7th of January

Podemos considerá-lo conceituado em diversos assuntos, você se considera um representante de Patos de Minas e região em âmbito Nacional com relação aos artigos que divulga na LiHS, ou não liga ?


Não creio que a cidade de Patos de Minas esteja particularmente orgulhosa do que faço na Liga Humanista Secular do Brasil, até porque aqui devem se repetir os números brasileiros de adesão à religião.

Sei que há muitos cristãos humanistas, conheço vários, que concordariam com tudo o que eu digo, menos minha acusação de o cristianismo ser falso e corrupto.

Essa discordância é menor do que parece, eu penso, mas não há oportunidade fora da web para dialogar essas questões com meus concidadãos patenses.

Não me considero representante de quem não partilha das minhas opiniões. Aliás não me considero representante de ninguém a não ser a diretoria que votou em meu nome para presidente. Mas a figura abstrata da representação deve ser apenas da Liga Humanista, como associação de direito privado que é, como instituição orientada pelos valores e metas explícitos que tem.

Como presidente da LiHS, minha função é ser sua imagem pública, junto com a vice-presidente Åsa Dahlström Heuser, mas só posso falar pela LiHS quando tenho em mãos resoluções devidamente aprovadas por nossos diretores, que são em conjunto o agente real dentro da Liga.

Ainda sobre Minas Gerais, tenho algum tipo de orgulho por ter nascido aqui (estou de férias em Patos), e crescido na maior parte do tempo na cidadela de Lagamar, ambas uma amostra desta civilização do Cerrado.

O clima cultural da juventude neste lugar é o do embate entre tradições que agonizam e um mundo novo que seduz. Nem toda tradição que está se extinguindo deveria estar nesta situação, e nem toda novidade é benigna. Eu não gostaria de ver a bugigangas chinesas substituindo o artesanato autóctone, nem os enlatados substituindo os pratos típicos (quanto a isso acho que posso ficar tranquilo).

Mas o humor obscuro e amedrontado, tão bem exemplificado na mentalidade retratada por Guimarães Rosa – dos pactos com o diabo no "Grande Sertão: Veredas", da homofobia sexista patriarcal – deve sumir, na minha opinião, e vai tarde. Não precisamos mais temer demônios e deuses e santos.

Os melhores santos de Minas são os feitos de pedra-sabão.

Tudibão procê. Pergunte-me qualquer coisa.