9th of September

Vc acha mesmo que Jesus foi o inventor do conceito de inferno? O.o


Sim, acho. O Antigo Testamento não menciona este conceito, que eu saiba. Jesus criou o conceito de inferno usando o Vale do Hinon como uma metáfora, um lugar na região onde os estudiosos dizem que eram jogados cadáveres para a cremação.

Já vi cristãos usando esta hipótese de Jesus ter se referido ao vale do Hinon como desculpa para dizer que ele não inventou o inferno mas se referia ao vale literalmente. Não parece ser o caso. Afirmar que o fogo não se aplaca jamais é certamente fazer uma hipérbole surreal de um lugar físico. Mesmo sendo Jesus e seus contemporâneos ignorantes em ciência, é do senso comum que fogo precisa de combustível, ou então apaga.

O que Jesus fez foi ameaçar quem não queria acreditar na fantasia dele com uma passagem só de ida para um vale do Hinon sobrenatural onde o fogo nunca se apaga e açoita a carne dos céticos desobedientes, que seriam seu combustível eterno.

É uma invenção bastante contraditória com o Jesus amável de outras passagens bíblicas. Mas é o que se deve esperar de um livro eivado de contradições como a Bíblia, com passagens completamente e comprovadamente inventadas e inseridas séculos depois dos eventos que alegam estar descrevendo.

Caso duvide que a Bíblia é contraditória, continue lendo:

Perguntemos à Bíblia: Quantos deuses existem? Ela responde:

– Há somente um Deus. [Dt 4:35, 4:39, 6:4, 32:39, Is 43:10, 44:8, 45:5-6, 46:9, Mc 12:29, Mc 12:32, Jo 17:3, I Co 8:6]

– Existem vários Deuses. [Gn 1:26, 3:22, 11:7, Ex 12:12, 15:11, 18:11, 20:3, 22:20, 23:13, 23:24, 23:32, 34:14, Nm 33:4, Jz 11:24, I Sm 6:5, 28:13, Sl 82:1, 82:6, 86:8, 96:4, 97:7, 136:2, Jr 1:16, 10:11, Sf 2:11, Jo 10:33-34, I Jo 5:7]

No caso de descartarmos todas essas indicações de existirem outros deuses, e aceitarmos que há um só deus, que a Bíblia tem a dizer sobre a natureza desse deus?

Por exemplo, Deus tem um corpo?

– Deus tem um corpo. [Gn 3:8, Ex 33:11, 33:20, 33:22-23, 34:5, Dt 23:14, Ez 1:27, 8:2, Hc 3:3-4]
– Deus é um espírito que não possui corpo. [Lc 24:39, Jo 4:24]

Deus sabe e vê tudo?

– Deus sabe e vê todas as coisas. [Sl 44:21, 139:7-8, Pv 15:3, Jr 16:17, 23:24, At 1:24]
– Deus nem sempre sabe e vê todas as coisas. [Gn 3:8, 4:14, 4:16, 11:5, 18:9, 18:17, 18:21, 22:12, Nm 22:9, Dt 8:2, 13:3, II Cr 32:31, Jó 1:7, 2:2, Os 8:4]

Deus pode ser visto?

– Sim, ele pode. [Gn 12:7, 17:1, 18:1, 26:2, 26:24, 32:30, 35:1, 35:7, 35:9, 48:3, Ex 3:16, 4:5, 6:3, 24:9-11, 33:11, 33:23, Nm 14:14, Dt 5:4, 34:10, Jz 13:22, I Rs 22:19, Jó 42:5, Sl 63.2, Is 6:1, 6:5, Ez 1:27, 20:35, Am 7:7, 9:1, Hc 3:3-5]
– Não, ele é invisível. [Ex 33:20, Jo 1:18, 6:46, I Tm 1:17, 6:16, I Jo 4:12]

http://www.bibliadocetico.net/contra2.html#deuses

A Bíblia se assemelha mais a um compêndio de contos da carochinha do que a palavra de um ser supostamente onisciente, onipotente e onipresente. Se Deus existe ele é no mínimo cínico para permitir esse tipo de contradição. Pergunte-me qualquer coisa.

  • pra ser sincera, Eli, as vezes eu leio a biblia pois tem historias de terror nela que deixariam Stephen King com in.ve.ja bee!!! morta de inveja.

    vou pensar num post As 10 passagens mais aterrorizantes da biblia. o q vc acha???

  • Oi Rayssa,

    eu acho que a passagem das ursas estraçalhando os moleques que xingaram o profeta careca de careca não pode ficar de fora!

    Beijo

  • A Bíblia, mesmo inspirada por Deus, não deixou de ser escrita por homens e para homens. Muitas das coisas, e dos fatos que estão na Bíblia são simbólicos, como por exemplo o texto citado, no qual “Deus passeava pelo jardim" (que simboliza um comunhão de Deus com Adão e Eva), ou a pergunta que Deus faz para Adão: "Onde estás?" (que simboliza a oportunidade que Deus dá aos pecadores se confessarem). Também, pelo motivo de ter sido escrita para homens, Deus pode usar várias analogias com coisas conhecidas pelo homem. Mas dizer que o inferno, por ser "um lago de fogo eterno", é um conceito absurdo por que "precisaria de combustível" é algo estúpido, por que tanto o céu quanto o inferno são conceitos espirituais (Metafísicos), portanto, na melhor das hipóteses poderia ser discutido no campo da filosofia e não com da Física….

  • Allan,

    pois foi justamente o que eu quis dizer com "Hinon sobrenatural".

    Jesus estava inventando o dogma do inferno e não se referindo ao vale do Hinon literal, que ele usou como metáfora.

    Eu estava respondendo a cristãos que usam a referida passagem para dizer que não foi Jesus o inventor do inferno.

    A propósito, metafísica não é sinônimo de sobrenatural. Metafísica é a parte da filosofia que estuda a ontologia das coisas, ou seja, o que é o mundo real, o que existe, o que é necessário.

    Igualar metafísica ao sobrenatural é desconhecer metafísica.

  • A noção de inferno não é de origem judaica.

    Os mortos, segundo essa crença, vão para o Sheol ou Gehinah, a "morada dos mortos", onde eles são purificados.

    Após essa purificação, se forem de fato muito maus serão destruídos e se forem bons atingirão o "mundo a vir".

    No judaísmo prevalece a idéia de que Deus usa a vida após a morte para conceder a justiça definitiva e como uma última oportunidade para que as pessoas predominantemente más busquem algum tipo de redenção final.

    No Judaísmo o que realmente conta é a conduta ética individual e não a que credo o indivíduo pertence.

    A concepção grega do Hades é tal como a judaica, mas o Hades possuía várias moradas, sendo o inferno conforme a concepção cristã denominado de Tártaro.

    O cristianismo cria sua concepção de inferno a partir da ideia de tártaro e não de Sheol, no qual o suposto Jesus acreditaria. Mas como já estamos em pleno Helenismo, acredito que Israel já tivesse sofrido sua carga de influência grega.

    A origem do paraíso remonta ao Egito antigo, com a pesagem do coração em comparação à pena de Maat. Se o coração se equilibrasse com a pena era inocente e iria para os Campos Elíseos gozar a eternidade; do contrário seria destruído por Amut.

    Parece que Mesopotâmicos acreditavam no retorno da alma da Mansão dos Mortos depois da morte física.

    A Descida à Mansão dos Mortos era um estágio necessário para a purificação por atos não responsáveis e omissões para que o espírito pudesse retornar novamente depois, e que este fato era devido ao elo entre as Grandes Alturas e as Grandes Profundezas, ou o Duranki.

  • A ideia de messias (saoshyant) vem do zoroastrismo, religião da Antiga Pérsia, cujos conceitos foram assimilados pelo judaísmo à época do cativeiro ou um pouco antes.

    Aqui passa a haver o maniqueísmo hebreu, pois essa crença tinha um deus bom e um mau.

    É daqui tb que vem a crença no juízo final e a missão de convocar a humanidade para a batalha final contra o mal. Mas, embora o messias persa nasça de uma virgem, ele é humano. Na verdade são 3 messias.

    O zoroastrismo tem uma concepção de céu (após a travessia da Ponte Cinvat), purgatório e inferno.

    E, detalhe: uma alma que praticou boas ações vê uma bela virgem de quinze anos, enquanto que a alma de uma pessoa má vê uma megera. Acho que a ideia das virgens do islã deve ter vindo daqui…

    Assim, ao que parece, o judaísmo tem seus elementos sobre o destino dos mortos e escatologia fundados tanto na crença egípcia como na mesopotâmica e persa (e nem seria de se estranhar).

    Já o cristinanismo sincretizou a ideia judaica de Campos Elíseos, Mansão dos Mortos, Ponte Cinvat e Sheol com a ideia grega de Hades e tártaro, para dar um destino aos mortos.

    Assim, é possível que Jesus influenciado por todo esse arcabouço de conhecimentos possa ter criado sua concepção de inferno, mas numa versão judaica e a ideia como hj é difundida pelas crenças cristãs tenham vindo bem mais tarde, lá pela Idade Média.

  • Obrigado, Elyson.