O que nos cativa não é o gênero, e beleza e caráter independem de gênero!"

Hmm… sua hipótese pode soar bonita, pode soar agregadora à liberdade humana. Mas é pouco amparada em evidência, e é isso que importa.

Biologicamente, não faz sentindo algum o que você disse. Parece uma forma de ser condescendente com a acepção popular de que gays escolhem sua orientação sexual, como se heteros fizessem o mesmo.

É melhor irmos nos acostumando a pensar que muito do nosso comportamento foge ao nosso controle, uma parte do que nos move são pulsões que gosto de chamar de arracionais – não são a razão, mas também não são irracionais, são apenas independentes dela. O ego não é senhor de sua própria casa, mas um dos hóspedes.

É a visão modular da mente: ela é como um canivete suíço, com múltiplas funções, uma das lâminas é o que se convencionou chamar de razão nos últimos milênios, mas na verdade pouco sabemos sobre o que realmente é isso. Estou usando agora a razão para confessar que pouco sei sobre ela. Sei que ela própria não se ampara em argumentos. Dando-se conta disso e ajudando a fundar o racionalismo crítico, Karl Popper chegou a dizer que tinha fé na razão. Acho uma frase exagerada e mal construída.

Não é necessário ter fé na razão. É necessário observar o que seu uso nos dá, que é a previsão e a explicação, conscientes de que a razão é um órgão, é uma função cerebral. Como diz Daniel Dennett, evoluímos como evoluímos porque a seleção natural favorecia quem descobria a verdade – a razão é o que caçadores precisam para sobreviver. Ouso dizer que a caça é a forma mais antiga de ciência, a aplicação da razão ao mundo natural. Observe como este caçador é científico no procedimento dele (ative as legendas):

http://www.youtube.com/watch?v=39r_LoF65fc

Fé é acreditar sem evidência. A funcionalidade e autossuficiência dos produtos da razão são evidência suficiente de que ela nosso melhor instrumento para encontrar a verdade. Tratar a verdade pela correspondência ou pela coerência é uma escolha axiológica, mas em ambas a razão cumpre seu papel, levando a erro mais frequentemente quando usamos o conceito coerentista da verdade.

Compreendo perfeitamente que você tenha uma atração estética por um mundo em que a mente é governada pela razão ao ponto de podermos ser verdadeiros com uma de nossas pulsões arracionais, a libido, e dizer que podemos dar uma certa maleabilidade conscientemente ao que nos causa excitação sexual.

Mas este mundo é um mundo utópico. No mundo em que eu vivo, pessoas simplesmente variam, a começar pelo DNA que carregam. E órgãos simplesmente crescem a partir dessa variação, encontrando mais chance de variar nos recursos ambientais que os cercam. E o órgão da libido é assim também, mas de maneira alguma é escravo da razão, sendo que a situação na verdade é, na maioria das vezes, justamente o contrário:

as pessoas usarão todo tipo de racionalização (que é uma defesa contra dissonância cognitiva que faz um uso imaginativo da razão) para tentar justificar seu comportamento sexual, como se comportamento sexual precisasse de argumentos para se justificar.

Não precisa. Sexualidade não precisa de palestra para ser como é, e apenas é, da forma como for, em cada um de nós.Play
Pergunte-me qualquer coisa.

  • Bastante científico!!!

    Principalmente a parte que a areia é jogada sobre o animal para o espírito dele voltar. Mas o que me impressionou ainda mais é a função da saliva do kudu funcionar como endorfina na musculatura da perna.

    Tomara que os fabricantes de relaxantes musculares não vejam esse vídeo, caso contrário, os kudus vão sofrer muito!!!

    Marcos