25th of October

Entendendo o ‘novo ateísmo’


Por Jennifer Kovach em EurekAlert! Victor_Stenger

O autor de bestseller Victor Stenger mais uma vez promove a razão e a ciência.

Nos últimos anos alguns bestsellers têm afirmado veementemente que a crença em Deus não pode mais ser defendida com fundamentos racionais ou empíricos, e que a mundividência científica tornou obsoletos os dogmas do Cristianismo, do Judaísmo e do Islã. Os autores desses livros – Richard Dawkins, Daniel Dennett, Sam Harris, Christopher Hitchens e Victor J. Stenger – tornaram-se conhecidos como os “Novos Ateus”. Previsivelmente, seus trabalhos causaram muita polêmica e atraíram bastante reação da crítica. Em The New Atheism: Taking a Stand for Science and Reason (Prometheus Books, 2009 – em tradução livre, O Novo Ateísmo: Tomando uma Posição pela Ciência e pela Razão), Victor J. Stenger, cujo livro God: The Failed Hypothesis (Deus: A Hipótese que Fracassou) atingiu a lista de bestsellers do New York Times em 2007, revisa e expande os princípios do Novo Ateísmo e responde muitos de seus críticos. Ele demonstra em detalhes que o naturalismo – a posição segundo a qual toda a realidade é redutível a matéria e nada mais – é suficiente para explicar tudo o que observamos no universo, das mais distantes galáxias aos mecanismos internos do cérebro que resultam no fenômeno da mente. VictorStenger_TheNewAtheism “[O Novo Ateísmo] é em grande parte focado no que é científico e se expande na tese de Stenger de que a questão da existência de Deus não está além da ciência…”, notou o Library Journal, recomendando seu livro “para aqueles já interessados e engajados na atual discussão sobre Deus e religião, dos dois lados do debate.” Stenger contesta a alegação de muitos críticos de que a questão sobre a existência de Deus estaria além do alcance da ciência. Pelo contrário, o autor afirma que a ausência de evidência para Deus é, de fato, evidência de ausência quando a evidência deveria estar aí e não está. [As propriedades dessa divindade prevêem que evidências deveriam ser encontradas, os relatos de livros como a Bíblia se sustentam em anedotas de pessoas encontrando essas evidências, e, no entanto, somente agora na era da ciência e da tecnologia os religiosos passaram a alegar que essas evidências não são necessárias.] Indo da evidência científica para a evidência histórica, Stenger aponta os muitos exemplos de maldade perpretada em nome da religião. Ele também nota que a Bíblia, que ainda é tida como revelação divina por milhões de pessoas, fracassa como base para a moralidade e é incapaz de explicar o problema do sofrimento desnecessário pelo mundo. “O que é verdadeiramente ‘novo’ sobre o ateísmo é que o mundo, depois de muitos séculos e mais séculos de rédeas frouxas sobre a religião, agora está preparado para ver e abraçar a sabedoria positiva da dúvida… A direita religiosa não pode mais pintar os ateus como ‘estridentes, nervosos, agressivos e negativos’. Victor Stenger, com suas observações afirmativas, incisivas e esclarecedoras, nos mostra que há legítima grandeza em tomar uma posição em favor de algo precioso: a ciência e a razão”, diz Dan Barker, co-presidente da Freedom From Religion Foundation e autor de Godless: How An Evangelical Preacher Became One of America’s Leading Atheists [Sem Deus: Como um Pregador Evangélico Tornou-se Um dos Maiores Ateus dos Estados Unidos]. Stenger também discute os ensinamentos de antigos sábios não-teístas como Buda, Lao Tsé e Confúcio, cujos conselhos para lidar com os problemas da vida e da morte não dependiam de uma metafísica sobrenatural. Stenger argumenta que este “caminho da natureza” é muito superior aos monoteísmos sobrenaturais tradicionais que a História mostra como podem levar a uma miríade de males. “O novo ateísmo não é apenas outro sistema dogmático de crença para ser aceito pela fé, nem faz as pessoas imorais ou infelizes”, disse Susan Blackmore, escritora e professora visitante de psicologia na Universidade de Plymouth. “A revisão aprofundada de Stenger deveria fazer crentes e ateus levarem a sério o dano que as religiões podem fazer”. *** Victor J. Stenger é professor adjunto de filosofia na Universidade do Colorado e professor emérito de física e astronomia na Universidade do Havaí. Ele é o autor do bestseller “Deus: a hipótese que fracassou”, e muitos outros livros, incluindo Has Science Found God?, The Comprehensible Cosmos, Timeless Reality, The Unconscious Quantum, Physics and Psychics, e Quantum Gods.

  • Muito interessante, tentarei conferir. Achei curioso o fato dele falar dos sábios orientais. Seria realmente fantástico se essa 'ética oriental' fosse percebida aqui e substituisse Deus. Não sei se é o caso de dizer que uma ética oriental (ou mesmo se há 'uma' ética oriental) seria completamente compatível com o naturalismo, mas me parece que ela é potencialmente bem mais compatível que a (metafisicamente pesada) ética teísta.

  • Gregory, pela minha própria experiência lendo Yang Zhu e Zhuang Zi, digo que há muitos pensadores orientais cuja ética é plenamente compatível com o naturalismo. Inclua nisso Sidarta Gautama, que recomendava o ceticismo.

  • A-M-EI.