7th of October

"Conhece-te a Ti mesmo e conhecerás todo o universo e os deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum"- frase do Templo de Delfos na Grécia. Concorda?


Não.

O universo é bem maior que nós. Conhecendo a nós mesmos não vamos saber o que está se passando nas galáxias do Campo Ultraprofundo do Hubble, que só vemos por um “retrato” que foi tirado delas há 10 bilhões de anos, que é a luz que está chegando aqui.

Conhecendo a nós mesmos, porém, podemos chegar a um limite importante: conhecer o que é conhecer. Dessa forma, observando/teorizando nossa própria capacidade de conhecer, teremos, eu penso, uma pista dos limites das nossas próprias mentes de destilar a ordem do mundo.

Como todo poeta sabe, há limites para o que as palavras podem expressar. Eu digo que há limites para o que os conceitos podem descrever e prever – os conceitos, unidades básicas do conhecimento, são sempre dotados de uma margem de imprecisão, que é variável entre eles.

Comparações de diferenças e igualdades são a base conceitual da estatística que auxilia os testes de hipóteses científicas, usados canonicamente nas ciências naturais. Einstein, por exemplo, trabalhou com a mecânica estatística depois de pensar no movimento browniano – batizado assim por causa da descoberta do naturalista Brown, que observou num microscópio que grãos de pólen se movem aleatoriamente mesmo numa água de placa de petri aparentemente estática a olho nu. Isso foi usado mais tarde na mecânica quântica.

O acaso existe sim, passa bem e manda um alô.

Os fenômenos naturais que estão em escalas nanométricas e em escalas de anos-luz nos são em muitos sentidos inescrutáveis. Ou melhor: são para nossos sentidos inescrutáveis, ainda que sejamos capazes de prevê-los e descrevê-los com precisão com o auxílio da estatística e outras ferramentas lógico-matemáticas.

Estou começando a trabalhar com genes ligados ao comportamento humano. A maior parte do conhecimento na área vem de estudos de associação, ou seja, estudos que mostram que pessoas que apresentam um certo comportamento (como por exemplo o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) têm uma tendência estatisticamente significativa de ter uma certa variação de um gene ou de uma região do DNA que não está presente nas pessoas que não apresentam este comportamento. O comportamento, como a maior parte das nossas características interessantes, sofre a influência não de um, mas de centenas, milhares de genes ao mesmo tempo, e ainda do que nós, ingenuamente e esperançosamente, chamamos de ambiente (um conceito de alta imprecisão, na minha opinião).

A genética do comportamento é uma das ciências nas quais nós nos dedicamos a conhecer a nós mesmos.

Hoje à tarde eu estava conversando com cientistas que trabalham nesta área há anos, e eles são plenamente conscientes de que o conhecimento que estão produzindo está engatinhando. Ainda vamos demorar muito para conhecer a nós mesmos completamente ou ao máximo possível. Isso não é apenas metalinguagem, é metaontologia.

Sobre conhecer a si mesmo num sentido reflexivo, eu penso que estamos enganando a nós mesmos quando achamos que vamos realizar isso apenas com a instrospecção. Você não conhece a si mesmo sentado na sua poltrona dentro de casa, pensando com seus botões.

Você conhece a si mesmo quando sai porta afora e vai se deixar marcar pelo açoite e pelo afago do tempo.

O sábio, no fim da história, não estava enfurnado lá no alto da montanha. Ele estava pulando de pára-quedas ou apertando os botões da urna eletrônica domingo passado.

Os sábios estão entre nós. Procure-os. Pergunte-me qualquer coisa.

  • Eu acho que quando ele diz isso, ele nem pensa tanto no MATERIAL..
    assim como eh dito na hermetica
    Assim como em cima, Assim como embaixo.
    eh provado q todos os elementos quimicos existentes, sao encontrados no corpo humano..
    ou seja.. qrendo ou nao eh tudo a mesma coisa..
    entao.. estudando a nos mesmos.. conheceriamos TODOS OS DEUSES, e o universo.

  • Joel Macedo

    Vc concordando ou não, não muda a realidade. Todos os grandes mestres falam a mesma coisa. Deus e o reino dos Céus está dentro de nós. Temos que aumentar nosso poder de abstração pra tentar entender, não podemos nos limitar no que faculdades materialistas nos passam

    Faculdades foram criadas para atender lobs industriais e governamentais nesse sistema de consumo, e não para um bem real da humanidade.

  • David Lucas

    Essa frase nos remete ao axioma hermético “O que está em cima é como está embaixo e o que está embaixo é como o que está encima”. Aquele que a entender entenderá essa frase do templo de Delfos.

    • Christian Zangrando

      Realmente pensei a mesma coisa. E realmente poucos irão entender ou conseguir interpretar o contexto da frase.

  • Julio Cezar Znalizione

    Essa frase não pode se compreendida intelectualmente.

  • Renan Lima Andrade

    A explanação que defende a não concordância da frase não é completa, foi pensada apenas parcialmente como fazem a maioria. Mas concordo com o comentário do @disqus_S3Ez9XlT2j:disqus

    Sem mais para quem entende todo o resto : , : ‘