19th of March

Como julgamos os pensamentos dos outros


por Michael Hopkin, em News@Nature.

“Divisão no cérebro poderia ajudar a explicar a criação de estereótipos, conflitos religiosos e racismo.

Como sabemos o que outra pessoa está pensando? Uma nova pesquisa sugere que usamos a mesma região cerebral envolvida em pensar em nós mesmos – mas apenas enquanto julgamos que a pessoa é similar a nós.

Quando predizemos as opiniões e sentimentos daqueles diferentes de nós, essa região do cérebro não se envolve, mostra a nova pesquisa. Isso pode significar que é mais provável que recorramos à estereotipação – potencialmente ajuda a explicar causas de tensões sociais tais como o racismo ou disputas religiosas.

Neurocientistas chefiados por Adrianna Jenkins da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, fizeram a descoberta quando tentavam deduzir como o cérebro mede os pensamentos de outros. Como Jenkins explica, julgar como os outros se sentem é uma habilidade social valiosa, porque não temos como enxergar dentro da cabeça de outra pessoa. “Como nos ocupamos de preencher as lacunas entre nossas mentes e as mentes de outros?”, pergunta Jenkins.
A resposta parece depender de se nos identificamos com aquela pessoa ou não, diz Jenkins. Em outras palavras, como nosso cérebro lida com a questão da atitude de alguém com relação a qualquer coisa, de engarrafamentos a arte impressionista, depende inteiramente de como nos sentimos parecidos com este alguém como pessoa.
Gostos SimilaresJenkins e seus colegas estudaram uma região do cérebro chamada córtex pré-frontal ventral medial (vMPFC), que é conhecido como região envolvida no pensar em si mesmo. Se te perguntam, por exemplo, se você gosta de basquete, esta região cerebral vai despertar enquanto você reflete em seu afeto ou desafeto pelo esporte.
Para descobrir o que acontece quando se consideram as opiniões dos outros, os pesquisadores apresentaram a estudantes de graduação da área de Boston fotografias e descrições de pessoas similares e dissimilares – ou um estudante liberal do nordeste, ou um fundamentalista do meio-oeste que vota para o partido Republicano. Então fizeram aos estudantes algumas perguntas, como “você gosta de cogumelos na pizza?”, e pediram que adivinhassem as respostas das duas pessoas fictícias.
Os voluntários mostraram atividade no vMPFC quando consideravam as opiniões daqueles com quem compartilhavam background cultural, como relatam os pesquisadores no PNAS. Quando os estudantes consideraram as preferências de pizza da pessoa dissimilar, esta região do cérebro não participava.
“Quanto mais você considera a outra pessoa igual a si mesmo, mais você empatiza com ela”, explica Jenkins। “Podemos ver os dissimilares como menos humanos”, ela sugere [e reconhece que é uma afirmação meramente especulativa].

Conflito social
Embora as questões no estudo tenham sido deliberadamente apolíticas, os resultados podem todavia esclarecer conflitos sociais entre grupos de pessoas que se vêem como muito diferentes, diz Jenkins.
A teoria psicológica sugere que outro modo de deduzir os sentimentos dos outros, sem referência aos sentimentos próprios, é confiar simplesmente em convenções sociais. Isto, sugere a pesquisadora, poderia ser a causa de tensões raciais ou religiosas.
“É bem plausível que usemos estereótipos para pessoas dissimilares a nós”, diz Jenkins. “Se isso é útil ou preconceituoso é uma questão aberta”.
Jenkins e seus colegas estão investigando agora esse efeito usando pessoas de diferentes raças, para ver se conseguem os mesmos resultados. Até agora escolheram voluntário brancos e orientais – usar grupos raciais com uma história de tensão, tais como israelenses e palestinos, pode mudar os resultados, diz ela.
Quaisquer que sejam os resultados dessa pesquisa, há esperança de criar empatia mais forte por pessoas diferentes de nós. Outra pesquisa de Jenkins e sua equipe sugere que você pode ‘se colocar no lugar do outro’ bem eficazmente simplesmente passando cinco minutos escrevendo sobre o outro na primeira pessoa – talvez sugerindo que você pode realmente tomar o ponto de vista de outra pessoa se tentar.”***
O autor deste blog e tradutor desta notícia rejeita a existência de raças na espécie humana.

  • Anônimo

    Eli, sou a Sara e fiz a matéria de evolução humana contigo. Achei seu blog enquanto procurava informações sobre o texto da resenha. Parabéns pelo site e pelos textos!

  • Falta-nos empatia, meu amigo… falta-nos empatia!
    Matéria muito interessante!
    Abraços!